Em maio de 2015 a gente pegou um voo noturno de Brasília para Buenos Aires com as malas pesadas, o coração acelerado e quase nenhuma noção do quanto ia andar naqueles dez dias. Era a nossa lua de mel, a primeira etapa de uma viagem que ainda incluiria Bariloche, e Buenos Aires acabou virando muito mais do que “a cidade antes da Patagônia”. Foram dez dias reais de diário de viagem, escritos direto do quarto do hotel, com preço de cada prato, nome de cada restaurante, endereço de cada lugar e a opinião sincera sobre o que valeu a pena e o que não valeu nada. A gente reuniu tudo num guia só, organizado por bairro e por tema, para quem está planejando a própria ida a Buenos Aires agora.
Esse é o vídeo que a gente gravou no show de tango do Café Tortoni, um dos points mais tradicionais da cidade. Deu pra sentir um pouco do clima portenho só de assistir, e é exatamente esse tipo de experiência real que a gente quer te ajudar a organizar neste guia.
Resumo Rápido da Nossa Viagem
- Quando fomos: maio/junho de 2015, no outono/inverno argentino
- Duração: 10 dias no total, com Bariloche encaixada no meio (8 dias em Buenos Aires)
- Onde ficamos: Hotel 725 Continental, no Microcentro, perto da Calle Florida
- Câmbio na época x hoje: 3,62 pesos por real em 2015, contra 280 a 295 pesos por real em agosto de 2026
- Passeios mais caros: visita guiada ao Teatro Colón e show de tango no Café Tortoni
- Melhor achado barato: a padaria simples de Villa Crespo, com pães doces por poucos reais
- O imprevisto real: voo cancelado duas vezes e uma greve geral nacional pelo caminho
- Ideal para: quem tem de 4 a 10 dias disponíveis, viajando em casal ou em família
Neste Guia
- O contexto desta viagem
- Quantos dias ficar em Buenos Aires
- Como chegamos e onde ficamos
- Câmbio: como levamos dinheiro para a Argentina
- Roteiro por bairro e tema
- Onde comer em Buenos Aires
- Quanto custa Buenos Aires: nossos gastos reais
- O imprevisto: voo cancelado e greve geral
- Erros que cometemos e o que aprendemos
- Perguntas frequentes sobre Buenos Aires
Buenos Aires em Lua de Mel: o Contexto Desta Viagem
Fomos a Buenos Aires em maio e junho de 2015, no outono/inverno argentino, na primeira metade de uma lua de mel que depois seguiu para Bariloche. Chegamos de madrugada, exaustos de um voo pequeno da Aerolíneas Argentinas (só duas poltronas de cada lado do corredor) que saiu de Brasília à 1h55 e pousou às 5h45 no aeroporto de Ezeiza, o principal aeroporto internacional da cidade. No caminho aprendemos que “té” quer dizer chá em espanhol e que os comissários argentinos, pelo menos naquele voo, não foram lá muito educados.
Um aviso importante antes de continuar: todos os preços que aparecem neste guia são os que pagamos em pesos argentinos naquele mês de maio/junho de 2015. A Argentina passou por uma inflação enorme desde então, e a cotação do peso mudou completamente. Mantivemos os valores originais porque eles mostram a proporção real de gasto entre um passeio e outro, entre um restaurante e outro, mas não use esses números como referência de preço atual. Antes de viajar, pesquise os valores em vigor.
Atualização de agosto de 2026: conferimos direto nas fontes oficiais os preços de hoje dos passeios pagos mais centrais deste roteiro (Teatro Colón, MALBA, Jardim Japonês e show de tango do Café Tortoni) e colocamos o valor atual ao lado de cada preço de 2015 na lista de gastos mais abaixo, incluindo uma conversão aproximada para reais nos dois momentos, para você ter uma ideia real do que esperar na sua viagem.
Quantos Dias Ficar em Buenos Aires
Ficamos dez dias em Buenos Aires, contando a ida e a volta (a viagem para Bariloche ficou encaixada no meio, entre o oitavo e o nono dia da nossa lua de mel completa). Foi bastante tempo, e mesmo assim sentimos que dava para preencher cada dia com facilidade: Buenos Aires é uma cidade grande, plana e caminhável, com bairros muito diferentes entre si, do centro histórico a Palermo Soho, de Puerto Madero a San Telmo.
Se você tem menos tempo, quatro a cinco dias já cobrem o essencial: Microcentro com o Obelisco e o Teatro Colón, Puerto Madero, Plaza de Mayo, Recoleta e pelo menos um bairro de Palermo. Com seis a sete dias dá para incluir San Telmo no domingo (a feira só acontece nesse dia da semana), um city tour guiado e mais tempo de compras em Villa Crespo ou Palermo Soho. Nós, especificamente, tivemos dois dias extras “de presente” por causa de um voo cancelado no fim da viagem, o que valeu a pena contar aqui também, mais adiante.
