Em julho de 2026 a Carol topou um desafio para comemorar o próprio aniversário: montar uma viagem para os Estados Unidos, voando de Classe Executiva, em plena alta temporada. O destino escolhido foi Chicago, a famosa “Cidade dos Ventos”, e a gente organizou um roteiro intenso de quatro dias por lá. Já adiantamos o spoiler que demos no vídeo: achamos Chicago uma espécie de “Nova York melhorada”. Ela é mais limpa, muito menos caótica, incrivelmente plana e dona de uma arquitetura que deixa qualquer um de queixo caído.
Este guia reúne tudo o que vivemos por lá, dia a dia, com nome de lugar, preço real e a nossa opinião sincera sobre o que valeu a pena e o que não valeu. Complementamos também com contexto histórico verificável sobre os principais pontos turísticos que visitamos, para quem quer entender a cidade além do que coube no vídeo. Vamos te mostrar como economizamos na passagem de luxo, as curiosidades que descobrimos pelas ruas, a polêmica da “Pizza-Torta” e, claro, abrir a carteira com todos os preços.
Esse é o vlog completo que gravamos em Chicago, mostrando a cabine executiva da United, o Hotel Fairmont Chicago Millennium Park e os quatro dias de passeio pela cidade. Vale assistir antes de continuar a leitura, porque muita coisa deste guia parte direto de cenas que estão nele.
Resumo Rápido: Chicago em 4 Dias
- Duração ideal: 4 dias completos (5 dias se quiser incluir o Art Institute of Chicago e visitar com calma os 3 museus do Museum Campus)
- Do aeroporto O’Hare ao centro: Blue Line (metrô elevado), cerca de 40 minutos, pagando por aproximação (Apple Pay)
- Onde ficamos: Fairmont Chicago Millennium Park, categoria Gold, com acesso ao Gold Lounge
- Voo executivo: menos de R$ 2.600,00 por pessoa (São Paulo a Chicago, emitido com milhas Azul)
- Ingresso combinado: Chicago CityPASS (Skydeck, Shedd Aquarium e escolha de 3 atrações)
- Ponto alto da viagem: Architecture River Cruise ao pôr do sol
- Ponto de atenção: fila de quase 90 minutos no The Ledge (Skydeck) e outlet de Rosemont sem valer o deslocamento
Neste Guia
- Por Que Chicago Vale a Pena Conhecer
- Quantos Dias Ficar em Chicago
- Como Chegar em Chicago
- Como se Locomover em Chicago
- Onde Ficar em Chicago
- Roteiro Dia a Dia em Chicago
- Museus de Chicago
- A Arquitetura de Chicago
- Onde Comer em Chicago
- Quanto Custa uma Viagem para Chicago
- O Que Amamos e O Que Não Curtimos
- Erros e Aprendizados da Nossa Viagem
- Perguntas Frequentes sobre Chicago
Por Que Chicago Vale a Pena Conhecer
Chicago é a terceira maior cidade dos Estados Unidos, atrás apenas de Nova York e Los Angeles, e ainda carrega o apelido histórico de “Second City” (Segunda Cidade), um jeito meio irônico que os próprios moradores usavam décadas atrás para se comparar a Nova York. Hoje ninguém mais duvida do peso cultural e arquitetônico da cidade. Ela fica às margens do Lago Michigan, um dos cinco Grandes Lagos que formam a maior reserva de água doce do planeta, e essa proximidade com um lago do tamanho de um mar é uma das coisas que mais impressiona quem visita pela primeira vez.
O apelido mais famoso da cidade, “Cidade dos Ventos” (Windy City), tem origem disputada. A explicação mais repetida é meteorológica, por causa dos ventos que sopram vindos do lago, mas historiadores também defendem uma origem política do século 19, ligada aos políticos “ventaneiros” que prometiam mais do que cumpriam durante a disputa para sediar a Exposição Universal de 1893. Na nossa experiência, em pleno verão, o vento realmente aparece com força perto da água, especialmente durante o passeio de barco pelo rio, então as duas explicações fazem sentido.
O que mais nos surpreendeu, comparando com Nova York, foi o quanto Chicago é plana, organizada e caminhável. A malha de ruas no centro é praticamente um tabuleiro, o que facilita muito se locomover a pé, e a sensação de segurança nas áreas turísticas foi bem maior do que esperávamos antes de viajar.
