Saímos da nossa pousada em Porto de Galinhas ainda cedo, direto para a Barra de Sirinhaém. Em pouco mais de 40 minutos de carro chegamos na base da empresa que ia nos levar para a Ilha de Santo Aleixo, uma ilha particular a 2,6 km de mar aberto, parada obrigatória da nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil. A expectativa era alta: água calma, trilha curta, história real de disputa colonial por trás do cenário bonito. Neste post vai o roteiro completo do dia, a lógica da compra do passeio, os horários que fazem diferença, quanto custa de verdade e as dicas que a gente só descobriu na prática.
Neste guia: como comprar o passeio sem ficar sem vaga, o sistema de senha e pulseira, a travessia de lancha, a trilha até a Praia da Ferradura, quanto custa de verdade, quando ir e o contexto histórico real por trás da ilha.
Resumo rápido do roteiro
- Onde fica: litoral sul de Pernambuco, ilha particular a 2,6 km de mar aberto da Barra de Sirinhaém
- Como chegar até a base: 40 minutos de carro de Porto de Galinhas ou 1h30 de Recife
- Duração: passeio de bate-volta, dia inteiro (chegada por volta das 9h, retorno no fim da tarde)
- Operadora usada: Monteiro’s (uma das empresas autorizadas)
- Travessia de lancha: R$ 80/pessoa na época → R$ 90 a R$ 100/pessoa hoje (2026)
- Almoço (isca de peixe, mais barato do cardápio): R$ 84 na época → R$ 160 a R$ 165 hoje (2026)
- Total para 2 pessoas: R$ 328 na época → pelo menos R$ 520 a R$ 565 hoje, sem ducha/extras
- Lotação diária: cerca de 80 pessoas, reserva com pelo menos 1 dia de antecedência
- Melhor época: estação seca, entre setembro e janeiro, com mar mais calmo
- Com criança: funciona bem pela Ferradura em maré baixa, mas exige colo em trechos da trilha
Sumário
- Por que a Ilha de Santo Aleixo vale a viagem
- Como a ilha se formou: contexto geológico
- Quantos dias vale a pena reservar
- Como chegar até a Barra de Sirinhaém
- Como comprar o passeio (e por que reservar com antecedência)
- A fila de senha e o sistema de pulseiras coloridas
- A travessia de lancha: sente atrás se você enjoa
- A trilha até a Praia da Ferradura
- Praia da Ferradura: a piscina natural que vale a trilha
- A vista panorâmica no ponto mais alto da trilha
- Onde comer: o almoço na ilha
- Quanto custa: investimento real do passeio
- Quando ir: melhor época e horário de maré
- O que levar para o passeio
- Vale a pena para criança e para quem tem mobilidade reduzida?
- Outras operadoras que fazem o mesmo trajeto
- Nossas 3 dicas para aproveitar melhor
- Erros que quase cometemos e aprendizados do dia
- A vida na ilha hoje: pesca artesanal e uso controlado
- Santo Aleixo comparada a outras ilhas do litoral pernambucano
- Perguntas frequentes
Por que a Ilha de Santo Aleixo vale a viagem
A Ilha de Santo Aleixo tem um histórico documentado de disputa no período colonial. Ela está associada à primeira invasão francesa no Brasil, em 1531, e depois a episódios com corsários neerlandeses no fim do século 17. Os dois casos estão ligados à exploração do pau-brasil, que na época era chamado de “pau de tinta”, riqueza que atraía interesse estrangeiro para todo o litoral pernambucano. A presença francesa e holandesa na ilha é bem documentada. Já a atuação portuguesa aparece principalmente no controle e na expulsão desses grupos, consolidando a posse da região para a Coroa.
Vale a ressalva que a gente também faz no vídeo: não existe confirmação histórica detalhada de que as três nações tenham ocupado a ilha ao mesmo tempo ou da mesma forma. Trate isso como um histórico real de disputa territorial, ligado ao comércio de pau-brasil, não como uma linha do tempo exata e simultânea. De qualquer forma, é bem mais interessante caminhar por ali sabendo que aquela faixa de areia já foi disputada por franceses, holandeses e portugueses do que só ver como mais uma ilha bonita no mapa.
