Cartão AAdvantage Santander Vale a Pena em 2026?

Muita gente comenta aqui no canal sobre o cartão AAdvantage do Santander, e boa parte dos comentários segue a mesma linha: “a anuidade é cara demais, não vale a pena”. Eu tenho esse cartão, pago a anuidade cheia, sem nenhum desconto, e neste post eu vou ser 100% direto sobre por que continuo com ele, mostrando a conta real, os resgates que já fiz e também o outro lado, sem esconder nada.


A primeira pergunta que você precisa responder antes de qualquer cartão

Antes de pedir um cartão, assinar um clube ou começar a acumular milhas num programa de fidelidade, existe uma pergunta que quase ninguém faz primeiro: você já sabe o que vai fazer com essas milhas?

Não adianta acumular milhas por acumular. Cada programa de fidelidade tem um perfil de resgate diferente, e o cartão certo depende inteiramente de pra onde você quer viajar e em qual classe. Eu sei exatamente o que faço com as milhas que acumulo no AAdvantage, e é essa clareza que justifica pagar R$1.632 por ano de anuidade sem desconto num cartão só.


Por que pagar anuidade cheia pode fazer sentido

Esse é um cartão que eu pago a anuidade cheia, e sim, ela não é barata. Pra conseguir isenção ou desconto nessa anuidade, você precisa ou de um investimento alto no Santander, ou de um excelente relacionamento com o banco. Eu ainda não consegui esse desconto, pago a anuidade cheia mesmo assim, porque o valor que a milha AAdvantage entrega compensa.

Isso é importante deixar claro: eu não estou defendendo esse cartão porque ele é barato. Estou defendendo porque, mesmo caro, o retorno em milhas de qualidade compensa o custo. São coisas diferentes, e é exatamente esse cálculo que vou mostrar ao longo do post.


A prova real: Primeira Classe da Etihad por 62.500 milhas

O principal motivo de eu manter esse cartão está numa experiência específica: The Apartment, a cabine de primeira classe da Etihad Airways. É uma cabine com poltrona própria e um sofá na frente, dentro do maior avião comercial do mundo, o Airbus A380. Só existe essa configuração de cabine nesse modelo de avião específico da companhia, então antes de sonhar com esse resgate vale confirmar que o voo é operado com o A380.

Slide da apresentação DIA23

Fizemos essa viagem em abril de 2025, saindo de Abu Dhabi para Londres. O custo: 62.500 milhas AAdvantage + cerca de R$80 de taxa de embarque por pessoa (R$160 no total, para mim e pra Carol). A mesma passagem pagando em dinheiro custaria mais de R$28.000 por pessoa.

E não é só o voo: a experiência começa antes do embarque, com acesso a uma sala VIP exclusiva de primeira classe. É um nível de conforto que, honestamente, é difícil de comparar com qualquer outra coisa que eu já resgatei com milhas.

Foi um resgate desafiador. Comprei a passagem faltando só 8 dias pra viagem, e tinha planos B, C e D de rota, podia sair via Londres ou via Paris, dependendo da disponibilidade que aparecesse. Uma coisa que aprendi nessa emissão: sair do hub da companhia aérea (no caso, Abu Dhabi, base da Etihad) costuma dar acesso a um suporte melhor e salas VIP mais interessantes, porque é onde a companhia concentra a estrutura dela.

E olha que interessante: agora, em agosto de 2026, estou prestes a bater a quantidade de milhas de novo, pra repetir essa experiência com 2 assentos. Não é um resgate de uma vez só, é uma estratégia contínua.


Quanto vale a milha AAdvantage, e por que ela não expira

Hoje, a milha da American Airlines vale em torno de R$90 a R$100 o milheiro. Esse é o preço atualizado, e eu vejo bastante gente vendendo essas milhas nessa faixa, R$90 a R$100 por 1.000 milhas. É esse número que uso em todos os cálculos deste post.

O cartão pontua 2 milhas por dólar gasto, direto no programa AAdvantage, sem passar por nenhum programa intermediário e sem deságio na transferência. Isso é diferente de boa parte dos cartões do mercado, que pontuam num programa de banco (Esfera, Livelo, Átomos) e você precisa transferir depois, geralmente perdendo valor no caminho.

Outra vantagem real: as milhas não expiram enquanto você movimenta a conta. Como uso bastante o cartão, todo mês caem milhas direto no programa da American Airlines, nunca precisei me preocupar com prazo de expiração. A regra geral é: se você não mexer na conta, não acumular nem resgatar por 2 anos, aí sim o prazo de expiração passa a valer. Comigo isso nunca aconteceu.


Prato de filé com molho, pão e acompanhamentos servido na Primeira Classe da Etihad no A380
O jantar servido a bordo, no A380, o único avião onde essa cabine existe.