Como Chegamos e Onde Ficamos
Chegamos de madrugada em Ezeiza, passamos pela imigração com tranquilidade (a Carol entendia tudo o que os agentes perguntavam, o que ajudou bastante) e pegamos as malas rápido. Um motorista particular nos levou até o hotel, e foi uma corrida e tanto: ele dirigia a mais de 120 km/h com luz alta e buzinando, se autodenominando “motorista da noite”, já que àquela hora não tinha trânsito nem radar nas ruas.
Ficamos hospedados no Hotel 725 Continental, no Microcentro, perto da Calle Florida. Chegamos vivos e desconfiados do motorista, fizemos o checkin sem problema e, com uma boa dose de cara de pau, pedi um upgrade. O atendente inicialmente só nos deu um early checkin gratuito, mas assim que chegamos ao quarto a recepção ligou oferecendo um quarto bem melhor, o 416. Foi um golpe de sorte que valeu o pedido.
Um detalhe real da logística de chegada: por causa do horário do voo, entramos no quarto de madrugada, tomamos banho e fomos dormir só para acordar mais tarde, quase perdendo o café da manhã do hotel (o horário ia até as 11h e acordamos às 10h30). E aí veio outra surpresa: como estávamos em regime de checkin antecipado sem custo, não tínhamos direito ao café naquele primeiro dia, só a partir do dia seguinte. Saímos “de fininho” para procurar comida na rua.
Câmbio: Como Levamos Dinheiro para a Argentina
Trocamos boa parte do dinheiro com um serviço de câmbio local, o Boston Cash, combinado por mensagem antes da viagem. No primeiro dia a cotação rendeu 3,62 pesos por real, e o processo de contagem das notas foi tranquilo, embora a gente tenha ficado receoso no início. Fomos orientados sobre como identificar notas falsas (todas vinham carimbadas) e aprendemos, na prática, a usar as notas de 100 pesos mais novas (com a imagem da Evita) em lugares específicos, como táxis e barracas de rua, onde notas antigas geram mais desconfiança.
Atualização de agosto de 2026: em meados de agosto de 2026, a cotação de mercado do peso argentino gira em torno de 280 a 295 pesos por real (fonte: Wise, Investing e XE, consultado em 14/08/2026), quase 80 vezes mais pesos pelo mesmo real do que em maio de 2015. É por isso que todo preço em pesos deste guia parece muito maior hoje mesmo quando o custo em reais não subiu tanto assim: a inflação argentina corroeu o peso, não o seu poder de compra em si. Ainda vale a dica: leve o câmbio pra conta digital em vez de combinar com serviço local por mensagem, que furava horário com a gente.
Em outro dia da viagem, o mesmo serviço de câmbio furou duas vezes o horário combinado, e simplesmente desistimos de tentar de novo naquele dia. A única vez que pagamos algo em reais foi no primeiro café da manhã de rua, na Tienda del Café, e saiu caro pelo câmbio direto em espécie. Fora isso, sempre usamos pesos trocados com antecedência.
O Câmbio Que a Gente Não Teve na Nossa Viagem 💸
Na nossa lua de mel, resolver o câmbio significou combinar horário com um serviço local por mensagem e torcer para ele não furar, o que aconteceu mais de uma vez. Hoje esse tipo de perrengue dá para evitar: a Wise permite transferir e pagar em pesos argentinos, reais, dólares ou euros direto do celular, com a cotação real do dia e sem o markup escondido que casas de câmbio de aeroporto costumam cobrar.
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Roteiro por Bairro e Tema em Buenos Aires
Em vez de contar dia a dia na ordem exata em que aconteceu (a nossa viagem teve idas e vindas entre bairros, com alguns lugares visitados mais de uma vez), organizamos o que fizemos por região da cidade, para funcionar como roteiro de verdade para quem for depois da gente.
Para você se situar antes de entrar no roteiro, aqui está a localização de Buenos Aires no mapa:
Microcentro: Obelisco, Teatro Colón e Avenida Corrientes
O Obelisco foi nosso ponto de referência o tempo inteiro: dá para vê-lo de quase qualquer lugar do centro, e usamos ele para nos situar sempre que ficávamos perdidos. Pertinho dali, tomamos nosso primeiro café da manhã portenho na Tienda del Café, com vista para o próprio Obelisco: um cappuccino com três croissants (aqui chamados de medialunas) e um suco de laranja. A fome era tanta que pedimos mais três… e só nos dias seguintes descobrimos que ia enjoar de tanto croissant.

