Dubai com sensação térmica de 60°C, um museu que parece um forno por fora, e um Uber que virou nosso transporte principal mesmo sem ser o mais barato. Fomos comemorar 10 anos de casados e voltamos com um roteiro cheio de aprendizados reais: onde ficamos hospedados, como chegamos de executiva, os principais pontos turísticos com a história por trás de cada um, transporte, preços e o que vale ou não vale a pena. Nada de pesquisa de terceiro aqui, é tudo o que vivemos de verdade em Dubai.

O Que Você Vai Encontrar Neste Guia
- Por Que Dubai Vale a Pena Conhecer
- Quantos Dias Ficar em Dubai
- Como Chegamos: Executiva da Emirates no Maior Avião do Mundo
- Chegada Rápida: Imigração e SIM Chip Grátis
- Onde Ficamos: Sofitel Dubai The Obelisk
- O Que Fazer em Dubai: Atrações Reais que Visitamos
- Onde Comer em Dubai
- Transporte em Dubai: Uber, Metrô ou Careem
- De Dubai para Abu Dhabi
- Quanto Custa uma Viagem a Dubai
- Erros e Aprendizados da Nossa Viagem
- Perguntas Frequentes sobre Dubai
Resumo Rápido: Dubai em 3 Dias
- Duração ideal: pelo menos 3 dias cheios, sem contar o dia de chegada
- Clima: sensação térmica de até 60°C, priorize passeios pela manhã e depois das 16h
- Onde ficamos: Sofitel Dubai The Obelisk, com upgrade gratuito pra suíte de 88 m²
- Como chegamos: executiva da Emirates no A380, direto de Guarulhos, com milhas Azul
- Transporte: Uber é o mais cômodo; o metrô sai bem mais barato mas demora mais que o dobro
- Mirante que mais gostamos: The View at the Palm, na Palm Jumeirah, mais que o próprio Burj Khalifa
- Item mais caro da viagem: a passagem aérea, mesmo emitida com milhas
Onde Fica Dubai
Por Que Dubai Vale a Pena Conhecer
Vale lembrar o contexto antes de qualquer roteiro: até os anos 1960, Dubai era basicamente um vilarejo de pescadores e comerciantes de pérolas às margens do Golfo Pérsico. A descoberta de petróleo na região, somada a decisões estratégicas de investir pesado em turismo, infraestrutura e status de porto livre de impostos, transformou a cidade em poucas décadas num dos destinos mais visitados do mundo. Hoje o petróleo já representa uma fatia pequena da economia de Dubai, que aposta cada vez mais forte em turismo, imóveis de luxo e comércio internacional, o que explica a velocidade impressionante das construções por toda a cidade.
Olhando a vista lá de cima do Burj Khalifa, ficamos pensando: Dubai, Abu Dhabi, Qatar e Arábia Saudita parecem compartilhar o mesmo raciocínio, algo como “até quando teremos petróleo? Bora atrair muitos turistas com muitas atrações, hotéis e resorts antes que dê ruim pra nós”. Faz sentido olhando a velocidade de construção da região inteira, e é justamente esse contraste entre o deserto de poucas décadas atrás e os arranha-céus de hoje que torna a viagem tão interessante.
Quantos Dias Ficar em Dubai
Ficamos hospedados no Sofitel Dubai The Obelisk e usamos a cidade como base antes de seguir viagem para Abu Dhabi. Para fazer com calma tudo que fizemos (Museum of the Future, Burj Khalifa, The View at the Palm na Palm Jumeirah, Dubai Mall, Dubai Marina e os souks tradicionais de Deira), recomendamos pelo menos 3 dias cheios só em Dubai, sem contar o dia de chegada. Como o calor é intenso durante boa parte do dia, cada passeio ao ar livre rende menos tempo do que em climas mais amenos, então vale espalhar as atrações em vez de tentar encaixar tudo em poucos dias corridos.
Uma dica prática que usamos bastante: fizemos a maioria dos passeios pela manhã e depois das 16h, evitando o calor mais intenso do meio do dia, e aproveitamos esse intervalo pra descansar na estrutura do próprio hotel.
