Em junho de 2015 a gente pegou um avião de Buenos Aires para Bariloche sem saber que o voo ia atrasar seis horas, que ia nevar pela primeira vez na nossa frente e que, dias depois, um outro voo cancelado ia nos prender na fronteira de uma greve geral argentina. Não tinha roteiro pronto, não tinha review de blog gringo, tinha só a gente, recém casados, com uma mala de roupa de frio insuficiente para o Brasília que a gente vinha. Essa é a nossa lua de mel na Patagônia argentina, guardada dia a dia enquanto acontecia, e é a base real deste guia.
Diferente de outros roteiros que a gente publica aqui no blog, este não nasceu de pesquisa. Nasceu de oito dias de diário de viagem escritos direto do quarto do hotel, com preço de cada prato, nome de cada restaurante e a opinião sincera sobre o que valeu e o que não valeu. A gente reuniu tudo num guia só, organizado por tema, para quem está planejando a própria ida a Bariloche hoje.
Esse é o vídeo que a gente gravou no dia do Circuito Chico, o passeio mais clássico de Bariloche. Deu para sentir o frio e a chuva só de assistir, mas também deu para ver por que vale tanto a pena.
O Que Você Vai Encontrar Neste Guia
- O contexto desta viagem
- Quantos dias ficar em Bariloche
- Como chegamos: o voo cancelado no Aeroparque
- Onde ficamos: Hotel Alma Del Lago
- Roteiro dia a dia (Circuito Chico, Rota dos 7 Lagos, Cerro Otto e mais)
- Onde comer em Bariloche
- Quanto custa Bariloche: os nossos gastos reais em 2015
- Erros que cometemos e o que aprendemos
- Perguntas frequentes sobre Bariloche
Resumo Rápido: Bariloche em 6 Dias
- Quantos dias: 6 dias completos (4 dias bastam se você não for fazer a Rota dos 7 Lagos)
- Neve garantida? Não. Fomos em junho e nevou por sorte; a temporada de neve mais confiável é agosto
- Passeios essenciais: Circuito Chico (cerca de 4h) e Rota dos 7 Lagos até San Martín de los Andes (dia inteiro)
- Onde ficamos: Hotel Alma Del Lago, à beira do lago Nahuel Huapi, 15 minutos a pé do centro
- Prato que mais recomendamos: bife de chorizo no Boliche del Alberto
- Precisa de carro? Não. Fizemos tudo com van de passeio e a pé/remis dentro da cidade
Onde Fica Bariloche
Bariloche em Lua de Mel: o Contexto Desta Viagem
A gente foi a Bariloche em junho de 2015, no inverno argentino, como parte de uma lua de mel que incluiu também Buenos Aires. Antes de chegar à Patagônia já tínhamos andado mais de 11 quilômetros por dia em Buenos Aires, então a ideia de Bariloche era justamente o oposto: descansar, sem correria, sem agenda cheia.
Um aviso importante antes de continuar: todos os preços que aparecem neste guia são os que pagamos em pesos argentinos naquele mês de junho de 2015. A Argentina passou por uma inflação enorme desde então, e a cotação do peso mudou completamente, então comparar peso de 2015 com peso de 2026 direto não diz nada. Mantivemos os valores originais porque eles mostram a proporção real de gasto entre um passeio e outro, entre um restaurante e outro dentro da nossa viagem, mas para os itens mais importantes do roteiro (os dois passeios de dia inteiro, o aluguel de roupa de frio, o ingresso do Cerro Otto e o restaurante mais citado aqui) fomos atrás do valor verificado em agosto de 2026, com fonte, e colocamos ao lado do relato original. Antes de viajar, pesquise os valores em vigor na data da sua ida.
Quantos Dias Ficar em Bariloche
Ficamos seis noites em Bariloche, de 2 a 8 de junho de 2015, e não foi tempo demais. Foi o tempo certo para fazer os dois passeios de dia inteiro (Circuito Chico e Rota dos 7 Lagos), reservar pelo menos um dia de descanso puro no hotel, subir o Cerro Otto com calma e ainda ter uma margem de segurança para imprevistos, que aliás aconteceram dos dois lados da viagem.
