Voamos de executiva na ida (Guarulhos → Cidade do Cabo) e de econômica na volta (Joanesburgo → Guarulhos) na South African Airways, e o contraste entre as 2 experiências ficou tão grande que decidimos fazer esse comparativo direto, com tudo que vivemos nas duas cabines.
Uma das companhias mais antigas da África (mas não a primeira)
A South African Airways não é a companhia aérea mais antiga da África: a origem remonta à Union Airways, fundada em 24 de julho de 1929, absorvida pelo governo sul-africano em 1º de fevereiro de 1934, quando nasceu a SAA como marca estatal. Ainda assim, é uma das companhias mais antigas em atividade no continente.
Do portão errado ao embarque: 237, mas no terminal 2
Antes do voo, passamos pela sala do Nubank em Guarulhos, aquela que ficou famosa pela área restrita. Saindo de lá, o aplicativo da South African indicava terminal 3 para o portão 237, mas na prática era terminal 2, e tivemos que voltar todo o trajeto andando bastante até o início (na real, o final) do terminal 2. Ainda bem que tínhamos saído da sala VIP com folga, porque o saguão de embarque estava bem lotado, e nem dava para identificar de cara qual fila era a da executiva. Como o check-in tinha sido feito online, precisamos ir até o balcão em frente ao portão só para imprimir os cartões de embarque.
Ida de executiva: menos de R$ 3.100 por pessoa
Reservamos com bastante antecedência (fim de janeiro/início de fevereiro para um voo em dezembro) e usamos milhas Smiles para fazer o upgrade direto da econômica para a executiva no site da companhia, gerando uma economia real: abaixo de R$ 3.100 por pessoa. É um dos voos mais rápidos do Brasil até a África do Sul, com menos de 7h30 de duração no trecho Guarulhos-Cidade do Cabo. O voo, noturno, atrasou um pouco por causa da chuva em Guarulhos: era para sair às 6h05 e passou das 6h30.
Reservamos com antecedência justamente para garantir os primeiros assentos, o 1D e o 1A, que têm bem mais espaço na frente do que o resto da cabine. É tanto espaço que nem dava para ocupar tudo mesmo esticando ao máximo. Mas tem um detalhe real: os primeiros assentos ficam mais perto da galley, a cozinha da aeronave, e dos banheiros, o que pode gerar mais barulho dependendo do avião. Nessa aeronave específica, os banheiros da executiva ficam na parte de trás da cabine, então o voo acabou sendo mais tranquilo nesse quesito. O assento 1A, por ficar na janela, tem menos privacidade por estar mais perto do corredor, mas em compensação fica mais perto do resto da família.

O amenity kit sem nenhuma etiqueta da South Africa
Assim que sentamos, fomos recebidos com welcome drink de suco de goiaba, laranja ou champanhe. O amenity kit chamou atenção pelo motivo errado: veio numa embalagem de plástico bem simples, sem nenhuma etiqueta escrita “South Africa”, nada que identificasse a marca. Dentro tinha tapa-olho, meias pretas, protetor de ouvido (dois, inclusive), escova e pasta de dente, hidratante facial da Dove e lip balm também da Dove. Simples, funcional, mas nada memorável.

Ceviche, filé mignon e a faca que não corta
De entrada, veio berinjela com tomate, mussarela de búfala e presunto de parma. O Rudi foi de ceviche, a Carol pediu a sopa do dia, de couve-flor, e também tinha opção de salada, sempre acompanhada de ginger ale, bebida que sempre pedimos a bordo. O pãozinho de alho estava uma delícia. No prato principal, o Samuel comeu bastante da massa recheada com mussarela, a Carol ficou só na sopa (já tinha comido bem na sala VIP), e o Rudi foi de filé mignon com batata gratinada e vagem. Achamos o prato meio pequeno para o tamanho da carne, e a faca não ajudava muito, cortava pouco. O ponto podia ter sido um pouco mais malpassado, mas mesmo bem passada a carne estava saborosa, o molho gostoso, e a batata com queijo por cima uma delícia.
A South African não dá a opção de selecionar o prato com antecedência pelo aplicativo, como em outras executivas, mas por estarmos na primeira fileira já garantimos a opção de carne. De sobremesa, o Rudi pediu as duas opções disponíveis, cheesecake de limão e sorvete: o cheesecake estava muito bom, o sorvete não valeu as calorias. O atendimento foi excelente do início ao fim, sempre atenciosos com os pedidos, inclusive quando pedimos para o prato do Samuel vir antes dos nossos, o que ajuda muito quando se viaja com criança pequena e é preciso comer enquanto ainda dá comida para ela. Na hora de dormir, a Carol mesma arrumou a cama do Samuel, e uma comissária arrumou a do Rudi. O forro deixa o assento mais confortável, mas o cobertor fornecido é pequeno: para o Samuel ficou ótimo, mas para os adultos o pé ficava para fora.