Como Chegamos: Executiva da Emirates no Maior Avião do Mundo
Voamos no maior avião comercial do mundo, o Airbus A380 da Emirates, saindo de São Paulo direto para Dubai, numa executiva que ficou entre as melhores experiências aéreas que já vivemos. O A380 entrou em operação com a Emirates em agosto de 2008, e a companhia se tornou a maior operadora do modelo no mundo, com a maior frota de A380 em atividade. Ele é considerado o maior avião comercial em operação por ser o único jato de passageiros de fuselagem dupla com 2 andares completos ao longo de todo o comprimento da aeronave, com espaço até para banheiro com chuveiro, esse último exclusivo da primeira classe. O A380 da Emirates só sai do Aeroporto de Guarulhos, e foi por isso que reservamos o trecho saindo de São Paulo.
Quem voa de executiva na Emirates tem acesso gratuito à sala VIP do Banco Safra no Aeroporto de Guarulhos, que usamos para descansar até a hora do voo, que sai à 1h35 da madrugada. Isso significa chegar no aeroporto no dia anterior e passar o dia inteiro por lá: existe uma fila de check-in exclusiva para classe executiva, e mesmo assim só conseguimos despachar as malas às 20h30, mesmo o horário oficial divulgado pela Emirates sendo 21h. O embarque também é prioritário, e a classe executiva e a primeira classe ficam no segundo andar da aeronave.
Assim que sentamos, recebemos o welcome drink. Pedimos suco de laranja, mas também tinha suco de maçã entre as opções do carrinho. Na cabine já estavam as pantufas, a máscara de olhos e o fone de ouvido com cancelamento de ruído. Depois vieram os pijamas em dois tamanhos, muito confortáveis, um benefício que a Emirates só começou a oferecer para a classe executiva a partir de 2024. O amenity kit é da Bulgari, e foi, de todos que já recebemos em qualquer executiva, o mais impactante: hidratante facial, perfume, lip balm, hidratante corporal, desodorante, kit dental, pente dobrável, xuxinha e até protetor de ouvido com espelhinho. No fim do voo, ainda ganhamos mais dois amenity kits e mais um pijama de presente.

A cabine é bem espaçosa e confortável, com bastante espaço para as pernas e boa área para guardar objetos pessoais. Logo depois da decolagem, fomos ao banheiro colocar os pijamas: o banheiro da executiva é maior que o padrão de outras companhias que já testamos, com flores de verdade e um detalhe raro em qualquer avião, uma janela com luz natural e vista lá de cima. Para tomar banho de verdade a bordo, só na primeira classe da Emirates.
Como o voo começou de madrugada, a primeira refeição foi leve: uma empanada de queijo com cebola caramelizada. Além de sucos e refrigerantes, a Emirates serve vários drinks sem álcool, algo bem comum em companhias do Oriente Médio, e também café e chá de forma ilimitada, bastando pedir ou ir até o lounge da aeronave. O lounge do andar de cima costuma ficar cheio, já que é compartilhado entre toda a executiva e a primeira classe. Não conseguimos sentar, mas pegamos snacks sem álcool, drinks sem álcool e comemos um pedaço de bolo. Antes de ir para lá, pedimos para arrumarem nossa cama: eles colocam um forro sobre o assento para deixar tudo mais macio, e o teto ganha umas luzes que imitam estrelas, criando um clima ótimo para dormir.

Depois de mais de 4 horas de sono, veio o café da manhã. Pedimos alguns dias antes pelo aplicativo da Emirates o que queríamos comer nas refeições principais, algo que sempre fazemos quando é possível, para não faltar os pratos que a gente realmente quer. No almoço, que também funcionou como jantar considerando o fuso, fomos no clássico mezze árabe de entrada: hummus, charuto de folha de uva, kibe de abóbora e vários tipos de pão. No prato principal, os dois escolhemos filé mignon com molho barbecue e goiabada condimentada, com o ponto da carne excelente. A sobremesa, uma torta de mousse de chocolate branco, foi o único ponto fraco da refeição.
A Emirates é parceira da Azul, e usamos milhas Azul para emitir essas passagens de executiva: 1 milhão de milhas por pessoa, com valor final de R$ 7.100 por pessoa considerando as taxas, para mais de 14 horas de voo com muito conforto, comida excelente e atendimento melhor ainda. O Wi-Fi também é gratuito na executiva, basta se cadastrar no programa de fidelidade Emirates Skywards. A aterrissagem foi tranquila, assim como todo o processo de retirada de malas, imigração e saída do aeroporto em Dubai.