Se o seu foco é só Bariloche cidade, sem os bate e voltas para San Martín de los Andes, quatro dias já resolvem. Mas se você quer fazer a Rota dos 7 Lagos, que é um passeio de dia inteiro por conta da distância, reserve pelo menos cinco a seis dias completos na região para não voltar com a sensação de ter corrido demais.
O Câmbio Que a Gente Não Teve na Nossa Viagem 💸
Uma das coisas que mais pesou no nosso orçamento em Bariloche foi o câmbio. Trocamos dinheiro no balcão, sem comparar cotação, e só depois fomos entender quanto tinha ficado a mais em cada peso argentino. Hoje a Wise resolve isso na largada: você transfere e paga em pesos argentinos, reais, dólares ou euros com a cotação real do dia, sem o markup escondido que os bancos e casas de câmbio de aeroporto cobram.
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Como Chegamos: o Voo Cancelado no Aeroparque
A viagem para Bariloche começou torta. Saímos do Aeroparque, o aeroporto doméstico de Buenos Aires, que tem bem menos estrutura que o Ezeiza (o aeroporto internacional), mas fica muito mais perto do centro da cidade: chegamos lá em 15 minutos. Só que, ao chegar, veio a notícia de que o nosso voo tinha sido cancelado.
Descobrimos ali, na hora, que quem deveria ter nos avisado com antecedência era a própria agência de viagem, a CVC, que precisava ter cadastrado nosso celular e e-mail junto à Aerolíneas Argentinas para recebermos o alerta de cancelamento. Isso não tinha sido feito. Ficamos esperando algumas horas no aeroporto sem alternativa.

Devíamos ter chegado a Bariloche às 17h, com tempo de aproveitar o resto do dia. Só pousamos às 22h40, exaustos, depois de um voo turbulento que pareceu, nas nossas palavras de época, “estar fazendo acrobacias”. Passamos muito mal durante o trajeto.
Em Bariloche estava chovendo e fazendo muito frio quando desembarcamos. Um remis (o equivalente local a um táxi com tarifa fixa por trajeto) estava esperando por nós, combinado previamente com o hotel. A expectativa era de que fosse cortesia, um “regalo”, mas na prática tivemos que pagar 220 pesos pelo trajeto até o hotel. Discutir no nosso portunhol não adiantou muito, mas o que veio depois compensou: o quarto e a vista do hotel nos fizeram esquecer rápido da bagunça do dia.
Onde Ficamos: Hotel Alma Del Lago
Ficamos hospedados no Alma Del Lago, um hotel à beira do lago Nahuel Huapi, a cerca de 15 minutos a pé do centro de Bariloche. A hospedagem foi um presente de casamento de amigos (obrigado, Ricardo, Rachel e Leo), e sem dúvida marcou a viagem inteira.

O que valeu a pena no Alma Del Lago:
- A vista do quarto e do café da manhã para o lago Nahuel Huapi, especialmente nas manhãs de céu aberto
- A piscina aquecida com vista para o lago, que ficou praticamente só para a gente porque o hotel estava com baixa ocupação naqueles dias
- O spa com massagens e duchas, que aproveitamos no dia de descanso
- O restaurante do próprio hotel, chamado Terra, onde jantamos em três noites diferentes por cansaço e frio para sair

No restaurante Terra jantamos, entre outras coisas, um wok de ave com vegetais, raviolones de truta, uma sopa minestroni e um risoto de truta. A cozinha é caseira e sem grandes pretensões, mas depois de um dia inteiro de passeio no frio, foi exatamente o que a gente precisava. Em uma das noites, ao som de Elvis Presley tocando no salão vazio, comemos um ravioli de truta e um prato de frango de inspiração chinesa que classificamos, na época, como “estranho, mas comível”.
