Marechal Deodoro

Praia do Francês e Quadriciclo na Praia do Gunga

Depois de conhecer o Farol da Ponta Verde ainda cedinho em Maceió, seguimos pro sul da capital alagoana pra conhecer a Praia do Francês, em Marechal Deodoro, e fazer nosso primeiro passeio de quadriciclo até as falésias da Praia do Gunga. Reúno aqui o roteiro completo desse dia, incluindo a história por trás dos nomes das duas praias, quanto gastamos, e o que eu faria diferente numa próxima visita.

Farol da Ponta Verde

Começamos o dia no Farol da Ponta Verde, bem cedinho, aproveitando o lugar vazio. O farol ainda acende à noite, mas hoje funciona muito mais como ponto turístico do que como equipamento de navegação essencial: com a tecnologia atual embarcada nos navios, ele deixou de ser indispensável pra sinalizar a costa. Com a maré baixa, dá pra caminhar até o farol e ver pescadores locais praticando a pesca de curral com redes, uma técnica tradicional que ainda resiste na capital alagoana. Um alerta de segurança: a região tem bastante ouriço e pedra, vá de chinelo (se você não consegue ver o chão embaixo d’água, não entre) e preste atenção na maré, porque ela sobe rápido e pode te pegar de surpresa no caminho de volta.

Cena do nosso video no Farol da Ponta Verde em Maceio com a mare baixa
Cena do nosso video no Farol da Ponta Verde, com a mare baixa revelando a estrutura de pesca de curral ao fundo.

Ali pertinho, em outra visita à região, também fizemos um passeio de caiaque transparente que vale a pena, tem vídeo separado aqui no canal pra quem quiser conferir. O bairro de Ponta Verde é um dos mais bem localizados de Maceió pra quem quer ficar hospedado perto da orla urbana, com calçadão largo, ciclovia e vários restaurantes e bares a poucos passos da areia. É diferente do clima de praia isolada que a gente encontrou no resto do dia, mas serve bem como ponto de partida, principalmente se você está hospedado ali mesmo e quer aproveitar o sol nascendo sem precisar pegar carro cedo.

Se você tiver tempo, vale reservar uma manhã inteira só pro Farol da Ponta Verde e a orla ao redor, sem pressa pra seguir viagem. A gente preferiu adiantar porque tinha o dia cheio pela frente: Praia do Francês de manhã, Praia do Gunga à tarde, e ainda queríamos voltar pro hotel antes de escurecer.

Praia do Francês e a origem do nome

A Praia do Francês fica no município de Marechal Deodoro, uma homenagem a Manuel Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil, nascido ali em 5 de agosto de 1827. A cidade foi, de fato, a primeira capital de Alagoas, entre 1817 e 1839, quando ainda se chamava Cidade das Alagoas, e só recebeu o nome atual em 1939. O centro histórico de Marechal Deodoro, que a gente não teve tempo de visitar nessa passagem, guarda igrejas e casarões coloniais que valem uma parada separada pra quem gosta de história, principalmente o Convento de São Francisco e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, dois dos edifícios religiosos mais antigos do estado.

Sobre a origem do nome da praia: a versão mais consistente entre as fontes é que o lugar serviu de porto de apoio para franceses envolvidos no contrabando de pau-brasil durante o período colonial, quando o comércio dessa madeira já era monopólio português, até que os portugueses expulsaram os franceses da região. O nome teria evoluído de “Porto dos Franceses” para “Praia dos Franceses” e, por fim, “Praia do Francês”. Existem versões alternativas circulando por aí (piratas franceses, um antigo leprosário), mas essa ligação com o contrabando de pau-brasil é a mais sustentada.