Quantos Dias Ficar em Chicago
Ficamos quatro dias completos em Chicago e, para o nosso roteiro (arquitetura, museus, um pouco de compras e a parte gastronômica), foi tempo suficiente sem sobrar folga demais nem faltar tempo para nada essencial. Conseguimos encaixar os grandes museus do Museum Campus, a Willis Tower, o passeio de barco pela arquitetura, o Millennium Park com calma e ainda um dia inteiro dedicado a compras e ao centro histórico.
Se o seu foco for só o essencial (Millennium Park, um museu e a vista do alto de algum arranha-céu), três dias já resolvem. Já se você quiser visitar os três grandes museus do Museum Campus com calma (Field Museum, Shedd Aquarium e Adler Planetarium, que não chegamos a entrar), o ideal é reservar cinco dias, porque cada um desses museus pede, sozinho, pelo menos duas ou três horas de visita.
Como Chegar em Chicago: o Voo Executivo Pagando Preço de Econômica
Nossa viagem começou nas alturas, com muito conforto na Polaris, a Classe Executiva da United Airlines. Como estávamos viajando em casal, escolhemos os assentos do meio (7D e 7F), perfeitos para quem quer ir juntinho durante o voo. O espaço vira uma cama totalmente plana, conseguimos dormir cerca de cinco horas, a tela de entretenimento tem um tamanho ótimo e a necessaire de amenidades estava super completa.

O grande segredo dessa etapa foi a emissão com milhas. Emitimos essa passagem na tarifa award usando milhas da Azul, e o trecho na Executiva de São Paulo para Chicago nos custou menos de R$ 2.600,00 por pessoa, um valor que muitas vezes nem cobre uma passagem de ida em Classe Econômica nessa mesma rota. A única decepção ficou por conta da comida servida a bordo, um bife de chorizo com risoto e um frango com manga que não empolgaram muito. Curiosamente, a comida da Classe Econômica no nosso voo de volta para o Brasil estava muito mais saborosa que a da executiva de ida.
O amenity kit também chamou atenção pela parceria inusitada: veio decorado com as cores do Wrexham AFC, o time de futebol inglês que ficou famoso mundialmente depois de ser comprado por celebridades de Hollywood.

Desembarcamos no aeroporto O’Hare (código ORD), que por décadas foi o aeroporto mais movimentado do mundo em número de pousos e decolagens. Vale um contexto histórico rápido aqui: o nome do aeroporto é uma homenagem a Edward “Butch” O’Hare, um aviador da Marinha americana condecorado por ações na Segunda Guerra Mundial, e o código ORD que aparece em todas as etiquetas de bagagem vem do antigo nome do local, Orchard Field, um campo de pomares que existia ali antes de virar aeroporto.
Como Pagamos Menos de R$ 2.600 numa Executiva Internacional 🎫
O trecho executivo que fizemos até Chicago custou menos que muita passagem de econômica, porque emitimos com milhas aéreas compradas com desconto em vez de pagar o valor cheio em dinheiro. Isso não foi sorte isolada: em julho de 2026 saiu um alerta de Fortaleza para Madrid por R$ 1.291,17 usando o mesmo tipo de estratégia. O mesmo tipo de alerta sai toda semana pra dezenas de rotas internacionais, incluindo os Estados Unidos, sempre avisando a hora certa de comprar milhas com desconto e o momento certo de emitir.
Como se Locomover em Chicago: Blue Line e Pagamento por Aproximação
Direto do aeroporto, fomos para a estação de trem pegar a “Blue Line”, uma das linhas do metrô elevado (o famoso “L” de Chicago) que liga o O’Hare direto ao centro. Não perdemos tempo comprando tickets em máquinas físicas. Usamos o cartão global da Nomad vinculado ao Apple Pay e simplesmente aproximamos o celular na catraca, do mesmo jeito que se paga qualquer coisa no dia a dia. Em cerca de 40 minutos, chegamos à estação Washington, bem no coração do The Loop, o distrito financeiro e histórico que ganhou esse nome justamente por causa do laço fechado que os trilhos elevados formam ao redor do centro da cidade. Checagem de preço atualizada em agosto de 2026, direto do site oficial da CTA (transitchicago.com): a tarifa normal do “L” é de US$ 2,75 por viagem, mas quem entra especificamente pela estação O’Hare Blue Line paga uma tarifa premium de US$ 5,00, sobretaxa que vale só para aquela estação de embarque.
