Esse não é mais um post sobre uma atração específica de Orlando. Já escrevemos dezenas deles ao longo dos anos: o Magic Kingdom sozinho, o Animal Kingdom sozinho, cada parque da Universal, cada outlet, cada restaurante. O que nunca tínhamos feito era juntar tudo numa única narrativa, contando a nossa primeira viagem completa a Orlando do jeito que ela realmente aconteceu, dia a dia, do embarque em Brasília até o Uber que nos levou para casa quinze dias depois.
Foi em setembro de 2017. Rodolfo e Carol, ainda sem os detalhes de agência de viagem que viriam depois, montando o próprio roteiro no papel, gastando em dólar, errando caminho, descobrindo na prática coisas que hoje parecem óbvias. Se você está planejando a sua primeira viagem a Orlando e quer ler algo mais parecido com um diário de bordo do que com uma lista fria de dicas, esse guia é para você. Todos os preços, filas, comidas e opiniões aqui são reais, do jeito que vivemos.
Resumo rápido: nossa primeira viagem a Orlando em números
- Quantos dias vale a pena: fizemos 15 dias inteiros, cobrindo todos os parques e ainda repetindo o Magic Kingdom; dá para fechar em 10-11 dias cortando a repetição e o domingo livre
- Quando fomos: setembro de 2017, logo depois do furacão Irma, com os parques bem mais vazios do que o normal
- Parques visitados: Magic Kingdom (2x), Animal Kingdom, EPCOT, Hollywood Studios, Universal Studios, Islands of Adventure e SeaWorld
- Quanto custou: US$ 1.172,63 só em comida, estacionamento e pequenas compras dentro dos parques, ao longo de dez dias documentados (sem ingresso, hotel e passagem aérea)
- Melhor atração: Avatar Flight of Passage, no Animal Kingdom
- Parque que mais decepcionou: SeaWorld
- Ingresso de 1 dia/1 parque hoje (2026): a partir de US$ 119 na Disney, US$ 124,99 na Universal e US$ 147,99 (tabela) no SeaWorld
Sumário: os 15 dias, dia a dia
- Como quase não embarcamos: o furacão Irma na véspera
- Chegada em Orlando: a pegadinha da esteira, o carro na Alamo e o chip que mudou tudo
- Outlet Premium e Disney Springs: as primeiras compras da viagem (dia 2)
- Café da manhã no Be Our Guest e o Magic Kingdom quase vazio (dia 3)
- Animal Kingdom e o Mundo de Pandora: valeu voltar duas vezes no Flight of Passage (dia 4)
- Um dia de compras e descanso: IHOP, Target, Marshalls e o jantar no Olive Garden (dia 5)
- EPCOT: carimbando passaporte pelo World Showcase (dia 6)
- Hollywood Studios com Star Wars: Rock’n Roller Coaster e a Torre do Terror (dia 7)
- SeaWorld: três montanhas-russas e a sensação estranha de parque abandonado (dia 8)
- Um dia inteiro na Universal Studios: Múmia, Transformers e o melhor milkshake da viagem (dia 9)
- Islands of Adventure: as atrações que molham e o melhor almoço da viagem (dia 10)
- Harry Potter sem ser fã: um dia inteiro entre o Beco Diagonal e Hogsmeade (dia 11)
- O único dia de descanso da viagem: compras finais e abastecendo o carro sozinhos (dia 12)
- Domingo em Orlando: culto na First Baptist Church, o pior almoço da viagem e o pôr do sol na Orlando Eye (dia 13)
- Voltando ao Magic Kingdom: por que vale a pena repetir o parque na mesma viagem (dia 14)
- Voltando para casa: devolução do carro e o fim dos 15 dias (dia 15)
- Quanto custou nossa primeira viagem a Orlando
- Erros e aprendizados: o que faríamos diferente hoje
- Perguntas frequentes sobre a primeira viagem a Orlando
Como quase não embarcamos: o furacão Irma na véspera
Essa viagem quase não aconteceu. Nos últimos dias antes do embarque, o furacão Irma estava batendo forte na Flórida, e a gente vivia checando notícia sem saber se o aeroporto de Orlando ia estar aberto ou fechado no dia do nosso voo. O dia da viagem em si foi corrido: imprimir os cupons dos outlets, separar remédio para qualquer imprevisto, montar comidinha para o voo, fechar mala. Nada extraordinário, mas com aquela tensão de fundo de não saber se ia dar certo.
Fomos para o aeroporto de Brasília às 22h do dia 11 de setembro, de Uber ouvindo Damaris no som do motorista, detalhe bobo, mas que ficou marcado. Chegamos com bastante antecedência, fizemos o check-in e despachamos as malas cedo para não correr risco. Embarcamos de madrugada, às 2h do dia 12. A aeronave da Copa Airlines nesse trecho era simples e antiga, sem tela individual, sem nenhum tipo de entretenimento de bordo, e o serviço durante a madrugada ficou devendo, só uns snacks fracos. Ficamos nas poltronas da saída de emergência, que pelo menos deram espaço de sobra para esticar a perna, mas a manta que entregaram era fininha demais para o frio da cabine. Usamos duas mantas, ainda de moletom, e passamos frio mesmo assim. Se você for voar de madrugada num trecho assim, leve seu próprio casaco ou cachecol na mochila de mão, não conte com a manta do avião para te manter aquecido.