Para entender por que um pedaço de terra tão pequeno interessava tanto a três potências europeias, vale contextualizar o comércio que movia tudo isso. Nas primeiras décadas depois de 1500, a Coroa portuguesa ainda não tinha estrutura para colonizar de fato o litoral brasileiro, então o modelo inicial de exploração era a extração e o escambo do pau-brasil por feitorias costeiras, sem povoamento fixo. Isso deixava brechas enormes para embarcações francesas, principalmente de Dieppe e Honfleur, contrabandearem madeira direto com grupos indígenas locais, sem passar pela Coroa portuguesa. É esse cenário de disputa comercial, e não uma guerra declarada, que explica a presença de corsários e contrabandistas de diferentes nações rondando ilhas costeiras como Santo Aleixo, que servia de ponto de apoio natural: água doce, abrigo da correnteza e visão aberta do mar.
A resposta portuguesa a esse contrabando veio de forma mais organizada a partir de 1534, com a criação do sistema de capitanias hereditárias. A capitania de Pernambuco coube a Duarte Coelho, que teve a missão de defender o litoral e consolidar a produção de açúcar como alternativa mais lucrativa e mais fácil de controlar do que o pau-brasil espalhado pela costa. É esse mesmo período que explica por que cidades próximas, como Sirinhaém, de onde sai o barco para a ilha hoje, já aparecem em registros como pontos de povoamento e defesa desde o século 16, bem antes de qualquer estrutura turística existir na região.
Como a ilha se formou: contexto geológico do litoral sul de Pernambuco
A Ilha de Santo Aleixo é o que a geografia chama de ilha costeira ou continental, ou seja, não nasceu de atividade vulcânica nem de formação de recife de coral isolado em alto mar. Ela é, na prática, um fragmento do próprio continente, separado da linha de costa por processos de variação do nível do mar ao longo de milhares de anos. Em períodos geológicos mais recentes, o nível do oceano oscilou, submergindo partes mais baixas do relevo costeiro e deixando os pontos mais altos, como esse trecho de Santo Aleixo, isolados como ilha a poucos quilômetros da praia.
Isso explica também por que a travessia de lancha não segue linha reta até a ilha: todo esse trecho do litoral sul de Pernambuco e do litoral norte de Alagoas é marcado por formações de arenito de praia, popularmente chamadas de recife, que ficam submersas ou parcialmente visíveis dependendo da maré. São bancos de rocha sedimentar consolidada, formados pela cimentação natural de areia ao longo de muito tempo, o mesmo tipo de formação que cria as famosas piscinas naturais de Porto de Galinhas e Maragogi. Na Ilha de Santo Aleixo, esses recifes cercam boa parte da costa, e é por isso que o piloto da lancha contorna o litoral em vez de cruzar direto: evitar encalhar ou danificar o casco nesses bancos de rocha rasa.
A própria Praia da Ferradura é um bom exemplo visual desse processo. O formato semicircular protegido por rochedos que dá nome à enseada é resultado direto dessa geologia: um trecho de rocha mais resistente à erosão forma uma espécie de barreira natural, represando a água do mar numa piscina relativamente calma mesmo com o oceano aberto logo depois.
Quantos dias vale a pena reservar para a Ilha de Santo Aleixo
A Ilha de Santo Aleixo não tem pousada, hotel nem estrutura de pernoite. É um passeio de bate-volta, feito em um único dia, e assim já é suficiente para aproveitar bem. Na prática, contando desde a chegada na base da empresa até o desembarque de volta, o passeio consome o dia inteiro: chegamos por volta das 9h e só voltamos para o continente no fim da tarde. Dá tempo de fazer a trilha até a Praia da Ferradura, aproveitar a piscina natural com calma, subir até o ponto mais alto para a vista panorâmica, almoçar na ilha e ainda relaxar na praia principal antes do embarque de volta.
Quem está organizando um roteiro maior pelo litoral sul de Pernambuco, como a nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil, consegue perfeitamente encaixar esse passeio como um dia dentro de uma estadia mais longa em Porto de Galinhas, sem precisar reservar hospedagem separada nem alterar o restante do roteiro.
Como chegar até a Barra de Sirinhaém
A gente saiu de Porto de Galinhas, cerca de 40 minutos de carro até a base da empresa. Mas a Barra de Sirinhaém também é acessível saindo direto de Recife, um trajeto de aproximadamente uma hora e meia por rodovia, o que torna o passeio uma opção de bate-volta viável até pra quem está hospedado na capital pernambucana e não tem tempo de se mudar pro litoral sul.