Contamos a experiência completa, com todos os detalhes de cabine, refeições e a conta das milhas Azul, em Executiva Emirates São Paulo-Dubai: A380 com Milhas Azul.
Chegada Rápida: Imigração e SIM Chip Grátis
A imigração em Dubai foi a mais rápida que já vimos em qualquer viagem internacional. Um detalhe curioso: ao carimbar o passaporte, devolveram ele com um chip SIM de 10GB de graça, já pronto pra usar, sem precisar passar em nenhum balcão de operadora depois. Vale um alerta pra quem for viajar agora: verificamos em agosto de 2026 que o chip físico gratuito entregue no balcão da imigração (operadora du) costuma vir hoje com franquia de 1GB por 24h; quem quiser os 10GB grátis pode ativar, já depois da imigração, o eSIM da Etisalat/e&, escaneando o QR code espalhado pelo aeroporto.
Onde Ficamos: Sofitel Dubai The Obelisk
Ficamos no Sofitel Dubai The Obelisk, e usamos essa hospedagem como base pra explorar toda a cidade. Reservamos originalmente um quarto categoria “1/4”, o mais simples do hotel, e na hora do check-in ganhamos upgrade gratuito pra uma das suítes, em comemoração aos nossos 10 anos de casados. A gente nem sabia direito quantos metros quadrados tinha o espaço até pesquisar depois: mais de 88 m², bem maior do que qualquer quarto de hotel 5 estrelas em que já tínhamos ficado.
Logo na entrada, do lado direito, um lavabo já enorme sozinho, com todos os produtos da L’Occitane en Provence. Fizemos a piada na hora: o mesmo sabonetinho de 50 g que ali é cortesia custa cerca de R$ 100 no Brasil. A sala de estar é espaçosa, com carpete bonito, uma TV de tamanho mediano da Samsung, som Bose e um detalhe que impressionou desde o primeiro segundo: cortinas, véu e blackout controlados por sensor automático. A gente simplesmente entrou no ambiente e tudo abriu sozinho, sem apertar botão nenhum. Testamos ao vivo: bastava se aproximar da janela pra as cortinas fecharem e o blackout escurecer o ambiente por conta própria.
Ainda na chegada, fomos interrompidos pela checagem do minibar, item por item. É bom já saber de cara: nada dentro dele está incluso na diária, tudo é cobrado à parte. A estrutura é completa: máquina de Nespresso, chaleira elétrica, várias bebidas e Pepsi, sem Coca-Cola no cardápio, o que já tínhamos notado em outro país da região também, então parece ser mais um padrão local do que coincidência do hotel. As águas com sabor chamaram atenção pelo preço: cada garrafinha custa cerca de 45 dirhams, o equivalente a mais de R$ 60 (na cotação verificada de agosto de 2026, cerca de R$ 63).
O quarto tem uma cama king size gigante, mesinha de trabalho, TV própria, e os mesmos interruptores sensor espalhados pelo ambiente, controlando luz e cortina em qualquer canto. O travesseiro é fino e de pluma, exatamente do jeito que a gente gosta. O closet, por outro lado, é de um tamanho quase cômico: muito armário, cofre, kit de costura, secador, e pantufas que o hotel deixa você levar pra casa, já temos uma coleção de pantufas de Sofitel de outras viagens, sempre no mesmo padrão da rede. Tem ainda mais um armário escondido atrás, com tábua e ferro de passar incluídos: nesse tipo de quarto, você tem direito a passar duas peças de roupa por dia de graça.

O banheiro tem duas cubas, espelho grande, os mesmos produtos L’Occitane, e uma banheira grande escondida atrás de uma porta. Já o chuveiro tem um banquinho dentro, um detalhe que a gente acha que todo banheiro de hotel deveria ter. A vista do 19º andar não alcança o Burj Khalifa, que fica do outro lado do prédio, mas já impressiona bastante, mesmo com a neblina seca típica do clima de Dubai, parecida com a que Brasília também tem em certas épocas do ano, por causa da secura e da poluição do ar. Como era nossa primeira visita a Dubai, nem reconhecíamos os pontos de referência ao redor, só sabíamos que estávamos na altura do letreiro “Obelisk” do próprio hotel, bem alto, mas ainda longe da metade do prédio.
