Em 2019, quando a gente fez a Slinky Dog Dash logo cedinho no Hollywood Studios, eu saí dela dizendo no vídeo que era uma montanha-russa gostosa, nada radical, aquela fantasia Disney com bastante emoção. Em janeiro de 2026 a gente voltou ao parque com o Samuel, que tinha 4 anos, e a Slinky Dog foi a primeira atração do nosso dia. Ela foi forte demais pra ele, que ficou com bastante medo e chorou muito.
Foi ali que eu entendi na prática que o tamanho do susto depende de quem está sentado no carrinho. Nesse post eu vou contar o que a gente fez nos dias seguintes pro Samuel aproveitar os parques sem a gente deixar de andar no que queria, o que eu e a Carol temos de medo, porque a gente também tem, e as estratégias que funcionam pra quem não curte emoção forte. Algumas delas a gente viveu e outras não, e eu vou avisando qual é qual ao longo do texto.
O que aconteceu com o Samuel no Hollywood Studios
O Samuel tinha altura pra Slinky Dog Dash, que pede 97 cm segundo a página oficial da Disney (conferido em 1º de outubro de 2026), e mesmo assim ela foi demais pra ele. À tarde a gente finalmente conseguiu entrar na Millennium Falcon: Smugglers Run, um simulador em que cada pessoa tem uma função dentro da cabine e que também pede 97 cm. O Samuel estava lá na frente e ficou com muito medo de pilotar, porque a nave balança bastante e parece bem real. Saindo de lá eu comentei no vídeo que ele tinha 4 anos, nunca tinha ido num simulador assim e nunca tinha ido numa montanha-russa um pouquinho mais forte, e as duas coisas vieram no mesmo dia.
O resto do dia a gente montou em volta dele. No Toy Story Mania eu e o Samuel fomos no mesmo carrinho competindo, e ele gostou bastante. Na Mickey & Minnie’s Runaway Railway ele curtiu muito, e no fim do dia, no Alien Swirling Saucers, ele quis ir de novo assim que saiu, então a gente voltou. Ele também gostou do show do Indiana Jones, que quase nunca tem fila e é muito legal com criança.
A montanha-russa do Aerosmith e a Torre do Terror, que eu e a Carol já fizemos várias vezes, ficaram de fora. Eu cheguei a pensar em ir em uma delas enquanto a Carol ficava com o Samuel, a do Aerosmith acabou fechando naquela tarde, e a conclusão do dia foi que são atrações que a gente deixa passar pra priorizar o Samuel, já que a ideia do roteiro era ele aproveitar também.
Suba o nível aos poucos, e deixe a criança dizer quando
Dois dias depois, no Magic Kingdom, a primeira atração do plano seria a Seven Dwarfs Mine Train, a montanha-russa dos Sete Anões. Por causa da Slinky Dog a gente mudou o plano e deixou a Sete Anões pro fim do dia, só se o Samuel topasse, com a ideia de mostrar pra ele antes, de fora, como era a queda. Tem que respeitar o limite da criança, e o caminho que a gente escolheu foi ir aumentando o nível ao longo do dia.
O primeiro nível foi o Pirates of the Caribbean, que tem uma quedinha logo no começo. Era a atração que ele mais esperava, porque ele adora a temática de pirata e de barco, e na fila ele dizia que ia ser a melhor de todas. Na saída eu perguntei o que ele achou da queda e a resposta foi “legal”. O segundo nível foi a Tiana’s Bayou Adventure, a antiga Splash Mountain repaginada, que tem uma queda maior no final. O Samuel foi muito corajoso, gostou bastante e se divertiu, e de quebra a gente descobriu que ela molha bem menos do que parece, só um pouquinho do cabelo. O terceiro nível do plano era a Sete Anões, que pede os mesmos 97 cm da Slinky Dog, mas nessa viagem a gente acabou não indo nela. A Sete Anões a gente só fez em 2019, ainda sem o Samuel.
Se você quiser montar uma escada parecida no Magic Kingdom, dá pra começar pela Barnstormer, uma montanha-russa infantil bem curtinha, passar pela Sete Anões e pela Big Thunder Mountain Railroad, que não tem looping, e só depois pensar na Space Mountain e na TRON. A Big Thunder era a nossa montanha-russa favorita do parque em 2019, com três subidinhas e várias quedas, e na viagem de janeiro ela estava fechada pra reforma. Em 1º de outubro de 2026 a página oficial já mostra a atração com altura mínima de 97 cm e avisa que alguns trechos balançam bastante e passam pelo escuro. A Space Mountain pede 112 cm e é toda no escuro, então não é um bom próximo passo pra quem tem medo de escuro, mesmo sem looping.