Quem está fazendo um roteiro maior pelo litoral, como a nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil propõe, também consegue encaixar Sirinhaém como parada intermediária entre Porto de Galinhas e outros destinos mais ao sul, na direção de Maceió e do litoral alagoano. Vale sempre checar o estado da estrada e o horário de saída do primeiro barco do dia, que costuma ser cedo, antes de fechar esse encaixe no roteiro.
Um detalhe que vale registrar: ao seguir o GPS até a base da Monteiro’s, reparamos que Waze e Google Maps davam rotas com diferença entre si. Vale conferir os dois antes de sair, para não perder tempo nem gastar dinheiro à toa em corrida ou combustível.
Como comprar o passeio (e por que reservar com antecedência)
Fizemos o passeio com a Monteiro’s, uma das empresas autorizadas a operar o acesso à ilha. Pelo que a gente entendeu na pesquisa, é uma das poucas que faz esse trabalho de forma regularizada, com aprovação dos órgãos ambientais responsáveis, mesmo sem conseguirmos confirmar exatamente todas as exigências que uma empresa precisa cumprir para isso. O que a gente confirma com segurança: mesmo sendo oficial, foi a opção mais barata que encontramos, R$ 80 por pessoa.
Atualização 2026: o valor subiu desde a nossa visita. Não existe tabela oficial pública da Monteiro’s, mas cruzando relatos recentes de viajantes e páginas de operadoras locais da Barra de Sirinhaém (Viajante Comum, atualizado em jan/2026; Tour Galinhas e 4Trip, 2025), a travessia de lancha hoje custa entre R$ 90 e R$ 100 por pessoa, podendo chegar a R$ 110 em pacotes com mais estrutura de praia incluída. Vale confirmar o valor exato direto com a empresa antes de fechar.
A compra é feita direto pelo site da empresa, e precisa ser com pelo menos um dia de antecedência. A ilha tem lotação máxima diária, então no mesmo dia pode simplesmente não sobrar vaga nenhuma. Não arrisque chegar sem reserva.
Atualização 2026: fontes recentes (4Trip, Enter Travel, Agmário Turismo) indicam que esse limite diário gira em torno de 80 pessoas por dia na ilha, o que reforça ainda mais a importância de reservar com antecedência.
A fila de senha e o sistema de pulseiras coloridas
Chegamos na base da Monteiro’s por volta das 9h. A estrutura é simples, praticamente uma casa adaptada, com portão e ar de lugar organizado. Você chega, pega uma senha e espera sua vez, porque vários grupos vão embarcando em sequência para a ilha. Chegamos exatamente às 9h e já entramos como o segundo grupo a embarcar, o que dá uma pista prática: se você quiser ser o primeiro grupo do dia, precisa chegar antes das 9h.
Cada grupo recebe uma pulseira de cor diferente (azul, roxo, amarelo, entre outras), que identifica com qual empresa você contratou o passeio, já que outras operadoras, como a Trânsito, fazem o mesmo trajeto em parceria. Quando o seu grupo é chamado pela cor, você caminha até a praia e embarca direto na lancha.
A travessia de lancha: sente atrás se você enjoa
A lancha leva até 26 pessoas e o trajeto até a ilha demora pouco mais de 10 minutos. Ela contorna o litoral em vez de ir em linha reta, para evitar os recifes de arenito que cercam boa parte da ilha, e isso significa bater bastante nas ondas em alguns trechos. Não é nada perigoso, mas quem senta na frente sente muito mais o balanço do que quem senta atrás. Se você enjoa fácil em embarcação, prefira ficar mais para trás. Foi o que a gente fez na volta, depois de sentir na pele o quanto a frente sacode.
Uma coisa boa desse desembarque: a lancha para praticamente na areia, bem próximo da praia. Diferente de muitos passeios de catamarã na região, onde você precisa descer no raso e acaba se molhando quase inteiro com a mochila e tudo, aqui o desembarque é seco e tranquilo, tanto na ida quanto na volta.

A trilha até a Praia da Ferradura
Da praia principal, que não tem nome específico e é onde a lancha desembarca, sai uma trilha de cerca de 15 minutos até a Praia da Ferradura, no lado sul da ilha. O caminho passa por trecho de mata baixa e depois por pedra, sem sombra suficiente em boa parte do percurso, o que reforça a importância de ir com protetor solar e chinelo firme. É uma trilha curta e acessível mesmo para quem não está em forma física ideal, mas exige atenção onde pisa, principalmente nos trechos finais de rocha antes da descida para a praia.