Respondendo aos comentários: “é só calote” e “seu ranking é pessoal”

Recebi um comentário no vídeo do Nubank Ultravioleta dizendo que o AAdvantage é “só calote”, que a pessoa cancelou sem dó porque “quando você vai usar as milhas, as escalas são horríveis”. Esse comentário provavelmente se refere a resgates domésticos usando a GOL (parceira da American no Brasil) via tabela fixa, e aqui vale separar duas situações bem diferentes, porque nem todo resgate é igual.

Viagem com pouca antecedência, no mesmo dia

Fui até o site oficial da American (aa.com.br) e simulei uma viagem de Brasília para São Paulo saindo no mesmo dia. Você não precisa nem ter conta no site nem fazer cadastro, basta acessar e pesquisar direto.

Achei uma opção por 7.500 milhas + cerca de R$33 de taxa. No meu cálculo, isso dá em torno de R$783 (milheiro a R$100 vezes 7,5, mais a taxa de embarque). No Google Flights, a passagem mais barata em dinheiro pro mesmo trecho e mesmo dia estava R$1.775, com a LATAM.

Esse não é um exemplo teórico. Já usei essa estratégia de verdade: comprei uma passagem de última hora pra minha mãe, Brasília → Congonhas, no mesmo dia, porque ela precisava viajar de última hora. Se eu fosse comprar essa passagem em dinheiro, custaria mais de R$3.000. Com as milhas da American, saiu muito mais barato.

Viagem com mais antecedência, em época concorrida

Simulei também Brasília → São Luís (Maranhão), voo direto pela GOL. Achei 75.500 milhas + cerca de R$33 de taxa, disponível em quase todo o calendário de agosto e setembro que eu consultei. Isso é especialmente útil pra épocas de feriado ou alta temporada, quando o preço em dinheiro costuma disparar muito mais do que o valor em milhas.

Então sim, pode ter voo com escala e valor alto em alguns casos específicos, principalmente quando você exige rota direta em data muito fechada. Mas viagem de última hora ou destino concorrido em alta temporada costuma valer muito a pena com essas milhas.

“Seu ranking é muito pessoal”

Também recebi um comentário no vídeo do Nomad Explorer, de alguém questionando por que eu coloco em primeiro lugar do ranking um cartão de anuidade cara, dizendo que meu critério é “muito pessoal” e que “ninguém quer pagar esse montante de anuidade hoje em dia”. Vou responder com a conta real, direto da nossa planilha, no próximo tópico.


Como cheguei no cartão Black: a história do upgrade

Não comecei direto no Black. Peguei primeiro a versão Platinum, usei bastante essa versão, e fui migrando meus gastos pro Santander aos poucos. Com esse relacionamento construído ao longo do tempo, e com a ajuda de um gerente de relacionamento (que hoje, inclusive, é parceiro da nossa comunidade e ajuda os alunos a conseguirem cartões melhores), consegui o upgrade pro Black.

Ou seja: não é um cartão que cai do céu, nem que qualquer pessoa consegue de primeira sem histórico. Existe um caminho de relacimento bancário por trás, migração de gasto e tempo de casa. Se você está começando do zero com o Santander, é razoável esperar que o caminho até o Black passe por essas etapas também.


A conta real, direto da nossa planilha (53 cartões)

Aqui está a resposta pro comentário de que meu ranking é “muito pessoal”. Uso uma planilha própria que calcula o retorno financeiro em milhas de cada cartão, considerando quanto você gasta por mês, quantos pontos isso gera, pra qual programa de fidelidade transfere, e quanto esse programa vale no mercado hoje. Atualmente ela tem 53 cartões catalogados.

Slide da apresentação DIA23

Pra essa simulação, removo os cartões de altíssima renda, que exigem investimentos fora do alcance da maioria de quem assiste o canal: o Centurion Card do Bradesco, o World Legend Grafeno do banco C6 (que exige alguns milhões investidos) e o XP Infinite Privilege (a informação que tenho é que exige 30 milhões investidos na XP). Esses eu trato numa categoria separada, mais adiante.

Gastando R$8.000 por mês

  1. C6 Carbon com acelerador contratado, retorno líquido de R$2.700. Esse cartão transfere pra TAP, e as milhas TAP valem hoje em torno de R$42 a R$46 o milheiro (eu já vendi milhas TAP por R$46). O acelerador custa R$4.200 por ano, mas o cartão é isento de anuidade, então esse custo não entra na conta de anuidade.
  2. Revolut Metal, sem anuidade no plano Metal, transfere pra Ibéria com paridade de conversão que rende em torno de 46.000 avios pra um gasto equivalente. Os avios da Ibéria valem hoje em torno de R$55 no mercado.
  3. Santander AAdvantage, retorno bruto de R$3.600 nesse patamar de gasto, menos R$1.632 de anuidade, dá um retorno líquido de pouco mais de R$2.000. Mas o que importa aqui não é só o retorno em reais: você acumula 36.000 milhas AAdvantage ao longo de um ano inteiro gastando R$8.000 por mês.