Esse foi um dos maiores acertos práticos da viagem. Durante os quatro dias, não precisamos alugar carro nem pegar aplicativo de transporte com frequência. Andamos muito a pé (a cidade é plana e caminhável) e usamos o metrô elevado sempre que a distância pedia, sempre pagando por aproximação, sem fila e sem carregar cartão físico de transporte.
Onde Ficar em Chicago: Fairmont Chicago Millennium Park
Fomos direto fazer o check-in no nosso hotel, o Fairmont Chicago Millennium Park. Como esse foi o nosso refúgio durante toda a viagem, vale a pena detalhar bem a experiência. O nosso quarto da categoria “Gold” era lindíssimo e totalmente reformado, com uma cama excelente, uma TV da Samsung que beirava as 70 polegadas, espelhos com LED embutido e amenidades cheirosíssimas da grife nova-iorquina Le Labo.
A grande vantagem de ficar nessa categoria foi o acesso ao Gold Lounge. Ter um espaço exclusivo para tomar um café da manhã premium, com salmão defumado, frutas frescas e bagels, e ainda aproveitar um serviço de comidinhas no final da tarde ajudou bastante a economizar no orçamento geral da viagem, já que resolvia pelo menos duas refeições do dia sem precisarmos sair para restaurante.
Com as malas já no quarto, a vontade de explorar era tanta que fomos direto bater perna. No caminho, paramos na belíssima loja da Apple na beira do Rio Chicago, com fachada de vidro voltada para a água, onde a Carol ganhou um iPhone 15 Pro Max de presente de aniversário.
Roteiro Dia a Dia em Chicago
Dia 1: A Chegada em Grande Estilo, o Hotel e a Famosa “Pizza-Torta”
Depois da loja da Apple, caminhamos até o Millennium Park e tivemos a sorte de pegar a famosa Cloud Gate, apelidada pelos moradores de “o Feijão” (The Bean), recém-reaberta ao público depois de um período de reformas. Essa escultura de aço inoxidável reflete o horizonte da cidade e as pessoas ao redor, rendendo imagens incríveis para o vlog e, sem exagero, é o cartão-postal mais fotografado da cidade hoje em dia.

Ali do lado, vimos o impressionante Jay Pritzker Pavilion, um anfiteatro desenhado pelo lendário arquiteto Frank Gehry (o mesmo do Museu Guggenheim de Bilbao), onde uma orquestra sinfônica tocava de graça para o público sentado no gramado. Também nos refrescamos visualmente na Crown Fountain, aquelas duas torres de vidro icônicas com blocos de LED que projetam rostos de moradores de Chicago “cuspindo” água, uma instalação de arte pública que também virou point de brincadeira para crianças no verão.
Para o jantar, fomos provar a instituição gastronômica da cidade: a Deep Dish Pizza no Giordano’s. Essa receita foi inventada em Chicago nos anos 1940 para ser uma refeição robusta o suficiente para saciar os trabalhadores industriais da época, bem diferente da pizza fina italiana tradicional. Pedimos o sabor Chicago Classic, e a nossa opinião sincera é que a massa desmancha e é lotada de queijo, mas parece muito mais um empadão ou uma torta recheada do que uma pizza de verdade. A dica de ouro para esse restaurante é entrar na fila de “pre-order” logo na porta: você faz o pedido antes de sentar, assim, quando sua mesa for liberada, a pizza (que demora uns 45 minutos para assar) já chega quentinha.
Dia 2: Compras Frustradas, Cachorro-Quente e o Rio Chicago no Pôr do Sol
O segundo dia amanheceu ensolarado e decidimos focar na State Street e nas redondezas para olhar algumas lojas. O resultado foi uma grande decepção. Entramos em várias lojas famosas e farmácias na região, e em todas elas as prateleiras de cosméticos estavam vazias e os preços nas alturas:
- Macy’s
- Primark
- Walgreens
- Target
Fica a dica atualizada: compensa muito mais fazer um carrinho na Amazon com antecedência e mandar entregar direto no seu hotel do que contar com estoque de loja física em alta temporada. A nossa única compra real da manhã foi na Zara, onde garantimos roupinhas para o Samuel por um preço justo.
Aproveitamos para conhecer a Starbucks Reserve Roastery na Michigan Avenue, a famosa Magnificent Mile de Chicago. É simplesmente a maior loja da Starbucks do mundo, com quatro andares luxuosos dedicados à torrefação, padaria e bares de bebidas à base de café. Uma arquitetura impecável que vale a pena conhecer mesmo se você não for consumir nada.