Agora, a escada não garante nada. O Samuel tinha altura pra Slinky Dog e não estava pronto pra ela, então o próximo degrau quem decide é a criança, olhando como ela saiu do anterior.
Medo de altura, de queda, de escuro ou de velocidade
Nem todo medo de atração é igual, e eu e a Carol somos a prova disso. Na saída da TRON Lightcycle/Run, no Magic Kingdom, eu falei no vídeo que não gosto de altura e mesmo assim gostei bastante, porque ela não sobe muito alto nem tem aquele tempo de subida, a saída é que é muito veloz, e deitado na moto parece que a velocidade é bem maior. A Carol completou que não gosta quando tem queda, e a TRON não tem tantas quedas, tem mais velocidade. Ela saiu de lá dizendo que achou a melhor de todas.
Então, pra quem tem medo de altura ou de queda, uma montanha-russa rápida pode ser mais tranquila do que parece, e o contrário também vale. A The Twilight Zone Tower of Terror é a mais difícil que a gente conhece pra quem tem medo de queda. Em 2019 eu falei no vídeo que, quando começa a musiquinha, você já fica agoniado sem saber o momento em que vai cair, e que a sequência de quedas e subidas muda de uma vez pra outra. A própria Disney avisa na página da atração que ela tem quedas rápidas e repentinas num espaço escuro e fechado, que podem assustar (conferido em 1º de outubro de 2026, altura mínima de 102 cm).
Pra medo de escuro, o exemplo que eu tenho é da DINOSAUR, no Animal Kingdom, em 2019. Era um carrinho que fazia uma viagem no tempo no meio dos dinossauros, ficava bem escuro, e eu comentei no vídeo que, se a criança pequena tem medo de escuro, talvez não fosse uma boa, porque eu vi umas crianças lá chorando bastante. Essa atração não existe mais, porque o último dia dela foi 1º de fevereiro de 2026, segundo o blog oficial da Disney. A Space Mountain, que a gente fez em 2019 e achou bem divertida, é uma montanha-russa no escuro com algumas luzinhas, então vale a mesma ressalva.
E pra quem sofre mesmo com a aceleração forte, aquele estômago que sobe, o cuidado maior é com montanha-russa de saída rápida, como a TRON. Em 2019, na Rock ‘n’ Roller Coaster, que naquela época era do Aerosmith, eu falei que mesmo quem tem um pouquinho de medo de montanha-russa podia tentar, porque ela tem looping mas você não sente tanto quanto numa montanha-russa aberta. Desde 26 de maio de 2026 ela funciona repaginada com os Muppets, segundo o anúncio oficial da Disney, e essa versão a gente ainda não conhece, então não sei te dizer se a sensação mudou.
Faz esse exercício antes da viagem com quem tem medo. Descobrir se o problema é a altura, a queda, o escuro ou a velocidade já tira várias atrações da lista do “nem pensar”, e coloca outras que a pessoa nem considerava.
Divida o grupo, sem culpa
Pra família com criança que não pode ou não quer andar, existe o serviço de troca de responsável, o Rider Switch na Disney e o Child Swap na Universal, e eu já contei como foi o nosso no Epic Universe no post sobre o Rider Switch e o Child Swap na prática. Um detalhe que eu conferi na página oficial da Disney em 1º de outubro de 2026, e que corrige o que estava escrito aqui antes, é que o Rider Switch vale quando quem não vai andar não pode esperar sozinho fora da fila, como uma criança. Num casal de adultos em que só um tem medo, quem não vai andar pode esperar do lado de fora, então não conte com o serviço nesse caso sem confirmar com o funcionário na entrada da atração.
Pra adulto, o que resolve é dividir o grupo mesmo, e foi o que a gente mais fez nessa viagem. No Epic Universe, enquanto o Samuel brincava no parquinho da área do How to Train Your Dragon com a Carol, que não faz muita questão de Harry Potter, eu fui sozinho na Harry Potter and the Battle at the Ministry e peguei duas horas de fila. No Magic Kingdom, a Ionice, minha sogra, ficou com o Samuel guardando lugar pra parada enquanto eu e a Carol fomos na TRON. Ninguém ficou parado esperando ninguém, e cada um fez o que gosta.