Depois de 6 horas de voo, pousamos no Panamá para a conexão. O aeroporto estava um freezer, literalmente gelado. Demos uma volta rápida pelas lojas e voltamos para a fila de embarque do voo para Orlando. Foi ali, na fila, que encontramos o André Valadão, que também estava de passagem para Orlando. Aproveitamos para tietar e tirar uma selfie, esse tipo de coincidência de aeroporto sempre quebra um pouco o cansaço da viagem. O trecho Panamá até Orlando foi bem mais tranquilo, com uma aeronave da Copa bem melhor que a do trecho Brasília, apesar do espaço entre poltronas continuar apertado.
Chegada em Orlando: a pegadinha da esteira, o carro na Alamo e o chip que mudou tudo
Pousamos em Orlando às 13h25 no horário local, e o calor já estava nos esperando assim que abriram a porta do avião. A imigração foi rápida, sem complicação. Uma coisa que ninguém avisa e que vale registrar: depois de pegar a bagagem na primeira esteira, ela precisa ser recolocada em outra esteira que leva para a área central do aeroporto. Ou seja, você pega a mala, anda, e entrega ela de novo para pegar de novo do outro lado. Pegamos o trenzinho interno do aeroporto e recuperamos as malas na área principal. Esse detalhe costuma pegar viajante de primeira viagem desprevenido, já que a maioria dos aeroportos entrega a bagagem direto numa única esteira, sem esse passo intermediário.
Da esteira, fomos direto para a Alamo pegar o carro alugado. Fizemos o processo no totem da própria empresa, mas como chegamos meia hora antes do horário previsto, precisamos ir ao balcão explicar a situação para não sermos cobrados por uma taxa extra de antecipação. A recomendação real, que vale para qualquer locadora nos Estados Unidos, é sempre fazer o check-in de aluguel de carro online antes de viajar, ou pelo menos pelo totem no aeroporto. Você consegue fazer tudo em português e evita cair na conversa do vendedor de balcão, que empurra upgrade de categoria, seguro extra e mais um tanto de coisa. O vendedor insistiu em oferecer upgrade de carro e outros seguros, e a gente recusou tudo e leu com calma o contrato antes de assinar. Um detalhe que vale destacar: no contrato tem uma previsão de cobrança, no nosso caso $45, caso você devolva o carro sem reabastecer o tanque. (Atualização 2026: hoje a Alamo não trabalha mais com uma taxa fixa divulgada previamente. A cobrança por combustível não reposto virou preço por galão, girando em torno de US$ 9,50 a US$ 10,50 o galão faltante, bem acima do preço de posto — então continua valendo mais a pena abastecer por conta própria antes de devolver. Fonte oficial: alamo.com/en/customer-support/car-rental-faqs/fuel-options.)
Depois do check-in, fomos para a garagem escolher o carro. Isso é outra coisa que vale saber: dentro da categoria que você alugou, você pode entrar na garagem, olhar os carros disponíveis com calma, sentar dentro e escolher livremente qual leva, sem pressa nenhuma. Acabamos pegando um Elantra, com um único problema: um cheiro de umidade nos bancos, tipo cachorro molhado, que ficou incomodando nos primeiros dias. Apanhamos um pouco para encaixar todas as malas no porta-malas, mas no fim coube tudo. Levei uns minutos para me adaptar à direção do carro americano, mas já na saída do aeroporto estava tranquilo. O maior desafio não foi tanto a posição do volante, mas os primeiros minutos de trânsito real, com placa em outro idioma e rotatória em formato diferente do que estamos acostumados no Brasil. Depois dos primeiros quilômetros, o cérebro se ajusta rápido.

Saindo do aeroporto, ligamos o Waze e fomos almoçar no Florida Mall. Contratamos ainda no Brasil um chip de dados da EasySIM4u, e foi uma das melhores decisões logísticas da viagem: rodar pela cidade, ver o trânsito em tempo real, pesquisar restaurante e produto sem depender de wifi de loja. No Florida Mall, almoçamos hambúrguer no Five Guys, e segundo a Carol foi o melhor hambúrguer que comemos em toda a viagem. Demos uma passada rápida pela loja da Disney e pela loja da M&M’s, e seguimos para o hotel.
Fomos para o Rosen Inn, na International Drive, fazer o check-in e largar as malas. Chegamos com muita sede e resolvemos comprar água na máquina do hotel, só que ela engoliu o dólar e não soltou nada, tivemos que ir para outra máquina do corredor. Organizamos as malas no quarto, tomamos um banho para relaxar do dia inteiro de viagem e saímos para o Walmart comprar comida de café da manhã e lanche para os próximos dias. Comprar fruta, iogurte, pão e água em pacote grande no Walmart custa uma fração do que sairia comendo fora todo café da manhã do parque, e essa logística se repetiu ao longo de praticamente toda a viagem. Saímos do Walmart já depois das nove da noite e voltamos para o hotel para finalmente dormir com o ar-condicionado ligado, depois de mais de 24 horas acordados entre voo, escala e chegada. Reservar o primeiro dia inteiro só para essa logística, sem tentar emendar direto num dia de parque, foi uma das melhores decisões da viagem inteira.
O real que rendeu mais em cada dólar gasto
Ao longo desses 15 dias, pagamos em dólar centenas de vezes: estacionamento, praça de alimentação, outlet, posto de gasolina, restaurante. Cada real perdido em IOF de cartão de crédito comum ou em câmbio ruim vira, somado no fim da viagem, um dia inteiro de parque a menos no orçamento da próxima. Hoje resolvemos isso com um cartão internacional que converte na cotação real, sem operação de câmbio escondida atrás do valor final da fatura.
Outlet Premium e Disney Springs: as primeiras compras da viagem (dia 2)
Acordamos cedo, às 7h da manhã, já sem sono nenhum e ansiosos para o nosso primeiro dia completo em Orlando. Tomamos café da manhã com o que compramos no Walmart, café da Dunkin’ Donuts, bolo mesclado e croissants, as porções no mercado são gigantescas e comemos croissants até enjoar. Fomos para o Outlet Premium da International Drive cedinho, e chegamos lá com tudo ainda fechado e vazio. Aproveitamos esses primeiros minutos parados na entrada para planejar por quais lojas a gente ia passar primeiro.
Passamos por várias lojas ao longo do dia: começamos pela Nike, onde estava tudo muito caro e não compramos nada, seguimos pela Forever 21, pela Skechers, onde viramos fãs da marca e compramos tênis para nós dois, pela Tommy Hilfiger e pela Polo Ralph Lauren, que estavam caras demais nesse dia, pela Victoria’s Secret, onde a Carol aproveitou uma liquidação, pela Timberland, onde comprei duas bermudas e um polo, e por lojas de perfume, Bath and Body Works e Adidas. Na Skechers, a experiência foi tão boa que virou decisão de viagem: acabamos voltando lá mais vezes ao longo da estadia para comprar pares para o resto da família também.