Roteiro Dia a Dia em Bariloche
Aqui está o que fizemos em cada dia, reorganizado numa ordem lógica de roteiro (a nossa viagem teve um imprevisto de voo no início e outro no fim, então a numeração dos nossos posts originais ficou fora de ordem, mas o roteiro abaixo segue a cronologia real dos dias em Bariloche).
Dia 1: Chegada e Centro Cívico
Depois da noite turbulenta de chegada, o dia amanheceu bonito, com a vista do lago Nahuel Huapi linda desde o café da manhã. Durou pouco: depois de algumas horas começou a chover e não parou mais até o fim do dia.
Sem nada programado, saímos a pé até o centro de Bariloche. Com chuvisco e um vento congelante, sentimos falta de luvas mais grossas, mas a segunda pele nas pernas salvou a caminhada.

Passamos rapidamente pelo Centro Cívico, o conjunto de prédios de pedra que forma o coração simbólico da cidade, e fomos até a agência Select Travel, na rua Villegas 237 (fale com a Sabrina, foi ela quem nos atendeu), para reservar dois passeios: o Circuito Chico e a Rota dos 7 Lagos até San Martín de los Andes. Uma dica que valeu na época: pedir o cupom de desconto para lojas de roupa de frio, útil para quem, como a gente, não veio preparado com roupa própria para o clima (moramos em Brasília, então roupa de frio de qualidade simplesmente não faz parte do guarda-roupa do dia a dia).
Ainda sentindo o efeito do voo turbulento, principalmente a Carol, voltamos ao hotel para recuperar energia. Optamos por não sair à noite e jantamos no próprio restaurante do hotel, praticamente sozinhos, no salão vazio.
Dia 2: Circuito Chico
Confundimos os horários e acordamos às 7h para um passeio que só começava às 9h. Não foi de todo ruim: aproveitamos melhor o café da manhã e ficamos prontos com folga antes da van chegar.
O Circuito Chico é o passeio mais clássico de Bariloche, uma estrada de 65 km que contorna a margem sul do lago Nahuel Huapi. Dura cerca de 4 horas e é, na nossa opinião, obrigatório para quem vai à cidade pela primeira vez. A guia (cujo nome não anotamos na época) era simpática, nascida na região, e alternava espanhol e português nas explicações de um jeito muito fácil de acompanhar.
No meio do passeio, com o dia bem chuvoso e frio, paramos numa lojinha que vende produtos à base de rosa mosqueta. O chá é bom, e chegamos a comprar dois, mas o hidratante corporal que oferecem para testar tem um cheiro bem forte e desagradável. A parada seguinte foi no hotel Llao Llao, um dos mais chiques e caros da região, perto do Porto Pañuelo, de onde saem os passeios de barco.

A próxima parada foi o Cerro Campanário, e a chuva não deu trégua. Morremos de frio na subida de teleférico, que é totalmente aberto: as capas de chuva mal ajudaram, e a nossa ainda estava rasgada e com cheiro ruim. Lá em cima, a cafeteria estava lotada, então nos contentamos com um chocolate quente disputando espaço perto da lareira.

Depois do tour, morrendo de fome, fomos ao Alberto Del Boliche de massas. Pedi uma lasanha gigantesca e generosa de recheio, e a Carol um prato de macarrão que dava tranquilamente para três pessoas. Muita comida pelo valor pago. À tarde ainda passamos na Patagônia Showroom para alugar roupa de frio: uma jaqueta corta vento impermeável e uma calça também impermeável para a Carol, com 10% de desconto pela indicação da agência de passeios.
À noite voltamos ao centro, visitamos as famosas lojas de chocolate e jantamos um fondue de queijo para duas pessoas no La Marmite, na movimentada calle Mitre (a rua principal de Bariloche). Achamos caro pela quantidade e qualidade do que veio, e saímos de lá ainda com fome.
Dia 3: Descanso, Bife de Chorizo e Mamuschka
Depois de dois dias puxados, reservamos este para descansar e aproveitar a estrutura do hotel. Acordamos tarde e comemos um café da manhã excelente.
