Fechar 2023, o “ano das viagens” da nossa família, passando o Natal em Nova York foi um sonho realizado. Planejamos e colocamos essa viagem em prática em menos de 60 dias, um desafio real: visitar uma das cidades mais caras do mundo bem na época mais cara do ano, com o Sam ainda pequeno. Aprendemos, nesses 5 dias inteiros de roteiro, que viajar em família é uma dança entre planejamento, flexibilidade e muita paciência.
Esse guia reúne tudo o que vivemos de verdade por lá: o voo executivo que usamos para chegar, onde ficamos hospedados, cada passeio na ordem exata em que aconteceu, os preços reais que pagamos e os erros que cometemos no meio do caminho. Se você está organizando a sua primeira viagem a Nova York no Natal, ou só quer saber se vale a pena encarar a cidade mais cheia e mais cara do ano com criança pequena, é isso que você vai encontrar aqui.
Resumo rápido: Nova York no Natal em família
- Quando fomos: 22 a 26 de dezembro (semana do Natal)
- Duração: 5 dias inteiros de roteiro
- Clima: entre -3°C e 3°C, agasalho de inverno completo obrigatório
- Como chegamos: classe executiva Delta, 90 mil milhas LATAM Pass por pessoa (tabela fixa)
- Onde ficamos: Sofitel New York, com mais de 60% de desconto usando pontos ALL Accor
- Locomoção: a pé e de metrô (US$ 3 por viagem no OMNY)
- Com criança pequena: sim, com o Sam ainda bebê, incluindo carrinho com capa de frio
Índice do roteiro
- Por que vale a pena conhecer Nova York no Natal
- Quantos dias ficar em Nova York no Natal
- Como chegamos: executiva da Delta com milhas LATAM Pass
- Onde ficamos hospedados: Sofitel New York
- Primeiro dia: compras de inverno e a pizza de alcachofra
- Rockefeller Center: a árvore de Natal mais famosa do mundo
- Segundo dia: Hudson Yards, High Line e Chelsea Market
- Little Island e a vista de Manhattan
- Musical Aladdin na Broadway
- Terceiro dia: a pé pela Ponte do Brooklyn até o Dumbo
- A decoração de Natal de Nova York que mais valeu a pena
- Dia de Natal: café da manhã no Junior’s e SUMMIT One Vanderbilt
- Central Park: pista de patinação, Terraço e a Bow Bridge fechada
- Último dia: Nintendo Store, Carmine’s, Lego Store e Krispy Kreme
- Onde comer em Nova York: nosso resumo real
- Quanto custa: nosso orçamento real em Nova York
- Erros e aprendizados desse roteiro em Nova York
- Perguntas frequentes
Por que vale a pena conhecer Nova York no Natal
Nova York já é daquelas cidades que qualquer roteiro de viagem inclui em algum momento da vida, mas na época de Natal ela vira outra coisa. A cidade inteira se veste de decoração natalina, das vitrines da Macy’s às guirlandas na Grand Central Terminal, passando pela árvore mais famosa do mundo no Rockefeller Center e pela pista de patinação lotada do Central Park. É um tipo de clima que não dá para replicar em nenhuma outra época do ano, nem visitando os mesmos lugares.
Só que essa magia natalina tem um preço, literalmente. Dezembro é a época mais cara do ano em Nova York, com hotel, restaurante e ingresso de teatro custando bem mais caro do que em qualquer outro mês. É também a época mais cheia: fila em praticamente todo lugar, restaurante lotado mesmo com reserva, ruas de Manhattan abarrotadas de gente andando devagar. Se você não gosta de multidão, essa talvez não seja a sua época ideal para conhecer a cidade. A gente também não é fã de aglomeração, mas entre o clima natalino e a lotação, achamos que valeu muito a pena.
Com o Sam ainda pequeno, encaramos um desafio extra: frio de verdade (chegou a fazer menos 3 graus em pleno dia), agasalho de inverno completo para todo mundo, carrinho de bebê em calçada com gelo e uma cidade que, nessa época do ano, anoitece antes das 18h. Mesmo assim, foi uma das viagens mais bonitas que já fizemos como família, e esse guia mostra exatamente como organizamos cada etapa dela.
Quantos dias ficar em Nova York no Natal
Ficamos 5 dias inteiros em Nova York, sem contar o dia de chegada e o de saída, e essa quantidade de tempo se mostrou um bom equilíbrio entre conhecer bastante coisa e não esgotar a família inteira, principalmente com criança pequena no meio do frio. Dividimos o roteiro por região e por tema, sem tentar encaixar tudo em ordem geográfica perfeita, priorizando o que fazia sentido em cada dia.
