Depois de quase 9 anos sem voltar a Buenos Aires desde a nossa lua de mel em 2015, encaramos um trecho rápido de executiva com a Swiss, saindo de Guarulhos, com mais de 60% de economia usando milhas. Foi uma passagem relâmpago, menos de um dia inteiro na cidade, mas cheia de reencontros: com lugares, com memórias e até com o motivo que nos fez começar esse canal.
4 da manhã, Pullman Guarulhos e a sala VIP do Banco Safra
Um detalhe pouco lembrado: você não precisa de cartão de crédito específico para acessar sala VIP se estiver voando de executiva, o próprio bilhete já libera o acesso na maioria dos casos. Acordamos às 4h da manhã para sair do Pullman Guarulhos, que fica pertinho do aeroporto e oferece transporte gratuito de ida e volta, rápido, em menos de 15 minutos você já está no Terminal 2 ou no Terminal 3. Fica prático e mais barato do que qualquer alternativa.
Às 6h da manhã já estávamos na sala VIP do Banco Safra, bem tranquila naquele horário, aproveitando para tomar café antes do embarque. Peguei ovos mexidos e omelete (a Carol não come ovo de manhã). As mesinhas da sala são meio tortas, então para comer com conforto vale mais sentar nelas do que na poltrona, que é confortável mas não é boa superfície de apoio. A vista dali é da área do Terminal 3, do movimento de passageiros e, um pouco mais na frente, dos aviões pousando e decolando.

Executiva Swiss: menos de 3 horas, sem os mimos completos
Voamos de executiva da Swiss de Guarulhos até Buenos Aires, com economia de mais de 60% usando milhas. O voo saiu às 8h50 da manhã e durou menos de 3 horas, mas só de ter um assento mais confortável já valeu a experiência. Sendo um trecho curto, a Swiss não entrega amenity kit (pedi três vezes ao comissário, sem sucesso nenhuma delas), nem cobertor, nem travesseiro, nem welcome drink, nem sequer uma garrafa de água disponível como em qualquer outra executiva que já testamos.
O café da manhã a bordo é simples, mas a aveia com frutas vermelhas e o croissant estavam bons. O assento tem detalhes em couro e um bom espaço para as pernas, mas foi, sem exagero, o mais duro entre todas as executivas que já testamos em qualquer companhia. A tela também não funcionou antes da decolagem e, depois de decolar, só passaram propagandas da própria Swiss, sem opção de assistir a um filme inteiro.

No fim do voo, veio o chocolate de despedida, com a mensagem “Thank You for Flying Swiss” na embalagem. Foi um dos poucos mimos desse trecho curto, mas suficiente para deixar um gosto bom antes de encarar a imigração argentina.

Imigração tranquila e Uber caro do aeroporto até Puerto Madero
A imigração em Ezeiza foi muito tranquila, praticamente sem burocracia nenhuma. O funcionário só perguntou onde estávamos hospedados, e liberou na hora. Pegamos um Uber do aeroporto até Puerto Madero, e não foi barato: deu cerca de US$16, já convertendo, o que ficou em quase R$90 só o trajeto, porque Ezeiza fica bem mais distante do centro de Buenos Aires.
Hilton Puerto Madero: status Gold não garante check-in antecipado
Chegamos com o desafio de encaixar o dia inteiro em poucas horas, e ele ficou ainda mais desafiador quando não conseguimos o world check-in no Hilton Puerto Madero, mesmo com status Gold. Estava lotado, segundo a recepção, com o nosso andar cheio de reservas. Tivemos que esperar até por volta das 14h30 para o quarto ficar pronto, o que comeu boa parte do pouco tempo que tínhamos na cidade.
Fizemos um upgrade pago de quarto para ter acesso ao lounge executivo, e ele decepcionou um pouco na espera: os snacks disponíveis eram só Doritos, castanhas e amêndoas, “bem ruinzinho” no nosso julgamento. A Carol reclamou que faltava água, café e suco. Achamos que talvez fosse só aquele horário mais parado da tarde, mas de qualquer forma não foi o que esperávamos de um lounge de hotel cinco estrelas.
O quarto: banheiro antigo, bancada baixa e a vista que valeu a espera
O quarto executivo fica no nono andar do Hilton Puerto Madero. O banheiro é bem no padrão clássico Hilton, o que quer dizer bem antigo: a bancada é surpreendentemente baixa (a Carol, que tem 1,66m, sentiu na prática essa altura desconfortável), mas o espelho é grande e bem iluminado. Tem banheira separada do box do chuveiro, o que é raro em quartos de hotel hoje em dia. Os amenities eram de uma marca que nunca tínhamos visto antes, mas pelo menos o sabonete de mão era cheiroso e bom.