No almoço fomos experimentar o famoso bife de chorizo no Boliche del Alberto. Foi uma das melhores carnes que comemos até então na Argentina. Como acompanhamento de praticamente todo prato de carne na região, veio uma porção generosa de batatas fritas finas e crocantes, também deliciosas.

Um detalhe curioso do sistema de cobrança argentino: em Buenos Aires, quase todo restaurante cobra os “cubiertos”, uma taxa de serviço de mesa por pessoa, parecida com os 10% do Brasil, mas com valor que varia de casa para casa. Em Bariloche essa taxa não apareceu nas contas, mas percebemos que os garçons davam uma “forçada” sutil para deixar gorjeta na mesa mesmo assim.
De lá fomos para a Mamuschka comprar chocolates, tanto para nós quanto para presentear depois. Os chocolates literalmente derretem na boca, e é difícil sair da loja sem vontade de comprar tudo.

À tarde conhecemos com calma a estrutura do hotel, incluindo a piscina aquecida com vista para o lago e o spa. Como o hotel estava com pouca ocupação, tivemos a piscina praticamente só para nós. À noite, jantamos novamente no restaurante Terra para poupar energia, já que o passeio do dia seguinte seria de dia inteiro: uma sopa de legumes com castanha e um risoto de truta.
A Passagem Foi o Item Mais Caro da Nossa Viagem 🎈
Se tem uma coisa que pesa em qualquer viagem internacional, incluindo essa lua de mel na Argentina, é o valor da passagem aérea. Um exemplo real: em julho de 2026 saiu um alerta de Fortaleza (FOR) para Madrid (MAD) por R$ 1.291,17 na ida, em classe econômica. A conta saiu tão baixa porque usamos milhas de programa de fidelidade aéreo compradas com desconto numa promoção, em vez de pagar em dinheiro cheio pela passagem. É esse tipo de oportunidade calculada, pronta para reservar, que chega toda semana na Comunidade VMM, para destinos como a Argentina e para dezenas de outras rotas pelo mundo.
Dia 4: Rota dos 7 Lagos, San Martín de los Andes e Villa La Angostura
Acordamos cedo para o passeio de dia inteiro pela Rota dos 7 Lagos. Ainda estava escuro e chovendo, e como não havia praticamente ninguém no restaurante àquela hora, aproveitamos para um café da manhã bem reforçado.
A rota começa a 85 km de Bariloche, passando pelo centro de Villa La Angostura, uma vila charmosa que foi nossa primeira parada para comer algo. Quem procura um lugar mais calmo e romântico do que a movimentada Bariloche encontra em Villa La Angostura e em San Martín de los Andes ótimas opções. A parada por Villa La Angostura foi rápida demais para aproveitar de verdade uma das aldeias mais bonitas da Patagônia, o que ficou registrado como aprendizado para uma próxima vez.
Seguimos ao longo de um braço do lago Nahuel Huapi e entramos no trajeto dos 7 lagos propriamente dito. Na prática são mais do que sete, mas os principais que passamos foram estes:
- Correntoso
- Espejo Grande
- Espejo Chico
- Falkner
- Escondido
- Villarino
- Hermoso
- Machónico
- Lácar
Depois de 110 km a partir de Villa La Angostura (o que dá 195 km desde Bariloche), chegamos a San Martín de los Andes, uma cidade simpaticíssima à beira do lago Lácar. Mesmo com o dia chuvoso e nublado, a paisagem do trajeto todo era linda.

Almoçamos no La Barra, em San Martín: a Carol pediu nhoque, eu ravioli. Estava muito bom, mas achamos estranho e caro o fato de cobrarem os molhos separadamente do prato principal. Depois do almoço, caminhamos um pouco pela cidade até chegar o horário da volta.