Reparem: não é tão simples fazer uma emissão de 62.500 milhas pra primeira classe da Etihad. Eu levei 2 anos de acúmulo pra fazer esse resgate a primeira vez. E agora, de novo, depois de quase 2 anos, continuo gastando nesse cartão pra acumular as milhas pra repetir essa experiência.

Gastando R$10.000 por mês

A ordem se mantém parecida: 1º C6 Carbon com acelerador, 2º Revolut Metal, 3º Santander AAdvantage, 4º C6 Carbon sem acelerador, e nesse patamar o cartão da Porto aparece, com 2,5 pontos por dólar gasto e também transferindo pra TAP.

Gastando R$20.000 por mês

Aqui a conta muda de figura. Filtrando a planilha de novo, o AAdvantage vira o primeiro lugar do ranking: 91.000 milhas American Airlines acumuladas ao longo do ano, apenas com o gasto no cartão, com um retorno financeiro de R$7.500. Nesse patamar de gasto, o AAdvantage passa o cartão da Porto, o Ícone da Caixa, o Zenith do C6, o próprio plano Revolut Ultra e o Nomad Explorer.

Categoria altíssima renda

Pensando só nos cartões de altíssima renda, pra quem gasta muito e consegue esse tipo de produto, o ranking fica: 1º Centurion Card do Bradesco, 2º World Legend Grafeno do banco C6, e em 3º lugar o Santander AAdvantage, justamente por causa do acúmulo direto no programa da American Airlines. Ou seja: mesmo competindo com cartões de investimento muito mais alto, o AAdvantage segura posição por causa da qualidade da milha, não do volume.

Ou seja: não é ranking “pessoal”, é matemática, com o dado real de quanto cada milha vale hoje, aplicada em cada faixa de gasto.


Pra quem vale a pena, e pra quem não vale

Vale a pena pra quem já decidiu que vai resgatar com a própria American Airlines ou parceiros dela, principalmente em:

  • Voos de última hora, porque a tabela fixa não sobe de preço com a demanda, ao contrário do dinheiro
  • Destinos concorridos em alta temporada e feriados
  • Trechos de classe econômica pra EUA ou Havaí, geralmente na faixa de 16.000 a 18.000 milhas
  • Resgates via parceiros da American ou dentro da aliança oneworld
  • Executiva e Primeira Classe, onde o valor agregado da milha é altíssimo, como no caso da Etihad

Não compensa tanto pra quem gasta menos de R$8.000 por mês no cartão sem foco nenhum em resgate premium. Nesses casos, cartões sem anuidade costumam dar mais retorno líquido, mesmo que a qualidade da milha seja menor.


O plano daqui pra frente

Assim que eu bater a meta de milhas pra repetir a Primeira Classe da Etihad este mês, a ideia é migrar parte dos gastos pra outros cartões: Revolut pra acumular Avios (Ibéria), e C6/Porto pra acumular milhas TAP. O AAdvantage continua na carteira, mas o foco de gasto muda conforme a próxima viagem que estou planejando. Isso é uma coisa importante de entender sobre estratégia de milhas: o cartão certo muda ao longo do tempo, conforme muda o seu objetivo de viagem.


Perguntas frequentes

O cartão AAdvantage Santander vale a pena em 2026? Depende do seu perfil de gasto e do que você pretende resgatar. Pra quem gasta a partir de R$8.000/mês e pretende usar milhas American Airlines (inclusive parceiros e cabines premium), sim. Pra quem gasta menos e não tem foco em resgate específico, existem cartões com retorno líquido melhor.

Quanto custa a anuidade do AAdvantage Black do Santander? R$1.632 por ano (12x R$136), sem isenção automática. Pra conseguir desconto, é preciso investimento alto no banco ou relacionamento construído ao longo do tempo.

Quanto vale a milha da American Airlines (AAdvantage) hoje? Em torno de R$90 a R$100 por milheiro (1.000 milhas), segundo o que temos visto sendo praticado no mercado de venda de milhas em 2026.

As milhas AAdvantage expiram? Não, enquanto a conta se movimenta (com acúmulo ou resgate). O prazo de expiração só passa a valer depois de cerca de 2 anos sem nenhuma movimentação.

Como conseguir desconto na anuidade do AAdvantage Santander? As duas formas conhecidas são investimento alto no banco ou relacionamento com o gerente construído ao longo do tempo, geralmente migrando gastos pro Santander antes de pedir a negociação.

Se você tem esse cartão ou está pensando em pedir, me conta aqui nos comentários: pra você, ele faz sentido ou não?

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A conta que mostrei aqui, gasto por mês, retorno em milhas, qual programa vale mais, é a mesma planilha que usamos com os alunos da Comunidade VMM pra decidir qual cartão realmente faz sentido pra cada pessoa. Não é sobre ter o cartão “mais bonito”, é sobre saber pra onde essas milhas vão te levar.

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