Capa do vídeo sobre os cinco cartões dos quais fugir

Cartão Itaú Uniclass Black Vale a Pena? As 5 Trocas que Rendem Mais Milhas

O cartão Itaú Uniclass Black vale a pena? Eu tenho a resposta curta e a resposta longa. A curta é que ele não é um cartão ruim de banco ruim, ele é um cartão caro que entrega menos do que outro cartão do mesmo preço entrega. A longa é este post inteiro, com a conta feita em cima dos valores publicados por cada banco.

Neste texto eu mostro cinco cartões dos quais eu fugiria hoje e, para cada um, uma troca do mesmo tamanho. Nada de comparar cartão de entrada com cartão de alta renda para o número ficar bonito: a regra que eu segui foi trocar cada cartão por outro na mesma faixa de anuidade e de exigência, para a comparação ser honesta.

Os cinco são Itaú Uniclass Mastercard Black, Nubank Ultravioleta, Santander Elite, BTG+ Black e Santander AAdvantage Black. As trocas são Revolut Metal, Nomad Explorer Infinite, C6 Bank Platinum, de novo o Revolut Metal e o C6 Bank Carbon.


O que eu chamo de cartão ruim

Slide com os quatro motivos que fazem um cartão ser ruim para milhas
Os quatro pontos que eu olho antes de qualquer comparação. O problema quase nunca é a anuidade em si, é a condição para não pagar.

Cartão ruim aqui não tem nada a ver com o banco ser bom ou o aplicativo ser bonito. Eu uso três perguntas, e é sempre a mesma ordem.

A primeira é quanto ele custa de verdade no ano. Não a mensalidade que aparece grande na página, o valor cheio: doze parcelas somadas.

A segunda é o que você precisa fazer para não pagar isso. E aqui mora quase todo o problema. Tem cartão que zera com um gasto mensal alto, tem cartão que zera só se você também for correntista com pacote de serviços pago, e tem cartão que simplesmente não zera com gasto nenhum.

A terceira é para onde os pontos vão. Um ponto que só vira desconto na fatura ou produto no site do banco não é milha. Um ponto que transfere para vários programas de fidelidade vale mais que um ponto preso a um programa só, mesmo que o número na tabela seja o mesmo.

Quando eu junto essas três perguntas, o padrão que aparece nos cinco cartões deste post é sempre o mesmo: a anuidade está condicionada a um gasto mensal que a maior parte de quem assiste o canal não faz, e a pontuação fora dessa condição é menor do que a de um cartão que custa igual ou menos.


Por que eu mesmo saí do plano Ultra da Revolut

Antes de falar dos cartões dos outros, o meu. Eu tinha o plano Ultra da Revolut, que dá o cartão de metal, um Visa Infinite. É um cartão bonito, pesado, e a experiência é ótima.

O problema é a conta. O plano Ultra custa R$ 299 por mês, e a isenção dessa mensalidade só vinha com R$ 30.000 de fatura por mês. Esse valor não faz sentido para a minha realidade, porque eu divido meus gastos entre vários cartões justamente para acumular milhas em programas diferentes. Somando tudo, eu não concentro R$ 30 mil em um cartão só, e a Revolut também não me liberou mais limite.

Fiz o downgrade para o plano Metal e continuo com o mesmo cartão de metal na mão. É exatamente o raciocínio deste post aplicado em mim: o cartão não estava errado, o plano estava caro demais para o que eu uso.


Troca 1: Itaú Uniclass Mastercard Black para Revolut Metal

Slide comparando Itaú Uniclass Mastercard Black e Revolut Metal
Troca 1: R$ 960 no ano contra R$ 959,88, praticamente o mesmo preço. O Revolut paga 2,5 por dólar sem condição de faixa.

O Uniclass Black cobra doze parcelas de R$ 80, o que dá R$ 960 no ano. Esse valor está publicado no site do Itaú, não é estimativa de mercado.