No primeiro dia, resolvemos compras de inverno que ainda faltavam e fechamos a noite na árvore do Rockefeller Center. No segundo, emendamos Hudson Yards, High Line, Chelsea Market e Little Island, terminando com o musical do Aladdin na Broadway. No terceiro, atravessamos a Ponte do Brooklyn a pé até o Dumbo e voltamos para curtir o Winter Village do Bryant Park à noite. No dia de Natal, foi café da manhã no Junior’s, SUMMIT One Vanderbilt e Central Park. E no último dia inteiro, deixamos para lojas e experiências mais soltas, sem compromisso fixo: Nintendo Store, Carmine’s, Lego Store e Krispy Kreme.
Se você tem menos tempo do que nós, dá para cortar alguma coisa desse roteiro sem perder o essencial: o Rockefeller Center, o Central Park e uma refeição típica de Natal são praticamente obrigatórios. Já se você tem mais tempo sobrando, vale considerar coisas que a gente decidiu tirar do roteiro por falta de tempo, como o distrito financeiro e o passeio de barco até a Estátua da Liberdade.
Como chegamos: executiva da Delta com milhas LATAM Pass
A nossa viagem começou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Usamos as milhas da LATAM Pass e a tabela fixa da LATAM para emitir 4 passagens na classe executiva da Delta com apenas 90 mil milhas por pessoa. A Delta é parceira da LATAM, e dá para usar as milhas do programa aéreo brasileiro para emitir voos internacionais da própria Delta, o que costuma sair muito mais barato em milhas do que emitir direto num programa americano.
A tabela fixa é um sistema de resgate com valores pré-definidos para companhias parceiras, diferente da precificação dinâmica usada nos voos da própria LATAM. No nosso caso, o valor foi bem interessante, considerando que a emissão exige disponibilidade em assento-prêmio da parceira e costuma precisar ser feita direto pela central de atendimento, não pelo fluxo comum do site. Vale se planejar com antecedência e ter paciência ao telefone.
O conforto da executiva foi uma experiência incrível. O atendimento da Delta foi muito bom, com comissários bastante prestativos. O voo saiu quase às 11 da manhã, e pouco depois já vieram as refeições: de entrada, uma sopa de tomate com salada e melão com presunto parma; de prato principal, pedi uma costela acompanhada de arroz e mandioca (a comida estava boa, mas não excelente); de sobremesa, um bolo com cobertura de maracujá e um sundae montado na hora pelo comissário. O assento deita completamente, o Sam tirou uma boa soneca, e a gente chegou em Nova York bem mais descansado do que chegaria na econômica, o que fez muita diferença numa viagem de Natal com tanta coisa programada logo nos primeiros dias.

Sendo um voo diurno, o assento totalmente reclinável fez toda a diferença para o Sam conseguir descansar no colo da Carol antes de chegarmos numa cidade gelada, com bagagem de inverno inteira para carregar.

Os trajetos de chegada no hotel e de saída de Nova York fizemos com a We Take You There, empresa de transfer com atendimento em português. Quem cuidou de tudo foi o Augusto, à frente da empresa, com foco em serviços privativos: transfer, city tour, walking tour, e também passeios para Boston, Washington e Philadelphia, sempre de forma privativa. Para quem viaja com bebê, malas e carrinho, ter alguém esperando para pegar a bagagem e te levar com mais conforto e segurança faz muita diferença numa cidade gelada e desconhecida. Quem segue o canal tem desconto e condições especiais nos pacotes deles, o link fica sempre na descrição do vídeo no YouTube e no primeiro comentário fixado.
Nos Estados Unidos, uma emergência médica sem seguro pode custar mais que a viagem inteira
Não é exagero: uma simples ida a um pronto-socorro americano pode gerar uma conta de milhares de dólares, e isso vale ainda mais numa viagem de inverno com criança pequena, quando qualquer resfriado forte ou queda no gelo pode virar uma visita médica. Mesmo sem exigência de visto de seguro para entrar no país, a gente recomenda fechar um seguro internacional antes de qualquer viagem aos EUA, pensando no custo real da saúde por lá.
Onde ficamos hospedados: Sofitel New York
Ficamos no Sofitel New York, um dos únicos 2 hotéis da rede ALL Accor na cidade, reservando 2 quartos: o primeiro 100% com pontos e o segundo com 50% de desconto (uma estratégia que costuma funcionar em vários hotéis ALL dependendo da quantidade de pessoas na busca), o que gerou mais de 60% de economia total sobre o valor de tabela. Conseguimos ainda upgrade para o status Platinum, com late checkout até as 15h e benefícios extras de boas-vindas do programa.