No caminho de volta veio a surpresa do dia: começou a nevar. Foi a primeira vez que vimos e sentimos neve caindo de verdade. A van parou e todo mundo desceu para aproveitar o momento. A guia contou que nevar em Bariloche no início de junho era raro, e que fazia mais de dez anos que isso não acontecia por ali naquela época do ano (a temporada ideal de neve na região é agosto). Sorte pura ter pegado justamente esse ano.

Voltamos a passar por Villa La Angostura e chegamos a Bariloche já no fim do dia, exaustos do passeio. Sem energia para sair, pedimos uma pizza no quarto e fomos dormir.
Dia 5: Cerro Otto e Confeitaria Giratória
Finalmente um dia de céu aberto e sol. Fomos ao centro de Bariloche comprar os ingressos do teleférico do Cerro Otto, que já inclui o direito de pegar o ônibus de acesso sem pagar nada a mais. O ônibus passa de hora em hora por vários pontos do centro, e esperamos menos de 10 minutos por ele.
A subida ao Cerro Otto pelo teleférico fechado é tranquila e com uma bela vista para o lago Nahuel Huapi. Durante a subida a neve começou a cair de novo, e a paisagem foi ficando branca aos poucos. Aproveitamos o passeio com calma, mas o frio era intenso: não é boa ideia mexer na neve sem luvas apropriadas, porque a mão congela rápido.

Para esquentar, pedimos um chocolate quente muito bom na Confeitaria Giratória, no topo do cerro, admirando a paisagem enquanto esperávamos. Como tinha começado a nevar havia pouco tempo, as pistas de esquibunda ainda não estavam funcionando, mas já era possível fazer uma caminhada com raquetes de neve por trilhas ao redor do cerro. Não fomos, porque não estávamos preparados nem com roupa própria nem psicologicamente para esse tipo de trilha.
Na volta, passamos pela Fábrica de Chocolate da Havanna, literalmente em frente ao hotel, mas ela não estava funcionando naquele dia. Descansamos um pouco e voltamos ao centro, onde conhecemos de perto os cachorros gigantes da raça São Bernardo que ficam por lá, tiramos fotos no Centro Cívico e almoçamos rápido num McDonald’s, já sem muita paciência para procurar outra opção. À tarde compramos alguns presentes e voltamos para curtir a piscina, que finalmente estava bem quentinha. Dividimos um sanduíche no quarto do hotel à noite e dormimos com saudade antecipada dos dias que tínhamos vivido ali.
Dia 6: o Voo Cancelado de Volta e a Greve Geral
Depois da experiência do voo cancelado na ida, ficamos espertos e fomos atrás da CVC assim que chegamos a Bariloche. Rodamos o centro da cidade inteiro e ninguém sabia informar onde ficava o escritório.
Encontramos, finalmente, um atendente simpático que nos levou até a Aerolíneas Argentinas e nos colocou na frente da fila. Foi aí que veio a notícia ruim dobrada: o nosso voo de volta para Buenos Aires também tinha sido cancelado, e no dia seguinte (9 de junho de 2015) haveria uma greve geral em toda a Argentina, o que significava, na prática, nenhuma forma de sair do país naquele dia.
Adiantamos as passagens, voltamos correndo ao hotel para arrumar tudo e fomos mais cedo para o aeroporto de Bariloche, para não chegar tarde demais em Buenos Aires e sofrer também com hospedagem de última hora. O trecho Bariloche a Buenos Aires é doméstico e tinha, em 2015, limite de 20 kg de bagagem por pessoa (em agosto de 2026, segundo o site oficial da Aerolíneas Argentinas, a franquia gratuita em voos domésticos caiu para 15 kg por mala nas tarifas com despacho incluído, e as tarifas mais básicas podem não incluir bagagem despachada nenhuma, então vale conferir a franquia da sua tarifa antes de comprar). Estávamos com quase 30 kg somados. A equipe do balcão quis cobrar excesso de bagagem, mas depois de explicarmos o transtorno que já tínhamos passado com o primeiro cancelamento, deixaram passar, ainda que com uma “cara feia” evidente.