Para não pagar essa anuidade, você precisa de uma destas três condições: R$ 8.000 de gasto por mês, mais de R$ 50 mil investidos no Uniclass, ou nível 4 no Minhas Vantagens. Eu uso bastante o Minhas Vantagens, inclusive para resgatar cupom de Uber e de iFood, então conheço bem o programa. Mas chegar no nível 4 não é automático, e os outros dois critérios são altos para quem está no segmento Uniclass.

A pontuação é 2,0 pontos por dólar na condição normal. Os 2,5 que aparecem no anúncio só valem se você participa do Minhas Vantagens e fecha a fatura acima de R$ 4.000. São duas coisas ao mesmo tempo, não uma.

Do outro lado, o Revolut no plano Metal custa R$ 79,99 por mês, o que dá R$ 959,88 no ano. É praticamente o mesmo preço do Uniclass Black, doze reais de diferença no ano inteiro.

O Metal pontua 2,5 RevPoints por dólar no crédito, e esse número não depende de faixa de fatura nenhuma. É a taxa que o plano paga em qualquer valor. E o RevPoints transfere para Iberia, British Airways, Qatar, TAP, Flying Blue, LATAM Pass e Smiles.

A comparação honesta é esta: os dois empatam em 2,5 por dólar para quem gasta acima de R$ 4 mil e participa do Minhas Vantagens. Abaixo dessa faixa, é 2,5 contra 2,0, ou seja, 25% mais ponto pelo mesmo dinheiro que sai da sua conta. E quando os dois empatam, a vantagem do Revolut passa a ser para onde o ponto vai, que é o que decide se ele vira passagem fora do Brasil ou não.


Troca 2: Nubank Ultravioleta para Nomad Explorer Infinite

Slide comparando Nubank Ultravioleta e Nomad Explorer Infinite
Troca 2: o Ultravioleta cobra R$ 1.068 no ano e só zera com R$ 8 mil de gasto. O Nomad não cobra nada e chega a 3,0 por dólar acima de R$ 4.500.

O Ultravioleta cobra R$ 89 por mês, o que dá R$ 1.068 no ano. Ele só zera com gasto acima de R$ 8 mil por mês ou R$ 50 mil guardados ou investidos no Nubank, e isso está escrito assim na página do próprio Nubank.

A pontuação é 2,2 pontos por dólar, e essa taxa é a mesma em qualquer faixa de fatura.

O Nomad Explorer Infinite não cobra anuidade nunca, sem condição nenhuma. E não é promoção de primeiro ano, é a política do produto.

A pontuação dele é em escada, por faixa de fatura: 1,6 ponto por dólar até R$ 3.500, 2,2 de R$ 3.500 a R$ 4.500, e 3,0 pontos por dólar a partir de R$ 4.500. Os pontos transferem para Smiles, Livelo e Azul Fidelidade, e da Livelo você chega na LATAM Pass. Tem ainda acesso ilimitado à sala da Nomad em Guarulhos.

Eu prefiro dizer a faixa em vez de vender fácil. O Nomad ganha em pontuação a partir de R$ 4.500 de fatura. Abaixo de R$ 3.500 ele pontua menos que o Ultravioleta, porque a escada começa em 1,6, depois vai para 2,2 e só então chega em 3,0.

Então a leitura correta é: a partir de R$ 4.500 por mês você sai de 2,2 para 3,0 e ainda para de pagar R$ 1.068 por ano, e aí a troca ganha nos dois lados de uma vez. Abaixo dessa faixa ela continua valendo pelo bolso, já que o Nomad não cobra nada, só que aí ela ganha no custo e não na pontuação.

Eu tenho os dois cartões hoje, e tem um motivo simples: peguei o Ultravioleta com isenção de anuidade por um ano. Quando esse período acabar, eu não topo pagar essa anuidade e prefiro manter os gastos no Nomad ou em outros cartões.