Chegamos por volta das 10h, sol forte, água cristalina. A praia forma uma piscina natural grande, de água parada e cristalina, parecida com a de Muro Alto, ideal pra mergulho leve e passeio de jangada, com um pouco mais de onda mais pra frente, na direção esquerda de quem chega, point de aula de surfe. A areia é branquinha e fininha, diferente da região de São Miguel dos Milagres, que é mais acinzentada, e tem bastante coqueiral ao redor. A estrutura em volta é bem completa, com restaurantes e hotéis, calçadão de pedra portuguesa e boa iluminação noturna, dá pra curtir o dia na praia e voltar à noite pra jantar por ali. Uma dica prática: preste atenção nas cores do meio-fio na hora de estacionar. Descobrimos isso na saída, quando um funcionário estava pintando de amarelo justamente o trecho onde a gente tinha parado o carro, com dois guardas municipais por perto: meio-fio branco permite estacionar, amarelo ou laranja não. Quando a gente chegou, alguém indicou o lugar mas não avisou dessa regra, quase levamos multa por não saber.

Cena do nosso video mostrando a piscina natural da Praia do Frances vista de cima
Cena do nosso video mostrando a piscina natural de agua calma e cristalina da Praia do Frances, com o vilarejo ao fundo.

A Praia do Francês é boa pra crianças?

Achamos que sim, principalmente pela piscina natural de água calma logo na entrada. Dá pra ficar de olho nas crianças com tranquilidade, sem correnteza forte e sem onda grande, ao contrário do trecho mais à esquerda da praia, esse sim mais indicado pra quem já sabe nadar bem ou quer surfar. A estrutura de restaurantes e banheiros também ajuda bastante quando se viaja em família, porque não precisa depender só do que está na bolsa de praia. Vale reforçar o alerta de sempre: mesmo com água calma, oriente as crianças a não se afastarem, porque o movimento de barcos e jangadas também passa por ali em alguns horários.

Praia do Gunga: falésias e passeio de quadriciclo

Da Praia do Francês até a Praia do Gunga, o trajeto de carro leva de 10 a 15 minutos, com paisagem bonita no caminho (saindo direto de Maceió, o trajeto sobe pra cerca de 50 minutos). A Praia do Gunga fica no município de Roteiro, cerca de 40 km de Maceió, e é famosa pelas falésias coloridas e pelos coqueirais. O acesso à estrutura principal é dentro de uma área privada, com um pequeno trecho de estrada de terra até chegar, estacionamento pago (R$ 20 na nossa visita) e boa infraestrutura de barracas, restaurantes, banheiro e ducha, boa opção pra quem viaja em família.

Existe também a opção de chegar à Praia do Gunga de barco ou lancha, saindo direto de Maceió ou da Lagoa Manguaba, um passeio que costuma ser vendido em combo com outros pontos turísticos da capital. A gente preferiu ir de carro justamente pra ter liberdade de horário e não depender de passeio fechado, mas se você não tiver carro alugado, vale pesquisar essa opção com agências locais ou direto na sua pousada.

Essa área mais estruturada da Praia do Gunga é bem popular pra quem gosta de som alto, banana boat e passeio de lancha em grupo, com direito a carro de som e imagens de drone dos passeios. Se você busca algo mais tranquilo, vale ir mais pro lado direito da praia, quase deserta, com vários coqueiros e sem quase ninguém (o acesso ali é mais cansativo, com trecho de areia fofa ou inclinação grande, mas compensa pela tranquilidade). Foi ali que decidimos almoçar, no restaurante Caju, sem som ao vivo, mas com atendimento lento (demorou bastante até o suco chegar); pedimos uma carne de sol com macaxeira frita, purê e queijo que rendeu bem pra 2 pessoas, e uma chuva passou bem na hora do nosso almoço. Gostamos da comida, mas achamos o preço (R$ 98) alto pela simplicidade do prato, achamos que deveria vir mais elaborado pra esse valor.