Almoçamos dois pedaços de pizza na Sbarro, $8,72 pelos dois, e saímos do outlet às 16h para ir a Disney Springs comprar as MagicBands. Nos perdemos um pouco e descobrimos que a Disney não vende MagicBand na World of Disney: acabamos comprando na Disney’s Pin Traders, duas MagicBands por $27,67, com um atendente impaciente que não explicou direito os valores. (Atualização 2026: a MagicBand simples deu lugar à MagicBand+, versão interativa, com preço oficial a partir de US$ 34,99 nos modelos de cor sólida e US$ 44,99 nos temas de personagem — praticamente o dobro do valor unitário que pagamos em 2017. Fonte oficial: disneystore.com/accessories/adults/magicband.) Lanchamos dois sanduíches na Earl of Sandwich, $20,21, e voltamos para finalizar as compras no Outlet Premium no final do dia, sem o horário de pico do meio da tarde. Disney Springs à noite tem outra cara, com as lojas e restaurantes iluminados e um clima bem mais gostoso de passear do que durante o calor do meio-dia.
Café da manhã no Be Our Guest e o Magic Kingdom quase vazio (dia 3)
Acordamos às 6h30. Sim, bem cedinho. Deixamos as MagicBands configuradas no dia anterior e a mochila pronta com água, barrinha de cereal e o roteiro do parque impresso. Precisávamos chegar no Magic Kingdom antes das 8h porque tínhamos reserva para o café da manhã no restaurante Be Our Guest, marcada exatamente para as 8h. Do hotel Rosen Inn até o estacionamento do Magic Kingdom foram uns 20 minutos de carro. Pegamos o parque quase vazio, e a chegada foi emocionante de verdade: a trilha sonora tocando, o portão abrindo, aquela sensação de finalmente estar ali depois de tanto planejamento.
Nesse dia, andamos 17,41km, ficamos 14 horas e 30 minutos dentro do parque, e o investimento total do dia, sem contar o ingresso, foi de US$ 123,16. Erramos o caminho e fomos para a direita do Castelo da Cinderela, quando deveríamos ter ido para a esquerda, mas com a reserva no restaurante bastou passar a MagicBand no leitor que o cast member liberou a passagem. Pedimos o prato Feast A La Gaston, ovos mexidos, linguiça de frango, bacon, pães doces e croissant, e de bebida um suco de laranja e um chocolate quente. É muita comida mesmo para duas pessoas dividirem, e pelo valor pago achamos que vale a pena.

Saímos de lá direto para a fila da montanha russa dos 7 Anões, que fica bem na saída do restaurante, e levamos uns 10 minutos até subir, minha primeira montanha russa em Orlando. Fomos para a Space Mountain sem precisar de FastPass e, na Tomorrowland, ainda pegamos o Buzz Lightyear’s Space Ranger Spin sem fila nenhuma antes das 10h. Acreditamos que pegamos uma das melhores épocas do ano para visitar o Magic Kingdom: setembro, logo depois do furacão Irma, com o parque bem mais vazio do que o normal. Voltamos para a Fantasyland para pegar de novo a montanha russa dos 7 Anões, e dessa vez a fila já estava em quase uma hora, mas boa parte dela passa dentro da mina, no ar-condicionado, cheia de detalhes cenográficos.
A Big Thunder Mountain deu problema técnico de manhã, então fomos primeiro para os Piratas do Caribe, com animatrônicos muito bem feitos, e almoçamos no Columbia Harbour House. Depois de perguntar a um cast member se a atração tinha voltado, conseguimos entrar na Big Thunder Mountain, e curtimos mais essa montanha russa do que a dos 7 Anões. Assistimos à parada Disney Festival of Fantasy, voltamos à Tomorrowland para uma revanche no Buzz Lightyear, ganhei de novo, e fomos até a Adventureland tirar foto com a Merida, princesa favorita da Carol. Entramos também na Peter Pan’s Flight, que tínhamos deixado de fora do roteiro obrigatório por achar que era infantil demais, e discordamos completamente depois de andar nela: os detalhes ao longo da fila são muito bem feitos. Já a It’s a Small World não recomendamos: música extremamente repetitiva, passeio arrastado, bonecos datados.
À noite, ficamos na Main Street para os shows de fogos, o Once Upon a Time e o Happily Ever After, com as projeções sincronizadas no Castelo da Cinderela impressionando de verdade. Choveu no meio do caminho para a fila do Funnel Cake with Strawberry Sauce, na Sleepy Hollow, e me molhei todo enquanto a Carol usava a capa de chuva, mas valeu para refrescar depois de um dia inteiro de sol. Voltamos exaustos pelo Ferry Boat até o estacionamento.
Animal Kingdom e o Mundo de Pandora: valeu voltar duas vezes no Flight of Passage (dia 4)
Acordamos cedo de novo, 6h30, e levamos uns 20 minutos do hotel até o estacionamento do Animal Kingdom, no setor Dinosaur. Nesse dia andamos 17,23km, ficamos 13 horas no parque, e o investimento total do casal foi de US$ 141,28. Às 8h já estávamos numa fila pequena para entrar, e assim que abriu fomos andando rápido, quase correndo, direto para Pandora, o Mundo do Avatar, para não pegar fila no simulador Flight of Passage. Mesmo tentando marcar o FastPass com 30 dias de antecedência, não conseguimos vaga, mas antes das 9h, horário oficial de abertura, os cast members já liberaram a entrada de forma organizada.
A experiência do Flight of Passage foi impressionante: você senta em algo parecido com uma moto para simular como se estivesse montando um Banshee, o ikran em Na’vi, uma espécie de dragão que o Avatar monta e voa. Você sente a respiração do Banshee na parte interna das coxas, vem água no rosto, vento e cheiro de terra molhada. Saímos às 9h08, e quando estávamos deixando Pandora, a fila do simulador já estava gigantesca. Valeu tanto que voltamos uma segunda vez à tarde, ficamos 1 hora e 10 minutos na fila, mas dessa vez vimos todos os detalhes que tinham passado batido antes, como o laboratório com o Avatar dentro do cilindro.

Aproveitamos a manhã, quando os animais estão mais ativos, para o Kilimanjaro Safaris. Dica real: se der para escolher, sente no último banco, a vista fica totalmente livre para fotos. Vimos antílope, crocodilo, elefante, flamingo, hiena, um leão majestoso tomando sol nas rochas, leoa, rinoceronte-branco e muitos outros. Essa área do safari sozinha é maior que todo o parque do Magic Kingdom. Entramos também na It’s Tough To Be a Bug, dentro da Árvore da Vida, com filme em 3D, bonecos animados, cheiro e vento sincronizados, e no musical Finding Nemo the Musical, na Dinoland, estilo Broadway e parada obrigatória.
Almoçamos no Yak & Yeti Local Food Cafes, na Ásia, e seguimos para a Expedition Everest, um pouco mais radical que as montanhas russas do Magic Kingdom. Vimos o Festival of the Lion King, na África, um show meio circense muito bem cantado, e entramos na Kali River Rapids, que molha bem menos do que as atrações da Toon Lagoon no Islands of Adventure. À noite voltamos para Pandora só para ver como fica o lugar iluminado: todo o ambiente vai acendendo devagar, o som muda e o chão fica iluminado, uma experiência completamente diferente da versão diurna. Jantamos no restaurante do Avatar, o Satu’li Canteen, ambientação excelente, mas comida sem graça.
Um dia de compras e descanso: IHOP, Target, Marshalls e o jantar no Olive Garden (dia 5)
Acordamos um pouco mais tarde para descansar depois de dois dias intensos de parque. Tomamos café da manhã no IHOP, que fica literalmente do lado do nosso hotel: um combo com panqueca de blueberry, ovos mexidos, bacon, hash browns e um café mocha exageradamente grande. Sinceramente não achamos nada demais, alguns lugares aqui em Brasília, como a Quitinete na Asa Sul, têm uma panqueca e café da manhã meio americanizado muito superior. Quando fomos pagar a conta, a garçonete inflacionou a gorjeta para mais de 40% e, quando pedi explicação, ficou na cara que queria nos enrolar.

