10 Erros ao Pesquisar Passagem Aérea no Google Flights

Pesquisar passagem aérea é uma coisa que a gente faz toda semana aqui em casa, pra viagem nossa e pra ensinar no canal, e quase toda vez eu esbarro nos mesmos erros que fazem muita gente pagar mais caro sem perceber. No dia 6 de maio de 2026 eu gravei um vídeo pesquisando ao vivo no Google Flights, saindo de Brasília, que é onde a gente mora, e sem planejar a pesquisa antes. Cada preço deste post é o que apareceu na tela naquele dia, então use os números como exemplo do raciocínio e não como preço de hoje.
E já adianto que nenhuma das soluções passa por comprar de madrugada, abrir aba anônima ou esperar a quarta-feira. Isso tudo é mito, e no bônus lá no fim eu mostro o histórico de preço de uma passagem que deixa isso bem claro.

Por que o Google Flights e não Decolar, CVC ou Viajanet?
Pra pesquisar eu uso o Google Flights (em português ele também aparece como Google Voos, no endereço google.com/travel/flights), e não Skyscanner, Viajanet, CVC ou Decolar. O motivo é que ele junta num lugar só os voos de várias companhias, com gráfico de preços, monitoramento por e-mail e um mapa pra explorar destinos, e quando eu acho a passagem eu sigo pelo botão até o site da própria companhia e compro direto com ela, no dinheiro ou com milhas.
Se atente a um detalhe da tela de hoje. Pela página de ajuda do Google, conferida em 1º de outubro de 2026, os resultados aparecem em duas guias, “Melhor opção” e “Menores preços”, e a de menores preços pode incluir ofertas de agências on-line e itinerários com desvantagens, como pegar e despachar a bagagem de novo na conexão. Antes de clicar em comprar, confira com quem você está comprando.
Erro 1: Ficar preso a uma só companhia aérea
O primeiro erro que muita gente comete é decidir antes que só vai viajar de LATAM, só de Gol ou só de Azul. Você não precisa ir e voltar com a mesma companhia, e ir com uma e voltar com outra é uma coisa que eu já fiz dezenas de vezes. Numa viagem recente pra São Paulo, pouco antes da gravação, eu fui de Azul e voltei de LATAM, porque ficou muito mais barato do que uma ida e volta inteira com a Azul ou inteira com a LATAM.
No Google Flights isso se faz pesquisando só a ida, vendo qual companhia está mais barata naquela data, e depois invertendo a origem e o destino na setinha pra pesquisar só a volta. Aí você soma os dois trechos e compara com a ida e volta numa companhia só, e já aproveita pra ver se algum dos trechos sai melhor com milhas da Gol, da Azul ou da LATAM. Às vezes a ida e volta junta ainda ganha, então faz os cálculos antes de comprar separado.
Erro 2: Deixar para comprar em cima da hora
Pode ser que você ache passagem barata em cima da hora, mas a tendência é que quanto mais perto da viagem, mais cara ela fique. No dia 6 de maio de 2026, Brasília x São Paulo pro fim de semana seguinte, dias 8 e 9, passava dos R$ 2.000 ida e volta. A mesma rota em junho aparecia no calendário por R$ 537.
Alta temporada e feriado pesam junto. Julho, que é férias, aparecia um pouco mais caro que junho mesmo com mais antecedência, com ida e volta por R$ 679 e R$ 707 naquele dia, o que não é um absurdo, mas já é mais caro. E o calendário do Google Flights, pesquisando em maio de 2026, já ia até março de 2027, então dá pra começar a acompanhar o preço bem antes.
Erro 3: Acreditar em mitos
Outro erro que muita gente comete é ficar com uma data mágica na cabeça, tipo “tenho que comprar faltando dois meses” ou “seis meses antes é o melhor período”. Essa lógica não existe, porque se a viagem cai numa alta temporada ou num feriado, quanto mais perto ela chega, mais a passagem tende a subir, e não a cair.
O mesmo vale pra comprar de madrugada, usar aba anônima do navegador ou comprar na quarta ou na quinta-feira. Isso é balela e não funciona. O que funciona é pesquisar com as ferramentas certas, e no bônus lá embaixo eu mostro o histórico de preço de uma passagem pra Londres subindo e descendo ao longo de dois meses, sem ter nada a ver com o horário da compra.