Para o almoço, fomos ao lendário Portillo’s provar o autêntico cachorro-quente de Chicago. Existe uma regra histórica aqui, quase sagrada para os moradores: um verdadeiro Chicago-style hot dog leva uma lista bem específica de ingredientes:
- Salsicha de carne bovina
- Pão com semente de papoula
- Mostarda
- Cebola picada
- Tomate
- Um picles gigantesco
- Pimentão verde (sport peppers)
- Um toque de sal de aipo
Ketchup é terminantemente proibido, considerado quase uma ofensa em algumas casas tradicionais. Provamos e, sendo honestos, achamos ok. É gostoso, mas não achamos nada espetacular que justifique o tamanho da fama em torno do prato.
Seguindo com as tradições locais, passamos na Garrett Popcorn, uma loja aberta desde 1949. Pedimos o Chicago Mix, uma mistura de pipoca doce de caramelo com pipoca salgada de queijo. Infelizmente, achamos a textura murcha e o gosto de queijo muito artificial, um ponto negativo claro do dia.
No fim da tarde, caminhamos até o Navy Pier, onde fizemos um lanche rápido no Shake Shack, e partimos para o que foi um dos pontos altos da viagem: o Architecture River Cruise. Usamos o nosso CityPASS para fazer esse passeio de barco de 75 minutos pelos rios da cidade durante o pôr do sol. Vale um adendo pra quem for pesquisar por conta própria: confirmamos no site oficial navypier.org (agosto de 2026) que a entrada no píer continua totalmente gratuita, sem ingresso algum para caminhar por ali, só as atrações internas (como a roda-gigante Centennial Wheel) são pagas à parte.
Seguro Viagem para os Estados Unidos: Item que Não Dá para Pular 🏥
Chicago não fica no Espaço Schengen, então não existe exigência de visto europeu envolvida aqui, mas isso não torna o seguro viagem dispensável. Muito pelo contrário: o custo de atendimento médico nos Estados Unidos está entre os mais altos do mundo, e uma simples ida a um pronto-socorro sem seguro pode custar milhares de dólares em poucas horas. Viajando com criança pequena, como fizemos, esse cuidado fica ainda mais importante.
Durante a navegação, o guia conta a história do Grande Incêndio de Chicago de 1871. Essa tragédia destruiu a cidade original, que era construída majoritariamente em madeira, mas abriu espaço para engenheiros e arquitetos praticamente inventarem o arranha-céu moderno logo em seguida. A vista dos prédios dourados pelo sol refletindo na água é de cinema. Fica um alerta de perrengue: mesmo no verão, venta muito no rio, e passamos bastante frio no barco. Não esqueça o casaco, mesmo em pleno julho.
Fechamos a noite no restaurante The Dearborn. Dessa vez acertamos em cheio na escolha. Pedimos um hambúrguer para o Rudi e um prato de carne no ponto perfeito para a Carol, e ainda pagamos um upgrade de US$ 5 para acompanhar com couve de bruxelas temperada com parmesão. Foi o jantar mais caro da viagem, porém foi de longe a nossa melhor refeição em Chicago.
Dia 3: Uma Imersão nos Museus e o Topo da Cidade
Começamos o terceiro dia caminhando em direção ao grandioso Art Institute of Chicago, que abriga obras de Van Gogh e Picasso, e paramos para tirar foto em um marco histórico na calçada. Encontramos a placa de início da Rota 66. A “Main Street of America”, a rodovia mais famosa do mundo, começa bem ali em Chicago e cruza o país até chegar à Califórnia.
Como tínhamos comprado o CityPASS, agendamos pelo aplicativo a nossa manhã para o Museum Campus, uma área verde à beira do Lago Michigan que concentra os grandes museus da cidade. Começamos pelo Shedd Aquarium. O lugar é imenso e ficamos impressionados: vimos belugas, tubarões, e o Samuel adorou tocar em um esturjão, uma espécie considerada um fóssil vivo. A única ressalva ficou por conta das apresentações educativas com os animais, que achamos muito rápidas para o tamanho do investimento de tempo em ir até lá.
Dali, fomos andando até o Field Museum de História Natural, um lugar onde vale reservar no mínimo três horas do seu dia. O museu conta a história do planeta Terra e abriga mais de 20 milhões de espécimes catalogados. O grande astro do local é a “Sue”, simplesmente o fóssil de Tyrannosaurus Rex maior e mais bem preservado já descoberto no mundo. Ficar frente a frente com os dentes da Sue é uma experiência que arrepia até quem não é fã de paleontologia.