O frigobar vinha com mensagens em português, inglês e espanhol avisando quais itens eram cortesia: pegamos quatro águas sem custo, além de uma chaleira com sachês de café e chá. O guarda-roupa tem três prateleiras num tom de madeira bem escuro, clássico do Hilton, e um espelho de corpo inteiro. Percebemos que o quarto tinha uma porta conectando ao vizinho, do tipo que dá para reservar como suíte compartilhada em famílias maiores.
A cama era queen, espaçosa, com um closet pequeno junto do cofre e até uma tábua de passar roupa. Único ponto contra: o carpete, que é praticamente onipresente em hotéis dessa geração. A TV era uma LG de aproximadamente 46 polegadas, tinha escrivaninha de trabalho e duas poltronas. Mas o verdadeiro motivo de termos escolhido esse quarto específico foi a vista: dava direto para a Puente de la Mujer e, mais ao fundo, para a Casa Rosada.
Puente de la Mujer: o motivo real de escolher esse hotel
A Puente de la Mujer é uma ponte pedestre em Puerto Madero cujo desenho lembra o movimento da perna de uma mulher dançando tango. Antigamente ela abria para deixar os barcos passarem por baixo, mas isso parece não acontecer mais. Do terraço do lounge executivo dava para ver toda a área de Puerto Madero e, mais na frente, o bairro que a gente mais gosta em Buenos Aires.
O motivo de termos escolhido o Hilton Puerto Madero, mesmo sem ser uma diária barata para ficar só um dia, vem de 2015. Naquela viagem, sentamos num banquinho na rua, em frente à hamburgueria John B Goods (fomos lá duas vezes, e na época o hambúrguer era muito bom), e de lá tiramos uma foto bem ruim do letreiro do Hilton com o celular da época. Foi ali que falamos, eu e a Carol, que seria muito bacana um dia voltar para Buenos Aires e se hospedar num hotel bacana como aquele, porque na nossa realidade de 2015 um hotel daquele nível estava bem fora do nosso orçamento. Nove anos depois, realizamos essa vontade antiga.
De volta às ruas da lua de mel: Casa Rosada, Continental e Obelisco
Com poucas horas disponíveis, fomos andando do hotel até a Casa Rosada, aproveitando para tirar muitas fotos pelo caminho. Passamos em frente ao hotel onde nos hospedamos em 2015, o 725 Continental, e seguimos até o Obelisco, tirando mais fotos e relembrando momentos da nossa lua de mel. É engraçado voltar a um lugar depois de quase uma década e sentir ao mesmo tempo que tudo mudou e que nada mudou.
Pizza no Güerrín: 16.400 pesos e uma discordância sobre o sabor
Depois de 9 anos, voltamos à Güerrín, que para a gente foi uma das melhores pizzas que já comemos, e é bem famosa por lá. Pedimos uma pizza de peperone tamanho pequeno, que mesmo assim veio gigante, tipo Pizza Hut. Em 2015 tínhamos pedido só de mozzarella, e a Carol achou que deveríamos ter repetido a mesma pizza: não gostou muito do peperone dessa vez, achou o sabor forte e picante demais. Eu gostei, mas também acho que a versão só de mozzarella é mais gostosa.
Era sábado, o restaurante estava bem cheio, mas conseguimos mesa no segundo andar, mais fresquinho por causa do ar condicionado (que, aliás, ficava pingando bem em cima da nossa mesa, mas não estragou a experiência). A conta fechou em 14.300 pesos pela pizza de peperone e mais 2.100 pesos por uma Coca-Cola, total de 16.400 pesos, pagos com o cartão Wise, que seguiu funcionando bem na Argentina.
A Floralis Genérica que a gente nunca consegue fotografar
Depois de pagar a conta da pizzaria e a reserva do Hilton, fomos até a Floralis Genérica, e de novo não tivemos sorte. Em 2015 ela estava em reforma e feia de se ver (a Carol tirou uma foto minha lá que não ficou nada legal). Dessa vez, depois de uma chuva forte no dia anterior, a flor gigante estava toda fechada, com duas pétalas caídas no chão, e a área estava isolada, sem acesso para se aproximar. Vamos ter que voltar outra vez, talvez daqui a mais uns anos, só para finalmente conseguir aquela foto.