Nossa avaliação real do Sofitel New York é positiva, com uma ressalva prática que conto logo abaixo. O quarto Deluxe King, no 22º andar, tem carpete, o que não é o nosso estilo preferido de piso, mas o hotel compensa isso com uma localização excelente, a menos de 5 minutos a pé de boa parte de Manhattan. O banheiro é revestido em mármore, com amenities da linha Bvlgari, banheira e chuveiro que esquenta rápido demais. A vista do quarto é um espetáculo à parte no Natal: dá para ver o Empire State Building enfeitado com luzes verde e vermelha, o SUMMIT One Vanderbilt logo ali perto, e o Chrysler Building ao fundo. (Verificado em 2026: o ingresso do observatório do Empire State Building custa a partir de US$ 44 por adulto, mais taxa de reserva de US$ 5 por transação, segundo o site oficial esbnyc.com, com valor dinâmico conforme data e horário.)

Um ponto de atenção real para quem viaja com bebê: o hotel não tem micro-ondas nem qualquer estrutura de copa para esquentar comida de criança, e o restaurante não presta esse serviço. Tivemos que sair até o Whole Foods, pertinho do hotel, toda vez que precisávamos esquentar a comida do Sam. Se você viaja com criança pequena e depende de esquentar papinha ou mamadeira, vale confirmar isso antes de reservar, ou já ir se planejando para resolver fora do quarto, como a gente fez.
Primeiro dia: compras de inverno e a pizza de alcachofra
O primeiro café da manhã da viagem foi no Whole Foods de frente para o Bryant Park, a 5 minutos a pé do hotel: muffin de blueberry, frutinhas para o Sam e um chocolate quente. A conta para todo mundo ficou em 37,95 dólares. Não é o point mais barato de Nova York, mas o café da manhã ali pertinho do hotel valeu a praticidade. Fazia menos 3 graus, com máxima de 3 graus positivos, dia 22 de dezembro, semana do Natal.
Separamos esse primeiro dia inteiro para as compras que estávamos precisando para nos agasalhar melhor no inverno de Nova York. Fomos até a Burlington, uma das lojas de departamento com preço mais em conta da cidade, e achamos uma botinha para o Sam de 15 dólares da marca OshKosh, que a gente nem conhecia, mas descobrimos ali que é uma das marcas que todo mundo que monta enxoval de bebê nos Estados Unidos compra, ao lado da Carter’s.
Depois das compras na Burlington, fomos até a Macy’s, a maior loja de departamento do mundo. É gigantesca, e no período de Natal fica toda decorada, com uma vitrine mais bonita que a outra. Dá para tirar muitas fotos e passar horas ali dentro. Investimos um bom tempo passeando pelos vários andares.
Passamos rapidinho no hotel para deixar as compras e fomos comer a famosa pizza de alcachofra (Artichoke Pizza, da rede Artichoke Basille’s Pizza), que tem várias unidades espalhadas por Nova York. É um lugar bem apertadinho: você paga, pega o pedaço e come ali mesmo, em pé, numa mesinha alta. Os pedaços são enormes, a Carol e eu nem conseguimos terminar tudo, pedimos uma caixa e levamos o resto para o hotel. Foi o nosso almoço, e estava uma delícia.

Aproveitamos o resto da tarde para comprar alguns lanches no Whole Foods e depois passear pela cidade. Nova York nessa época é linda demais: as decorações e o clima natalino, com aquele frio gostoso, é uma experiência que a gente quer viver de novo. Nessa época do ano anoitece bem cedo, antes das 18h já parece mais de 20 horas, mas ainda deu tempo de pegar uma filinha para entrar na FAO Schwarz, a loja de brinquedos bem conhecida pelo teclado gigante que dá para tocar com os pés. O Sam se divertiu bastante, foi mágico ver ele curtindo aquilo. Se deixasse, ele ficaria ali por horas.
Rockefeller Center: a árvore de Natal mais famosa do mundo
A tradição da árvore de Natal do Rockefeller Center começou em 1931, quando os próprios trabalhadores da construção do complexo, erguido em Midtown Manhattan no início dos anos 1930, durante a Grande Depressão, juntaram dinheiro para comprar uma árvore de cerca de 6 metros e a decoraram com enfeites feitos por eles mesmos. A primeira cerimônia oficial de iluminação aconteceu em 1933, e desde então virou tradição anual, repetida todo fim de ano diante de multidões.