No fim da tarde, era hora de ver Chicago de cima. Fomos ao Skydeck na Willis Tower, que muitos moradores locais ainda chamam de Sears Tower, o nome antigo do prédio. Uma curiosidade rápida: quando foi inaugurada em 1973, essa foi a edificação mais alta do planeta por incríveis 25 anos seguidos. Subimos até o 103º andar bem na hora em que o sol estava caindo, e a vista em 360 graus da malha urbana se misturando com a imensidão do Lago Michigan é de tirar o fôlego. No entanto, havia uma fila de quase 90 minutos para tirar foto no The Ledge, aquelas famosas caixas de vidro suspensas para fora do prédio, e decidimos não encarar a espera. Para quem for sem CityPASS, checagem de preço atualizada em agosto de 2026 direto do site oficial theskydeck.com: o ingresso avulso comprado com antecedência online começa em US$ 32 por adulto, e o acesso ao The Ledge já vem incluído nesse mesmo ingresso, sem cobrança separada.
Dia 4: O Outlet Fraco, a Origem do Brownie e a Despedida
Para o nosso último dia, resolvemos dar uma chance aos outlets americanos. Pegamos a Linha Azul do metrô e depois o ônibus gratuito da Pace até o Fashion Outlets of Chicago, localizado na região de Rosemont, perto do aeroporto.
Levou quase uma hora para chegar e, sendo bem transparentes, não valeu o esforço. O shopping é totalmente fechado, mas as lojas nos pareceram muito caras (uma calça jeans na Levi’s custava cerca de US$ 70, por exemplo). A única exceção que salvou a visita foi a loja da Nike, que estava com uma promoção real de 40% de desconto na parede inteira de calçados.
Voltamos frustrados para o centro, mas Chicago ainda nos reservava uma surpresa muito doce. Fomos visitar o Palmer House, um hotel histórico da rede Hilton com um lobby que parece um palácio, coberto de afrescos no teto e lustres de ouro. Fomos até lá porque esse hotel guarda um segredo maravilhoso da culinária mundial: foi lá que o brownie foi inventado. Em 1893, Bertha Palmer pediu ao chef do hotel uma sobremesa que as senhoras pudessem levar em caixinhas durante a Exposição Universal de Chicago daquele ano. Assim nasceu o primeiro brownie do mundo, feito com nozes e cobertura de damasco.
Compramos o brownie original na confeitaria do próprio hotel. Ele não é o brownie super chocolatudo e escuro que estamos acostumados a comer no Brasil. É bem mais macio, muito recheado com nozes e incrivelmente doce por causa da cobertura de damasco. Valeu muito pela experiência histórica de provar a receita original, mesmo sendo diferente do que esperávamos.
Terminamos nosso vlog caminhando sem rumo pelas ruas da cidade. Chicago nos surpreendeu de um jeito muito positivo. Suas ruas limpas, a sensação de segurança, o transporte fácil e a imensidão dos parques deixaram aquela certeza de que precisamos voltar em breve com o Samuel, agora um pouco mais crescido.
Museus de Chicago: Vale Reservar o Dia Inteiro
Como passamos por dois dos grandes museus do Museum Campus, vale contextualizar melhor a origem deles para quem está planejando a própria visita. O Field Museum nasceu em 1893, batizado em homenagem ao empresário Marshall Field, justamente para abrigar as coleções reunidas durante a Exposição Universal de Chicago daquele ano, a mesma feira que originou o brownie no Palmer House. A “Sue”, a T-Rex mais famosa do museu, foi encontrada em 1990 na Dakota do Sul e depois comprada em leilão por US$ 8,36 milhões, um valor recorde para um fóssil na época, o que dá uma ideia de como aquele esqueleto específico é raro.
Já o Shedd Aquarium, inaugurado em 1930, foi um presente do empresário John G. Shedd, executivo da rede de lojas Marshall Field’s, para a cidade. Foi um dos maiores aquários internos do mundo por muitos anos e ainda hoje mantém um acervo enorme de espécies marinhas e de água doce.
