Há mais de 5 anos, sem saber quase nada de milhas, a gente gravou um vídeo simples sobre cartão de crédito. A gente não fazia a menor ideia do que aquilo ia virar, e foi justamente esse vídeo que mudou a nossa vida inteira.
Este post é o que eu queria ter lido quando comecei. Eu conto o caminho inteiro, incluindo o que deu errado com a gente, e as 3 lições que fazem a conta das milhas fechar pra quem está começando do zero. Sem promessa de milagre: só o que é real.
A história começa antes: a lua de mel no boleto
Em 2015, na nossa lua de mel, a gente pagou um pacotão fechado com a CVC, parcelado em 12 vezes no boleto. A viagem em si foi ótima. O que dói é lembrar o quanto a gente gastou à toa, só porque não sabia nada de milhas nem de passagem na época.
A gente sempre gostou de viajar, mas gostar de viajar e saber usar milhas são duas coisas bem diferentes. Casados desde 2015, a gente passou anos viajando pouco e planejando mal. Aprendeu na marra, juntando informação solta de site, de vídeo do YouTube e de post de blog, cada um explicando de um jeito, muitas vezes se contradizendo.
Por que milhas parece tão complicado
Você já pesquisou quanto custava uma passagem em milhas e simplesmente travou? O número parecia absurdo, muito maior do que tudo que você tinha juntado. E vem aquele pensamento: eu devo estar perdendo dinheiro deixando isso parado, só que se eu começar a mexer vou me enrolar ainda mais, porque não tenho paciência pra fazer todas essas contas.
Eu já pensei exatamente isso. E o motivo não era falta de dinheiro: era tentar entender tudo ao mesmo tempo, programa de fidelidade, cartão, tarifa fixa, milheiro, sem antes responder uma pergunta simples, que é pra onde eu queria viajar. Sem essa resposta, qualquer coisa parece complicada, porque você tenta montar um quebra-cabeça inteiro de uma vez com peças que nem sabe se encaixam.
O curso de mil reais que não ensinou
Foi nesse período que a gente pagou mais de mil reais num curso de milhas. Ele prometia que era fácil, que num fim de semana a gente já ia estar viajando de graça. A gente assistiu tudo e, no final, a real: não ensinou quase nada sobre como comprar uma passagem com milhas nem sobre como esse universo funciona no dia a dia. Era muita teoria bonita e pouco “senta aqui e faz comigo”.
A gente sabia o nome de um monte de programa de fidelidade, mas não sabia dizer qual deles fazia sentido pra próxima viagem da família. E ali sentiu na pele o que quase todo mundo que tenta milhas sente: todo mundo promete, e quase ninguém entrega.
Mais de 30 vídeos até o que decolou
O que nos fez aprender foi um caminho meio inusitado: a gente começou a produzir conteúdo de milhas aqui no YouTube antes mesmo de dominar o assunto. Os primeiros vídeos eram totalmente roteirizados, porque a gente estava aprendendo e ensinando ao mesmo tempo. Foram mais de 30 vídeos sem ver o canal crescer, sem visualização, sem inscrito, quase nada.
Até que, no dia 22 de junho de 2021, a gente lançou um vídeo chamado Melhores Cartões para Acumular Milhas. E ele decolou de um jeito que a gente não esperava: hoje passa de 190 mil visualizações e é o segundo vídeo mais visto do canal.
Por que esse e não os outros 30? Porque era exatamente o tipo de vídeo que a gente tinha sentido falta naquele curso: comparação direta, lado a lado, respondendo a pergunta prática de qual cartão faz mais sentido pra mim. Era o número na cara, do jeito que a gente queria ter visto e não achava em lugar nenhum.
Da planilha ao sistema
Daquele ponto em diante, a gente redobrou o esforço nesse formato, e a comparação de cartões cresceu junto com a gente. No começo era uma planilha: eu sentava uma vez por ano, olhava cartão por cartão, digitava tudo na mão, e no mês seguinte ela já estava velha, porque o valor da milha muda o tempo todo.
Hoje ela não é mais planilha. Virou um sistema dentro da plataforma da Comunidade VMM, com mais de 100 cartões de crédito, e o valor da milha se atualiza sozinho pelo que o mercado está pagando. Você digita quanto gasta por mês no cartão e ele mostra qual cartão te dá mais milhas com esse mesmo gasto, e quanto essas milhas valem em reais no fim de um ano. Eu usei esse mesmo sistema pra montar o comparativo de cartões alta renda para quem gasta de R$ 20 mil a R$ 50 mil por mês.
Foi estudando pra conseguir explicar que tudo começou a fazer sentido, de um jeito que nenhum curso tinha feito. E quando o canal e o grupo do Telegram começaram a crescer, os comentários apareciam todo dia: gente contando que comprou a primeira passagem com milhas depois de um vídeo nosso, gente perguntando dúvida da própria viagem. Foi esse retorno que nos deu confiança pra lançar, meses depois, a Comunidade VMM, que quer dizer Viaje Mais com Milhas.
Lição 1: o problema nunca foi falta de dinheiro
Olhando pra trás, a primeira coisa que eu queria ter entendido desde o início é que o problema nunca foi dinheiro. Foi tentar aprender tudo de uma vez, sem ordem, sem antes decidir pra onde eu queria ir.
Vamos supor que o seu destino é a Europa, em classe econômica, gastando o mínimo possível. A partir do momento que você define isso, já pode ignorar um monte de programa de fidelidade que nem voa pra lá e focar só em quem atende esse destino com bom custo em milhas.
Um exemplo real: uma das formas mais baratas de chegar na Europa com milhas é voar primeiro até Madri pelo programa Iberia Plus, a partir de 16 mil milhas por trecho saindo do Nordeste, ou 20 mil saindo de São Paulo e do Rio, na baixa temporada. Dali você compra um voo local barato, de uns R$ 400, ou usa mais um pouco de milhas até Roma, Milão ou outra cidade. Esses valores são da época da gravação: refaça a conta com a data da sua viagem antes de decidir.