Fomos à noite, por volta das 19h15, encerrando esse primeiro dia super cansativo de bastante andança. Estava extremamente cheio, muita gente para andar pouco espaço, mas mesmo assim valeu muito a pena ver a árvore de perto, com a pista de patinação no gelo logo abaixo. Se você quiser fugir um pouco da multidão máxima, vale tentar horários mais cedo pela manhã, mas prepare-se de qualquer forma para dividir espaço com muita gente, é simplesmente o point mais procurado da cidade nessa época do ano. Quem quiser subir ao mirante Top of the Rock, no mesmo complexo do Rockefeller Center, o ingresso custa a partir de US$ 36 por adulto em 2026 (valor de entrada básica, sem sunset/VIP), segundo o site oficial rockefellercenter.com.
Segundo dia: Hudson Yards, High Line e Chelsea Market
O segundo dia começou tarde: café da manhã quase às 11h, no Joe & The Juice, de frente para o Bryant Park. Pedimos um croissant e um Gingerbread Latte, bem gostoso. Dali fomos fazer um passeio rápido pelo Hudson Yards, o complexo de shopping que fica ainda mais bonito com a decoração de Natal, e paramos para ver a The Vessel, aquela estrutura em espiral de metal que, em vídeo, não parece tão grande, mas pessoalmente é gigante, bem alta. Não dá mais para subir nela, fechada para o público desde 2021, mas ainda dá para tirar boas fotos de perto.
Dali seguimos para o High Line, um parque elevado de mais de 2 km, construído sobre uma antiga ferrovia de carga do lado oeste de Manhattan, que abastecia açougues e armazéns da região. Depois de décadas abandonada, a estrutura foi transformada num dos maiores projetos de reconversão urbana da cidade, ajudando a revitalizar o Meatpacking District e Chelsea. Investimos mais de uma hora passeando por ali, devagar, tirando várias fotos e olhando o contraste entre construções antigas e modernas, com aquela paisagem de inverno. É bem acessível para quem vai com carrinho de bebê, com elevadores em alguns pontos. O Sam dormiu praticamente todo o trajeto, protegido do frio com a mesma capa de carrinho que usamos na Europa.
Fomos até o final do High Line e voltamos um pouco para chegar no Chelsea Market, um grande mercadão com diversas opções de comida. Foi só ali, no Chelsea Market, que descobrimos uma curiosidade real do prédio: nesse mesmo lugar funcionava a antiga fábrica da National Biscuit Company (Nabisco), erguida na década de 1890, onde o biscoito Oreo foi inventado e produzido pela primeira vez, em 1912. A fábrica operou no local até meados dos anos 1950, e o mercado como conhecemos hoje foi inaugurado em 1997, preservando a estética industrial original, com aquela decoração bem rústica.
Comemos num dos restaurantes de noodles mais concorridos do Chelsea Market, quando tem fila grande assim, geralmente é sinal de que é bom mesmo. Pedimos um noodle apimentado com bolinhas de tapioca (o cardápio só tem 2 opções, apimentado ou médio, e o médio já é bem forte) e umas asinhas de frango e coxinhas de frango, crocantes por fora e molhadinhas por dentro. O apimentado surpreendeu: a Carol quase não conseguiu comer de tão condimentado, eu consegui, mas com bastante sacrifício. Se você não gosta de pimenta, não peça esse aqui. Do lado de fora do restaurante tem mesas com aquecedor, de graça para quem quiser sentar, ótimas para comer mesmo no frio de Nova York.
Aproveitamos o ambiente quentinho das mesinhas aquecidas para trocar o Sam, e ali na frente do Chelsea Market tem uma Starbucks Reserve, uma das poucas lojas da rede no mundo com essa decoração diferenciada e uma variedade de bebidas, comidas e souvenirs que não existe numa Starbucks comum. Sempre aproveitamos esses momentos para pedir água de graça nas cafeterias, uma boa dica para quem precisa fazer mamadeira na rua.
Little Island e a vista de Manhattan
Do Chelsea Market, seguimos para Little Island, uma ilha artificial na altura do Pier 57. Como o próprio nome já diz, é pequena, dá para explorar em menos de uma hora. Dá para subir as rampas com carrinho de bebê até o ponto mais alto para admirar a vista de todo o sul de Manhattan e também de Nova Jersey.

Apesar da indicação de que tem um playground no local, existem pouquíssimas opções para as crianças brincarem. Ainda assim, o Sam se divertiu bastante, tocando bateria imaginária, correndo e pulando por ali. Vale a parada rápida no roteiro, principalmente se você já está passando pelo High Line e pelo Chelsea Market no mesmo dia, já que fica bem próximo dos dois.