Erro 4: Ficar preso a um único aeroporto de chegada
Quando eu coloco São Paulo como destino, o Google Flights já pesquisa os três aeroportos, Guarulhos, Congonhas e Viracopos. Pra quem vai pra Piracicaba ou pra Itu, Viracopos faz muito mais sentido que Guarulhos ou Congonhas, e foi ele que deu o preço mais baixo no meu teste. Pesquisando de 10 a 17 de junho de 2026, a ida e volta com a Gol chegando em Viracopos aparecia por R$ 537, e quando eu deixei só Guarulhos e Congonhas, a mais barata foi pra R$ 953.
Pra escolher os aeroportos, você seleciona o primeiro, aperta o maisinho do lado e adiciona outro pelo código, GRU pra Guarulhos e CGH pra Congonhas. Esses códigos IATA você acaba decorando de tanto pesquisar. E é bacana que o Google avisa quando outro aeroporto está mais barato. Assim que eu tirei Viracopos, ele mostrou que voltando pra Viracopos a ida e volta caía de novo pra R$ 537.
Pra Europa, isso pesa ainda mais. Se você quer chegar em Barcelona saindo de Curitiba, vale pesquisar chegando por Lisboa ou por outro aeroporto da Espanha e seguir dali pro destino final. Também dá pra separar o trecho nacional, como Brasília x Guarulhos por uns R$ 400 ida e volta, e sair de Guarulhos pro exterior. É lógico que isso só vale se fizer sentido pra sua viagem, então faz os cálculos somando o trecho interno e o tempo de deslocamento antes de decidir.
Erro 5: Não filtrar por preço
No mesmo teste, eu simulei que precisava chegar em Congonhas, ir no dia 10 e voltar no dia 17 de junho, sem poder mudar nada. A mais barata dava R$ 953, quase R$ 1.000 pra Brasília x São Paulo, e eu não pagaria de jeito nenhum esse valor. Pra referência, eu considero um preço OK pra uma ida e volta dentro do Brasil algo em torno de R$ 600 a R$ 650 por pessoa, e pra Brasília x São Paulo, em maio de 2026, uma ida e volta normal ficava entre R$ 400 e R$ 600.
Repare também que o que aparece no topo da lista nem sempre é o mais barato. O Google mostra primeiro os voos que ele considera melhores, e quem quer o preço precisa ordenar por preço ou abrir a guia de menores preços. No meu teste eram os mesmos voos, mas dependendo do destino um voo com uma escala rápida sai bem mais barato que um direto, e esse cuidado de ordenar por preço vale pra qualquer buscador que você usar.
Erro 6: Não usar o gráfico de preços
Muita gente pesquisa passagem sem ter nenhuma noção de quanto ela costuma custar, e o gráfico de preços resolve isso. Ele é um gráfico de barras, você passa o mouse e onde a barra está mais baixa estão os menores preços. Às vezes ir um dia mais tarde ou voltar um dia mais cedo já gera uma boa economia, se a sua viagem permitir.
No dia da gravação, a viagem de 7 dias pra São Paulo aparecia por R$ 899 em agosto. Quando eu aumentei pra uma viagem de 9 ou 10 dias no maisinho, os valores ficaram na casa de R$ 1.157, e a opção mais barata que achei foi de R$ 903, que eu ainda considero caro. É assim que eu enxergo os vales do gráfico só batendo o olho, e é uma das funções que eu mais gosto.
Erro 7: Não monitorar preços
A função que eu gosto ainda mais é o monitorar preços. A Gol, a Azul e a LATAM fazem promoção o tempo todo, e eu vejo muita promoção sair na sexta-feira, pra pegar o fim de semana. Em vez de pesquisar todo dia, você ativa o monitoramento e o Google te avisa por e-mail. Pela página oficial, conferida em 1º de outubro de 2026, o aviso chega quando o preço muda significativamente, e dá pra monitorar as datas pesquisadas ou “Qualquer data”, se você tiver flexibilidade.
Dá pra monitorar de dois jeitos, pela rota, como eu ativei no vídeo pra todos os voos Brasília x São Paulo indo em 10 e voltando em 20 de junho, ou por um voo específico, como eu mostrei filtrando só a LATAM, sem escala, escolhendo um voo e apertando monitorar só aquele. Monitorando por algumas semanas ou alguns meses, você começa a entender quanto aquela passagem custa de verdade, e por isso eu insisto em começar com antecedência.