Fomos ao Teatro Colón na expectativa de comprar ingresso para o ballet El Lago de los Cisnes, mas já estava esgotado havia mais de um mês. Como alternativa, compramos a visita guiada. Chovia lá fora, então almoçamos no café do próprio teatro (um sanduíche com jamón cru e um cappuccino, driblando um senhor insistente que queria vender um “frango esquisito”). A visita guiada em si teve uma explicação corrida demais para acompanhar bem, mas os ambientes internos, do chão ao teto, são impressionantes. Vale muito a pena mesmo sem falar espanhol fluente.
À noite, caminhamos pela movimentada Calle Corrientes, a avenida que “nunca dorme” e concentra boa parte dos 187 teatros da cidade, além de dezenas de livrarias e restaurantes tradicionais. Fechamos o primeiro dia jantando na Pizzaria Güerrin, ali mesmo na Corrientes, e foi surpreendente: nunca tínhamos comido uma pizza com massa tão grossa e leve ao mesmo tempo, coberta de muito queijo. Para ajudar na digestão, pedimos uma coca “chica”.

Ainda no Microcentro, andamos pela Calle Florida, uma das ruas de pedestres mais movimentadas da cidade, bem perto do nosso hotel. É um lugar animado, mas um pouco cansativo: assim que percebem que você é brasileiro, cambistas oferecem câmbio, passeios e shows de tango sem parar. Nosso truque era inventar uma língua qualquer na hora, só para descontrair e afastar a abordagem. Visitamos a Falabella (loja de utilidades domésticas e decoração) mais de uma vez, tanto para olhar quanto para comprar chás, alfajores e temperos típicos de presente. Também passamos pela Galerias Pacífico, de arquitetura bonita, mas com lojas caras demais para comprar qualquer coisa.
Puerto Madero e a Ponte da Mulher
Puerto Madero foi um dos nossos bairros favoritos da cidade: moderno, com prédios de vidro contrastando com o resto da Buenos Aires mais antiga, e cortado pelas águas do Rio de la Plata.

Conhecemos a Puente de la Mujer, a ponte pedestre projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, inspirada em um casal de dançarinos de tango: a estrutura se inclina como se fosse uma mulher se apoiando no parceiro, e o mecanismo que abre a ponte para os barcos passarem lembra um passo clássico do tango. O bairro homenageia mulheres importantes da história argentina não só na ponte, mas também nos nomes das ruas ao redor.

Entramos a bordo da Fragata Sarmiento, antigo navio-escola da Marinha argentina do final do século 19, hoje transformado em museu, e gastamos 50 centavos de peso para “não ver nada” num binóculo gigante ali (mas valeu conhecer a embarcação, que já rodou mais de 40 países). Comemos um sanduíche muito bom no Johnny B. Good, um point descolado com o teto da entrada coberto de guitarras: dividimos o lanche porque não estávamos com tanta fome, e achamos esquisito o acompanhamento de maionese com repolho. Voltamos ao Johnny B. Good em outro dia da viagem, já perto do fim, e pedimos exatamente o mesmo sanduíche de novo, de tão bom que era.
Plaza de Mayo e Casa Rosada
A Plaza de Mayo foi fundada por Juan de Garay, um dos fundadores da cidade, e reúne a Casa Rosada (originalmente um forte) e o Cabildo, antigo prédio administrativo colonial. Na nossa primeira passagem por lá, a praça estava tomada por estruturas montadas para a festa nacional de 25 de maio, então deixamos as fotos da fachada da Casa Rosada para outro dia.

Recoleta: El Ateneo e o Cemitério
Nossa primeira parada em Recoleta foi a livraria El Ateneo Grand Splendid, na Av. Santa Fe 1860, considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo por funcionar dentro de um antigo teatro reformado. Vale muito a visita mesmo sem comprar nada, só para ver a arquitetura por dentro.