Troca 3: Santander Elite para C6 Bank Platinum

Slide comparando Santander Elite e C6 Bank Platinum
Troca 3: o Elite só zera cumprindo dois critérios juntos. O C6 Platinum não cobra anuidade nunca, mas a pontuação cheia também tem duas condições.

Esta é a armadilha do post inteiro, e eu vou explicar devagar porque quase todo mundo erra aqui.

O Santander Elite tem anuidade de R$ 600 no ano. Para zerar, são dois critérios juntos: ser correntista com pacote de serviços ativo e gastar a partir de R$ 2.000 na fatura. Cumprindo só um dos dois, você fica com 50% de desconto, não com zero. Ou seja, o banco empurra você a pagar por um pacote bancário só para zerar o cartão.

A pontuação é 1,5 ponto Esfera por dólar, e o ponto Esfera ainda precisa ser transferido para virar milha de companhia aérea.

O C6 Bank Platinum não cobra anuidade nunca, sem depender de gasto nem de investimento.

Agora a parte que engana. O C6 Platinum chega a 0,45 ponto Átomos por real. Se você comparar 0,45 com 1,5 e parar por aí, o Santander parece ganhar de lavada. Só que 0,45 é por REAL e 1,5 é por DÓLAR. Colocando os dois na mesma unidade, na cotação do dia em que eu gravei, o C6 entrega cerca de 2,4 pontos por dólar contra 1,5 do cartão que você paga todo mês.

Slide explicando que 0,45 ponto por real é maior que 1,5 ponto por dólar
A conta que quase toda lista erra: numa fatura de R$ 5.000 por mês, o Elite faz cerca de 16.700 pontos no ano e o C6 Platinum faz 27.000, sem anuidade.

Tem uma condição, e ela é importante: o C6 chega nesses 0,45 cumprindo duas coisas ao mesmo tempo, R$ 3.000 por mês no crédito e R$ 1.500 por mês de contas pagas pelo C6. Sem essas duas condições ele cai para 0,05 por real, e aí o Elite ganha com folga. Nesse cartão é a letra miúda que decide o resultado, não o número da capa.


Troca 4: BTG+ Black para Revolut Metal

Slide comparando BTG+ Black e Revolut Metal
Troca 4: a meta de R$ 10 mil de fatura do BTG é a mais alta da lista, e ele ainda pontua menos que o Revolut Metal.

O BTG+ Black tem a meta de isenção mais alta dos cinco cartões desta lista: a mensalidade só some com R$ 10.000 de fatura por mês.

Quem tem fatura de R$ 5.000, que é o miolo do público deste canal, paga a conta inteira todo mês e nunca chega perto do valor que zera. E a pontuação é 2,2 pontos por dólar, o mesmo patamar de cartões que custam menos e cobram menos para isentar.

O Revolut Metal custa R$ 79,99 por mês e a isenção do plano vem com R$ 8.000 de fatura, R$ 2.000 abaixo da meta do BTG. A pontuação é 2,5 RevPoints por dólar no crédito, acima do BTG, e sem depender de faixa de gasto. Junto vem a conta multimoeda, com conversão a taxa comercial dentro do limite do plano.

Regra de isenção é promessa com número. R$ 10.000 por mês para zerar é uma promessa que quase ninguém dessa faixa de fatura cumpre, e o resultado é que aqui o cartão mais caro acaba sendo também o que pontua menos.


Troca 5: Santander AAdvantage Black para C6 Bank Carbon

Slide comparando Santander AAdvantage Black e C6 Bank Carbon
Troca 5: nenhum gasto zera os R$ 1.632 do AAdvantage. O C6 Carbon custa R$ 456 a menos no ano e tem saída publicada.

Deixei este por último de propósito, porque é o que menos serve para todo mundo da lista.

O Santander AAdvantage Black tem anuidade de R$ 1.632 no ano, em doze parcelas de R$ 136. E aqui está o ponto: nenhum gasto zera essa anuidade. O melhor que existe é 50% de desconto para correntista com investimento alto. Ele pontua 2,0 milhas AAdvantage por dólar, direto no programa da American, sem precisar transferir.