Nós entramos nos dois com o CityPASS, sem pagar ingresso avulso, mas vale deixar o preço atual para quem for pesquisar por conta própria. Checagem direto dos sites oficiais em agosto de 2026: o ingresso avulso (sem passe) custa US$ 29,00 no Field Museum (fieldmuseum.org) e US$ 39,95 no Shedd Aquarium (sheddaquarium.org). O próprio CityPASS de Chicago, que usamos para entrar nesses museus e no Skydeck, também teve o preço confirmado direto em citypass.com/chicago: US$ 144,00 por adulto (12+), válido por 9 dias seguidos a partir do primeiro uso, dando direito a Shedd Aquarium e Skydeck Chicago (entrada expressa) mais a escolha de 3 atrações entre Field Museum, Art Institute of Chicago, 360 CHICAGO, Museum of Science and Industry, Adler Planetarium e o passeio de barco Shoreline Sightseeing Architecture River Tour. Vale um adendo: o cruzeiro de arquitetura incluso no CityPASS é esse da Shoreline, diferente do passeio “First Lady” do Chicago Architecture Center, que é vendido à parte e custa a partir de US$ 57 por adulto.
O Art Institute of Chicago, que só admiramos por fora durante a caminhada até a placa da Rota 66, foi fundado em 1879 e hoje é considerado um dos maiores e mais importantes museus de arte dos Estados Unidos, com um acervo que inclui obras de impressionistas como Van Gogh, além de Picasso e artistas americanos clássicos. Fica registrada a recomendação de reservar meio dia inteiro só para ele numa próxima viagem, já que não conseguimos entrar dessa vez por conta do tempo apertado.
A Arquitetura de Chicago: Do Grande Incêndio aos Arranha-Céus
Se tem uma coisa que Chicago faz melhor que praticamente qualquer outra cidade americana é arquitetura, e isso não é acaso. Vale contextualizar a história por trás disso, mesmo sem termos explorado o assunto a fundo durante o vídeo. O Grande Incêndio de 1871, mencionado pelo guia durante o passeio de barco, destruiu boa parte da cidade, que até então era construída majoritariamente em madeira. A reconstrução que veio depois atraiu uma geração de engenheiros e arquitetos que ficou conhecida como Escola de Chicago, responsável por inventar técnicas construtivas que tornaram possível erguer prédios mais altos do que qualquer coisa vista até então.
O marco geralmente citado como o primeiro arranha-céu do mundo é o Home Insurance Building, erguido em Chicago em 1885 com estrutura de aço, um método revolucionário para a época que permitiu construir para cima em vez de depender só de paredes grossas de alvenaria. A Willis Tower, que visitamos no terceiro dia, é herdeira direta dessa tradição: foi projetada pelo escritório Skidmore, Owings & Merrill, com o engenheiro estrutural Fazlur Rahman Khan desenvolvendo um sistema de “tubos agrupados” que permitiu ao prédio alcançar 442 metros de altura em 1973, recorde mundial que só foi superado em 1998, pelas Torres Petronas na Malásia.
O Cloud Gate, o “Feijão” que fotografamos no Millennium Park, também tem uma história curiosa. Foi criado pelo escultor britânico de origem indiana Anish Kapoor, instalado entre 2004 e 2006, e pesa cerca de 110 toneladas de aço inoxidável soldado e polido até virar um espelho perfeito, sem nenhuma emenda visível na superfície. O próprio Millennium Park, onde a escultura está instalada, foi inaugurado em 2004 sobre uma antiga área de pátios ferroviários no centro da cidade, um projeto que sofreu atrasos e estourou muito o orçamento original antes de virar o cartão-postal que é hoje.
Onde Comer em Chicago
A cena gastronômica de Chicago tem pratos com histórias próprias, quase todas ligadas à identidade operária e industrial da cidade no início do século 20. A Deep Dish Pizza, que provamos no Giordano’s, surgiu como uma refeição robusta o suficiente para alimentar trabalhadores de fábrica, o que explica a quantidade generosa de queijo e recheio. Vale mencionar que existe uma rivalidade histórica entre restaurantes que reivindicam a criação do prato, com a Pizzeria Uno frequentemente citada como pioneira na década de 1940, embora o Giordano’s também tenha sua própria versão consagrada e seja hoje uma das redes mais procuradas por turistas.
O cachorro-quente estilo Chicago, que provamos no Portillo’s, tem raízes ligadas à Grande Depressão dos anos 1930, quando vendedores de rua ofereciam uma refeição farta e barata para trabalhadores desempregados, cheia de vegetais frescos para parecer mais completa e nutritiva. A regra de nunca usar ketchup é levada tão a sério que alguns estabelecimentos simplesmente não oferecem o condimento no balcão.