Nesse dia, andamos 9,19km e o investimento total do dia foi de $137,61, sem contar as compras em outlet e lojas de departamento. Fomos ao Walgreens, e depois ao Super Target, que gostamos bem mais que o Walmart, com uma variedade de cosméticos e maquiagens na CVS Pharmacy de dentro maior e melhor. Passamos pela Dollar Tree para comprar descartáveis, já que não tínhamos pensado em como comer no quarto sem pratos, copos e talheres. Sobre as lojas de desconto, o veredito da viagem inteira ficou claro logo nesse dia: Marshalls e Ross exigem muita paciência, e nós não temos.
Voltamos ao Outlet Premium para completar a lista de compras que ainda faltava, e à noite fomos jantar no Olive Garden, que fica muito perto do nosso hotel. Chegamos e já estava bem cheio, esperamos um pouquinho e logo nos chamaram. A salada e os pães de entrada, inclusos na refeição, estavam uma delícia, a salada bem grande e os pães meio salgadinhos para comer junto.

Pedimos um filé com gorgonzola e espaguete, que estava desmanchando de tão saboroso, e a Carol foi de lasanha, que não surpreendeu, era tanta comida que sobrou metade e levamos para comer no dia seguinte. Fizemos essa troca de produto no Walmart e no Walgreens sem nenhum problema: a política de trocas e devolução das lojas americanas é simples e eficiente, basta pedir a troca, nem precisa falar o motivo, e devolvem o dinheiro na hora.
EPCOT: carimbando passaporte pelo World Showcase (dia 6)
Chegamos às 8h15 no dia 17 de setembro, um domingo de muito sol e do festival Food and Wine, e o estacionamento Imagine 55-61 estava vazio. Assim que entramos, ficamos esperando na bola do EPCOT, a atração Spaceship Earth, onde aconteceu um showzinho com três homens vestidos de cozinheiros batucando por alguns minutos. Nesse dia andamos 18,11km, o mais que andamos em toda a viagem, ficamos 13 horas e 30 minutos no parque, e o investimento total foi de $178,18 para os dois, sem contar os ingressos.

Corremos para a Test Track na Future East, já que não tínhamos FastPass, e ficamos em segundo lugar no placar geral depois de montar e testar o carro personalizado. Depois fomos para o simulador Soarin’, na Future West, um voo suave por vários lugares do mundo como a Grande Muralha da China, as Cataratas do Iguaçu e a Austrália, atração obrigatória para adultos e crianças. Compramos ali o passaporte do EPCOT para carimbar em cada pavilhão do World Showcase. Ainda na Future East, testei a versão verde da Mission Space, tranquila e sem enjoo, enquanto a Carol nem quis arriscar depois de ler relatos sobre a versão laranja.
Começamos a rodar o World Showcase às 12h40, com um sol forte na cabeça, passando por México, Noruega, China, Alemanha, Itália, Estados Unidos, Japão, Marrocos, França, Reino Unido e Canadá. Fomos andando com calma, entrando em todas as lojas, tirando fotos, e o país que mais gostamos foi Marrocos, com uma ambientação fantástica. Almoçamos pizza de marguerita no pavilhão da Itália, no Via Napoli, e à tarde encaramos a fila da Frozen Ever After, na Noruega, uma hora e 15 minutos, tempo suficiente para escrever boa parte do conteúdo que viraria post depois. À noite, jantamos no Le Cellier, no Canadá: sopa de queijo cheddar, filé mignon e cheesecake de blueberry, por US$ 99 com gorjeta, um jantar puxado, mas especial.
Hollywood Studios com Star Wars: Rock’n Roller Coaster e a Torre do Terror (dia 7)
Chegamos às 8h15 já com um cansaço acumulado da maratona no EPCOT no dia anterior, ainda bem que esse parque era bem menor naquela época, antes da expansão de Toy Story Land e Star Wars: Galaxy’s Edge. Entramos direto na área Sunset para a montanha russa indoor Rock’n Roller Coaster, e gostamos tanto que voltamos nela três vezes ao longo do dia. Nesse dia andamos 16,96km, ficamos 13 horas no parque, e o investimento do casal, sem ingresso, foi de US$ 105,14.

De toda a viagem, essa foi a montanha russa que mais curtimos: a ambientação da fila, montada como o estúdio de gravação do Aerosmith, a contagem regressiva genuinamente emocionante para o lançamento do carrinho e a velocidade absurda logo no início. Ainda na área Sunset, fomos na Twilight Zone Tower of Terror com FastPass, angustiante de verdade, e a Carol lembrou na hora que não gosta desse tipo de sensação. Tiramos fotos com o Chewbacca na Star Wars Launch Bay, o boneco muito bem feito, e conhecemos o BB8, ainda naquela época em que a área de Star Wars não tinha sido ampliada.
Na Toy Story Mania, eu não estava com muita expectativa, mas gostamos tanto que voltamos de novo à tarde, curtimos muito mais do que o Buzz Lightyear’s do Magic Kingdom e do que o antigo MIB da Universal. Vimos o showzinho de Star Wars, A Galaxy Far, Far Away, e o simulador Star Tours, cuja fila e ambientação são muito bem construídas, mas o simulador em si não impressionou tanto quanto o resto do dia. À noite, tivemos que escolher entre dois shows grandes marcados no mesmo horário, o Fantasmic e o Star Wars: A Galactic Spectacular, e não conseguimos ver nenhum dos dois direito. Jantamos no Sci-Fi Dine-In Theater Restaurant, com mesas dentro de carros antigos de drive-in assistindo trailers de filme B, um milkshake de chocolate ótimo e um garçom desatento.
SeaWorld: três montanhas-russas e a sensação estranha de parque abandonado (dia 8)
O SeaWorld só abriria às 10h, então acordamos mais tarde. Chegamos no estacionamento às 9h30 e fomos direto para a montanha russa Manta, que sobe de costas, deixando você deitado olhando para o chão. Nesse dia andamos 8,9km, ficamos só 4 horas e meia dentro do parque, e o investimento total, sem ingresso, foi de US$ 142,13, um valor puxado principalmente pela compra de comida no Whole Foods à noite.
Fomos ao show dos golfinhos, o Dolphin Days, e já ali começamos a perceber que o parque inteiro estava estranhamente vazio, dando uma sensação de abandono por causa da limpeza deixada de lado e dos funcionários visivelmente sem ânimo. Fomos para a montanha russa Kraken com o óculos de realidade virtual, e essa é uma experiência que sinceramente não recomendo: mesmo apertando o óculos com força, deixou marca na testa, ele não ficou firme o suficiente, e como são sete loopings seguidos que forçam a cabeça a abaixar, a imagem foi ficando cada vez mais bagunçada. Terminei suando frio de enjoo. Se você tem estômago sensível para movimento, minha recomendação sincera é pular o óculos e curtir a Kraken sem ele.