O C6 Bank Carbon custa R$ 1.176 no ano, em doze parcelas de R$ 98, e é isento nos três primeiros meses. Ele zera 100% com R$ 8.000 de fatura por mês ou R$ 50 mil em renda fixa no C6. Existe uma saída, e ela está publicada. A pontuação é 2,5 pontos Átomos por dólar, subindo até 3,5 por faixa de investimento, e transfere para LATAM Pass, Smiles, Azul Fidelidade e TAP.

A ressalva honesta: a milha AAdvantage é uma moeda muito boa. Ela vale em torno de R$ 100 o milheiro, e serve para coisa grande. Eu já usei para voar na primeira classe da Etihad em 2025. Se o seu objetivo é executiva e primeira classe internacional, e você sabe o que vai fazer com essas milhas, pagar pelo programa da American pode até ter razão.

Mas para todo o resto, 2,5 pontos transferíveis por R$ 456 a menos no ano ganham, e sem condição nenhuma no meio.


O resumo das cinco trocas

Tabela com o resumo das cinco trocas de cartão de crédito
As cinco trocas numa tela só, com o que trava em cada cartão e sob qual condição a troca ganha.
Gráfico comparando a pontuação por dólar dos cartões citados
Todos convertidos para pontos por dólar gasto. O cartão caro quase nunca é o que pontua mais.

Ponto, milha e milheiro: a base da conta

Se você está começando agora, vale alinhar três palavras que eu uso o post inteiro, porque sem elas a comparação não faz sentido.

Ponto é a moeda que o banco ou o programa do banco te dá. Livelo, Esfera e Átomos são pontos. Milha é a moeda do programa da companhia aérea, como Smiles, LATAM Pass, Azul Fidelidade, TAP Miles and Go, Iberia Plus e AAdvantage. Na prática as duas funcionam igual, o que muda é quem guarda o saldo e o que você consegue fazer com ele.

Milheiro é o preço de mil milhas. Quando eu digo que o milheiro da Iberia está em R$ 51, quer dizer que mil milhas Iberia valem R$ 51 no mercado. É essa a régua que transforma pontuação em dinheiro e permite comparar cartões diferentes.

E existe uma diferença que muda tudo: o milheiro de compra e o milheiro de venda. O de compra é quanto você paga para conseguir aquela milha numa promoção. O de venda é quanto você consegue receber vendendo. Eu uso sempre o de venda para calcular retorno de cartão, porque é o valor que a milha realmente tem na sua mão. Usar o de compra em promoção infla o resultado e faz cartão ruim parecer bom.

Última peça: a maioria dos cartões pontua por dólar gasto, não por real. Então o seu gasto em reais precisa ser convertido pela cotação do dia antes de multiplicar pela pontuação. Cartão que pontua por real, como o C6 Platinum, precisa ser convertido para a mesma unidade antes de qualquer comparação.


Um exemplo com número fechado: R$ 5.000 por mês

Vou fazer a conta completa de um caso só, para você repetir com o seu número.

Imagine R$ 5.000 de gasto por mês, R$ 60.000 no ano. Com o dólar a R$ 5,40, isso dá aproximadamente 11.111 dólares no ano.

No Itaú Uniclass Black, sem nível 4 no Minhas Vantagens, a pontuação é 2,0 por dólar. São cerca de 22.200 pontos no ano. Como esse gasto não chega nos R$ 8.000 mensais, a anuidade de R$ 960 é paga integral.

No Revolut Metal, a pontuação é 2,5 por dólar sem condição. São cerca de 27.800 RevPoints no ano, uns 5.600 pontos a mais. A mensalidade de R$ 79,99 continua sendo cobrada, porque a isenção do plano vem com R$ 8.000 de fatura, então o custo também é praticamente o mesmo, R$ 959,88.