Dali seguimos até o Cemitério da Recoleta, um lugar meio macabro, com túmulos tão próximos que dá para ver os caixões de perto. A imponência e o luxo de vários mausoléus refletem o auge econômico argentino do início do século 20, e aquele deve ser o metro quadrado mais caro da cidade (fizemos até a comparação, na época, com Brasília). Na nossa visita, em 2015, a entrada era livre para qualquer visitante. Aprendemos na prática que não vale a pena comprar o mapa vendido na entrada: as pessoas ficavam mais perdidas com ele do que sem. Simplesmente seguimos um casal que parecia saber o caminho até o túmulo mais procurado do cemitério, o de Eva Perón, e depois de ver corremos para a saída.
Atualização de agosto de 2026: desde abril de 2022 a prefeitura de Buenos Aires passou a cobrar ingresso de turistas estrangeiros para entrar no Cemitério da Recoleta (residentes argentinos continuam entrando de graça). Não conseguimos confirmar o valor exato vigente hoje numa fonte oficial primária durante esta checagem; fontes secundárias mencionam algo em torno de ARS 16.100 por pessoa, mas não é um número oficial, então confira o preço atualizado no site da prefeitura de Buenos Aires ou na bilheteria antes de ir.

Pertinho dali fica a entrada da Facultad de Derecho e a famosa Floralis Genérica, a flor metálica gigante cujas pétalas, segundo contam, deveriam se abrir e fechar de acordo com a hora do dia, embora o mecanismo já não funcionasse quando estivemos lá. Pegamos ela em plena reforma, e as fotos não ficaram tão boas quanto gostaríamos.
MALBA e a Arte Latino-Americana
No caminho até o MALBA (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires), em Palermo, paramos no shopping Buenos Aires Design, com fachada antiga e interior moderno, onde ficamos um tempão na loja Morph (parecida com uma Tok&Stok argentina cheia de peças de decoração diferentes). Almoçamos no Hard Rock Café local, que estava em reforma e definitivamente não tem a mesma estrutura das unidades americanas, mas o sanduíche estava ótimo, assim como o milkshake de dulce de leche.

O MALBA reúne mais de 220 obras, com destaque para artistas brasileiros como Tarsila do Amaral (com o Abaporu) e nomes como Hélio Oiticica, Wanda Pimentel, Antônio Dias, Nelson Leirner e Lygia Clark. Na época da nossa visita, o museu tinha uma exposição temporária chamada “Experiência Infinita”, bem estranha, mas interessante de ver. Depois do museu, para nos aquecer, tomamos um mocca na Starbucks antes de voltar de metrô para o hotel.
Um Seguro Viagem Que a Gente Não Levou tão a Sério na Época 🩺
Na nossa lua de mel, entre metrô lotado, caminhadas de mais de 11 km por dia e clima frio o tempo todo, qualquer imprevisto de saúde ou bagagem podia virar dor de cabeça longe de casa. Para qualquer viagem internacional, incluindo destinos próximos como a Argentina, vale contratar um seguro viagem antes de embarcar: cobre desde uma consulta médica de urgência até extravio de bagagem, sem depender só de sorte.
Villa Crespo: Jaquetas de Couro e uma Padaria Inesquecível
Fomos de metrô até Villa Crespo especificamente para comprar jaqueta e bolsa de couro (cuero), e caminhamos pela Calle Murillo, a rua principal de lojinhas de couro do bairro. O bairro em si é feio e vale andar de olho no chão, já que mais de 80% da população de Buenos Aires tem cachorro. Depois de experimentar algumas poucas opções, comprei uma jaqueta por 2.700 pesos.

Experimentamos uma empanada num boteco de estrada da região, e foi horrível, bem diferente do que esperávamos da famosa receita argentina. O outlet local também decepcionou: roupas comuns, poucas opções e preço praticamente igual ao do Brasil. A grande descoberta do dia foi uma padaria simples onde compramos seis pães doces por apenas 27 pesos (na época, cerca de R$7,45), o que tornou a visita a Villa Crespo válida só por isso.
Palermo Soho, Distrito Arcos e as Ruas Coloridas de Barracas
Um dos passeios mais bacanas que fizemos foi um city tour guiado no bairro de Barracas, com direito a van e fotógrafo profissional, contratado com o blog especializado Aires Buenos. Passamos pelo Edifício Otto Wulf, antiga sede da Embaixada Austro-Húngara inaugurada em 1914, e pelo Parque Lezama, onde a cidade foi fundada e que já foi um grande mercado de escravos. Vimos o Edifício Los Ingleses, onde moravam os britânicos que trabalhavam na ferrovia da Estación Constitución (hoje a maior estação de trem da cidade, com mais de 2 milhões de passageiros por dia), e caminhamos pela Calle Lanín, no bairro de Barracas, com casas coloridas pintadas desde o fim dos anos 90 pelo artista Marino Santa María.
Passamos também pelo Palácio de las Aguas Corrientes, um prédio com fachada de castelo que, na verdade, é uma estação de tratamento de água, e pelo Parque de la Memoria, inaugurado nos anos 2000 para homenagear as vítimas da ditadura argentina, de frente para o Rio de la Plata. O tour terminou com sorvete artesanal na Occo, em Palermo: pedimos um Nevado com Cheese Limón e um Super Sambayon com Occo de Dulce de Leche, e até hoje lembramos como o melhor helado da viagem inteira.