Fomos ao show das orcas, o One Ocean, no Shamu Stadium, e apesar dos avisos de que você pode se molhar, boa parte das pessoas parece não ligar. A parte mais divertida do show foi ver as orcas dando banho no público desavisado. No Wild Arctic, começaram a tocar sirenes de emergência no meio do passeio e precisamos evacuar junto com todo mundo, sem explicação na hora. Teimoso do jeito que sou, ainda com o estômago abalado, enfrentei também a terceira montanha russa, a Mako, a mais tranquila das três em sensação, mas passei mal de novo minutos depois de sair dela.
Terminamos tudo bem mais cedo do que esperávamos e ainda deu tempo de ir ao I-Drive 360, onde comemos um ShackBurger no Shake Shack, achamos apenas ok, nada que justificasse tanto hype, e visitamos o Madame Tussauds e o Aquário Sea Life, deixando a roda gigante Orlando Eye para outro dia, já que o combo das três atrações não obriga a visitar todas no mesmo dia. Fechamos o dia comprando comida no Whole Foods, impressionados com o tamanho e a variedade do mercado, e jantando duas sopas e uma torta de maçã que ainda comemos nos dois dias seguintes. Sendo sincero, o SeaWorld ficou abaixo da expectativa em toda a viagem, não pelas montanhas russas, que são realmente boas, mas pela sensação geral de abandono ao longo do dia inteiro.
A passagem que abriu essa viagem inteira
A gente sempre lembra que nada disso começa sem resolver a passagem primeiro. Em julho de 2026 saiu um alerta de Fortaleza para Madrid por R$ 1.291,17 usando milhas aéreas compradas com desconto. O mesmo tipo de alerta sai toda semana pra Orlando e pra dezenas de outros destinos, e é esse tipo de oportunidade que faz a diferença entre uma viagem de 15 dias caber no orçamento ou ficar só no sonho.
Um dia inteiro na Universal Studios: Múmia, Transformers e o melhor milkshake da viagem (dia 9)
Foi o primeiro dia da nossa maratona pela Universal. Chegamos às 9h em frente à entrada e descobrimos que o parque tinha aberto às 8h nesse dia: tínhamos anotado o horário no roteiro, mas esquecemos de reler na véspera, e acabamos perdendo uma hora inteira por descuido. Mesmo assim, deu para fazer todas as atrações mesmo saindo já às 17h. Andamos 12,58km, ficamos 8 horas e meia no parque, e o investimento do dia, sem ingresso, foi de US$ 95,80.

Entramos direto no simulador dos Minions, ainda meio enjoados do dia anterior no SeaWorld, e seguimos para o teatro 4D do Shrek, um pouco repetitivo na parte final. O simulador dos Transformers tem uma das filas mais bem produzidas do parque, e no final o carrinho travou por um problema técnico e ficamos parados quase no escuro por uns 15 minutos, mas nada que estragasse a experiência. Tiramos foto com o Optimus Prime e com o Bumblebee na saída. No Race Through New York, com o Jimmy Fallon, um Panda roubou a GoPro da minha câmera e saiu correndo com ela na primeira sala, uma cena que rendeu risada e ficou ótima no vlog.
Almoçamos pizza no Louie’s Italian e demos um tour pela área de Springfield, com a lojinha K Mart e o Delorean de De Volta para o Futuro, tudo muito bem decorado, mas sem a mesma imersão que sentimos na área do Avatar ou nas áreas de Harry Potter. No The Simpsons Ride, ficamos uns 30 minutos na fila, a única espera longa do dia, e pareceu ainda mais por causa do calor extremo e da falta de ventilação. Fomos também na clássica E.T. Adventure e no MIB Alien Attack, atrações antigas, mas ainda divertidas, e a Carol venceu de novo na pontuação. A montanha russa da múmia, Revenge of the Mummy, foi a melhor atração do parque para nós, disparado: escuro, susto, fogo, calor forte, frio na barriga.

Antes das 17h30 já estávamos na Toothsome Chocolate Emporium, no CityWalk, pedindo um Milkshake Salted Caramel com sorvete de caramelo salgado, doce de leite e pretzel, o melhor milkshake da viagem inteira. À noite, jantamos no Olive Garden pela segunda vez, já sabendo do tamanho das porções e pedindo só uma entrada de queijo empanado para dividir com um espaguete de camarão.
Islands of Adventure: as atrações que molham e o melhor almoço da viagem (dia 10)
Acordamos um pouco mais tarde, já cansados depois de quatro dias seguidos de parque, e fomos direto para o simulador do Homem-Aranha assim que chegamos, às 10h. Nesse dia andamos 13,36km, ficamos 7 horas no parque, e o investimento do casal, sem ingresso, foi de US$ 87,64. Diferente do Magic Kingdom e do Animal Kingdom, o Islands of Adventure tem uma pegada mais voltada para adrenalina do que para imersão contemplativa.
Reservamos a manhã para nos molhar na Toon Lagoon, deixando a mochila num locker por US$ 4 a hora e meia. A queda final do Dudley Do-Right’s Ripsaw Falls molhou menos do que o próprio trajeto até chegar nela, mas o Popeye & Bluto’s Bilge-Rat Barges, logo ali do lado, encharcou a gente da cabeça aos pés, não adianta levar capa de chuva ou tentar se esquivar. Ainda molhados, encaramos a fila do King Kong, na Skull Island, 40 minutos de espera cada vez mais fria e escura conforme avança, e nosso conselho real é inverter essa ordem: vá primeiro nas atrações secas e deixe as que molham para o fim da manhã.