Só que uma estratégia dessas só funciona se você já souber bem como vai ser o seu roteiro na Europa. Sem isso, aquele valor que parecia barato vira dor de cabeça: conexão ruim, trecho extra caro, milhas gastas à toa. Às vezes faz até mais sentido pagar a passagem em dinheiro e guardar as milhas pra outra coisa.
Agora compare com quem tenta aprender milhas de forma genérica: estuda 5 programas, decora a regra de todos e no final não sabe qual usar, porque nunca colocou um destino real na frente pra testar. Definir o destino primeiro é como ligar um filtro: a maioria das opções some da sua frente e sobra só o que serve pra sua viagem.
As 3 formas de fazer as milhas aparecerem
Depois que você define o destino, existem 3 formas principais de juntar milhas, e elas resolvem a vida de quase todo mundo que está começando.
1. O acúmulo orgânico. São as milhas que entram no dia a dia sem você gastar mais do que já gasta: o cartão que você já usa pra pagar o que ia pagar de qualquer jeito, e as compras bonificadas, quando você compra numa loja parceira de um programa de milhas e ganha milhas extras só por isso.
2. O Segundo Preço. Toda passagem tem dois preços ao mesmo tempo: o preço em dinheiro, que muda todo santo dia, e o preço em milhas, que muitas vezes é fixo. É a tarifa fixa: você paga sempre a mesma quantidade de milhas por trecho, não importa se a passagem em dinheiro está custando R$ 2 mil ou R$ 8 mil naquele dia. Quem só olha a etiqueta do dinheiro acha que viagem boa é sempre cara. Quem aprende a olhar o segundo preço descobre que dá pra voar muito mais barato, às vezes pela metade.
3. A compra de milhas. A gente já comprou pontos em programa de banco dezenas de vezes e transferiu pra companhia aérea aproveitando bônus de transferência. Foi assim que a gente conseguiu juntar milhões de milhas num único ano, só que sempre quando o milheiro, quanto custa cada mil milhas compradas, compensa: não é comprar por comprar, é fazer a conta antes.
E nenhuma das três depende de você ter um cartão black de anuidade cara.
Lição 2: pesquisar de verdade e depois explicar
O que nos fez aprender não foi memorizar regra de programa de fidelidade. Foi pesquisar passagem de verdade e depois ter que explicar pra alguém.
E aqui eu preciso ser direto: não adianta ler este post até o final, concordar com tudo e não abrir o site de nenhuma companhia aérea depois. Milha não entra na cabeça lendo ou assistindo, entra pesquisando passagem.
O exercício que eu faria hoje, começando do zero: escolha um trecho que você realmente quer voar, com data de verdade. Pesquise esse mesmo voo, nas mesmas datas, em dois lugares: quanto custa em dinheiro no site da companhia e quanto custa em milhas no programa de fidelidade. Anote os dois números lado a lado, tire a taxa de embarque e divida pelo total de milhas pra descobrir quanto valeu cada mil milhas naquela passagem.
Na primeira vez você vai demorar e se perder um pouco, e isso é normal, aconteceu comigo também. Na terceira vez você faz em poucos minutos. E quando tenta explicar esse resultado pra alguém, seja a sua esposa, o seu marido ou um amigo que também está começando, você é obrigado a entender, porque não dá pra explicar o que você não entendeu.
Lição 3: não se prender a um programa só
A terceira, e talvez a mais importante: não dá pra aprender um programa de fidelidade só e parar por aí. A gente foi consistente nos primeiros 30 vídeos e não adiantou, porque estava preso num conhecimento raso, sempre no mesmo programa e no mesmo cartão.
O que destravou foi ampliar o repertório: entender as rotas de várias companhias pra montar um roteiro melhor, conhecer as regras de mais de um programa aéreo, saber o que cada cartão entrega de bônus e de parceria, e ficar de olho em cashback e nos programas de hotel, que às vezes derrubam o preço de uma hospedagem pra uma fração do que custaria.
Quando você conhece só um programa, fica preso nele: se a promoção não aparece ali, você trava. Quando conhece vários, sempre sobra um caminho alternativo pra fazer a conta fechar, seja transferindo de um jeito diferente, seja usando milhas pra baratear a hospedagem, não só a passagem.
O primeiro passo, em 3 etapas
Se você está começando do zero hoje, esqueça por um momento tudo o que já ouviu sobre milhas e faça só isso:
- Escreva os destinos da sua próxima viagem, no plural. Quase ninguém viaja pra um lugar só: pode ser mais de um destino na mesma viagem, ou as próximas viagens que você imagina pros próximos anos.
- Pesquise quais companhias fazem esse trajeto e quais são as rotas possíveis, direto ou com conexão. Isso já define boa parte dos programas de fidelidade que fazem sentido pra você.
- Descubra onde vale acumular milhas pra esses destinos: em quais programas, e se vale mesmo ir atrás de outro cartão de crédito ou se o que você já tem na carteira resolve. O comparativo de melhores cartões para acumular milhas ajuda nessa parte.
Só isso já coloca você na frente de quem tenta aprender tudo de uma vez, do jeito que a gente aprendeu, sem direção nenhuma.
Onde essas lições nos levaram
Aplicando essas 3 lições ano após ano, só no primeiro ano rodando o mundo desse jeito a gente visitou 4 países, ficou 71 dias viajando, juntou mais de 6 milhões de milhas em menos de 12 meses e levou a família inteira em classe executiva 3 vezes.
No ano seguinte foram mais 7 países e 64 dias viajando, incluindo a nossa primeira Primeira Classe, na Qatar, pra conhecer as Maldivas.