Depois do tour, ainda com tempo livre, andamos até o Mercado das Pulgas, no bairro de Colegiales (Av. Dorrego 1650), o principal ponto de antiguidades da cidade, aberto de terça a domingo. Para sermos sinceros, não gostamos: é um lugar cheio de poeira, especialmente ruim para quem tem alergia, e entramos e saímos rápido. Já o passeio pelo shopping Distrito Arcos e pela vizinhança de Palermo Soho valeu mais a pena, incluindo um outlet embaixo dos trilhos do trem, cheio de charme mas com preços nada convidativos.

Numa dessas caminhadas por Palermo Soho, paramos no Le Pain Quotidien, uma rede de café francesa na rua Armenia 1641, e pedimos um mocca, um café com gengibre, um muffin e um brownie. A comida em si não impressionou, mas a ambientação do lugar compensa bastante.
San Telmo: a Feira de Domingo
Domingo é dia de feira em San Telmo, e reservamos a manhã para isso. Descemos na estação San Juan (Linha C, azul) e caminhamos cerca de 15 minutos até a feira. Chegamos cedo, por volta das 9h, mas os argentinos começam a trabalhar tarde, então a montagem das barraquinhas ainda estava rolando quando subimos a rua.

Tiramos a foto clássica com a estátua da Mafalda, ouvimos uma banda tocando no meio da rua, compramos uma camiseta e alfajores “caseiros” em promoção (bem ruins, por sinal). Assim que a feira começou a encher de gente e o número de barraquinhas repetidas ficou grande demais, voltamos para a estação. A dica real aqui: vale ir logo cedo e sair antes do pico de movimento, que fica bem cansativo.
Parques de Palermo: Jardim Japonês e Rosedal
Aproveitando um dia de sol raro no meio de tanto frio, fomos aos parques de Palermo. O Jardim Japonês custou 50 pesos de entrada por pessoa, é pequeno (dá para percorrer em poucos minutos) mas muito charmoso e bem cuidado.

Depois procuramos o famoso Rosedal, mas o aplicativo de GPS offline que usávamos (o Here, que baixa mapas sem depender de internet e que só falhou uma vez em toda a viagem) nos levou primeiro ao Parque 3 de Febrero, sem nenhuma rosa à vista. Ainda assim valeu a caminhada: é um parque grande, com um lago no centro, cheio de gente correndo, lendo e passeando com cachorro, digno de cena de filme. No fim da tarde, sem mais energia para procurar o Rosedal de verdade, pegamos um táxi até Palermo Soho.
Só voltamos ao Rosedal de fato no último dia da viagem, já como um plano B depois de um imprevisto de voo que contamos mais adiante. A entrada é gratuita, no cruzamento da Av. Sarmiento com a Av. Figueroa Alcorta, e descemos na estação Plaza Italia (Linha D, verde) para caminhar duas quadras grandes até lá.