O nome Ferradura vem do formato semicircular da enseada, que lembra mesmo uma ferradura de cavalo. É uma área protegida por rochedos, sem nenhuma estrutura montada ali, formando uma espécie de piscina natural: água calma, morna, transparente e esverdeada. Ótima para snorkel.

Praia da Ferradura: a piscina natural que vale a trilha
A entrada na água tem bastante pedra, então vale ir com cuidado e, se puder, com um chinelo que aguente molhar. A recomendação de quem organiza o passeio é ficar por volta de uma hora ali, mas na prática dá para negociar mais tempo se a próxima leva de visitantes ainda não estiver esperando a vez.
A água transparente e o fundo raso de pedra formam um cenário parecido com o das piscinas naturais mais famosas do litoral pernambucano e alagoano, mas com bem menos gente por causa da lotação diária controlada da ilha. Vimos cardumes pequenos circulando entre as pedras logo na entrada, o suficiente para valer a pena levar máscara de snorkel própria.

A vista panorâmica no ponto mais alto da trilha
A trilha mais famosa continua subindo pelas pedras até um ponto mais alto, de onde dá para ver uma vista panorâmica da ilha inteira. Vale o esforço extra depois do mergulho na Ferradura. Dali dá para ter noção real do tamanho da ilha e da distância até o continente, além de enxergar melhor os trechos de recife que cercam a costa e que explicam por que a lancha faz o caminho em curva na travessia.

Onde comer: o almoço na ilha
Pedimos uma isca de peixe, que vem com arroz, feijão tropeiro, uma saladinha e batata frita: o prato mais barato do cardápio, por R$ 84. A batata estava boa, o peixe bem temperado, sem espinha atrapalhando, e a porção deixou a gente satisfeito. Vale o preço para quem quer uma refeição completa sem sair da ilha.
Atualização 2026: esse mesmo prato ficou bem mais caro. Um relato publicado em dezembro de 2025 (Guia Melhores Destinos) cita R$ 165 pela isca de peixe, e um comentário recente no TripAdvisor (avaliação de 2026) descreve a comida da ilha como “R$ 160,00 a maioria”. Vale ir com esse valor de referência em mente, não mais o de R$ 84.
O cardápio funciona por QR Code, você consulta online e já deixa o pedido encaminhado. Isso é importante porque a comida fica pronta bem na hora em que você volta da trilha da Praia da Ferradura, sem fila de espera, se você pedir assim que chegar na ilha.

Um detalhe para não se surpreender na hora: o banho de ducha na ilha é pago à parte, R$ 5 por apenas 1 minuto de água. Se quiser tirar a areia e o sal antes de voltar para a lancha, já vá com esse valor calculado. (Não conseguimos confirmar em fontes de 2026 se esse valor da ducha mudou, então mantemos a referência de R$ 5 por 1 minuto até termos um relato mais recente.)
Quanto custa: investimento real do passeio
Somando o essencial, o passeio para duas pessoas ficou em torno de R$ 328: R$ 160 do acesso à ilha (R$ 80 por pessoa), R$ 84 do almoço mais barato do cardápio, R$ 10 de ducha (R$ 5 por pessoa) e mais o que se gasta com água e lanche extra na praia. Não é um passeio caro para o padrão do litoral pernambucano, mas vale já ir com esse valor de referência calculado, principalmente porque boa parte dos gastos dentro da ilha é em dinheiro.
Atualização 2026: refazendo essa conta com os valores atuais confirmados (travessia entre R$ 90 e R$ 100 por pessoa e almoço em torno de R$ 160 a R$ 165), o mesmo passeio para duas pessoas hoje sai por pelo menos R$ 520 a R$ 565, sem contar ducha e extras, um valor bem mais alto do que o que pagamos na época. Sobre taxa de preservação: não encontramos nenhuma cobrança oficial separada da ICMBio, da Prefeitura de Sirinhaém ou da CPRH para visitar a ilha — a página oficial da APA Costa dos Corais (ICMBio), que abrange a região, afirma não cobrar taxa de visitação. O que existe é só a cobrança privada das empresas de lancha.