Almoçamos no restaurante Mythos, com reserva às 12h30, e esse foi, sem dúvida, o restaurante dentro de parque de que mais gostamos em toda a viagem: decoração impressionante e comida excelente de verdade, com um beef medallions que desmanchava na boca e um gnocchi à bolonhesa que a Carol praticamente devorou sozinha. Andamos também pela Seuss Landing, entramos na clássica Jurassic Park River Adventure, cheia de nostalgia mesmo já precisando de renovação, e encaramos a Incredible Hulk Coaster, que já sai lançada em alta velocidade desde o primeiro segundo, sem aquela subida lenta cheia de suspense.
Harry Potter sem ser fã: um dia inteiro entre o Beco Diagonal e Hogsmeade (dia 11)
Acordamos às 7h de propósito para chegar bem cedo e enfrentar pouca fila, reservando o dia inteiro só para as atrações de Harry Potter, espalhadas entre a Universal e o Islands of Adventure. Nesse dia andamos 13,89km, ficamos 6 horas no parque, e o investimento do dia foi de US$ 96,03. Esse tipo de dia temático, dedicado a um único universo por inteiro, foi uma das melhores decisões de roteiro da viagem, focar num tema específico permite absorver os detalhes com mais profundidade do que tentar cobrir cada parque de forma genérica.
Chegamos às 8h30 direto no Beco Diagonal, para o simulador Harry Potter and the Escape from Gringotts. Nós não somos fãs, nunca assistimos aos filmes, e mesmo assim achamos que vale demais a visita, a qualidade da produção cenográfica e sonora é boa o suficiente para entreter qualquer visitante. Pegamos o Hogwarts Express, na King’s Cross Station, para ir até o Islands of Adventure, uma experiência curta, mas bem produzida, com vídeo projetado na janela do vagão.

Chegando em Hogsmeade, fomos direto para o Harry Potter and the Forbidden Journey, bem mais imersivo e bem produzido que o Escape from Gringotts, combinando movimento físico do assento com telas de projeção para criar a sensação de voo contínuo. Almoçamos no restaurante Três Vassouras, um combo de costela com frango, milho bem docinho e a famosa cerveja amanteigada, sem álcool: parece que vai ser enjoativa, mas não é, é como um suco doce de baunilha gaseificado com um gostinho de manteiga na espuma por cima. A montanha russa Dragon Challenge já tinha fechado permanentemente poucos dias antes da nossa visita, então a área ficou só com o simulador e uma montanha russa leve, a Flight of the Hippogriff.
Saímos cedo do parque, por volta das 14h30, e à noite fomos jantar no Rainforest Café, em Disney Springs, dividindo um prato e um suco. Diferente do primeiro dia em que fomos a Disney Springs, dessa vez, um sábado, estava lotado, quase impossível andar direito no fim da noite. Se você tiver que escolher só uma das duas áreas de Harry Potter por falta de tempo, a nossa recomendação é priorizar Hogsmeade: o simulador supera o de Gringotts em imersão, e o restaurante Três Vassouras entrega uma experiência de almoço temático que vale a viagem por si só.
O único dia de descanso da viagem: compras finais e abastecendo o carro sozinhos (dia 12)
Depois de onze dias seguidos de despertador cedo, sol forte e caminhada de mais de dez quilômetros por dia, esse foi o primeiro dia que acordamos sem pressa nenhuma, sem hora marcada para chegar em lugar nenhum. Fomos tomar café da manhã mais tarde na Starbucks: pão com ovo, croissant, um Salted Caramel Mocha que virou pedido recorrente pelo resto da viagem, e um muffin de chocolate.
Voltamos na Marshalls para trocar produtos comprados em outro dia, passamos na Ross e fomos passear no shopping Millenia. Almoçamos no Chick-fil-A e, de sobremesa, fomos na Cheesecake Factory: pedimos uma torta de limão que sinceramente não achamos nada de especial, muito doce e cara para o que entregou, o cheesecake mais caro que já pagamos na vida sem sentir que valeu.

Na volta, o tanque do carro já estava baixo, e foi nossa primeira experiência abastecendo sozinhos fora do Brasil. No primeiro posto onde paramos, a gasolina estava caríssima, e ouvimos a voz de um atendente perguntando, por uma caixinha de som, se estávamos com alguma dúvida: perguntei se o preço estava certo mesmo, e a resposta foi só “sim, está caro mesmo”. Fomos procurar outro posto, encontramos um da rede Chevron, pedimos para colocar US$ 30 na bomba, selecionamos a gasolina comum e enchemos o tanque inteiro com esse valor. Abastecer sozinho nos Estados Unidos é bem mais simples do que parece antes da primeira vez. (Atualização 2026: a gasolina comum em Orlando estava em média a US$ 3,92 o galão em agosto de 2026, segundo a AAA — bem mais cara do que em 2017. Fonte: gasprices.aaa.com.)
À noite, tentamos jantar no T-Rex, em Disney Springs, mas desistimos assim que vimos a espera de mais de uma hora e meia, e optamos por sanduíche no Earl of Sandwich, mais rápido e mais barato. Esse foi o único dia inteiro que reservamos sem parque nos 15 dias de viagem, e olhando em retrospectiva foi uma das melhores decisões do roteiro: depois de onze dias seguidos, o corpo já estava pedindo uma pausa de verdade.
Domingo em Orlando: culto na First Baptist Church, o pior almoço da viagem e o pôr do sol na Orlando Eye (dia 13)
Acordamos bem cedo para ir à First Baptist Church de Orlando, a menos de 15 minutos de carro do nosso hotel. O culto começou pontualmente às 8h30, com louvor, coral e banda, um breve testemunho, e batismo de 13 pessoas, tudo dentro de uma hora e dez. Diferente do Brasil, onde é comum o culto se estender além do horário previsto, ali cada bloco parecia cronometrado com precisão, e terminou pontualmente às 9h40. Se você planeja visitar, vale saber: às 10h da manhã tem tradução simultânea para português, detalhe que a gente vacilou e só descobriu depois.
Nesse dia andamos só 4,34km, o menos de toda a viagem, e o investimento total foi de US$ 65,66. Almoçamos no Red Lobster, disparado o pior almoço de toda a viagem: o restaurante estava sujo, com aspecto meio abandonado, a comida veio extremamente gordurosa e sem graça, e o único ponto que salvou foi a lagosta do prato Ultimate Feast. Essa experiência ruim nos ensinou uma lição que passamos a aplicar no resto da viagem: nunca mais escolher um restaurante novo só pelo nome familiar, sempre checar a nota e, principalmente, os comentários mais recentes de aplicativos de avaliação antes de decidir onde comer.
Saindo de lá, fomos ao Walmart comprar dois potes de Häagen-Dazs, US$ 4 cada, e tomamos os dois inteiros ainda naquele domingo quente, um jeito eficiente de esquecer o almoço ruim.