Esse filtro de LATAM é útil pra quem tem status ou milhas lá. Dependendo do quanto você paga pra acumular, dá pra chegar a uns 30% de economia usando as milhas da LATAM em vez do dinheiro, mas só se você acumula a baixo custo, então faz os cálculos antes. E a forma que eu uso pra achar passagem da LATAM com milhas começa justamente no Google Flights, achando o dia em que ela está barata no dinheiro, porque, como eu expliquei num vídeo de julho de 2026, uma vez que você acha a passagem barata no dinheiro, consegue achar barata com milhas da LATAM também.
Quer aprender a viajar mais barato usando milhas?
Aqui vai um pouco de propaganda nossa, e eu aviso que é propaganda. Se você quer aprender a usar milhas e cartão de crédito pra baratear ainda mais essas passagens, do básico ao avançado, e chegar à classe executiva pagando bem menos, é isso que a gente ensina no Curso VMM (Viaje Mais com Milhas).
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Erro 8: Não usar a aba Explorar
Pouca gente usa o Explorar, e é uma função bem bacana. Na mesma gravação eu coloquei Guarulhos como origem e digitei Europa no destino, escolhendo o continente, e o Google já foi pra aba Explorar, com o mapa. Nas datas eu marquei datas flexíveis, uma viagem de duas semanas nos próximos seis meses, que a partir de 6 de maio iam até outubro.
Com o filtro de preço em até R$ 4.200 ida e volta saindo de Guarulhos, apareceram:
- Madri por R$ 3.729.
- Estocolmo por R$ 3.889, que apareceu quando eu dei zoom no mapa da Europa.
- Roma por R$ 3.949.
- Londres por R$ 4.143, com a TAP, que foi a que eu escolhi pra continuar o teste.
Como o mapa estava afastado, apareceu também Dubai por R$ 4.139 ida e volta, então se atente ao zoom pra não ver destino que você nem pediu. O Explorar faz mais sentido pra quem tem flexibilidade de destino e de datas, e se você já sabe pra onde vai, o calendário e o gráfico de preços resolvem melhor.
Erro 9: Ficar preso à ida e volta pelo mesmo aeroporto
A passagem de Londres pela TAP era uma ida em 26 de outubro e volta em 11 de novembro de 2026, por R$ 4.143. Abrindo os detalhes, o voo parava no Porto com uma escala longa de quase 6 horas, e o Google mostrava uma exclamação vermelha avisando isso. Sempre que aparecer esse alerta, olhe com calma, porque pode ser escala longa e às vezes até troca de aeroporto.
Muita gente acha que ida e volta pelo mesmo aeroporto sempre sai mais barato, e nem sempre é assim. Chegando por Londres e voltando por Barcelona você conhece dois países e não perde tempo voltando ao ponto de partida. Quando eu troquei a volta pra Barcelona, a companhia mudou e apareceu a Lufthansa por R$ 4.083, com uma parada de só 1 hora em Munique antes de Londres, o que eu acho bem mais interessante que as 6 horas no Porto. Esse trecho entre as duas cidades na Europa você compra separado, no dinheiro ou com milhas, e se for perto vale olhar o trem. Trajeto de trem de até 2 horas, eu acho que compensa mais que o avião, mas nem sempre sai mais barato.
Também testei voltar por Lisboa. Com o filtro de R$ 4.200 ligado não apareceu nada, porque as passagens tinham ficado mais caras que isso. Tirando o filtro, apareceram a British por R$ 4.281, a TAP por R$ 4.500 e a LATAM, com voo direto, por R$ 4.592. Fui mexendo na data de volta, e alguns dias só subiam o preço, chegando perto de R$ 4.600, até que voltando em 16 de novembro a British voltou a R$ 4.281. Só que a volta dessa British saía de Lisboa e passava por Londres de novo antes do Brasil, o que não faz nenhum sentido pra esse roteiro, então olhe sempre o caminho do voo e não só o preço.
Erro 10: Não usar a função “várias cidades” (multi-city)
A troca pra Barcelona eu só consegui fazer porque mudei de “Ida e volta” pra “Várias cidades”, que também é chamado de multi-city. Com essa opção você pesquisa cada trecho com o seu aeroporto e a sua data, e ainda pode adicionar mais trechos. No vídeo, de maneira bem aleatória, eu montei assim:
- São Paulo (Guarulhos) para Londres.