O Lounge do 51º Andar: Café da Manhã e Chá Inglês
Reservando quarto ou suíte com acesso ao Clube Millésime, ou tendo status Platinum na ALL Accor, você tem café da manhã, lanche da tarde e da noite liberados de graça no lounge do 51º andar, além de check-in e check-out mais rápidos. O espaço fica bem acima de onde estávamos hospedados, com vista de 360° da cidade. Num dos dias, aproveitamos um chá inglês completo por lá: muitos tipos de chá, sanduíches variados e doces, com direito aos famosos scones servidos com clotted cream, um creme parecido com um requeijão, e geleia.

Nesse mesmo espaço tomamos o café da manhã que consideramos um dos melhores à la carte que já experimentamos: patês variados, diferentes tipos de tâmaras, frutas, croissants salgados e doces recheados, salmão, queijos, frios, muitos tipos de cereais, pudim de chia, sucos e leite. Eu pedi ovos beneditinos, a Carol torrada com abacate e ovos mexidos, e ainda pedimos açaí. O atendimento foi muito bom e a apresentação do buffet, além de bonita, vinha somada a pratos preparados na hora, direto do cardápio. Em outro dia testamos o restaurante francês do hotel, que também serve café da manhã, num espaço maior e com bem mais opção de buffet. Mesmo assim, preferimos de longe o serviço à la carte do lounge do 51º andar.

Como fizemos a maioria dos passeios por Dubai de manhã cedo e depois das 16h, por causa do calor intenso no meio do dia, aproveitamos bastante essa estrutura do lounge. Com isso, economizamos bastante em alimentação, já que boa parte das refeições saía de graça do próprio lounge. O Sofitel também nos presenteou com bolo, macarons e frutas em comemoração aos 10 anos de casados, e no checkout pagamos todo o consumo extra com pontos ALL, economia garantida até no último detalhe.
Piscina, Spa e Academia
A piscina do hotel estava sempre cheia, e a água fria ajudava a refrescar do calor de Dubai, mas a sombra era escassa, então não ficamos muito tempo por lá. O Sofitel The Obelisk também tem um espaço kids chamado Astro Kids, um spa com produtos L’Occitane e uma academia.
Como Economizamos: 4 Estratégias Empilhadas
A diária dessa suíte custa mais de R$ 2.300, mas usamos quatro estratégias juntas pra pagar bem menos sem abrir mão do conforto:
- Assinatura do Clube ALL Accor em período de promoção. Reduz o custo por ponto na compra direta.
- Compra de milhas ALL Accor com mais de 77% de desconto, aproveitando campanha específica.
- Transferência de milhas de cartão de crédito para ALL Accor com bônus, também numa janela promocional.
- Cashback em dólar ou libra via TopCashback, reduzindo ainda mais o custo efetivo.
No total, usamos 30 mil pontos ALL Accor que custaram cerca de R$ 2.310: o valor de uma única diária pra ficar duas noites inteiras, ainda com os benefícios do status Platinum, como upgrade de quarto, check-in antecipado, check-out mais tarde e dois drinks de cortesia sem álcool, guardados pro fim do dia, pra relaxar e descansar. Não é comum o hotel fazer upgrade de quarto pra suíte, mas já conseguimos isso outras vezes, e quando acontece a economia fica ainda maior. Também pagamos todo o consumo extra dentro do hotel com pontos ALL Accor direto no check-out, o que ajudou a economizar mais um pouco: basta avisar na hora que quer usar os pontos.
Uma estratégia que costuma funcionar bem em hotéis Accor: escrever nas observações da reserva que é uma ocasião especial, como aniversário ou casamento. Combinado com status Platinum, isso já rendeu upgrade em várias das nossas estadias, como no Fairmont de Doha.
Foi uma das melhores hospedagens que já tivemos, e com certeza voltaríamos. No Oriente Médio, a rede Accor tem vários hotéis assim: dá pra ficar numa suíte confortável e gigante de um 5 estrelas pagando menos do que custaria um quarto pequeno e apertado de um 3 estrelas na Europa. Contamos o tour completo da suíte e a conta detalhada das milhas em Sofitel The Obelisk Dubai: Vale a Pena?
As Boas do Sofitel The Obelisk
- Upgrade gratuito pra suíte de 88 m². Espaço muito acima da média de qualquer hotel 5 estrelas em que já ficamos.