Descansamos um pouco e fomos para a International Drive curtir o pôr do sol na Orlando Eye, com vista de 360 graus da cidade. Ficamos 23 minutos lá em cima, e por coincidência entramos na cabine número 23, o que rendeu boa piada interna com o nome da nossa marca. À noite, não quisemos arriscar de novo com restaurante e pedimos uma Pizza Hut para comer no quarto do hotel: veredito sincero, a pizza é bem melhor aqui no Brasil.
Voltando ao Magic Kingdom: por que vale a pena repetir o parque na mesma viagem (dia 14)
Chegamos às 8h10, fomos direto para a Main Street Bakery para dar tempo de ver o show de abertura às 8h55, e dessa vez decidimos ir sem mochila, levando só o celular. Esse foi o nosso quarto contato com o Magic Kingdom na viagem, contando as duas visitas completas mais duas passagens rápidas, e cada visita trouxe uma sensação diferente. Depois de já ter conhecido Animal Kingdom, EPCOT, Hollywood Studios, Universal e Islands of Adventure, dava para comparar o nível de produção de cada parque com mais critério, e o Magic Kingdom seguiu sendo, para nós, o mais completo em número de coisas para fazer.
Diferente do primeiro dia, dessa vez o parque estava bem cheio: ficamos uma hora e meia de fila na Space Mountain, e a atração estava com tanta iluminação de manutenção que dava para ver toda a estrutura dos trilhos, o que tirou parte da graça do trajeto no escuro. Repetimos o Buzz Lightyear’s, e a revanche ficou empatada ao longo da viagem, brincadeira boba que virou piada recorrente entre nós. Almoçamos no Pecos Bill Tall Tale Inn and Cafe, na Frontierland, nos entupindo de nachos e fajita com buffet de acompanhamentos à vontade, vendo a parada passar bem ali perto.
Descobrimos a atração do Ursinho Pooh, que não tínhamos conhecido na primeira visita, e nos divertimos como criança sem fila nenhuma. É praticamente impossível conhecer cada atração relevante do Magic Kingdom num único dia, mesmo com bastante planejamento prévio, e ter um segundo dia disponível é a chance de cobrir essas lacunas sem precisar abrir mão de repetir o que você já sabe que ama. Voltamos nos Piratas do Caribe e pegamos quase uma hora de fila de novo, mas valeu muito repetir a atração: na segunda visita, sabendo o que esperar, dá para prestar atenção em detalhes que passaram despercebidos na primeira vez.
À noite, diferente da primeira vez, decidimos assistir aos shows Once Upon a Time e Happily Ever After bem na frente do Castelo da Cinderela, chegando às 19h com um frappuccino na mão. Mesmo com o lugar bem mais cheio, a experiência foi muito melhor: o áudio fica bem melhor e dá para ver mais detalhe das projeções. Se você está montando um roteiro de mais de dez dias em Orlando e tem dúvida se vale gastar um segundo dia inteiro de ingresso no Magic Kingdom, a nossa experiência foi bem clara: vale muito a pena, e por motivos diferentes do primeiro dia.
Voltando para casa: devolução do carro e o fim dos 15 dias (dia 15)
Acordamos bem cedinho, às 6h30, tomamos iogurte e fruta comprados no Whole Foods, e fomos completar o tanque num posto perto do hotel antes de fazer o checkout. Deu uma certa confusão: pedimos para colocar US$ 20, mas a gasolina não saía direito, eu apertava o gatilho e ele travava. Uma cliente do posto resolveu nos ajudar, e depois de um tempo enchendo, a bomba parou de novo porque o tanque já estava tão cheio que transbordou. A atendente explicou que era preciso apertar o gatilho bem devagar, algo que ninguém tinha avisado antes: as bombas mais modernas interpretam aperto rápido demais como falha de segurança e travam automaticamente.
O caminho até o aeroporto foi tranquilo e bem sinalizado, só demos mole num pedágio e acabamos passando direto sem pagar na hora, o que gerou depois uma cobrança de R$ 35,61 no cartão de crédito, feita pela Alamo. A devolução do carro foi rápida e eficiente: em menos de 10 minutos tiramos as malas do porta-malas, um funcionário fez um checklist, conferiu o tanque cheio e leu os dados do carro numa maquininha portátil. Quase toda locadora nos Estados Unidos exige a devolução com o tanque cheio, e vale reservar uns 15 a 20 minutos para abastecer perto do ponto de devolução, e não no meio do trajeto.