| Item | Valor (referência à época, 2026) | Valor atualizado (verificado ago/2026) |
|---|---|---|
| Passeio completo (lancha + acesso à ilha) | R$ 80 por pessoa | R$ 90 a R$ 100 por pessoa (até R$ 110 em pacotes com mais estrutura) |
| Prato mais barato do cardápio (isca de peixe) | R$ 84 | R$ 160 a R$ 165 |
| Ducha (1 minuto) | R$ 5 por pessoa | não confirmado em fonte recente — mantido o valor histórico |
| Taxa de preservação/visitação oficial | não citada | não existe (ICMBio confirma isenção de taxa na APA Costa dos Corais) |
Quando ir: melhor época e horário de maré
O litoral sul de Pernambuco tem duas estações bem marcadas: uma mais seca, entre setembro e janeiro, e uma mais chuvosa, entre abril e julho. Pra um passeio de barco com trilha e snorkel como esse, a janela seca é a mais segura, com menos chance de a saída ser cancelada por mau tempo e mar mais calmo pra travessia de lancha.
A maré também faz diferença direta na experiência da Praia da Ferradura. Em maré baixa, a piscina natural fica mais rasa e mais fácil de andar, ótima pra quem tem criança ou não é tão confiante na água. Em maré alta, a água sobe bastante e cobre parte das pedras da entrada, o que deixa o acesso mais escorregadio. Vale perguntar pra operadora, no momento da reserva, qual vai ser a condição de maré no dia e horário do seu passeio.
O que levar para o passeio
Como não existe estrutura de loja ou farmácia na ilha, o que você não levar de casa, provavelmente vai ficar sem. Esta é a lista do que fez diferença de verdade no nosso dia:
- Protetor solar. Não tem sombra natural suficiente na praia principal nem na trilha até a Ferradura, e o sol do litoral pernambucano é forte mesmo em dia nublado.
- Chinelo que aguente molhar. A entrada na água da Ferradura tem bastante pedra, um chinelo de trilha ou sandália própria pra água ajuda bastante.
- Máscara de snorkel própria, se tiver. Nem sempre o equipamento de aluguel está disponível em quantidade suficiente pra todo mundo, principalmente em dia de maior movimento.
- Dinheiro em espécie. A ducha paga (R$ 5 por 1 minuto) e outros gastos pequenos na ilha nem sempre têm opção de cartão, é uma estrutura simples, sem muita infraestrutura de pagamento eletrônico.
- Câmera ou celular à prova d’água. A travessia de lancha bate bastante água em alguns trechos, e a Praia da Ferradura é um dos melhores cenários de foto de toda a viagem.
- Troca de roupa seca. Depois do banho de mar e da ducha rápida, uma muda seca faz diferença no caminho de volta de barco e depois de carro.
Vale a pena para criança e para quem tem mobilidade reduzida?
Para criança, o passeio funciona bem, principalmente pela Praia da Ferradura, com água calma e rasa em maré baixa, boa pra chapinhar sem susto. O ponto de atenção é a travessia de lancha, que balança bastante em alguns trechos, e a trilha até a Ferradura, curta mas com piso irregular, de pedra e terra batida, então criança pequena provavelmente vai precisar de colo em algum trecho.
Já para quem tem mobilidade reduzida, o passeio é mais desafiador. Não existe estrutura adaptada na ilha, o desembarque é direto na areia (o que, apesar de evitar molhar tudo, ainda exige caminhar em areia solta), e a trilha até a Ferradura tem trecho de subida em pedra. Vale considerar com calma antes de reservar, principalmente se a intenção for ir até o ponto mais alto da trilha, de onde dá pra ver a vista panorâmica da ilha.
Outras operadoras que fazem o mesmo trajeto
A Monteiro’s não é a única empresa autorizada a levar visitantes até a Ilha de Santo Aleixo. No dia do nosso passeio, reparamos grupos com pulseira de outra cor, identificados como clientes da Trânsito, outra operadora que faz a mesma travessia a partir da mesma base na Barra de Sirinhaém. Na prática, o roteiro do passeio (trilha, tempo de praia, estrutura de almoço) costuma ser bem parecido entre as operadoras, já que todas dependem da mesma estrutura natural da ilha. A diferença fica mais por conta de preço, horário de saída e atendimento no momento da reserva, então vale comparar antes de fechar, principalmente se você já tem um horário específico em mente para chegar entre os primeiros grupos do dia.