Agora o que esses pontos valem. Transferindo para a Iberia, com o milheiro de venda em R$ 51, os 27.800 do Revolut valem cerca de R$ 1.418. Os 22.200 pontos do Itaú, no melhor cenário de transferência, ficam em torno de R$ 1.132.

Retorno líquido no ano: cerca de R$ 458 com o Revolut Metal contra cerca de R$ 172 com o Uniclass Black. Mesmo dinheiro saindo da sua conta, praticamente a mesma anuidade, e quase o triplo de sobra no fim do ano.

Refaça essa mesma conta com o seu gasto real e com a cotação do dia. Se o seu gasto passar de R$ 8.000, os dois cartões mudam de patamar, porque aí um zera a anuidade e o outro empata na pontuação, e a decisão passa a ser sobre para onde o ponto transfere.


O que eu faria em cada faixa de gasto

Não existe um cartão certo para todo mundo, existe o certo para a sua faixa. É assim que eu organizaria hoje.

Até R$ 3.500 por mês, eu não pagaria anuidade nenhuma. Nessa faixa o Nomad Explorer Infinite resolve, porque não cobra nada e ainda pontua 1,6 por dólar. Pagar R$ 1.000 de anuidade acumulando pouco é o jeito mais rápido de perder dinheiro com cartão.

Entre R$ 3.500 e R$ 4.500, continuo sem pagar anuidade. O Nomad sobe para 2,2 por dólar, que empata com o Ultravioleta, só que de graça. O C6 Platinum também entra bem aqui, desde que você consiga pagar R$ 1.500 por mês de contas pelo C6 para destravar os 0,45 por real.

De R$ 4.500 a R$ 8.000, o Nomad chega nos 3,0 por dólar e fica difícil de bater sem custo. Se o objetivo for milha difícil, como Iberia e TAP, aí o Revolut Metal e o C6 Carbon passam a fazer sentido mesmo pagando, porque abrem programas que o Nomad não abre.

Acima de R$ 8.000, a conversa muda: Revolut Metal e C6 Carbon zeram a anuidade nessa faixa, e é exatamente onde eles aparecem em primeiro e segundo no nosso rank, com retorno de R$ 2.368 no ano no caso do Revolut.

Acima de R$ 10.000, entra o cartão da Porto com os 3,5 pontos, e acima de R$ 20.000 ele assume a ponta.


Por que eu prefiro milha difícil

Tem uma escolha por trás de todas essas trocas que eu quero deixar explícita, porque ela muda a decisão.

Acumular Azul Fidelidade e Smiles em promoção hoje é tranquilo. Aparecem transferências bonificadas com frequência, e dá para comprar milha desses programas por um preço razoável quando você precisa.

Iberia e TAP são outra história. São milhas mais difíceis de conseguir e mais caras, e são justamente elas que abrem passagem boa fora do Brasil. Por isso eu concentro os meus gastos onde eu acumulo a milha difícil, e não onde eu acumulo a milha que eu consigo comprar barato quando quiser.

É por isso que Revolut e C6 aparecem tanto neste post. Não é porque eu gosto das marcas, é porque os dois transferem para programas que eu não consigo alimentar de outro jeito.


O rank de cartões, com três simulações reais

Na segunda metade do vídeo eu abro o rank de cartões da nossa plataforma e rodo três simulações ao vivo. Toda a inteligência que estava nas nossas planilhas agora está dentro da plataforma, junto das calculadoras de milheiro em tempo real e do cálculo de compra no carrinho.

Uma diferença importante da nossa conta: o milheiro que a gente usa é o de VENDA, ou seja, o quanto você consegue vender aquela milha de verdade, atualizado em tempo real a partir das ofertas do balcão. Não é o preço de promoção de compra, que infla o retorno no papel e faz qualquer cartão parecer ótimo.

Rank de cartões da plataforma da Comunidade VMM simulando R$ 8.000 por mês
Simulando R$ 8.000 por mês: o Revolut Metal devolve R$ 2.368 no ano, com o milheiro da Iberia em R$ 51 apurado em 68 ofertas. O C6 Carbon vem em segundo com R$ 2.202.