Musical Aladdin na Broadway
Às 20h tínhamos compromisso: eu e a Carol compramos com antecedência o musical do Aladdin na Broadway. Nessa época do ano, os valores ficam quase o dobro, e se deixar para comprar em cima da hora pode ser que não tenha mais ingresso disponível. Pagamos 160 dólares por pessoa. O musical é bem bacana, e com certeza valeu o investimento. (Verificado em 2026: os canais oficiais do espetáculo, aladdinthemusical.com e a bilheteria do New Amsterdam Theatre, praticam valores entre cerca de US$ 100 e mais de US$ 300 por pessoa em datas de pico de Natal, dependendo do setor, com uma loteria digital oficial a US$ 35 sujeita a sorteio.) Na saída do teatro, aproveitamos para curtir um pouco a Times Square antes de voltar para o hotel.
Terceiro dia: a pé pela Ponte do Brooklyn até o Dumbo
Chegamos até o início da Ponte do Brooklyn, sentido Brooklyn, de metrô: uns 10 minutinhos de trajeto desde o hotel (verificado em 2026: a tarifa do metrô de Nova York é de US$ 3 por viagem usando o cartão contactless OMNY, que substituiu o MetroCard físico, oficialmente fora de venda desde 31/12/2025 embora ainda aceito enquanto durar o saldo, segundo a mta.info). A ponte foi construída entre 1870 e 1883 e inaugurada nesse mesmo ano, um feito de engenharia da época associado à família Roebling: John A. Roebling idealizou o projeto, seu filho Washington Roebling liderou a obra depois que o pai morreu ainda no início da construção, e Emily Warren Roebling teve papel decisivo para concluí-la, estudando engenharia sozinha para assumir a supervisão diária depois que o marido adoeceu gravemente durante a obra.

A travessia é bem tranquila e acessível com carrinho, tem tábuas de madeira no piso que dão um leve balanço. Contando as paradas para foto, levamos cerca de 40 minutos para atravessar; sem parar, dá para fazer em menos tempo. O Sam dormiu o trajeto inteiro, então não teve foto dele na ponte, mas teve em vários outros lugares. Estava bem frio, com bastante vento, então se você for atravessar no outono ou inverno, vá bem agasalhado.
Fomos até o Dumbo só para tirar a famosa foto com a Ponte de Manhattan ao fundo. Depois, caminhamos cerca de 17 minutos até uma região do Brooklyn conhecida pelas casinhas de tijolinho que aparecem em vários filmes, a Willow Street, em Brooklyn Heights. A Carol até comentou que aquela não era a rua famosa da série “Todo Mundo Odeia o Chris”, que fica bem mais distante. Preferimos vir para essa região mais perto mesmo, e o passeio valeu muito a pena, é uma área linda de Nova York.
Fizemos uma parada para comer num restaurante ali perto do Brooklyn, com reserva para o meio-dia (a pé o trajeto levaria uns 20 minutos, então fomos de Uber para chegar mais rápido). À tarde, voltamos ao Whole Foods de frente para o Bryant Park, onde dá para pegar sopinhas no self-service, pesar e pagar, com micro-ondas disponível de graça para esquentar comida fria.
A decoração de Natal de Nova York que mais valeu a pena
Se você fizer só um roteiro de decoração natalina em Nova York, esses foram os pontos que mais valeram a pena para a gente, na ordem em que fomos gostando cada vez mais. A árvore do Rockefeller Center segue disparada como o símbolo mais forte da cidade nessa época, mesmo cheia demais para andar com conforto. As vitrines da Macy’s rendem fotos incríveis e horas de passeio tranquilo, ótimo para fugir do frio por um tempo. O lobby do Sofitel, com direito a árvore própria e enfeites em cada canto, deu aquele clima natalino já dentro do próprio hotel, sem precisar sair na rua.
À noite, passamos pelo Winter Village, a feira de Natal do Bryant Park, com pista de patinação no gelo lotada e barraquinhas decoradas. Não somos muito fãs de feira cheia, mas no clima natalino valeu a pena. E a Grand Central Terminal, mesmo sendo mais conhecida por outros motivos, também entra nessa lista com suas guirlandas na entrada, um daqueles detalhes que só quem passa por dentro percebe de verdade.
Dia de Natal: café da manhã no Junior’s e SUMMIT One Vanderbilt
No quarto dia, 25 de dezembro, o Natal, tomamos café da manhã no Junior’s, famoso pelo cheesecake. Pedimos french toast, ovos benedict, um grill cake (panqueca feita na chapa) e os ovos do Sam, que é o que ele sempre come de manhã. Pedimos 3 pratos e 2 bebidas, mais os ovos do Sam, e com a gorjeta a conta ficou em torno de 100 dólares, o lugar mais em conta que comemos em toda a viagem.