City Tours Guiados que Valeram a Pena
Fechamos dois tours pela cidade com o blog especializado Aires Buenos, comprados numa promoção de Black Friday: um tour noturno e um tour de sábado (o “lado B” descrito acima, em Barracas). O ponto de encontro do tour noturno foi a Passagem Enrique Discépolo, um pequeno beco com iluminação bacana que já foi caminho de bonde e leva o nome de um famoso compositor de tangos. Passamos pelo planetário nos Parques de Palermo (que na época estava sem boa iluminação), por Puerto Madero, pela Plaza de Mayo, pela Avenida de Mayo (com arquitetura francesa dos prédios inaugurada por volta de 1890) e pelo Edifício Barolo, que já foi o mais alto da América do Sul e é inteiramente decorado em homenagem à Divina Comédia de Dante (dividido em andares que representam inferno, purgatório e céu).
O tour noturno terminou no 21º andar de um prédio na Av. Corrientes 327, no restaurante Zirkel, com vista panorâmica da cidade. Ganhamos um quiz sobre o que tínhamos acabado de aprender no tour, e o prêmio virou presente para outra pessoa. Aproveitamos ainda 20% de desconto no jantar, oferecido como parte do pacote do tour.
Onde Comer em Buenos Aires: os Lugares que Testamos
Reunindo tudo o que provamos ao longo de dez dias, esses são os lugares que valem entrar no seu roteiro de restaurantes em Buenos Aires, com nossa avaliação sincera de cada um:
- Pizzaria Güerrin (Av. Corrientes): a melhor pizza que comemos na viagem inteira, massa grossa e leve ao mesmo tempo, com muito queijo. Recomendamos sem ressalva.
- La Rey: pizzaria dos mesmos donos da Güerrin, onde almoçamos no último dia antes de ir para o aeroporto. Manteve o mesmo padrão de qualidade.
- La Cabrera (Palermo Soho): bife de chorizo gigante com fritas e vários molhos, servido depois das entradas. O atendimento foi apertado no horário (o restaurante fecha o serviço às 20h e o garçom cobrou isso várias vezes), mas a comida valeu a correria.
- La Dorica (Palermo): bife de chorizo com batata doce frita, muito bom, mas com atendimento ruim e dificuldade para explicar que queríamos a carne “ao ponto”.
- Picnic (esquina da Calle Florida, perto do hotel): virou nosso point fixo na segunda metade da viagem, com pratos veganos e naturais. Voltamos lá pelo menos três vezes e sempre pedimos o mesmo combo, o Picnic nº 5.
- Johnny B. Good (Puerto Madero): sanduíches bons, ambiente descolado com o teto de guitarras na entrada. Repetimos o mesmo pedido em outra visita, de tão satisfeitos que ficamos da primeira vez.
- Café Tortoni: ótimo pelo show de tango, mas o churros estava ruim e bem diferente do que conhecemos no Brasil. O chocolate quente estava bom sozinho, mas não combinava com o churros para mergulhar.
- Le Pain Quotidien (Palermo Soho): café e doces medianos, mas a ambientação compensa a visita.
- Kentucky (Plaza Italia): pizza napolitana simples, opção rápida no meio de um dia de passeio.
- Havanna: fomos atrás do clássico cappuccino com borda de doce de leite que já tínhamos experimentado em São Paulo, mas não tinha na unidade que visitamos. O frappê que pedimos no lugar veio decepcionante, ralo e com gelo demais.

Um detalhe que aprendemos por experiência própria em Buenos Aires: quase todo restaurante cobra o “cubierto”, uma taxa de serviço de mesa por pessoa parecida com os 10% do Brasil, mas com valor variável de casa para casa. Vale conferir na conta antes de calcular a gorjeta extra.