Depois a gente voou a executiva da Emirates no A380 pra Dubai.

Conheceu a Primeira Classe da Etihad.

E fez um safári na África do Sul, também de executiva.

E este ano levamos a família inteira, de executiva, pra Orlando e pra Itália. Todo mundo junto, economizando uma fortuna com milhas.


Nada disso veio de gastar mais no cartão de crédito. Veio de aprender a lógica por trás disso. O que esse aprendizado nos deu foram experiências que a gente nunca teria pago em dinheiro: hotel de luxo, cabine executiva, primeira classe, com ganho financeiro real e mais viagens ao longo do ano. E, mais do que isso, poder proporcionar tudo isso pro nosso filho Sam.
Se você acha que milhas é complicado demais pra você, o problema nunca foi você. Foi por onde você começou a aprender.
Quer aplicar essas 3 lições sem levar 5 anos pra aprender? ✈️
Foi pra isso que a gente criou a Comunidade VMM: em vez de teoria, o resultado pronto todo dia, com canais separados de passagem nacional, internacional e executiva, canal de promoções e o AssistenteVMM pra tirar dúvida na hora. Lá também está o comparador de mais de 100 cartões que nasceu daquela planilha de 2021. Mais de 2.100 viajantes já estão dentro, com 7 dias de risco zero pra testar. E se você quer aprender do básico ao avançado, o Curso Viaje Mais com Milhas ensina do zero.
Se ficou alguma dúvida de como aplicar isso na sua próxima viagem, comenta no vídeo que eu te ajudo.