Separamos essa manhã de Natal para o SUMMIT One Vanderbilt, já que ele abria mesmo no feriado. Existem vários observatórios em Nova York, mas decidimos ir em só um para otimizar o tempo. O SUMMIT abriu ao público em 21 de outubro de 2021, no topo do arranha-céu One Vanderbilt, em Midtown, e se diferencia dos outros mirantes por ser uma experiência sensorial e artística, com salas espelhadas e instalações imersivas em vários níveis, a mais de 300 metros de altura, integrado à região da Grand Central Terminal.
A entrada é bem devagar: você passa pela segurança, recebe um saco plástico para guardar seus pertences, tira uma foto, entra, e mais na frente tira outra foto. Demora um pouco, mas a vista lá dentro compensa. A primeira sala, com chão espelhado, é impressionante, mesmo em foto e vídeo não conseguindo captar direito a sensação real de andar sobre aquele reflexo. Outro ambiente dá para ver o Bryant Park e a pista de patinação de longe. Tem também um banheiro de família bem grande, ótimo para trocar o bebê. Mas o que o Sam mais amou foi a sala com bolinhas prateadas: ele brincou ali por quase uma hora e chorou quando teve que sair, não queria ir embora de jeito nenhum. No total, ficamos quase 4 horas dentro do SUMMIT.
Pena que estava bem nublado, sem vista livre da cidade nesse dia, tudo branco lá fora, sem ver nada. Mesmo em época de Natal, com o SUMMIT lotado logo de manhã, ainda valeu muito a pena a experiência. Tem opção de comprar as fotos tiradas por eles, em versão digital, vídeo panorâmico ou impressa, mas achamos os fundos meio artificiais e não levamos nenhuma.

A saída do SUMMIT é direto pela Grand Central Terminal, a estação famosa por causa da série Gossip Girl, nenhum de nós tinha visto, mas todo mundo comenta. Vale a visita só de passagem mesmo, porque fica pertinho do SUMMIT e é muito bonita, dá para tirar fotos bem legais lá dentro.
Central Park: pista de patinação, Terraço e a Bow Bridge fechada
Pertinho do hotel, uns 10 minutos a pé, fomos direto ao Central Park para ver a pista de patinação no gelo, que funciona só no inverno. A mistura dos prédios com as árvores do parque é muito bonita. Deixamos anotados no nosso roteiro os lugares que queríamos conhecer no parque, e recomendamos fazer o mesmo: o Central Park é gigantesco e merece pelo menos um período do dia para aproveitar direito.

Depois da pista de patinação, fomos até o Terraço e a Fonte Betesda, e encerramos o passeio na Bow Bridge, que infelizmente estava fechada para manutenção, não deu para andar por cima dela. Fica o aviso: se a Bow Bridge for prioridade no seu roteiro, vale confirmar antes se ela está aberta, já que passa por manutenções periódicas.
Último dia: Nintendo Store, Carmine’s, Lego Store e Krispy Kreme
Separamos o nosso último dia inteiro para visitar lugares e lojas que não tinham entrado no roteiro ainda, num passeio bem mais tranquilo, sem muito compromisso. A primeira parada foi na loja da Nintendo, já com fila para entrar ao meio-dia. Lá dentro tem uma tela curva gigante, meio transparente, tipo uma projeção, onde dá para ver gente jogando Nintendo Switch numa tela enorme, e balinhas em formato de controle de videogame como lembrancinha. A fila para pagar também era grande, e testamos duas filas em andares diferentes até achar a mais rápida no andar de baixo.
Para o almoço, fomos ao Carmine’s, um restaurante italiano family style bem conhecido em Nova York. Nessa época do ano, só entra quem tem reserva. Cheguei sem reserva e consegui fazer uma na hora pelo aplicativo OpenTable, para 3 pessoas (para 4 não tinha vaga disponível em menos de uma hora). Quando cheguei no restaurante, expliquei que éramos 4 e o atendente abriu uma exceção, colocando a quarta pessoa na reserva. Mesmo assim, esperamos cerca de 30 minutos para sentar.
O prato de massa que pedimos veio gigante, dava tranquilamente para nós 3 e para o Sam, servido com cuidado, já montado no prato. Foi a primeira vez do Sam comendo macarrão na viagem, e ele amou, disse que nunca tinha comido uma massa tão macia. A conta ficou em menos de 50 dólares para 4 pessoas, o preço mais em conta que pagamos em Nova York inteira.