Carregamos quatro malas e uma mochila pelo aeroporto, todas abaixo dos 22kg permitidos, por pouco. Paramos na Starbucks, de novo, para um café da manhã de verdade antes de esperar o voo com escala no Panamá. O voo foi tranquilo e a escala rápida, chegamos à meia-noite em Brasília e, já exaustos, pedimos um Uber direto para casa. Saudades da nossa casinha, mas já com saudade do nosso desbravamento em Orlando também.
Quanto custou nossa primeira viagem a Orlando
Somando só os gastos do dia a dia dentro de cada parque, comida, estacionamento e pequenas compras, sem contar ingresso, hospedagem, passagem aérea e as roupas compradas nos outlets, que entraram num orçamento à parte, chegamos a um total de US$ 1.172,63 ao longo de dez dias documentados de parque. Para dar uma ideia de como esse valor se distribuiu:
- Magic Kingdom (dia 3): US$ 123,16
- Animal Kingdom (dia 4): US$ 141,28
- Compras e passeio (dia 5): US$ 137,61
- EPCOT (dia 6): US$ 178,18, o dia mais caro da viagem, puxado pelo jantar no Le Cellier
- Hollywood Studios (dia 7): US$ 105,14
- SeaWorld (dia 8): US$ 142,13
- Universal Studios (dia 9): US$ 95,80
- Islands of Adventure (dia 10): US$ 87,64
- Dia de Harry Potter (dia 11): US$ 96,03
- Domingo com culto e Red Lobster (dia 13): US$ 65,66
Vale reforçar: esse valor não inclui os ingressos dos parques, o hotel Rosen Inn na International Drive, a passagem aérea com a Copa Airlines, nem as roupas e tênis comprados no Outlet Premium, que somaram um valor à parte e não item a item. É um retrato só do custo real de comer e se manter dentro do parque em quinze dias de roteiro, e mostra bem como um jantar mais elaborado, como o do EPCOT, pesa muito mais no orçamento do dia do que a comida rápida de quick service que usamos na maioria das refeições.
Quanto custam os ingressos hoje: preços 2026 verificados
Os valores acima são só o gasto do dia a dia dentro do parque, comida, estacionamento e compras, porque na nossa viagem o ingresso entrou num orçamento à parte e nunca chegamos a anotar o valor pago em 2017. Preço de ingresso de parque em Orlando sobe muito de um ano para o outro, então checamos direto nos sites oficiais em 14/08/2026 para você ter uma base real de orçamento hoje:
- Disney (Magic Kingdom, EPCOT, Hollywood Studios, Animal Kingdom): o ingresso de 1 dia para 1 parque tem preço dinâmico por data, variando de aproximadamente US$ 119 a mais de US$ 200 conforme o parque e o dia escolhido. Em datas de demanda “regular” (fora de feriado e fora da baixa temporada), o valor costuma ficar entre US$ 140 e US$ 165. O Animal Kingdom tende a ser o mais barato da faixa, e o Magic Kingdom e o Hollywood Studios os mais caros. Fonte oficial: disneyworld.disney.go.com/admission/tickets/theme-parks
- Universal (Universal Studios Florida e Islands of Adventure): o site oficial anuncia o ingresso de 1 dia para 1 parque “a partir de US$ 124,99 + imposto”, também variável por data. Fonte oficial: universalorlando.com/web/en/us/tickets-packages/park-tickets
- SeaWorld Orlando: o preço de tabela (gate price, sem promoção) do ingresso de 1 dia é US$ 147,99, mas a SeaWorld costuma divulgar ofertas por tempo limitado a partir de US$ 59,99 na própria página oficial. Fonte oficial: seaworld.com/orlando/tickets
Todos os valores acima são preços avulsos (sem pacote, sem desconto de hospedagem Disney, sem passe anual) e antes de imposto. Como os três parques usam preço dinâmico por data, o valor exato do seu dia de visita só aparece ao escolher a data no site oficial, mas já dá para perceber que em 2026 os ingressos custam bem mais do que em 2017.
Outras atualizações que valem para o orçamento: aluguel de carro econômico na Alamo em Orlando (MCO) hoje costuma sair entre US$ 50 e US$ 70 por dia já com as taxas de aeroporto, e a gasolina comum em Orlando estava em média a US$ 3,92 o galão em agosto de 2026, segundo a AAA.
Erros e aprendizados: o que faríamos diferente hoje
Depois de quinze dias vivendo Orlando pela primeira vez, ficaram algumas lições bem claras que valem para quem está montando o próprio roteiro:
- Reserve o primeiro dia inteiro só para logística, sem tentar emendar direto num dia de parque. Chegar exausto de um voo internacional e já encarar um parque lotado no dia seguinte compromete o ânimo do início da viagem.
- Faça o check-in do aluguel de carro online ou pelo totem, nunca no balcão. É ali que o vendedor tem a chance de empurrar upgrade pago e seguro extra durante a conversa presencial.
- Resolva o chip de dados internacional assim que possível. Rodar pela cidade com internet funcionando desde o primeiro minuto mudou completamente a nossa autonomia.
- Compre comida de mercado, Walmart, Target ou Publix, para café da manhã e lanche. É uma economia real ao longo de uma viagem longa.
- Reserve pelo menos um dia inteiro sem parque no meio da viagem, e não só no fim. O corpo cansa de verdade depois de dias seguidos de despertador cedo e caminhada de mais de dez quilômetros.
- Pesquise a nota e os comentários recentes de um restaurante antes de ir, mesmo sendo uma rede conhecida. O Red Lobster nos ensinou isso da pior forma.
- Se tiver tempo, repita pelo menos o Magic Kingdom em outro dia da viagem. A segunda visita rende de um jeito completamente diferente da primeira, sem a pressa de tentar ver tudo.
- Ao abastecer sozinho pela primeira vez, aperte o gatilho da bomba devagar, e reserve 15 a 20 minutos antes de devolver o carro alugado para encher o tanque com calma.
Se o seu inglês ainda estiver bem básico e você quiser visitar uma igreja como a First Baptist Church, considere esperar o horário com tradução simultânea. E se você está decidindo entre as duas áreas de Harry Potter por falta de tempo, priorize Hogsmeade, no Islands of Adventure: o simulador Forbidden Journey supera o Escape from Gringotts em imersão, e o Três Vassouras é um dos melhores almoços temáticos que já tivemos em qualquer parque.
Perguntas frequentes sobre a primeira viagem a Orlando
Quantos dias vale a pena reservar para uma primeira viagem completa a Orlando?
Fizemos 15 dias, cobrindo os quatro parques da Disney, os dois parques da Universal, o SeaWorld, um dia de descanso, um domingo fora dos parques e ainda repetindo o Magic Kingdom. Se você tem menos tempo, dá para cortar o dia de repetição e o domingo livre e fechar em torno de 10 a 11 dias, mas quanto menos tempo, mais correria para encaixar tudo.
É melhor fazer o check-in do aluguel de carro no totem ou no balcão?
Recomendamos fortemente o totem ou o check-in online feito antes de viajar. No balcão, o atendente costuma oferecer upgrade pago e seguro adicional durante a conversa, o que pode gerar gasto extra não planejado.
Vale a pena comprar chip de dados internacional antes de viajar?
Vale muito. Ter internet funcionando assim que o avião pousa resolve navegação, pesquisa de restaurante, tradução e comunicação com a família no Brasil, sem depender de wifi de estabelecimento.
Compensa comprar comida no Walmart em vez de comer fora todos os dias?
Compensa bastante, principalmente para café da manhã e lanche. As porções de mercado são grandes, e resolver essa logística no primeiro dia libera orçamento para os jantares mais especiais, como o do EPCOT ou do Mythos.
Vale a pena repetir o Magic Kingdom na mesma viagem?
Na nossa experiência, sim, e muito. Na primeira visita, o foco natural é conhecer tudo e correr atrás de cada FastPass. Na segunda, sem esse “medo de perder alguma coisa”, a experiência muda de qualidade: você anda mais devagar, repete só o que valeu a pena e descobre atrações que passaram batido antes.
Qual foi o parque que mais decepcionou?
O SeaWorld, não pelas montanhas russas, que são realmente boas, mas pela sensação geral de abandono, limpeza deixada de lado e funcionários desmotivados que sentimos ao longo do dia inteiro.
Qual foi a melhor atração da viagem inteira?
O Avatar Flight of Passage, no Animal Kingdom, sem dúvida. Voltamos duas vezes no mesmo dia e ainda cogitamos voltar ao parque outra vez só por causa dela.
Se você está planejando a sua primeira viagem a Orlando
Passamos por furacão na véspera do embarque, filas escuras que assustam mais que a atração, restaurante que decepcionou e outro que virou queridinho da viagem inteira. É exatamente esse tipo de imprevisto que a Agência DIA23 ajuda a evitar. Cuidamos de passagem, hospedagem e ingressos antes da viagem, e durante os dias de parque fazemos o Guiamento Virtual em tempo real pelo WhatsApp, ajudando com roteiro, fila e qualquer imprevisto enquanto você está lá dentro.