Nossas 3 dicas para aproveitar melhor a Ilha de Santo Aleixo
- Escolha seu lugar assim que chegar. Reserve logo um guarda-sol (identificado pela cor e pelo logo da empresa que você contratou, no nosso caso o verde da Monteiro’s) no melhor spot da praia principal, antes que a praia encha.
- Peça o almoço assim que chegar. O cardápio vem com QR Code, você consulta online e já deixa o pedido encaminhado. A comida fica pronta bem na hora em que você volta da trilha da Praia da Ferradura, sem fila de espera.
- Vá para a trilha da Ferradura logo cedo. Chegando com um dos primeiros grupos do dia (nós fomos o segundo a desembarcar), a trilha e a praia da Ferradura ainda estão praticamente vazias. Depois enche bastante, então quanto antes você for, melhor a experiência.
Erros que quase cometemos e aprendizados do dia
Nenhum passeio é perfeito, e o dia na Ilha de Santo Aleixo teve alguns pontos que valem virar aprendizado pra quem for depois da gente. As boas do dia:
- Ilha com história real, não só cenário bonito. Passado ligado às invasões coloniais e ao comércio de pau-brasil, algo raro de encontrar num passeio de um dia só.
- Praia da Ferradura é espetacular para snorkel. Água calma, transparente e protegida por rochedos, formando uma piscina natural.
- Desembarque direto na areia. Sem molhar tudo, diferente de outros passeios de barco da região.
- Trilha curta e acessível. Cerca de 15 minutos até a Ferradura, vale a pena mesmo para quem não é tão preparado fisicamente, e ainda leva a uma vista panorâmica no ponto mais alto.
- Organização por pulseira e senha funciona bem. O sistema de grupos evita bagunça no embarque, mesmo com bastante gente saindo ao mesmo tempo.
E o que a gente faria diferente, ou o que pega quem não está avisado:
- Lotação máxima diária. Reserve com antecedência de pelo menos um dia para não ficar sem vaga.
- Ducha paga à parte. R$ 5 por apenas 1 minuto de água pega mal quem não está avisado.
- Trecho de lancha pode balançar bastante. Principalmente na frente, desconfortável para quem enjoa fácil em embarcação pequena.
- Rota do GPS inconsistente. Waze e Google Maps davam trajetos diferentes até a base da empresa, vale checar os dois antes de sair.
- Sem sombra natural suficiente. Nem na praia principal, nem na trilha até a Ferradura. Reforce o protetor solar mais vezes do que faria em outros passeios de praia.
A vida na ilha hoje: pesca artesanal e uso controlado
Além da estrutura de turismo, a Ilha de Santo Aleixo mantém alguma atividade de pesca artesanal na região, comum em praticamente toda a faixa costeira do litoral sul de Pernambuco, onde comunidades de pescadores usam pequenas embarcações a remo ou motor para pescar em torno dos bancos de recife. É esse mesmo ecossistema de recife raso, com água morna e protegida, que favorece tanto a pesca de subsistência local quanto o snorkel que os visitantes fazem hoje na Praia da Ferradura, já que os recifes funcionam como abrigo natural para cardumes de peixes menores.
Sendo uma ilha particular com acesso controlado por lotação diária, a Santo Aleixo consegue manter um fluxo de visitantes bem menor do que destinos mais massificados do litoral nordestino, o que ajuda a preservar tanto a vegetação nativa quanto a qualidade da água em torno dos recifes. É um equilíbrio parecido com o de outras ilhas de acesso restrito no Brasil, onde o controle de entrada funciona, ao mesmo tempo, como estratégia de conservação e como justificativa para reservar o passeio com antecedência.
Santo Aleixo comparada a outras ilhas do litoral pernambucano
Vale contextualizar a Ilha de Santo Aleixo dentro do conjunto maior de ilhas do litoral pernambucano, porque nem todas seguem a mesma lógica de visitação. A mais conhecida da região é a Ilha de Itamaracá, ao norte de Recife, que é bem diferente: tem população fixa, município próprio e o Forte Orange, construído durante a ocupação holandesa de Pernambuco no século 17, um dos marcos históricos mais visitados do estado. Lá o acesso é por ponte, não por barco, e a estrutura turística é bem mais desenvolvida, com pousadas, restaurantes fixos e praias urbanizadas.