Chegamos a Buenos Aires já de noite. Tentamos negociar com a companhia aérea algum ressarcimento de hospedagem e translado, mas não teve jeito: segundo eles, a paralisação era de responsabilidade geral do país, e a Aerolíneas Argentinas não assumia a culpa. O Túlio, do blog Aires Buenos, nos passou algumas dicas de hotel pelo WhatsApp, e conseguimos uma vaga de última hora no Hotel Colón, em frente ao Obelisco. Foram minutos de negociação, e ainda bem que eu tinha alguns dólares em espécie para baixar o valor da diária.
Comparado aos outros hotéis da viagem, o Colón era bem mais simples, e havia bastante barulho por causa da proximidade com o centro da cidade, mas dormimos sem problema. No dia seguinte fomos até a Tienda Del Café comer um tostado com marmelo e queijo, já morrendo de fome, antes de voltar ao hotel para descansar da correria.
Onde Comer em Bariloche: os Lugares que Testamos
Reunindo tudo que provamos ao longo dos seis dias, esses são os lugares que valem entrar no seu roteiro de restaurantes em Bariloche, com a nossa avaliação sincera de cada um:
- Boliche del Alberto: o melhor bife de chorizo que comemos na Argentina inteira, com batatas fritas finas e crocantes como acompanhamento. Recomendamos sem ressalva.
- Alberto Del Boliche de massas: lasanha e macarrão em porções gigantescas por um preço que compensa. Bom para quem está com muita fome depois de um passeio.
- Mamuschka: a loja de chocolates mais famosa de Bariloche, e com razão. Os chocolates derretem na boca. Ideal para presente e para consumo próprio.
- Restaurante Terra, do hotel Alma Del Lago: cozinha caseira, sem grandes pretensões, mas confiável para quem não quer sair à noite no frio. Provamos wok de ave, raviolones de truta, sopa minestroni e risoto de truta.
- La Marmite: fondue de queijo na calle Mitre. Achamos caro pela quantidade e qualidade servida, e saímos ainda com fome. Não repetiríamos.
- La Barra, em San Martín de los Andes: nhoque e ravioli bons, mas com a cobrança de molhos separada do prato, o que deixou a conta mais alta do que esperávamos.
Um padrão que reparamos: em Bariloche, diferente de Buenos Aires, os restaurantes não cobram os “cubiertos” (taxa de serviço de mesa por pessoa) nas contas, mas alguns garçons sugerem gorjeta de forma bem direta.
Quanto Custa Bariloche: os Nossos Gastos Reais em 2015
Antes da lista, o aviso de novo, porque é importante: os valores abaixo são em pesos argentinos de junho de 2015 e não refletem o câmbio ou os preços de hoje. A Argentina teve inflação muito alta nos anos seguintes. Use esses números só para comparar a proporção de gasto entre um item e outro dentro da nossa viagem, nunca como orçamento atual.
- Remis do aeroporto até o hotel: 220 pesos
- Jantar no Restaurante Terra (dia 1): 324 pesos (wok de ave com vegetais 130, raviolones de truta 160, coca 34)
- Tour Circuito Chico: 195 pesos por pessoa em 2015. Verificado em agosto de 2026: agências locais como a Turisur e a Tangol cobram hoje entre 40.500 e 50.000 pesos argentinos por pessoa pelo mesmo passeio (cerca de US$ 29 a 40); a aerosilla do Cerro Campanário continua sendo cobrada à parte, hoje em torno de 18.000 pesos.
- Almoço no Alberto Del Boliche de massas: 195 pesos (talharim espaguete 80, lasanha 90, coca chica 25)
- Jantar no La Marmite: 308 pesos (fondue de queijo para 2 pessoas 250, coca 29, água 29)
- Aluguel de roupa de frio na Patagônia Showroom: 420 pesos (jaqueta 99 por dia e calça 88 por dia, dois dias e meio de aluguel, com 10% de desconto pela indicação da agência) em 2015. Verificado em agosto de 2026: segundo levantamentos locais de lojas do centro de Bariloche (Mitre, Palacios, Villegas, incluindo a própria Patagonia Showroom), o combo de jaqueta corta vento e calça impermeável custa hoje entre 24.000 e 45.000 pesos argentinos por dia (cerca de US$ 20 a 40), variando bastante conforme a loja e se é retirado no centro ou na base do Cerro Catedral.