Quanto Custa Buenos Aires: os Nossos Gastos Reais em 2015
Antes da lista, o aviso de novo, porque é importante: os valores abaixo são em pesos argentinos de maio/junho de 2015 e não refletem o câmbio ou os preços de hoje. A Argentina teve inflação muito alta nos anos seguintes. Use esses números só para comparar a proporção de gasto entre um item e outro dentro da nossa viagem, nunca como orçamento atual.
- Visita guiada ao Teatro Colón: $180 por pessoa em 2015 (na época, cerca de R$49,72), em agosto de 2026, o preço oficial é ARS 34.000 por pessoa (cerca de R$119 no câmbio de mercado atual), segundo o site oficial do Teatro Colón
- Restaurante do Teatro Colón: $92 no total (cappuccino $37, sanduíche de jamón cru $55)
- Pizzaria Güerrin: $151 no total (coca $36, pizza de muçarela chica $115)
- Almoço no Johnny B. Good: $232 no total (2 cocas $35, smoked barbecue burger $133, cubierto $29)
- Show de tango no Café Tortoni: $480 no total em 2015 ($240 por pessoa), em agosto de 2026, só o ingresso do show (sem jantar) está por volta de ARS 55.000 por pessoa (cerca de R$193), segundo fontes que citam a bilheteria oficial da Sensaciones de Tango no Tortoni; não achamos confirmação oficial de um pacote com jantar
- Ingressos do MALBA: $60 por pessoa em 2015, em agosto de 2026, o ingresso geral custa ARS 12.000 por pessoa (cerca de R$42) de segunda, quinta, sexta, sábado e domingo, e cai para ARS 6.000 (cerca de R$21) às quartas-feiras, segundo o site oficial do MALBA
- Hard Rock Café: $215 no total (burger $140, milkshake de doce de leite $75)
- Starbucks (mocca): $45
- Jaqueta de couro em Villa Crespo: 2.700 pesos
- Seis pães doces na padaria de Villa Crespo: 27 pesos (cerca de R$7,45)
- La Dorica: $259 no total (bife de chorizo, batata doce frita e coca)
- Le Pain Quotidien: $148 no total (moka belga, café cardamomo, muffin e brownie de framboesa)
- Jardim Japonês: $50 por pessoa em 2015, em agosto de 2026, o ingresso para não residentes é ARS 24.000 por pessoa (cerca de R$84); residentes argentinos pagam ARS 8.000, segundo o site oficial do Jardín Japonés
- La Cabrera: $243,60 no total (bife de chorizo médio, papas fritas e coca)
- Kentucky: $154 no total (pizza napolitana e água com gás)
- Boulangerie Cocu: $100 no total (dois pães au chocolat, chocolate quente, cookie de baunilha)
- Almoço no Picnic: $58 a $94 por combo, dependendo do prato escolhido
- Frappê de chocolate na Havanna: $54
- Caixa de 6 Alfajores Jorgito no Carrefour: 43 pesos (compramos três caixas de presente para levar para Brasília)
Vale notar que a hospedagem guiada (Teatro Colón) e o show de tango do Tortoni foram, disparados, os passeios pagos mais caros do orçamento, o que faz sentido pela experiência cultural entregue. Já a comida de rua e os restaurantes informais, como o Picnic e a padaria de Villa Crespo, foram, de longe, o melhor custo-benefício da viagem inteira.
A Passagem Foi o Item Mais Caro da Nossa Viagem Inteira 🎈
Um exemplo real: em julho de 2026 saiu um alerta de Fortaleza (FOR) para Madrid (MAD) por R$ 1.291,17 na ida, em classe econômica. A conta saiu tão baixa porque usamos milhas aéreas compradas com desconto numa promoção, em vez de pagar em dinheiro. É esse tipo de oportunidade calculada, pronta pra reservar, que chega toda semana pra destinos como a Argentina e pra dezenas de outras rotas.
O Imprevisto: Voo Cancelado e Greve Geral
No oitavo dia da nossa lua de mel em Buenos Aires, arrumamos as malas cheios de expectativa para seguir para Bariloche, a etapa de descanso da viagem depois de dias caminhando mais de 11 km por dia pela capital argentina. Fomos ao Aeroparque, o aeroporto doméstico da cidade, com bem menos estrutura do que o Ezeiza, mas muito mais perto do centro (chegamos em 15 minutos de lá). Ao chegar, veio a notícia: nosso voo tinha sido cancelado. Segundo a Aerolíneas Argentinas, quem deveria ter cadastrado nosso celular e e-mail para receber o alerta de cancelamento era a própria agência de viagem, a CVC, e isso não tinha sido feito. Ficamos esperando algumas horas no aeroporto sem alternativa.
Voltamos a Buenos Aires alguns dias depois, já no fim da lua de mel, e o imprevisto se repetiu: o voo de volta de Bariloche para Buenos Aires também foi cancelado, bem na véspera de uma greve geral marcada para todo o país em 9 de junho de 2015. Adiantamos as passagens e conseguimos, de última hora, uma vaga no Hotel Colón, em frente ao Obelisco, com ajuda de contatos do Túlio, do blog Aires Buenos, que nos passou dicas pelo WhatsApp.
No dia da greve em si, a diferença na cidade foi imediata assim que saímos do hotel: lojas com portas de metal abaixadas, bancas de jornal vazias, o movimento de gente que a gente já tinha se acostumado a ver na Avenida de Mayo e ao redor do Obelisco simplesmente não estava lá. Sem transporte público funcionando direito por causa da paralisação, seguimos a pé, aproveitando que Buenos Aires é uma cidade muito plana, sem ladeira, o que facilita andar bastante sem perceber a distância.