Nessa época do ano, se você vier a Nova York para o Natal, venha com a expectativa alinhada: você vai andar bem devagar, com muita gente junto. Se você não gosta de multidão, considere vir em outra época. A gente também não gosta de multidão, mas pelo clima do Natal, achamos tolerável.
Aproveitamos as últimas horas em Nova York para conhecer também a loja da Lego, com uma fila de mais de 40 minutos, debaixo de chuva, foi o único dia em que a chuva atrapalhou os planos. A loja tem decoração muito legal, mas a variedade de peças diferentes não impressionou, são poucas opções. Passeamos também pela lotada loja da M&M’s, e por fim, depois de uma fila enorme, provamos o melhor donut da vida na Krispy Kreme, que a gente adora. Decidimos tirar do roteiro o passeio pelo distrito financeiro e o passeio de barco para ver de perto a Estátua da Liberdade, para ter mais tempo de desbravar Manhattan. (Se esse passeio entrar no seu roteiro: em 2026, o ingresso oficial da balsa Statue City Cruises, que inclui o pedestal da Estátua da Liberdade e Ellis Island, saindo de Battery Park, custa US$ 26,30 por adulto, segundo statuecitycruises.com.)
Onde comer em Nova York: nosso resumo real
Comemos bastante coisa boa em Nova York nesses 5 dias, e separamos as principais paradas de comida do roteiro caso você queira montar uma lista própria de referências:
- Artichoke Pizza (Artichoke Basille’s Pizza). A famosa pizza de alcachofra, com pedaços enormes, difícil de terminar sozinho.
- Restaurante de noodles do Chelsea Market. Fila grande, cardápio simples (apimentado ou médio), e o apimentado é bem forte mesmo.
- Junior’s. Famoso pelo cheesecake, mas o café da manhã com french toast e ovos benedict também vale, e saiu como a refeição mais em conta da viagem.
- Carmine’s. Restaurante italiano family style, porções gigantes, o achado gastronômico mais em conta de toda a viagem para 4 pessoas.
- Whole Foods de frente para o Bryant Park. Virou nossa referência de café da manhã prático e de sopinha self-service à tarde, com micro-ondas disponível de graça.
- Krispy Kreme. Fila enorme, mas o donut valeu cada minuto de espera.
Um detalhe importante para quem viaja em família: mesmo com a fama que Nova York tem de cidade badalada à noite, em nenhum momento sentimos falta disso no roteiro. Deu para aproveitar cada refeição, do mais simples ao mais chique, com total naturalidade.
Quanto custa: nosso orçamento real em Nova York
Boa parte da nossa viagem foi paga com milhas e pontos, então separamos abaixo os valores reais que efetivamente saíram do nosso bolso em cada etapa do roteiro, para você já ter uma referência prática de orçamento. Para converter os valores em dólar abaixo, use como referência a cotação PTAX do Banco Central do Brasil verificada em 14/08/2026: R$ 5,19 por dólar.
| Item | Valor |
|---|---|
| 4 executivas Delta, Rio de Janeiro a Nova York (tabela fixa LATAM Pass) | 90.000 milhas por pessoa |
| Sofitel New York, 2 quartos, 5 noites | Mais de 60% de desconto (pontos ALL Accor + upgrade Platinum) |
| Café da manhã no Whole Foods (para todos) | US$ 37,95 |
| Botinha OshKosh na Burlington | US$ 15 |
| Musical Aladdin na Broadway (por pessoa) | US$ 160 (em 2026, faixa oficial de US$ 100 a mais de US$ 300 por setor/data, com loteria oficial a US$ 35) |
| Café da manhã de Natal no Junior’s (3 pessoas + Sam) | ~US$ 100 (com gorjeta) |
| Almoço no Carmine’s (4 pessoas) | Menos de US$ 50 |
O maior aprendizado financeiro dessa viagem foi perceber como usar milhas em cada etapa, do voo ao hotel, muda completamente o padrão de viagem que dá para bancar numa cidade tão cara quanto Nova York na época mais cara do ano. Se fôssemos pagar tudo à vista, dificilmente teríamos viajado em executiva e ficado num hotel tão bem localizado quanto o Sofitel.
90 mil milhas levaram a família inteira de executiva até Nova York
Um exemplo real: em julho de 2026 saiu um alerta de Fortaleza para Madrid por R$ 1.291,17 em econômica, usando milhas aéreas compradas com desconto. O mesmo tipo de alerta sai toda semana pra Nova York e dezenas de outros destinos.