A Ilha de Santo Aleixo segue uma lógica oposta: é particular, sem população fixa, sem ponte de acesso e com entrada controlada por lotação diária das empresas autorizadas. Essa diferença de modelo é o que explica por que a experiência ali parece mais preservada e menos cheia do que em ilhas maiores e mais urbanizadas da região. Quem já visitou Itamaracá e depois vai a Santo Aleixo costuma notar esse contraste na hora: menos infraestrutura fixa, mas também menos gente e mais natureza intocada por metro quadrado de praia.
Essa diferença de acesso também explica por que o histórico colonial das duas ilhas, apesar de ligado ao mesmo período de disputa entre europeus pelo litoral pernambucano, deixou marcas tão diferentes: em Itamaracá sobrou uma fortificação de pedra que virou ponto turístico permanente, enquanto em Santo Aleixo o que sobrou foi só o relato histórico documentado, sem estrutura física visível da época, o que torna a visita mais sobre imaginar o passado no meio da paisagem natural do que sobre visitar uma ruína propriamente dita.
A Passagem Aérea Também Pesa Numa Viagem pelo Nordeste
Todo esse passeio até a Ilha de Santo Aleixo começa com uma passagem aérea até Recife ou Porto de Galinhas, e é aí que muita gente paga mais do que precisava. Um exemplo real: em julho de 2026 saiu um alerta de Fortaleza para Madrid por R$ 1.291,17 usando milhas aéreas compradas com desconto. O mesmo tipo de alerta sai toda semana também pra voos nacionais, como pra Pernambuco, a porta de entrada para quem quer conhecer o litoral sul e ilhas como Santo Aleixo.
Esse post faz parte da nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil. Veja também nosso roteiro completo de Porto de Galinhas, de onde partimos para esse passeio.
Perguntas frequentes
Como chegar na Ilha de Santo Aleixo?
O acesso é só de barco, saindo da Barra de Sirinhaém, a cerca de 40 minutos de carro de Porto de Galinhas ou uma hora e meia de Recife. É preciso comprar o passeio com pelo menos 1 dia de antecedência direto pelo site da empresa, devido à lotação máxima diária.
A Ilha de Santo Aleixo tem história real de piratas?
Sim. A ilha está associada à primeira invasão francesa no Brasil (1531) e a episódios com corsários holandeses no século 17, ligados à disputa pelo comércio de pau-brasil, com posterior controle português da região.
O que é a Praia da Ferradura?
Fica no lado sul da Ilha de Santo Aleixo, uma enseada protegida por rochedos com água calma e transparente, formato que lembra uma ferradura, ótima para snorkel.
Quanto custa o passeio completo para a Ilha de Santo Aleixo?
O passeio com a Monteiro’s, uma das empresas autorizadas, custava R$ 80 por pessoa na época da nossa visita. Atualização 2026: a travessia hoje gira entre R$ 90 e R$ 100 por pessoa (podendo chegar a R$ 110 em pacotes com mais estrutura). O almoço também subiu, de R$ 84 para uma faixa de R$ 160 a R$ 165. A ducha na ilha era cobrada R$ 5 por 1 minuto de água; não confirmamos se esse valor mudou em 2026. Não existe taxa de preservação oficial separada — a ICMBio confirma que não cobra taxa de visitação na área.
Qual a melhor época do ano para visitar a Ilha de Santo Aleixo?
A janela seca do litoral sul de Pernambuco, entre setembro e janeiro, costuma oferecer mar mais calmo para a travessia de lancha e menos risco de cancelamento por chuva. A maré baixa também deixa a Praia da Ferradura mais rasa e fácil de aproveitar.
O passeio para a Ilha de Santo Aleixo é indicado para criança?
Funciona bem, principalmente pela água calma e rasa da Praia da Ferradura em maré baixa. O ponto de atenção é a travessia de lancha, que balança em alguns trechos, e a trilha até a Ferradura, com piso irregular de pedra e terra batida.
Dá para dormir na Ilha de Santo Aleixo?
Não. A ilha não tem pousada nem estrutura de hospedagem, é um passeio de bate-volta feito em um único dia, com saída e retorno pela mesma base na Barra de Sirinhaém.
Por que a lancha não vai em linha reta até a ilha?
Porque a Ilha de Santo Aleixo é cercada por bancos de arenito de praia, formações rochosas rasas comuns em todo o litoral sul de Pernambuco e norte de Alagoas. O piloto contorna esses recifes para evitar encalhar ou danificar a embarcação.