- Almoço no Boliche del Alberto (bife de chorizo): 255 pesos (bife de chorizo 175, batatas fritas 55, coca 25) em 2015. Verificado em agosto de 2026: hoje um bife de chorizo sozinho no Boliche de Alberto sai na faixa de 45.000 a 60.000 pesos argentinos (cerca de US$ 30 a 40); o cardápio oficial do restaurante não publica preço exato online, então esse valor vem de relatos recentes de viajantes e não é garantido.
- Jantar no Restaurante Terra (dia 3): 284 pesos (sopa minestroni 80, truta de rio 170, fanta laranja 34)
- Rota dos 7 Lagos até San Martín de los Andes: 750 pesos por pessoa em 2015. Verificado em agosto de 2026: agências como a Turacción cobram hoje entre 77.000 e 100.000 pesos argentinos por pessoa pelo mesmo passeio de dia inteiro (cerca de US$ 70 a 100); alguns pacotes cobram a entrada do Parque Nacional Nahuel Huapi à parte, hoje em torno de 20.000 pesos.
- Almoço no La Barra, em San Martín: 301 pesos (nhoque 83, molho bolonhesa 50, ravioli de ricota 88, molho quatro queijos 50, coca 30)
- Ingresso do teleférico do Cerro Otto: 120 pesos por pessoa (na época, cerca de R$ 33,15) em 2015. Verificado em agosto de 2026: segundo o site oficial do Teleférico Cerro Otto, o ingresso hoje custa 60.000 pesos argentinos por adulto (o ônibus de acesso ida e volta desde o centro continua incluso).
- Chocolate quente na Confeitaria Giratória: 48 pesos (cerca de R$ 13,26)
- Almoço rápido no McDonald’s: 202 pesos por dois combos Quarteirão (cerca de R$ 55,80)
Vale notar que os passeios de dia inteiro (Circuito Chico e Rota dos 7 Lagos) foram, disparado, os itens mais caros do orçamento, o que faz sentido considerando a distância percorrida e o transporte incluído. Já a alimentação variou bastante: refeições em restaurante turístico como o La Marmite e o La Barra custaram proporcionalmente mais caro pelo que entregaram, enquanto o bife de chorizo do Boliche del Alberto foi, de longe, o melhor custo-benefício da viagem.
Sobre os valores de 2026 que adicionamos ao lado dos preços de 2015: optamos por trazer também a referência em dólar americano, e não só em peso argentino, porque a inflação da Argentina nesses anos foi tão grande que comparar peso de 2015 com peso de 2026 diretamente não ajuda em nada, na prática são moedas com poder de compra completamente diferentes. O dólar, mesmo variando, dá uma noção mais realista de quanto cada passeio ou item pesa no orçamento de quem vem de fora hoje.
Erros que Cometemos e o Que Aprendemos
Nenhuma viagem de lua de mel sai perfeita, e a nossa teve vários tropeços que valem virar aprendizado para quem for depois da gente:
- Confiar que a agência avisaria sobre cancelamento de voo: a CVC não cadastrou nosso contato junto à companhia aérea, e só descobrimos o cancelamento do voo de ida ao chegar no Aeroparque. Hoje, o ideal é confirmar diretamente com a companhia aérea, no aplicativo ou no site, na véspera do voo, mesmo tendo comprado por agência.
- Assumir que o transfer combinado com o hotel seria de graça: chegamos esperando um “regalo” e acabamos pagando 220 pesos pelo remis. Vale confirmar por escrito, antes da viagem, se o transfer está incluso ou é cobrado à parte.