Combine o ponto e o horário de reencontro antes de separar, e se atente à bateria do celular de todo mundo, porque no fim daquele dia no Magic Kingdom eu terminei o vídeo com 1% de bateria. Quem fica de fora pode usar o tempo pra um lanche, uma lojinha ou um show com ar-condicionado. E, na Universal, se a fila de single rider estiver aberta, ela ajuda quem quer andar de novo sem fazer o resto do grupo esperar, a não ser que a pessoa com medo esteja contando com a companhia de alguém na fila.

Atrações tranquilas, parque por parque
Revisei essa lista em 1º de outubro de 2026 e tirei três coisas que estavam erradas no post antigo. O Muppet*Vision 3D, no Hollywood Studios, fechou em junho de 2025. O Pandemonium Cartoon Circus foi um show do Islands of Adventure que saiu de cartaz em 2000. E o Skull Island: Reign of Kong não tem nenhum modo mais tranquilo. A própria Universal descreve a atração com temas maduros, imagens assustadoras e efeitos sonoros intensos, então ele não serve de refúgio pra quem tem medo.
- No Magic Kingdom, a gente fez com o Samuel em 2026 o Peter Pan’s Flight, o Winnie the Pooh e o Magic Carpets of Aladdin, e depois do almoço o Mickey’s PhilharMagic, um cinema 4D com ar-condicionado que é ótimo pra descansar. Também entram na lista “it’s a small world”, Jungle Cruise, PeopleMover e o carrossel Prince Charming Regal Carrousel.
- Pra quem aguenta um susto leve, a Haunted Mansion é um passeio lento e sem queda, que a Disney descreve como uma atração escura com cenas levemente assustadoras, sem altura mínima.
- No Hollywood Studios, o Toy Story Mania!, o Alien Swirling Saucers e a Mickey & Minnie’s Runaway Railway foram as que o Samuel mais curtiu, e os shows do Indiana Jones e do Frozen não exigem coragem nenhuma. O do Frozen deu um soninho na gente, mas serviu pra descansar no ar-condicionado.
- No Epcot, o Spaceship Earth é um passeio de 16 minutos no escuro, sem queda e sem altura mínima, e o Living with the Land e os pavilhões do World Showcase também são tranquilos. Esses a gente não mostrou nos vídeos dessa viagem.
- No Animal Kingdom, em 2019 a gente fez o Kilimanjaro Safaris, a trilha do Gorilla Falls, que leva uns 20 a 30 minutos se você for com calma, e o Na’vi River Journey, um passeio de barquinho em que parece que você está dentro do filme.
- Na Universal, o E.T. Adventure é um passeio de bicicleta voadora que pede 87 cm, o Caro-Seuss-el é um carrossel do Dr. Seuss sem altura mínima, e o Hogwarts Express é o trem que liga os dois parques, que exige ingresso com acesso aos dois.
- No Epic Universe, depois da Mine-Cart Madness, que ele não quis encarar, o Samuel se divertiu nos minijogos da área do Mario, que exigem a pulseira interativa (com uma só a gente brincou em três), no Yoshi’s Adventure e no parquinho do How to Train Your Dragon. No Fyre Drill, o barco com canhão de água, ele foi comigo, porque a Carol não estava a fim de se molhar, e saiu ensopado dizendo que foi muito legal.
As alturas e descrições oficiais acima foram conferidas em 1º de outubro de 2026 e podem mudar, então confirme no aplicativo do parque antes da viagem.
Ver o vídeo da atração antes ajuda, com um cuidado
Assistir ao vídeo “on ride POV”, o ponto de vista de quem está sentado na atração, tira a incerteza de quem tem medo, e pra muita gente isso já reduz bastante a ansiedade. Esse vídeo você não vai achar no nosso canal, porque eu não filmo dentro das atrações. Eu falei isso nos vídeos de 2019 e de novo em 2026, e continuo achando que filmar tira a graça da surpresa.
O que a gente planejou com o Samuel foi uma versão ao vivo disso, mostrar pra ele de fora como era a queda da Sete Anões antes de perguntar se ele topava. Pra quem tem medo de verdade, o vídeo inteiro ajuda. Pra quem só está curioso, um caminho do meio é assistir só o começo, o suficiente pra entender o tipo de movimento, sem ver o final.