O voo teve bastante turbulência, mas ainda assim o Samuel dormiu mais de 4h30. A Carol não dormiu nada, e o Rudi só um pouco mais de 2 horas. Os controles de TV também não estavam funcionando direito, a tela do Rudi precisou ser reiniciada, e havia poucas opções de filme, nenhuma com legenda em português, e poucos lançamentos recentes.
Café da manhã confuso e a vista da Table Mountain
O café da manhã não foi bem um café da manhã: teve confusão no cardápio. Tinha omelete listado, mas só disponível na rota para Joanesburgo. O iogurte e as frutas vieram misturados, então sobrou basicamente o continental com frios e queijos, que não estava nada bom. Pelo menos o Rudi conseguiu tomar seu café expresso antes de aterrissar. O Samuel dormiu tanto que foi difícil acordá-lo para levantar o assento, mas a equipe de comissários foi gentil e deixou ele ficar deitado o máximo possível antes do pouso.
Quem senta do lado direito consegue uma vista linda da Cidade do Cabo na chegada: o Rudi ficou com esse lado e a Carol conseguiu fotografar a Table Mountain. Com o cartão de embarque da executiva, dá para usar a fila de fast track da imigração, mas nem foi necessário no nosso caso: como não despachamos mala, todo o processo foi rápido e fomos dos primeiros a sair do aeroporto.
Volta de econômica: a Premiere Lounge de Joanesburgo antes da decepção
O contraste com a econômica começou já no check-in: a fila de despacho de bagagem era bem maior do que a da executiva, que tinha praticamente só duas famílias na nossa frente. Antes de embarcar em Joanesburgo, tivemos cerca de 40 minutos e acessamos a Premiere Lounge com o Dragon Pass do nosso cartão Visa Infinite do Porto, que dá 10 acessos por ano (usamos um deles ali). Essa sala parecia bem mais ampla do que a que tínhamos acessado antes na Cidade do Cabo (a Bidvest Lounge), com muitos assentos e sem estar tão cheia.
O buffet dessa sala era grande: mel, linguiça de porco e de cordeiro, ovos mexidos, um prato parecido com chakalaka (uma espécie de feijão com carne, ovo, batata e cogumelos), pãezinhos, croissant, geleias, manteiga, pão sírio em formato de sanduíche, frios, queijos (gouda, cheddar e mais uma tábua variada), tomate, pepino, biscoitinhos, smoothies, iogurtes, bastante fruta, cereais, panqueca, waffle, scones e muffins. O Rudi provou o Turkish egg, um ovo com molho de tomate bem temperado, e comparou com um ovo parecido que tinha comido antes em Londres. A Carol pegou croissant recheado, ovo mexido e um smoothie de morango, e o Samuel pediu só croissant. Também tinha suco verde e suco de gengibre, esse último bem mais forte. O café gelado que o Rudi pediu saiu meio ralo, provavelmente colocaram água a mais no preparo.
Assento 47: o braço fixo que não deixa a criança deitar
Para o trecho interno Cidade do Cabo-Joanesburgo, de apenas 2 horas, o serviço a bordo já tinha sido bom, com dois tipos de sanduíche e alguns docinhos, o que deixou uma boa expectativa para o voo mais longo de volta ao Brasil. Passando pela cabine executiva daquele avião a caminho do nosso assento, reparamos que os assentos 9D e 9A tinham o mesmo espaço do assento número 1, e o 9A parecia o melhor assento da executiva por ter um console do lado, que dá mais privacidade, além de ficar na janela. Depois da fileira 12, que é a última da executiva, começa a econômica, e o nosso assento era o 47.
Um aprendizado prático para quem viaja com criança: o ideal é pegar os assentos um pouco mais para trás, como o nosso, porque o braço desce e a criança consegue deitar. Nos assentos da primeira fileira da econômica, apesar de terem mais espaço para os pés, o braço é fixo e a criança não consegue se deitar de jeito nenhum.

A tentativa de upgrade no dia de Natal (e o não que veio mesmo assim)
Já com 1h10 de atraso, o Rudi tentou negociar um upgrade para a executiva, mesmo insistindo bastante e mencionando que era dia de Natal (25 de dezembro). A cabine executiva daquele avião, pelo menos na parte que ele conseguiu ver, tinha só três pessoas, então sobrava assento vago, e é justamente por isso que existem alianças e parcerias entre companhias: para liberar assentos-prêmio de última hora quando a cabine está tão vazia. Mesmo assim, não teve jeito, e seguimos na econômica.