Já o brownie, provado no Palmer House, nasceu num contexto totalmente diferente: não é comida de rua, e sim uma criação de alta gastronomia hoteleira encomendada por Bertha Palmer, uma das mulheres mais influentes da elite social de Chicago no fim do século 19, para ser levada em caixinhas elegantes durante a Exposição Universal de 1893. Curiosamente, os dois extremos da culinária de Chicago (comida de rua robusta e doce refinado de hotel) nasceram na mesma cidade, quase na mesma época.
Fora essas paradas históricas, tivemos experiências mais simples: um café da manhã reforçado no Wildberry Pancakes, um lanche rápido no Shake Shack durante a parada no Navy Pier, e o Garrett Popcorn, que apesar da fama de décadas nos decepcionou um pouco na textura.
Quanto Custa uma Viagem para Chicago: os Nossos Gastos Reais
Todos os valores abaixo são o que efetivamente pagamos em julho de 2026, já convertidos ou registrados na moeda cobrada no momento da compra. Se quiser converter os valores em dólar para uma referência em reais, o câmbio oficial de fechamento do Banco Central do Brasil (PTAX) em 13/08/2026 estava em R$ 5,19 por dólar; lembrando que a cotação muda todo dia, então vale sempre checar o valor do dia antes de planejar o orçamento:
- Voo em Classe Executiva (São Paulo para Chicago, com milhas Azul): menos de R$ 2.600,00 por pessoa
- Giordano’s (Deep Dish Pizza): US$ 37,61 (pizza pequena clássica de Chicago, com taxas e gorjeta)
- Portillo’s (cachorro-quente): US$ 16,27 (combo com dois lanches, batata pequena e bebida)
- Wildberry Pancakes: US$ 62,00 (café da manhã com panquecas e ovos beneditinos, já com gorjeta)
- The Dearborn: US$ 85,29 (um hambúrguer, um prato de carne, upgrade de couve de bruxelas, taxas e gorjeta)
- Shake Shack: US$ 30,80 (lanche rápido no Navy Pier)
- Garrett Popcorn: US$ 8,00 (tamanho médio, mix de queijo e caramelo)
- Zara Kids: US$ 26,42 (roupinhas básicas para o Samuel)
Vale notar que o item mais caro da viagem, disparado, foi o voo, mesmo assim ficando muito abaixo do que custaria em dinheiro numa emissão comum de Classe Executiva. Já entre as refeições, o jantar no The Dearborn foi o mais caro do roteiro, mas também o que consideramos o melhor custo-benefício em qualidade, bem à frente de opções mais famosas como o Giordano’s.
O Que Amamos e O Que Não Curtimos em Chicago
Depois de quatro dias intensos, é justo separar o que valeu muito a pena do que não recomendaríamos repetir:
- Voo de Executiva barato: a cabine Polaris da United é muito confortável para casais nos assentos do meio. O melhor foi emitir a passagem pagando preço de econômica usando milhas da Azul;
- Praticidade no transporte: pegar a Blue Line do aeroporto para o centro foi super fácil, e pagar a catraca direto pelo celular por aproximação (usamos a Nomad no Apple Pay) evitou filas e compra de tickets físicos;
- Fairmont Chicago: quarto maravilhoso, com cama excelente, TV gigante e amenidades da Le Labo. O acesso ao Gold Lounge foi o grande diferencial, garantindo café da manhã premium e um serviço de comidinhas no fim da tarde que salvaram nosso bolso;
- Vibe da cidade: Chicago é muito plana, limpa e bem cuidada, e achamos muito menos caótica que Nova York. Caminhar pelo Millennium Park e ver a arquitetura na beira do rio é um passeio gratuito e espetacular;
- Atrações do CityPASS: o Field Museum é formidável (a T-Rex “Sue” impressiona demais) e o passeio de barco Architecture River Cruise no pôr do sol te faz entender a verdadeira história da cidade;
- Compras na Amazon: como as lojas de rua estavam fracas, a melhor estratégia foi comprar as coisas online e mandar entregar direto no hotel.
Do lado dos pontos negativos:
- Comida da Classe Executiva: o serviço de bordo e a comida da United deixaram a desejar para o padrão executivo. A comida da econômica na nossa volta ao Brasil estava muito superior;
- A “Pizza-Torta” de Chicago: a famosa Deep Dish Pizza no Giordano’s desmancha na boca e tem muito queijo, mas achamos pesada e sem gosto de pizza tradicional;
- Filas absurdas: o Skydeck da Willis Tower tem uma vista linda, mas a fila para tirar foto na famosa “caixa de vidro” (The Ledge) passava de 1h30;
- Lojas e outlets: pegar quase uma hora de transporte até o Fashion Outlets of Chicago não valeu a pena. Preços altos e poucas opções. As farmácias do centro também estavam com prateleiras vazias e preços inflacionados;
- Decepções gastronômicas: a pipoca Garrett estava com textura murcha, e o Portillo’s não entregou nada tão diferente que justificasse o burburinho em torno dele.