- Café da manhã à la carte no lounge é excepcional. Um dos melhores que já experimentamos em qualquer viagem, com direito a chá inglês completo à tarde.
- 4 estratégias de milhas empilhadas geraram economia real. 2 noites pelo preço de 1 diária, com benefício de status incluso.
- Cortinas e luzes automatizadas por sensor. Detalhe de conforto que impressiona desde o primeiro minuto.
- Mimo de aniversário durante a estadia. O hotel presenteou com bolo, macarons e frutas pelos nossos 10 anos de casados.
O Que Fazer em Dubai: Atrações Reais que Visitamos
Museum of the Future: Interativo, mas Não Tão Inovador
A parte externa do Museum of the Future é ótima pra foto, com a fachada de caligrafia árabe imponente, mas é quente demais: subir as escadas parece entrar em um forno. Já por dentro, apesar do nome, achamos que não tem nada de muito inovador além da estrutura externa, que é bem peculiar e chamativa. As instalações são interativas, com bastante luz e projeção, mas mesmo assim vale a experiência.
O prédio em si é um feito de engenharia: tem formato de toroide, uma espécie de anel oco, sem uma única coluna reta por dentro, e a estrutura externa é revestida por painéis de aço inoxidável gravados com frases em caligrafia árabe, escritas por um poeta local, com trechos sobre o futuro e a humanidade. À noite, essas frases ficam iluminadas, e é um dos prédios mais fotografados de Dubai justamente por causa disso. A proposta do museu é apresentar visões de futuro em áreas como saúde, espaço e sustentabilidade, muito mais como uma experiência imersiva e sensorial do que uma exposição tradicional de “museu com placas explicativas”. É por isso que quem espera um conteúdo mais técnico ou didático pode sair com a sensação de que faltou profundidade, mesmo achando o espaço bonito.

Burj Khalifa x The View at the Palm: Qual Vale Mais a Pena
Subimos o Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, com 828 metros de altura e mais de 160 andares habitáveis. A construção levou cerca de 6 anos, foi inaugurada em 2010, e até hoje segue como recordista mundial de altura, superando de longe o segundo colocado do ranking. É um projeto de engenharia impressionante, com uma estrutura em formato de “Y” que ajuda o prédio a resistir aos ventos fortes das alturas, inspirada em uma flor do deserto local, a Hymenocallis.

Mesmo assim, entre os dois mirantes que visitamos, gostamos muito mais da vista do The View at the Palm, na Palm Jumeirah, do que do próprio Burj Khalifa. De lá dá pra ver a ilha inteira, a maior ilha artificial já feita pelo homem, com mais de 70 mil moradores e vários hotéis e resorts. A Palm Jumeirah foi construída com areia dragada do fundo do mar e rocha extraída de pedreiras locais, formando o famoso desenho de palmeira com tronco, 16 “folhas” e uma lua crescente ao redor que funciona como quebra-mar de proteção. Toda a formação foi posicionada com GPS de altíssima precisão, e ainda hoje é apontada como uma das ilhas artificiais visíveis do espaço. É impressionante como conseguiram construir uma ilha desse tamanho do zero, expandindo a costa de Dubai em vários quilômetros de praia nova.
Todos os ingressos de atração compramos online, direto no site oficial de cada uma. Isso evita fila dupla e garante o horário certo, sem depender de revendedor ou fila física no local. Preço de referência verificado em agosto de 2026, direto nos sites oficiais: o ingresso padrão do Burj Khalifa “At the Top” (124º e 125º andar) parte de AED 189 por pessoa, com a opção SKY, que inclui o 148º andar, a partir de AED 399; o ingresso padrão do Museum of the Future é AED 169. Os valores variam por data e horário, e o preço final só fecha no carrinho de compra.
Burj Al Arab: o Hotel-Vela que Virou Símbolo da Cidade
Mesmo sem ter ficado hospedados lá, é impossível falar de Dubai sem citar o Burj Al Arab, o hotel em formato de vela de dhow, o barco tradicional árabe, que virou o maior símbolo visual da cidade depois do Burj Khalifa. Inaugurado em 1º de dezembro de 1999, com 321 metros de altura, é descrito com frequência como “o hotel mais luxuoso do mundo”, mais como reputação e símbolo do que como uma classificação técnica oficial. Dá pra ver a estrutura de vários pontos da orla, principalmente da praia de Jumeirah, e é uma parada quase obrigatória pra foto, mesmo sem entrar.