Erros e aprendizados desse roteiro em Nova York
Nem tudo saiu perfeito, e vale registrar aqui o que a gente faria diferente ou já avisa de antemão para quem vai viajar depois da gente:
- Sem estrutura de copa no hotel. Precisamos sair até o Whole Foods toda vez que precisávamos esquentar comida do Sam.
- Multidão constante na época natalina. Filas longas em quase toda loja e restaurante, inclusive na chuva.
- Vista nublada no dia do SUMMIT. Sem controle sobre isso, mas vale reservar mais de uma tentativa se o tempo permitir e sua data for flexível.
- Bow Bridge fechada para manutenção. Não deu para atravessar a ponte mais famosa do Central Park nesse período, vale confirmar antes se ela está aberta.
- Emissão da tabela fixa exige disponibilidade limitada. Nem sempre tem assento-prêmio aberto na data que você quer, e normalmente precisa ligar direto para a central de atendimento da LATAM Pass.
E o lado bom, na mesma medida:
- Sofitel com mais de 60% de economia. Estratégia de 2 quartos combinando pontos integrais e desconto de 50% rendeu upgrade e late checkout.
- Nova York no Natal é mágica de verdade. Decoração, árvore do Rockefeller, Winter Village no Bryant Park e clima natalino compensam a multidão.
- High Line e Chelsea Market combinam história e passeio. A região inteira dá para fazer a pé, num só roteiro, incluindo a curiosidade real do Oreo ter sido inventado ali.
- SUMMIT One Vanderbilt vale mais que um mirante comum. Experiência artística e sensorial, não só vista panorâmica.
- Carmine’s foi o achado gastronômico mais em conta. Menos de 50 dólares para 4 pessoas comerem muito bem.
Se você chegou até aqui pensando na sua própria viagem a Nova York no Natal, o resumo é esse: vale muito a pena, exige planejamento e paciência com fila, e compensa cada centavo investido em antecedência, seja escolhendo bem o voo, o hotel ou o roteiro dia a dia.
Perguntas frequentes
Vale a pena visitar Nova York no Natal?
Vale muito, mas alinhe as expectativas: é a época mais cheia e mais cara do ano na cidade. Espere filas longas em quase todo lugar, mas a decoração natalina, a árvore do Rockefeller e o Winter Village do Bryant Park compensam a multidão.
Quantos dias são necessários para conhecer Nova York no Natal?
Ficamos 5 dias inteiros e conseguimos cobrir Midtown, Central Park, Brooklyn e boa parte das atrações natalinas com calma. Se o tempo for menor, priorize Rockefeller Center, Central Park e uma refeição típica de Natal.
Desde quando existe a árvore de Natal do Rockefeller Center?
A tradição começou em 1931, com os próprios trabalhadores da construção do complexo comprando e decorando a primeira árvore. A cerimônia oficial de iluminação começou em 1933.
Onde fica a pizza de alcachofra famosa de Nova York?
É a Artichoke Pizza, da rede Artichoke Basille’s Pizza, com várias unidades pela cidade. Comemos a nossa perto do hotel, num pedaço tão grande que sobrou para levar em caixinha. Não fica dentro do Chelsea Market, é uma parada separada no roteiro.
É verdade que o Oreo foi inventado no Chelsea Market?
Sim. O prédio do Chelsea Market abrigou a fábrica da Nabisco (National Biscuit Company) entre o fim do século 19 e meados dos anos 1950, e foi ali que o biscoito Oreo foi criado e produzido pela primeira vez, em 1912.
O SUMMIT One Vanderbilt vale mais a pena que outros mirantes de Nova York?
Para quem busca uma experiência diferente de um mirante tradicional, sim: é uma instalação sensorial e artística com salas espelhadas, não só um observatório panorâmico comum. Reserve pelo menos 3 horas para aproveitar bem.
Precisa de reserva para comer em Nova York no Natal?
Na época natalina, sim, praticamente em todo restaurante mais concorrido. Usamos o aplicativo OpenTable para conseguir mesa no Carmine’s, e mesmo assim esperamos cerca de 30 minutos além do horário reservado.
Vale a pena viajar a Nova York com criança pequena no inverno?
Vale, mas exige preparo: agasalho de inverno completo, carrinho com capa de proteção contra o frio e paciência extra com o ritmo mais lento nas caminhadas. O Sam tinha o hábito de dormir nos trajetos mais longos, o que ajudou bastante nos dias de mais caminhada.
Quer viver um Natal em Nova York como o nosso?
A equipe da DIA23 cuida de toda a logística: passagens com milhas, hotéis com upgrade e um roteiro sob medida para cada dia da sua viagem, pensado inclusive para quem viaja com criança pequena no inverno. Você vive a experiência. A gente cuida dos detalhes.