Erros e Aprendizados da Nossa Viagem a Chicago
Alguns tropeços da viagem viraram lição para quem for planejar a própria ida à cidade:
- Confiar demais nas lojas físicas do centro: perdemos uma manhã inteira em farmácias e lojas de departamento com estoque fraco e preço inflado. Da próxima vez, faríamos o pedido pela Amazon antes de embarcar, com entrega programada direto para o hotel;
- Subestimar o vento do rio: mesmo em pleno julho, passamos frio de verdade durante o Architecture River Cruise. Vale levar um casaco leve mesmo em dias quentes se o passeio incluir barco ou áreas abertas perto do Lago Michigan;
- Ir ao outlet sem pesquisar antes: gastamos quase duas horas de ida e volta para o Fashion Outlets of Chicago e não valeu o esforço. Pesquisar avaliações recentes da loja específica antes de se deslocar teria evitado essa frustração;
- Não reservar tempo para o Art Institute of Chicago: passamos direto pela porta e só vimos a placa da Rota 66 na calçada, sem entrar. Numa próxima viagem, reservaríamos meio dia só para esse museu;
- Achar que a fama de um prato garante a experiência: tanto o Portillo’s quanto a Garrett Popcorn têm fama consolidada há décadas, mas na nossa experiência real nenhum dos dois foi memorável o suficiente para repetir. Vale ir com expectativa mais moderada.
Perguntas Frequentes sobre Chicago
Quantos dias são ideais para conhecer Chicago?
Na nossa experiência, quatro dias completos foram suficientes para o essencial: Millennium Park, dois dos grandes museus do Museum Campus, a Willis Tower e um dia de compras e centro histórico. Se você quiser visitar com calma os três grandes museus (Field Museum, Shedd Aquarium e Adler Planetarium) e ainda entrar no Art Institute of Chicago, o ideal é reservar cinco dias.
Vale a pena comprar o CityPASS em Chicago?
Sim, na nossa experiência valeu muito. Usamos o CityPASS para o Field Museum e para o Architecture River Cruise, que foi um dos pontos altos da viagem, e o passe facilitou o agendamento pelo aplicativo sem precisar comprar ingresso separado em cada atração.
É seguro andar a pé em Chicago?
Nas áreas turísticas onde circulamos (The Loop, Millennium Park, Michigan Avenue, Museum Campus e Navy Pier), nos sentimos seguros o tempo todo, inclusive à noite voltando de restaurante para o hotel. Como em qualquer grande cidade americana, vale pesquisar antes sobre bairros específicos fora do circuito turístico central.
Como ir do aeroporto O’Hare até o centro de Chicago?
Usamos a Blue Line do metrô elevado, pagando por aproximação com cartão internacional vinculado ao Apple Pay, sem precisar comprar ticket físico em máquina. O trajeto levou cerca de 40 minutos até a estação Washington, no coração do The Loop.
A Deep Dish Pizza de Chicago realmente vale a fama?
Na nossa opinião sincera, não tanto quanto a fama sugere. Achamos a massa do Giordano’s mais parecida com um empadão recheado de queijo do que com uma pizza tradicional. Vale provar pelo menos uma vez pela experiência cultural, mas sem esperar uma pizza no sentido italiano da palavra.
Vale a pena visitar o Fashion Outlets of Chicago em Rosemont?
Na nossa experiência, não. O deslocamento levou quase uma hora de ida, o shopping é fechado e a maioria das lojas estava com preço alto. A única exceção foi a loja da Nike, que tinha uma promoção real de 40% de desconto em calçados no dia da nossa visita.
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Se depois de ler tudo isso você ficou com vontade de conhecer Chicago (ou de evitar os mesmos perrengues que a gente teve nas compras e no outlet), a equipe da Agência DIA23 pode montar sua viagem internacional do zero: passagem aérea, hospedagem e o roteiro certo de museus, arquitetura e passeios, com quem já viveu na prática cada detalhe descrito aqui.