Souks de Deira: o Dubai de Antes do Petróleo
Pra quem quiser ver um lado bem diferente da Dubai moderna, vale reservar um tempo pros souks tradicionais da região de Deira, perto do Dubai Creek: o Gold Souk, mercado do ouro, e o Spice Souk, mercado de especiarias. Esses mercados remontam ao início do século 20, e o Gold Souk cresceu especialmente na década de 1940, quando comerciantes vindos da Índia e do Irã se estabeleceram na região. Eles preservam a memória do Dubai mercantil de antes do petróleo, quando a cidade já funcionava como entreposto comercial entre a Índia, a Pérsia e a África, com mercadorias entrando e saindo pelo Creek em barcos tradicionais.
Dubai Marina: o Bairro que Nasceu do Zero em 2003
Fechamos um dos dias na Marina Walk, um passeio tranquilo à beira da Dubai Marina, cercado de prédios impressionantes e iates ancorados, com vários restaurantes na região. No pôr do sol, a vista fica ainda mais bonita. A Dubai Marina começou a ser construída em 2003 ao redor de um canal artificial de cerca de 3 km escavado na costa, e hoje é uma das maiores marinas artificiais do mundo, com 4,9 km² de área. É um bairro inteiro de arranha-céus, marinas e uso misto que simplesmente não existia há pouco mais de 20 anos, um bom resumo da velocidade de Dubai.
Dubai Mall
O Dubai Mall também entrou no roteiro, com direito à cachoeira dos mergulhadores, uma das atrações internas mais fotografadas do shopping, esculturas de mergulhadores suspensas descendo pela água em meio aos andares. É um bom programa pra fugir do calor no meio do dia, com estrutura de sobra pra comer, passear e ainda ver a fonte de Dubai por fora, bem em frente ao Burj Khalifa.

O Cartão que Usamos em Todo Uber e Compra em Dubai
Em Dubai pagamos tudo, do Uber às compras nos souks e no Dubai Mall, com o cartão internacional da Wise, na cotação real do dirham sem tarifa escondida de conversão. Faz diferença numa viagem onde os preços aparecem em dirhams o tempo todo e é fácil perder a noção do câmbio.
Onde Comer em Dubai
Boa parte das nossas refeições saiu do próprio Club Millésime do Sofitel, já que café da manhã, chá da tarde e petiscos vinham inclusos no nosso status Platinum na ALL Accor. Isso ajudou bastante a economizar em alimentação numa cidade cara, e ainda por cima combinava com o horário dos passeios: como saíamos de manhã cedo e voltávamos depois das 16h por causa do calor, sobrava tempo justo pra aproveitar o lounge nos intervalos.
Fora do hotel, na região do próprio Sofitel The Obelisk, é praticamente impossível errar num pedido de comida árabe. O shawarma e o kebab que provamos por perto do hotel estavam uma delícia, uma boa pausa da rotina de café da manhã reforçado e jantar no próprio hotel. Também economizamos bastante levando água do próprio hotel ou comprando em supermercado local, em vez de comprar água toda hora nos pontos turísticos, onde o preço costuma ser bem mais alto.
Transporte em Dubai: Uber, Metrô ou Careem
Como ficamos pouco tempo na cidade, usamos bastante o Uber. Não é a opção mais barata, mas é a mais cômoda e rápida. Mesmo pedindo o UberX, a opção mais em conta, só pegamos carros bons, e todos chegaram rápido. Usamos sempre o cartão da Wise no app, evitando qualquer tarifa extra de conversão.
Testamos também o metrô: fica muito mais barato que o Uber, o mesmo trajeto que custaria pouco mais de 100 dirhams de Uber saiu por 16 dirhams para 2 pessoas de metrô, mas demora mais que o dobro do tempo, e mesmo com ar-condicionado ainda é bem quente e lotado no horário de pico. Vale saber: o metrô de Dubai começou a operar em 9 de setembro de 2009, a data 9/9/9 virou até marca da inauguração, e é totalmente automatizado, sem condutor, considerado uma das maiores redes de metrô automatizadas do mundo desde que abriu.