Se o medo bater na fila ou na hora de embarcar
Isso nunca aconteceu com a gente, então aqui eu não tenho história pra contar. A Disney não explica nas páginas das atrações como funciona a saída pra quem desiste, então não conte com um caminho específico. Avise o funcionário mais próximo e siga o que ele indicar, e não force ninguém a embarcar só porque já esperou meia hora na fila.
Se alguém do grupo costuma travar justamente na plataforma, vale combinar antes um sinal discreto, uma palavra ou um gesto que quer dizer “quero sair”, pra pessoa não ter que se explicar na frente de estranhos na hora em que já está nervosa.

Enjoo é outra conversa
Tem gente que não tem medo nenhum e passa mal em simulador ou em atração que gira, por labirintite ou sensibilidade a movimento. Nas farmácias americanas, como CVS e Walgreens, existem remédios de venda livre pra enjoo, e também existem pulseiras de acupressão, com efeito que varia bastante de pessoa pra pessoa. A gente nunca usou nenhum dos dois nos parques, então converse com um médico antes da viagem, siga a bula e teste em casa, nunca pela primeira vez na fila da atração.
Não force ninguém, nem a criança nem o adulto
Frases como “não tem nada demais” fazem a pessoa sentir que o medo dela não vale, e costumam piorar em vez de ajudar. O Samuel chorou na Slinky Dog e, dois dias depois, subindo o nível aos poucos, foi corajoso na Tiana’s Bayou Adventure.
Vale também pro adulto. Eu falei no vídeo que não gosto de altura, a Carol falou que não gosta de queda, e não tem problema nenhum nisso. Quando o pai ou a mãe assume o próprio limite, a criança se sente à vontade pra fazer o mesmo. E em 2019, gravando o roteiro do Magic Kingdom, eu deixei um recado que continua valendo, o de não deixar nenhum blog nem canal do YouTube te dizer o que é melhor pra sua família. Tem atração que a gente mesmo chama de infantil e que eu e a Carol amamos, então pesquise as atrações, veja como cada um do seu grupo reage e monte o dia a partir disso.
Perguntas frequentes
Quais atrações são boas pra quem tem medo de emoção radical?
No Magic Kingdom, Peter Pan’s Flight, Winnie the Pooh, “it’s a small world” e Jungle Cruise. No Hollywood Studios, Toy Story Mania! e Alien Swirling Saucers, que o Samuel, com 4 anos, curtiu bastante. No Epcot, os pavilhões do World Showcase e o Spaceship Earth. No Animal Kingdom, o Kilimanjaro Safaris. Na Universal, E.T. Adventure, Caro-Seuss-el e o Hogwarts Express, que exige ingresso com acesso aos dois parques.
É possível o grupo se dividir durante o dia de parque?
Sim, e foi o que a gente mais fez em janeiro de 2026. Combine ponto e horário de reencontro antes de separar. O Rider Switch da Disney, pela regra oficial conferida em 1º de outubro de 2026, é pra quando quem não vai andar não pode esperar sozinho fora da fila, como uma criança.
Dá pra sair da fila se o medo bater na hora de embarcar?
A gente nunca precisou, então não tenho experiência própria pra te contar. Avise o funcionário mais próximo e siga o caminho que ele indicar, sem embarcar contra a vontade só porque já esperou.
Existe remédio pra quem tem enjoo de movimento em atração radical?
Existem opções de venda livre em farmácias americanas e pulseiras de acupressão, com efeito que varia de pessoa pra pessoa. A gente nunca usou nos parques. Converse com um médico antes da viagem, siga a bula e teste em casa antes.
Como saber se o medo é de altura, escuro ou velocidade?
Repare se o que incomoda mais é a queda, o ambiente fechado e com pouca luz ou a aceleração forte. A TRON é um bom exemplo, porque eu não gosto de altura, a Carol não gosta de queda, e os dois gostaram, já que ela é mais velocidade do que altura.
Forçar a criança a entrar ajuda a superar o medo?
Não. O Samuel chorou na Slinky Dog Dash e, com a gente subindo o nível aos poucos, foi corajoso na Tiana’s Bayou Adventure dois dias depois. Deixar a criança escolher o próximo passo funcionou bem melhor do que insistir.
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