- Subestimar o frio de Bariloche vindo de Brasília: não tínhamos roupa de frio adequada e precisamos alugar jaqueta e calça impermeável já na cidade. Se você mora em região quente do Brasil, é mais barato e mais confortável levar ou comprar roupa térmica antes de viajar do que alugar na hora.
- Não se preparar para atividades na neve: quando nevou de verdade no Cerro Otto, não estávamos equipados nem psicologicamente prontos para caminhar de raquete pela neve. Se existe chance de neve no seu roteiro, vale já ir com esse plano B na cabeça.
- Não considerar o limite de bagagem em voos domésticos argentinos: o trecho Bariloche a Buenos Aires tinha limite de 20 kg por pessoa em 2015, e estávamos com quase 30 kg somados. Conseguimos passar sem pagar excesso só porque explicamos o transtorno do cancelamento anterior, mas isso poderia ter dado errado. Em agosto de 2026 a franquia gratuita da Aerolíneas Argentinas em voos domésticos está ainda mais apertada, 15 kg por mala nas tarifas com despacho, e tarifas básicas podem não incluir despacho algum, o que torna esse cuidado ainda mais importante hoje.
- Ignorar o risco de greve geral no planejamento: não tínhamos como prever a greve, mas o fato de ela ter cancelado o nosso voo de volta reforça a importância de sempre ter uma margem de um ou dois dias de folga no fim da viagem, antes de compromissos que não podem atrasar (no nosso caso, o retorno ao Brasil).
Perguntas Frequentes sobre Bariloche
Quantos dias são ideais para conhecer Bariloche?
Na nossa experiência, seis dias completos foram suficientes para fazer os dois grandes passeios de dia inteiro (Circuito Chico e Rota dos 7 Lagos), reservar um dia de descanso puro e ainda subir o Cerro Otto com calma. Se você só quer a cidade, sem o bate e volta até San Martín de los Andes, quatro dias resolvem.
Vale a pena fazer o Circuito Chico e a Rota dos 7 Lagos na mesma viagem?
Sim, mas são passeios bem diferentes entre si. O Circuito Chico é mais curto (cerca de 4 horas) e cabe numa manhã ou tarde, enquanto a Rota dos 7 Lagos é um passeio de dia inteiro, com quase 200 km de distância só de ida até San Martín de los Andes. Os dois valem a pena, mas exigem dias separados.
Bariloche tem neve garantida em junho?
Não. Na nossa viagem, em início de junho de 2015, a guia local nos contou que fazia mais de dez anos que não nevava naquela época do ano na cidade. A temporada de neve mais forte e mais confiável em Bariloche é agosto. Se neve é prioridade no seu roteiro, pesquise a temporada de esqui do ano em que for viajar antes de fechar as datas.
É preciso alugar carro para conhecer Bariloche?
Na nossa experiência, não. Fizemos os passeios principais (Circuito Chico e Rota dos 7 Lagos) com van de agência de turismo local, contratada em Bariloche mesmo, e nos deslocamos a pé ou de remis dentro da cidade. Funcionou bem sem carro próprio.
O que levar de roupa para Bariloche no inverno?
Levamos menos do que devíamos e precisamos alugar jaqueta e calça impermeável já na cidade. Recomendamos roupa térmica em camadas, luvas de verdade (não as finas de moda), capa de chuva resistente e calçado impermeável, especialmente se o seu roteiro incluir Circuito Chico, Cerro Campanário ou Cerro Otto, onde boa parte do tempo é passada ao ar livre e no frio.
Quem quiser ler a viagem no formato original, dia a dia, como foi publicada em tempo real durante a nossa lua de mel em 2015, pode conferir a série completa de posts de Bariloche aqui no blog.
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Se depois de ler tudo isso você ficou com vontade de conhecer Bariloche (ou de evitar os mesmos perrengues que a gente teve), a equipe da Agência DIA23 pode montar sua viagem internacional do zero: passagem aérea, hospedagem e os passeios certos para o seu roteiro, com quem já viveu na prática cada detalhe descrito aqui.