Pra referência de quem for viajar agora: em agosto de 2026, a tarifa oficial do metrô com o cartão Nol Silver vai de 3 AED (dentro de 1 zona) a 7,5 AED (cruzando mais de 2 zonas), segundo a tabela da RTA. Já o UberX dentro da cidade, num trajeto urbano comum tipo Downtown até a Dubai Marina, costuma ficar entre 30 e 70 AED, variando com trânsito e horário.
Também testamos o app Careem. A economia comparada ao Uber só fica interessante se você escolher a opção Hala Táxi, mas esse tipo de transporte não tem responsabilidade do app em caso de problema. No nosso caso, o táxi fingiu que tinha nos pego e ficamos esperando mais de 10 minutos, sem ajuda do suporte, só conseguindo reembolso em crédito no app depois de abrir uma reclamação. Por isso preferimos continuar pagando um pouco mais e usando o Uber, do qual já somos usuários desde o início das operações no Brasil.
Resumindo as 3 opções que testamos de verdade:
- Uber. Mais caro, mas confiável, rápido e com carros bons mesmo na categoria mais barata.
- Metrô. Muito mais barato, mas demora mais que o dobro do tempo e fica lotado no horário de pico.
- Careem/Hala Táxi. Pode sair mais barato que o Uber, mas o suporte é fraco em caso de problema, e o reembolso costuma vir só em crédito, não em dinheiro.
De Dubai para Abu Dhabi
Pra seguir viagem até Abu Dhabi, pegamos um Uber direto. O trajeto levou 1h17 e fechou em AED 457,60, considerando pedágios (Salik) e taxa de RTA no meio do caminho. Lá, ficamos no Fairmont Abu Dhabi Bab Al Bahr, com vista pra Grande Mesquita Sheikh Zayed, e conhecemos os parques SeaWorld e Warner Bros World em Yas Island, mas isso já é assunto pra outro roteiro.
Quanto Custa uma Viagem a Dubai: os Números Reais
Juntando tudo que gastamos de verdade, separado por etapa da viagem, esse foi o resumo dos nossos investimentos em Dubai:
| Item | Valor |
|---|---|
| Executiva Emirates, São Paulo → Dubai (por pessoa) | 1 milhão de milhas Azul + R$ 7.100 em taxas |
| Diária de tabela da suíte no Sofitel The Obelisk | mais de R$ 2.300 |
| 2 noites no Sofitel pagas com 30 mil pontos ALL Accor | cerca de R$ 2.310 no total |
| Desconto obtido na compra de milhas ALL Accor | mais de 77% |
| Uber, mesmo trajeto do metrô, 2 pessoas | ~100 AED |
| Metrô, mesmo trajeto, 2 pessoas | 16 AED |
| Uber Dubai → Abu Dhabi (1h17) | 457,60 AED |
| Cada garrafinha de água com sabor do minibar | cerca de 45 dirhams (mais de R$ 60; ~R$ 63 na cotação de ago/2026) |
| SIM chip 10GB na imigração | Gratuito |
Vale reforçar: o item mais caro de longe foi a passagem aérea, mesmo tendo sido emitida com milhas. Isso não é exclusividade de Dubai, é praticamente regra em qualquer viagem internacional de médio ou longo curso. Depois vem a hospedagem, e mesmo pagando um hotel 5 estrelas com pontos, ainda foi bem mais barato do que pagar de balcão.
A Passagem Costuma Ser o Item Mais Caro, mas Não Precisa Ser
Em julho de 2026 saiu um alerta de Fortaleza para Madrid por R$ 1.291,17 usando milhas aéreas compradas com desconto. O mesmo tipo de alerta sai toda semana pra Dubai e pra dezenas de outros destinos internacionais, exatamente a mesma lógica que usamos pra pagar a diária da nossa suíte em Dubai por menos da metade do preço.
👉 Veja os alertas de passagem e hotel com desconto da Comunidade VMM
Erros e Aprendizados da Nossa Viagem a Dubai
Nem tudo foi perfeito, e vale registrar o que não funcionou tão bem, tanto no voo quanto na hospedagem e no roteiro pela cidade:
- Calor extremo. Sensação térmica de 60°C torna qualquer passeio ao ar livre bem curto, o que obriga a planejar os horários com cuidado.