Para completar a novela, ficamos sem internet no caminho de volta ao hotel: o pacote Claro Mundo simplesmente parou de funcionar bem naquela hora, e tivemos que voltar praticamente no escuro digital, guiados pela memória de 9 anos atrás.
A ponte onde tudo começou
Voltamos a passar pela Puente de la Mujer, e esse lugar tem um significado especial que vai além da vista bonita: foi ali que, há quase 9 anos, gravamos os primeiros vídeos que deram origem a esse canal, ainda na nossa lua de mel. Tínhamos acabado de ganhar uma GoPro Hero 3 e gravamos tudo de forma bem improvisada, sem saber direito como editar ou nem como começar um vídeo. Esses vídeos continuam lá no canal até hoje, guardados como registro, porque o objetivo desde o início sempre foi documentar as nossas viagens para uma próxima geração assistir, no caso, para o Samuel.
Foi sábado agitado em Puerto Madero, bem diferente do que vivemos em 2015. Aliás, essa não era nem a primeira nem a segunda vez que passávamos por ali: em 2015 estivemos em Buenos Aires três vezes na mesma viagem, porque, na volta de Bariloche, pegamos uma greve geral no país e fomos obrigados a ficar mais dois dias na cidade sem planejar. Voltar agora, quase 9 anos depois, tendo a chance de escolher onde ficar em vez de ser pego de surpresa por uma greve, foi um contraste e tanto.
As boas dessa etapa de voo
- Mais de 60% de economia usando milhas. Bom retorno mesmo num trecho curto de menos de 3 horas.
- Sala VIP acessível sem cartão específico. O próprio bilhete de executiva já libera acesso à sala do Banco Safra.
- Café da manhã simples, mas gostoso. Aveia com frutas vermelhas e croissant foram os destaques, tanto na sala VIP quanto a bordo.
- Transporte gratuito do Pullman Guarulhos. Menos de 15 minutos até o Terminal 2 ou 3, de graça, ida e volta.
O que não foi tão bom
- Sem amenity kit, cobertor ou travesseiro. Pedi três vezes o amenity kit e não recebi nenhuma vez, padrão bem mais enxuto que outras executivas internacionais.
- Assento mais duro que qualquer outra executiva que já testamos. Apesar do bom espaço para as pernas e dos detalhes em couro.
- Entretenimento não funcionou direito. Tela travada antes da decolagem, só propaganda da própria Swiss depois.
- Sem check-in antecipado no Hilton mesmo com status Gold. Esperamos até 14h30 pelo quarto, o que consumiu horas preciosas do único dia em Buenos Aires.
Investimentos dessa etapa
| Item | Valor |
|---|---|
| Uber Ezeiza → Puerto Madero | ≈ US$16 (quase R$90) |
| Pizza de peperone + Coca-Cola no Güerrín | 16.400 pesos argentinos |
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Depois de pousar em Buenos Aires, seguimos direto para o roteiro completo pela cidade e a hospedagem no Hilton Puerto Madero.
Perguntas frequentes
A executiva da Swiss entrega amenity kit em voos curtos?
Não. Em voos de curta duração como Guarulhos-Buenos Aires, a Swiss não oferece amenity kit, cobertor, travesseiro nem welcome drink, diferente do padrão mais completo de voos internacionais mais longos.
Precisa de cartão de crédito específico para acessar sala VIP voando de executiva?
Não, na maioria dos casos o próprio bilhete de executiva já libera o acesso à sala VIP, sem depender de nenhum cartão de crédito específico.
Status Gold do Hilton garante check-in antecipado?
Não necessariamente. No Hilton Puerto Madero, mesmo com status Gold, tivemos que esperar até cerca de 14h30 para o quarto ficar disponível, porque o hotel estava com ocupação completa naquele dia.
Quanto custa ir de Uber do aeroporto de Ezeiza até Puerto Madero?
Ficou em torno de US$16, o equivalente a quase R$90 no momento da viagem, já que Ezeiza fica bem mais distante do centro de Buenos Aires do que outros aeroportos da cidade.
Vale a pena comer na pizzaria Güerrín em Buenos Aires?
Vale muito. É uma pizzaria tradicional e famosa da cidade. A recomendação é pedir a versão só de mozzarella, que agrada mais do que sabores mais picantes como o peperone.
É possível se aproximar da Floralis Genérica em qualquer dia?
Não sempre. A escultura pode ficar fechada ou isolada por manutenção, reforma ou até depois de chuvas fortes, como aconteceu na nossa segunda visita. Vale checar a situação antes de planejar a foto.