- Londres para Barcelona.
- Barcelona para São Paulo (Guarulhos).
O resultado foram os três trechos por R$ 4.848, comprando direto com a British, naquele dia. É uma função que eu gosto muito pra comprar passagem no dinheiro, porque você vê o custo de todos os trechos de uma vez. O cuidado é conferir se a compra sai num bilhete só com a companhia, como nesse caso da British, ou se são trechos separados de vendedores diferentes, que é o tipo de itinerário que o próprio Google avisa ter desvantagens, como a bagagem que você precisa pegar e despachar de novo.
Bônus: Não verificar o histórico de preços
Na passagem de Londres pela TAP, a setinha ao lado do preço dizia que R$ 4.143 era um preço normal pra aquela rota, e abrindo o histórico dava pra ver os últimos 60 dias. Há 54 dias ela estava na casa dos R$ 3.950, há 29 dias em R$ 4.113, e há 10 dias tinha subido pra R$ 4.742.
Esse vai e vem mostra que o preço não é fixo e não depende de comprar de madrugada ou de aba anônima. É um processo de pesquisa, e quanto mais você pesquisa, mais você aprende. Também vale lembrar que, com a alta do combustível, a passagem pra Europa ficou mais cara em 2026, e falar em R$ 4.000 numa ida e volta não é algo absurdo. Use o histórico como referência pra saber se o preço está bom pra aquela rota, mas lembre que o próprio Google avisa que as dicas de preço dele são estimativas e que o preço futuro pode não se comportar como o esperado.
E dá pra ver milhas dentro do Google Flights?
Dá, com extensão. No meio de julho de 2026 eu testei ao vivo a extensão do Seats.aero, que a gente assina porque pesquisa bastante tarifa em milhas, e ela mostra a quantidade de milhas em cima dos voos do Google Flights. Num Guarulhos x Miami, o voo direto da American Airlines aparecia por 39.000 milhas da própria American. No site do Seats.aero, num voo direto da American no mesmo trecho, as opções de emissão eram 18.000 milhas da American ou 66.000 milhas da Smiles.
Parece que 18.000 milhas é barato, mas fazendo a conta, se as milhas da American custam uns R$ 90 o milheiro, 18 vezes R$ 90 dá R$ 1.620 só nesse trecho. As 66.000 da Smiles, com o milheiro em uns R$ 16, saem por 66 vezes R$ 16, que dá R$ 1.056, sem as taxas nos dois casos. Minha conclusão no teste foi que a extensão ajuda, mas ainda tem que melhorar bastante, e pra milhas eu prefiro pesquisar direto no site do Seats.aero.

Perguntas frequentes
Qual o melhor site para pesquisar passagem aérea?
Pra pesquisar, eu uso o Google Flights, porque ele junta várias companhias e tem gráfico de preços, monitoramento e o Explorar. Depois de achar a passagem, eu compro direto no site da companhia aérea, e se atente à guia “Menores preços”, que pode trazer oferta de agência on-line.
É verdade que comprar de madrugada deixa a passagem mais barata?
Não, isso é mito. No histórico de 60 dias de uma passagem pra Londres que eu mostrei no vídeo, o preço foi de uns R$ 3.950 a R$ 4.742, subindo e descendo sem nenhuma relação com o horário da compra.
Como monitorar o preço de uma passagem no Google Flights?
Faça a pesquisa com a rota e as datas e ative “Monitorar preços”. Dá pra monitorar a rota inteira, as datas pesquisadas, “Qualquer data” ou um voo específico, e o Google manda e-mail quando o preço muda significativamente, segundo a página de ajuda conferida em 1º de outubro de 2026.
O que é a função multi-city do Google Flights?
É a opção “Várias cidades”, que deixa você pesquisar vários trechos numa busca só, cada um com sua data. É ela que permite chegar por um aeroporto e voltar por outro, como Londres na ida e Barcelona na volta.
Quando é o melhor momento para comprar passagem aérea?
Não existe regra fixa de seis meses ou de um mês antes. O que eu faço é monitorar com antecedência e comprar quando o preço estiver bom pra aquela rota pelo que o gráfico e o histórico mostram. Pra alta temporada e feriado, quanto antes melhor.
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