O passeio de quadriciclo até as falésias custou R$ 120 pra 1 ou 2 pessoas (o modelo é compartilhado, um vai dirigindo e o outro na garupa). Foi minha primeira vez dirigindo um quadriciclo, e gostei bastante, mas quem vai na garupa balança bastante e sente cada buraco do caminho, principalmente nos trechos de areia mais fofa: desconfortável. Vimos até pais levando crianças abaixo de 6 anos entre eles no quadriciclo. Na compra do ticket você assina um termo de responsabilidade sobre a condução, mal explicado e sem tempo real pra ler com calma. O guia funciona no esquema “siga o líder”: ele vai na frente, você segue atrás, e não dá nenhuma explicação sobre o trajeto ou a região, nem confirma detalhes como se você ainda está na Praia do Gunga ou já saiu dela. Vale saber disso antes pra não esperar uma experiência guiada de verdade.

Apesar do atendimento fraco (na compra do ticket, no estacionamento e durante o próprio passeio, tudo meio robotizado, sem atenção real ao turista), a experiência de ver as falésias de perto valeu a pena de verdade. O cenário muda bastante ao longo do trajeto: começa com trilha de terra em meio a coqueirais, depois abre pra uma paisagem que mais parece cenário de filme, com falésias em formatos irregulares de um lado e o mar do outro. A melhor parte fica pro final do passeio, na segunda parada entre as falésias, com o mar batendo forte nas pedras. Único detalhe que ficou faltando: não levamos o drone, só a GoPro, e a vista de cima ali teria sido incrível.

Cena do nosso video do passeio de quadriciclo entre as falesias da Praia do Gunga
Cena do nosso video durante o passeio de quadriciclo, com as falesias coloridas da Praia do Gunga ao fundo.

Vale a pena ir de buggy em vez de quadriciclo?

Não fizemos o passeio de buggy nessa visita, mas conversamos com outros turistas que fizeram e vale registrar a diferença. O buggy costuma levar mais gente por veículo (geralmente 4 passageiros mais o motorista), é mais estável em trecho de areia fofa e não exige que o próprio turista dirija, o que resolve o desconforto de quem vai na garupa do quadriciclo. Em compensação, é uma experiência mais passiva: você não tem a sensação de estar no controle do passeio, que é justamente o que atrai muita gente pro quadriciclo. Se você viaja em grupo grande ou com criança pequena, o buggy tende a ser mais prático. Se você quer a adrenalina de dirigir na areia, o quadriciclo compensa, mesmo com o desconforto da garupa.

Quadriciclo x buggy: qual escolher

CritérioQuadricicloBuggy
Quem dirigeO próprio turistaMotorista local
Capacidade1 a 2 pessoas por veículoGeralmente até 4 passageiros
Conforto na areia fofaBaixo pra quem vai na garupaMais estável
Sensação de aventuraAlta, você controla o percursoMais passiva
Indicado paraCasais ou duplas que curtem dirigirFamílias e grupos maiores

Como chegar em Praia do Francês e Praia do Gunga saindo de Maceió

Pra quem está hospedado na orla de Maceió (Ponta Verde, Jatiúca ou Pajuçara), o jeito mais prático de fazer esse roteiro é de carro alugado, já que o transporte público na região não cobre bem o trecho até a Praia do Gunga. Levamos cerca de 40 minutos de Ponta Verde até a Praia do Francês, e mais uns 15 minutos até a Praia do Gunga, sempre pela rodovia AL-101 Sul.

Se você não vai alugar carro, dá pra contratar um passeio de van ou buggy saindo de Maceió, que costuma incluir Praia do Francês, Praia do Gunga e às vezes também a Lagoa Manguaba no mesmo roteiro. É mais caro por pessoa do que fazer por conta própria, mas resolve a logística inteira, incluindo o transporte até o estacionamento privado da Praia do Gunga.

TrajetoDistância aproximadaTempo de carro
Maceió (orla) → Praia do Francês~25 km~40 minutos
Praia do Francês → Praia do Gunga~15 km10 a 15 minutos
Maceió (orla) → Praia do Gunga (direto)~40 km~50 minutos

Melhor horário e época pra visitar

Chegar cedo faz diferença nas duas praias. Na Praia do Francês, o sol fica muito forte a partir do meio-dia e a praia enche bastante nos finais de semana e feriados. Na Praia do Gunga, o trecho mais estruturado também costuma lotar no meio do dia, com barco chegando direto de Maceió trazendo mais gente. Se o seu foco é o passeio de quadriciclo até as falésias, vale reservar pra primeira metade da tarde, quando o sol já não bate tão de frente e a luz fica mais bonita pra foto na última parada do passeio.