Gastando R$ 8.000 por mês

O Revolut Metal fica em primeiro, com retorno de R$ 2.368 no ano. A simulação está transferindo para o programa da Iberia, com o milheiro precificado em R$ 51 com base em 68 ofertas reais de balcão. É um Visa Infinite, sem anuidade nesse gasto e com acesso a sala VIP.

Em segundo vem o C6 Carbon, que transfere para a TAP e também isenta a anuidade nesse gasto mensal. O milheiro da TAP está em R$ 47, apurado em mais de 150 ofertas. Vale dizer que dá para acumular TAP a 35% assinando o acelerador do C6.

Em terceiro, o C6 Platinum.

Gastando R$ 10.000 por mês

A ordem no topo se mantém com Revolut Metal e C6 Carbon, e entra o cartão da Porto, que tem as duas bandeiras, Visa e Mastercard Infinite, com pontuação que chega a 3,5 pontos.

Gastando R$ 20.000 por mês

Aqui a Porto assume o primeiro lugar, por causa da pontuação e porque também transfere para a TAP. Em segundo vem o Santander AAdvantage, com o milheiro precificado em R$ 81 com base em 40 ofertas, e em terceiro o Revolut Metal, pontuando 2,5 por dólar. Depois aparecem o C6 Carbon e o C6 Platinum.

Uma observação sobre os cartões de altíssima renda. Eles existem no rank, como o Centurion do Bradesco, o Porto Privilege e o C6 Graphene World Legends, mas eu deixo esse filtro desligado na maior parte do vídeo de propósito. Eles exigem alguns milhões investidos ou um gasto mensal que não é a realidade de quem está montando a carteira agora, e comparar cartão acessível com cartão de banqueiro não ajuda ninguém a decidir.


Como fazer a sua própria conta

Slide com as quatro perguntas que eu faço antes de pedir um cartão
As quatro perguntas que eu faço antes de pedir qualquer cartão novo.

Você não precisa da nossa plataforma para fazer essa conta. Precisa de quatro perguntas e de dez minutos.

Primeira: quanto esse cartão me custa no ano. Multiplique a parcela por doze e escreva o número.

Segunda: o que eu preciso fazer para não pagar isso, e eu faço isso hoje. Se a resposta envolve gastar mais do que você gasta, ou contratar um pacote bancário, o custo real é o valor cheio.

Terceira: quantos pontos eu acumulo no ano com o meu gasto real. Pegue o seu gasto mensal, converta para dólar pela cotação do dia, multiplique pela pontuação por dólar e depois por doze.

Quarta: quanto valem esses pontos no programa para onde esse cartão transfere. Use o preço de venda do milheiro, não o de compra em promoção.

Com esses quatro números você tem o retorno líquido do ano: o valor das milhas menos a anuidade. Se der negativo, o cartão está custando dinheiro para você. Se der positivo mas menor que o de outro cartão da mesma faixa, a troca se paga sozinha.


Os erros que fazem você pagar caro

O primeiro é comparar pontuação em unidades diferentes. Ponto por real e ponto por dólar não se comparam direto, e é exatamente aí que o cartão que parece pior ganha. Foi o caso do C6 Platinum contra o Santander Elite neste post.

O segundo é acreditar na pontuação da capa. Quase todo cartão anuncia o número máximo, que costuma exigir duas ou três condições ao mesmo tempo. O número que importa é o que você recebe com o seu comportamento de hoje, não com o comportamento que o banco gostaria que você tivesse.

O terceiro é olhar só a anuidade e ignorar para onde o ponto vai. Dois cartões com a mesma pontuação entregam resultados completamente diferentes se um transfere para sete programas e o outro para um só.

O quarto é cancelar no susto. Se você tem algum dos cinco cartões deste post, faça a conta com o seu gasto real antes. Tem gente que está na faixa em que o cartão faz sentido, e tem gente que pegou o cartão com isenção de primeiro ano e ainda está dentro do prazo, que é exatamente o meu caso com o Ultravioleta.