A aeronave era antiga, da companhia portuguesa Hi Fly, fretada pela South African para esse trecho, e todas as telas de entretenimento estavam sem funcionar, tanto na econômica quanto na primeira fileira da executiva daquele voo específico. Uma comissária chegou a colocar uma coberta vermelha sobre uma das telas para escurecer o ambiente. Entreter o Samuel por mais de 10 horas sem nenhuma tela exigiu um arsenal: caderno de desenho, livro de adesivos, fone de ouvido com YouTube offline baixado, o Kindle para quando ele dormia, e até uma caminha inflável que enchemos com a boca para ele deitar parte no colo, parte na poltrona. O Rudi ainda conseguiu assistir a um filme pelo próprio celular, com fone de ouvido pessoal.
Peixe com curry, muita pimenta e a lição sobre o menu infantil
A primeira refeição, carne com purê de batata, foi razoável e matou a fome, embora a sobremesa fosse difícil até de identificar o que era. Faltando 2 horas para aterrissar, serviram peixe com curry e um wrap vegetariano, ambos com bastante pimenta, incluindo um bolinho de milho apimentado que deixou o Rudi sentindo o ardido por um bom tempo depois. Não foi uma boa refeição para adulto, e para criança foi pior ainda: o Samuel ficou só no pãozinho. A lição prática que fica: em voos assim, vale a pena sempre escolher o menu infantil com antecedência, quando disponível, em vez de arriscar no prato padrão.

A diferença real entre as 2 classes
Fila de despacho, embarque prioritário, acesso à sala VIP (a Premiere Lounge em Joanesburgo, com bom buffet, ajudou bastante antes desse trecho mais longo), silêncio e privacidade a bordo: tudo isso pesa na experiência real de um voo longo. Como o voo de Joanesburgo é mais longo do que o de Cidade do Cabo, o aprendizado prático ficou claro: teria sido uma estratégia bem melhor reservar a executiva justamente na volta, e não na ida, além de garantir acesso à sala VIP da própria South African. A gente prefere muito mais voos diurnos, porque temos bastante dificuldade para dormir durante o voo, e a diferença de silêncio, conforto e privacidade entre as duas classes ficou evidente nesse trecho. Ainda bem que a aeronave estava bem vazia e tivemos pouca turbulência na volta.
As boas dessa comparação
- Executiva por menos de R$ 3.100 usando milhas Smiles. Ótimo custo-benefício para classe premium internacional.
- Guarulhos-Cidade do Cabo é um dos voos mais rápidos para África do Sul. Menos de 7h30 de duração.
- Sala VIP Premiere em Joanesburgo compensou parte da econômica. Buffet grande e bom antes do voo mais longo.
- Atendimento atencioso em ambas as classes. Pedidos especiais para o Samuel foram sempre atendidos rapidamente.
O que não foi tão bom
- 10 horas de econômica sem nenhuma tela funcionando. Desafio real de entretenimento com criança pequena.
- Comida da volta bem abaixo da ida. Pratos muito apimentados e pouco adequados para criança.
- Aeronave fretada mais antiga no trecho de volta. Qualidade de equipamento bem diferente entre ida e volta.
- Amenity kit sem identidade da companhia. Funcional, mas sem nenhum item ou etiqueta que remetesse à South African.
- Café da manhã da ida com cardápio confuso. Opção anunciada (omelete) só disponível em outra rota.
Investimentos dessa etapa
| Item | Valor |
|---|---|
| Executiva South African, Guarulhos → Cidade do Cabo (por pessoa, com milhas Smiles) | Abaixo de R$ 3.100 |
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Perguntas frequentes
Vale a pena voar de econômica para África do Sul?
Em trechos mais longos, como Joanesburgo-Guarulhos, recomendamos priorizar a executiva se possível. A diferença de conforto, silêncio e privacidade é grande num voo de mais de 10 horas.
A South African Airways é a companhia aérea mais antiga da África?
Não. A origem remonta à Union Airways, de 1929, absorvida pelo governo sul-africano em 1934 para formar a SAA. Ainda assim, é uma das companhias mais antigas em atividade no continente.
Dá para escolher o prato da executiva da South African com antecedência?
Não, diferente de outras companhias, a South African não oferece essa opção pelo aplicativo. Sentando na primeira fileira, porém, você tem prioridade na escolha do prato principal na hora do serviço.
Quais assentos escolher na econômica viajando com criança pequena?
Prefira assentos um pouco mais atrás da primeira fileira da econômica. Nos primeiros assentos, o braço costuma ser fixo e não desce, o que impede a criança de se deitar durante o voo.
Como acessar salas VIP no aeroporto de Joanesburgo viajando de econômica?
É possível acessar com Dragon Pass, LoungeKey ou parcerias de cartões como o Visa Infinite. Usamos o Dragon Pass do nosso cartão do Porto para entrar na Premiere Lounge antes do voo de volta.