Caminhamos até o Congresso Nacional, a uns 15-20 minutos a pé do Obelisco pela Avenida de Mayo, e conseguimos apreciar o prédio com calma, sem gente passando na frente o tempo todo, algo que não costuma ser fácil num ponto turístico normalmente movimentado. Perto do Obelisco, a coisa era diferente: havia manifestações e passeatas rolando, parte do clima geral da greve, e preferimos manter distância, sem saber como aquilo ia se desenrolar.
No almoço, voltamos ao Picnic, que já tinha virado nosso point fixo, e repetimos os mesmos sanduíches de sempre (90 pesos cada). À tarde, fomos de novo ao Johnny B. Good, em Puerto Madero, e comemos exatamente o mesmo prato de outra visita. No caminho, paramos numa loja do Carrefour e compramos Alfajor Jorgito (43 pesos a caixa com seis unidades), tão bons que levamos três caixas de presente para Brasília.
No fim das contas, não ficamos chateados com o voo cancelado que nos obrigou a passar mais tempo em Buenos Aires. Foi chato na hora, mas virou um “ganho” de dois dias extras na capital, que aproveitamos ao máximo mesmo com um deles caindo bem no meio de uma greve geral nacional.
Erros que Cometemos e o Que Aprendemos
Nenhuma lua de mel sai perfeita, e a nossa teve vários tropeços que valem virar aprendizado para quem for a Buenos Aires depois da gente:
- Confiar que a agência avisaria sobre cancelamento de voo: a CVC não cadastrou nosso contato junto à Aerolíneas Argentinas, e só descobrimos o cancelamento do voo doméstico ao chegar no Aeroparque. Hoje, o ideal é confirmar diretamente com a companhia aérea, no aplicativo ou no site, na véspera do voo, mesmo tendo comprado por agência.
- Comprar o mapa na entrada do Cemitério da Recoleta: percebemos que as pessoas que tinham o mapa ficavam mais perdidas do que as que não tinham. Melhor seguir um grupo de guia ou simplesmente andar sem pressa.
- Ir a Villa Crespo esperando um bom outlet de roupas: os preços eram praticamente iguais aos do Brasil, sem vantagem real. A descoberta boa do bairro acabou sendo uma padaria simples, não as lojas de roupa.
- Não confirmar o cardápio ou preço antes de pedir em restaurantes turísticos: em mais de um lugar (Le Pain Quotidien, Havanna) a comida ficou aquém do esperado pelo preço. Os melhores achados de comida foram, na maioria das vezes, lugares mais simples e menos badalados, como o Picnic e a padaria de Villa Crespo.
- Deixar o Rosedal para o fim sem querer: por causa de um erro de aplicativo de GPS, só encontramos o Rosedal de verdade no último dia da viagem, quando um imprevisto de voo abriu espaço extra na agenda. Se você quer garantir a visita, marque o endereço exato (Av. Sarmiento com Av. Figueroa Alcorta) desde o início do roteiro.
- Ignorar o risco de greve geral no planejamento: não tínhamos como prever a greve, mas o fato de ela ter coincidido com o cancelamento do nosso voo de volta reforça a importância de sempre ter uma margem de um ou dois dias de folga no fim da viagem, antes de compromissos que não podem atrasar.
Perguntas Frequentes sobre Buenos Aires
Quantos dias são ideais para conhecer Buenos Aires?
Na nossa experiência, quatro a cinco dias cobrem o essencial da cidade: Microcentro, Teatro Colón, Puerto Madero, Plaza de Mayo e Recoleta. Com seis a sete dias dá para incluir San Telmo no domingo, um city tour guiado e mais tempo de compras em bairros como Villa Crespo e Palermo Soho. Nós ficamos dez dias ao todo, incluindo dois dias extras causados por um voo cancelado.
Vale a pena fazer city tours guiados em Buenos Aires?
Sim. Fizemos dois tours com o blog Aires Buenos (um noturno e um de sábado, batizado de “lado B”) e ambos valeram muito a pena, principalmente por levarem a lugares que não estariam no radar de um roteiro só por conta própria, como o Edifício Barolo e as ruas coloridas de Barracas.
Vale conhecer a série completa de posts que a gente escreveu em tempo real durante essa viagem em 2015, dia a dia, com fotos e vídeos, direto do blog.
É seguro andar de metrô em Buenos Aires?
Na nossa experiência, sim. O subte (como é chamado o metrô local) é o mais antigo do Hemisfério Sul, inaugurado em 1913, é bem quente e com cheiro forte, mas os trajetos são rápidos e baratos, e os mapas nas estações somados a um aplicativo de GPS offline nos ajudaram a andar pela cidade sem perder o rumo quase nunca.
Qual a melhor forma de trocar dinheiro para pesos argentinos?
Usamos um serviço local de câmbio combinado por mensagem antes da viagem, o que funcionou na maior parte das vezes, mas furou o compromisso mais de uma vez. Vale ter sempre uma alternativa de reserva, como uma conta digital internacional, para não ficar refém de um único combinado.
O que levar de roupa para Buenos Aires no outono/inverno?
Estivemos lá em maio e junho, e o frio foi constante, com chuva em vários dias. Recomendamos roupa em camadas, casaco resistente ao vento e calçado confortável para caminhar bastante, já que Buenos Aires é uma cidade plana e muito boa de se explorar a pé.
Quer Viver a Sua Própria Lua de Mel em Buenos Aires? ✈️
Se depois de ler tudo isso você ficou com vontade de conhecer Buenos Aires (ou de evitar os mesmos perrengues que a gente teve com voo cancelado e agência de viagem), a equipe da Agência DIA23 pode montar sua viagem internacional do zero: passagem aérea, hospedagem e os passeios certos para o seu roteiro, com quem já viveu na prática cada detalhe descrito aqui.