Trocar de cartão sem perder o que você já acumulou

Uma dúvida que sempre aparece quando eu falo em trocar: o que acontece com os pontos que já estão lá.

Depende de onde eles estão. Se os pontos estão no programa do banco, como Esfera, Livelo ou Átomos, eles seguem a regra daquele programa, e cancelar o cartão normalmente não apaga o saldo, mas pode mudar o prazo de validade e tirar benefícios de clube. Se os pontos já foram transferidos para o programa da companhia aérea, eles estão fora do banco e não têm relação nenhuma com o cartão.

Por isso a ordem que eu sigo é simples. Primeiro eu transfiro o que faz sentido transferir, de preferência aproveitando uma promoção de bônus. Depois eu peço o cartão novo e espero ele chegar e funcionar. Só então eu cancelo o antigo. Fazer na ordem inversa é como você acaba com saldo preso num programa que não olha mais.

Vale conferir também se a anuidade do cartão que você vai cancelar é cobrada antecipada ou no mês seguinte, porque em alguns bancos você já pagou pelo período inteiro e faz sentido usar até o fim do ciclo antes de encerrar.

E tem o limite de crédito. Cancelar um cartão de limite alto pode mexer na sua relação com o banco e no limite dos outros produtos. Se o seu caso for esse, dá para pedir o downgrade do cartão para uma versão mais barata do mesmo banco em vez de cancelar, que foi exatamente o que eu fiz na Revolut ao sair do Ultra para o Metal. O cartão continua na mão, o custo cai, e nada precisa ser encerrado.


Perguntas frequentes

O cartão Itaú Uniclass Black vale a pena?

Ele vale para quem já cumpre uma das três condições de isenção, principalmente o nível 4 do Minhas Vantagens, e fecha fatura acima de R$ 4.000 para pegar os 2,5 pontos por dólar. Fora dessa situação, o Revolut Metal custa praticamente o mesmo e entrega 2,5 por dólar sem condição, com transferência para sete programas.

Qual a anuidade do Itaú Uniclass Mastercard Black?

São doze parcelas de R$ 80, o que dá R$ 960 no ano, valor publicado pelo próprio Itaú. A isenção depende de R$ 8.000 de gasto por mês, mais de R$ 50 mil investidos no Uniclass, ou nível 4 no Minhas Vantagens.

O Nubank Ultravioleta ainda compensa?

Compensa para quem gasta acima de R$ 8 mil por mês ou tem R$ 50 mil guardados no Nubank, porque aí a mensalidade de R$ 89 é zerada. Pagando a mensalidade, o Nomad Explorer Infinite entrega mais a partir de R$ 4.500 de fatura e não cobra nada.

Qual cartão sem anuidade rende mais milhas?

Entre os deste post, o Nomad Explorer Infinite, com 3,0 pontos por dólar a partir de R$ 4.500 de fatura, e o C6 Bank Platinum, com cerca de 2,4 pontos por dólar quando você cumpre as duas condições de pontuação.

Vale a pena pagar anuidade de cartão de crédito?

Vale quando o valor das milhas que você acumula no ano é maior que a anuidade, e quando não existe um cartão da mesma faixa entregando o mesmo sem cobrar. Nos cinco casos deste post, sempre existia.

Pontos Átomos do C6 viram milhas?

Viram. Os pontos Átomos transferem para LATAM Pass, Smiles, Azul Fidelidade e TAP Miles and Go, o que é justamente a diferença entre eles e um cartão de cashback puro.


Leia também

O rank de cartões que eu abro no vídeo fica dentro da plataforma da Comunidade VMM, junto das calculadoras de milheiro em tempo real. O milheiro é o de venda, atualizado a partir das ofertas reais de balcão, e não o preço de promoção de compra. Conheça a Comunidade VMM.

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