- Museum of the Future não impressiona por dentro. A parte externa é o verdadeiro destaque, quem espera conteúdo técnico pode se decepcionar.
- Metrô lotado no horário de pico. Mesmo mais barato, o tempo a mais e o calor pesam na experiência.
- Problema real com o Careem/Hala Táxi. Suporte demorado e reembolso só em crédito, não em dinheiro.
- Minibar caro e pago à parte no hotel. Cada potinho de aperitivo ou garrafinha de água com sabor custa mais de R$ 60.
- Sem Coca-Cola no minibar. Só Pepsi, um detalhe regional que pega quem não espera.
- Piscina do hotel sem muita sombra. Difícil aproveitar por muito tempo com o sol forte de Dubai.
- Nenhuma garantia de upgrade de quarto. O hotel pode simplesmente não repetir o benefício em outra estadia, mesmo funcionando dessa vez.
- Voo de madrugada, saída à 1h35. Significa chegar no aeroporto no dia anterior e passar o dia todo esperando.
- Lounge do avião sempre lotado. Compartilhado com toda a executiva e primeira classe, difícil de conseguir sentar.
Mesmo com esses pontos, o saldo geral da viagem foi muito positivo. Dá pra economizar em praticamente tudo, do voo à hospedagem, passando pelo transporte, desde que você planeje com antecedência e conheça as estratégias certas de milhas e pontos.
Perguntas Frequentes sobre Dubai
Onde vocês ficaram hospedados em Dubai?
Ficamos no Sofitel Dubai The Obelisk, com upgrade gratuito pra uma suíte de mais de 88 m² e boa parte da estadia paga com pontos ALL Accor. Contamos todos os detalhes em nosso post dedicado ao hotel.
Quantos dias são necessários para conhecer Dubai?
Recomendamos pelo menos 3 dias cheios, sem contar o dia de chegada, pra conhecer com calma o Museum of the Future, o Burj Khalifa, a Palm Jumeirah, o Dubai Mall, a Dubai Marina e os souks de Deira, respeitando o horário mais ameno do dia por causa do calor.
Vale mais a pena o Burj Khalifa ou o The View at the Palm?
Para nós, o The View at the Palm, na Palm Jumeirah, entregou uma vista melhor e mais interessante, com a ilha artificial inteira à mostra, mesmo o Burj Khalifa sendo o prédio mais alto do mundo.
O Museum of the Future vale a pena?
Vale pela experiência e pelas fotos na fachada externa, mas não espere um conteúdo interno tão inovador quanto o prédio sugere de fora.
Compensa usar o metrô em vez do Uber em Dubai?
Financeiramente sim, a diferença de preço é grande. Mas o metrô demora mais que o dobro do tempo e fica lotado no horário de pico, mesmo com ar-condicionado.
Como economizar em hotéis de luxo com pontos ALL Accor?
Combinando assinatura do clube em promoção, compra de milhas com desconto, transferência bonificada de cartão de crédito e cashback via plataformas como TopCashback. No nosso caso, 30 mil pontos custaram cerca de R$ 2.310, o valor de uma diária pra ficar duas noites inteiras.
Dá para tomar banho durante o voo na executiva do A380 da Emirates?
Não. O banheiro com chuveiro do A380 é exclusivo da primeira classe. Na executiva, o banheiro é maior que o padrão de outras companhias, com janela e luz natural, mas sem chuveiro.
O Wi-Fi da Emirates é gratuito na classe executiva?
Sim, basta se cadastrar gratuitamente no programa de fidelidade Emirates Skywards para ter acesso ao Wi-Fi durante todo o voo.
Dubai é um destino seguro e fácil para brasileiros?
Sim. A imigração foi a mais rápida que já vivemos em qualquer viagem internacional, e ainda ganhamos um chip SIM de 10GB de graça na chegada. A cidade é bem estruturada para turistas, com transporte confiável e sinalização em inglês.
Quer Repetir uma Viagem Assim para Dubai?
Planejar Dubai do zero dá trabalho: escolher o hotel certo, entender qual mirante realmente vale o ingresso, decidir entre Uber e metrô, montar a rota até Abu Dhabi. A equipe da DIA23 cuida de cada etapa, das passagens com milhas até os ingressos oficiais das atrações, pra você aproveitar a viagem sem passar o dia resolvendo logística.