Sobre época do ano, Alagoas tem clima quente o ano inteiro, com temporada de chuva concentrada entre maio e agosto (o chamado “inverno” nordestino). Fomos num período de menos chuva e mesmo assim pegamos um aguaceiro rápido durante o almoço na Praia do Gunga, então leve sempre uma capa de chuva leve ou guarda-sol reforçado, independente do mês escolhido.

As boas

  • Praia do Francês com piscina natural tranquila. Boa opção pra mergulho leve e jangada.
  • Falésias da Praia do Gunga impressionam de verdade. Paisagem única na região, parece cenário de filme.
  • Lado mais reservado da Praia do Gunga vale o esforço. Tranquilidade rara perto de Maceió.
  • Estrutura completa na Praia do Francês. Restaurantes, hotéis e calçadão bem cuidado.
  • Farol da Ponta Verde é um ótimo aquecimento pro dia. Fica dentro da própria orla de Maceió, sem precisar de deslocamento longo.

O que não foi tão bom

  • Atendimento fraco na Praia do Gunga. Do estacionamento ao guia do quadriciclo, pouca atenção ao turista.
  • Guia do quadriciclo não explica nada. Esquema “siga o líder”, sem contexto sobre o passeio, termo de responsabilidade mal explicado.
  • Preço alto no restaurante Caju pela simplicidade do prato. R$ 98 por uma refeição básica, com atendimento lento.
  • Sinalização de estacionamento confusa na Praia do Francês. Fácil levar multa sem querer.
  • Garupa do quadriciclo é desconfortável. Sente cada buraco do trajeto, principalmente na areia fofa.

Investimentos

ItemValor (referência à época)
Estacionamento na estrutura da Praia do GungaR$ 20
Passeio de quadriciclo (1-2 pessoas)R$ 120
Carne de sol com acompanhamentos (para 2 pessoas)R$ 98

Vai explorar as praias de Maceió e região?

A gente manda alerta de passagem e hotel todo dia na Comunidade VMM.

Esse post faz parte da nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil. Veja também nosso roteiro completo de Maceió e proximidades, que reúne outras praias da capital alagoana.

Perguntas frequentes

De onde vem o nome Praia do Francês?

A versão mais aceita é que a praia serviu de apoio para franceses envolvidos no contrabando de pau-brasil durante o período colonial, evoluindo de “Porto dos Franceses” para o nome atual, até os portugueses expulsarem os franceses da região.

Onde fica a Praia do Gunga?

Fica no município de Roteiro (AL), cerca de 40 km de Maceió, famosa pelas falésias coloridas e pelos passeios de quadriciclo e buggy.

Por que o município se chama Marechal Deodoro?

Em homenagem a Manuel Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil, nascido na cidade em 1827. O município foi a primeira capital de Alagoas (1817-1839) e só recebeu o nome atual em 1939.

Quanto custa o passeio de quadriciclo na Praia do Gunga?

Na nossa visita, o passeio de quadriciclo até as falésias custou R$ 120 para 1 ou 2 pessoas, no modelo compartilhado, em que uma pessoa dirige e a outra vai na garupa.

Dá pra visitar Praia do Francês e Praia do Gunga no mesmo dia?

Dá, e foi exatamente o que fizemos. O trajeto entre as duas praias leva só de 10 a 15 minutos de carro, então é possível conhecer a Praia do Francês pela manhã e chegar na Praia do Gunga a tempo do almoço e do passeio de quadriciclo à tarde.

Melhor levar carro alugado pra esse roteiro?

Recomendamos sim. O transporte público não cobre bem o trecho até a Praia do Gunga, e ter carro dá liberdade de horário pra aproveitar o lado mais tranquilo das praias antes que encham. Quem não quer alugar carro pode contratar passeio de van saindo de Maceió.

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