Vista aerea de drone da Praia do Marceneiro mostrando a faixa de areia branca, o coqueiral denso na borda e o mar em tons de verde e azul
Passo de Camaragibe

Praia do Marceneiro: a Melhor Praia da Região

Depois de visitar mais de 25 praias em 23 dias de road trip, a Praia do Marceneiro foi a nossa escolhida como a mais bonita de toda a região de São Miguel dos Milagres, Passo de Camaragibe e Porto de Pedras. Tecnicamente ela já fica no município de Passo de Camaragibe, embora muita gente (e até alguns comércios locais) confundam e digam que faz parte de São Miguel dos Milagres, geograficamente, não é o caso. Chegamos até lá depois do check-out da Pousada Amendoeira, nossa penúltima hospedagem da viagem. Reúno aqui a praia e a Pousada Quadrado de Charme, onde ficamos hospedados, além de tudo que aprendemos sobre a região no caminho.

Rota Ecológica dos Milagres

Toda essa região faz parte do que os locais chamam de Rota Ecológica dos Milagres, pousadas e restaurantes da área mantêm uma espécie de comunidade colaborativa pra manter tudo organizado, limpo e preservado, distribuindo inclusive mapas gratuitos da rota, entregues de graça em várias pousadas. A sequência de praias, de Japaratinga até Passo de Camaragibe, passa por Porto de Pedras (farol, Praia do Patacho, Praia de Lages), a divisa do Rio Tatuamunha (projeto do peixe-boi-marinho), Praia Porto da Rua, Praia do Toque, Praia de São Miguel dos Milagres, Praia do Riacho e, por fim, Praia do Marceneiro, a última antes de seguir rumo a Maceió.

No caminho entre uma hospedagem e outra, passamos por Porto de Pedras e paramos numa construção histórica de 1915, rosa com detalhes verdes, cercada de outras casas centenárias coloridas, um ponto clássico de foto na região. Aproveitamos também pra parar num mercado local e comprar uns engradados de água, uma dica prática pra quem está de road trip: sai bem mais barato do que comprar água engarrafada nas pousadas ao longo dos próximos dias.

Uma coisa que reparamos ao longo de toda a Rota Ecológica dos Milagres é o quanto o turismo ali ainda é de pequena escala, se comparado a Maceió ou até a Porto de Galinhas, em Pernambuco. Não tem prédio alto, não tem rede de hotel internacional, quase tudo é pousada pequena, de família, com no máximo 20 ou 30 quartos. Isso muda o ritmo do lugar inteiro: mais silêncio, mais espaço vazio na areia, e um comércio local que ainda depende de conhecer o hóspede pelo nome.

Mirante do Cruzeiro

No caminho, vale parar no Mirante do Cruzeiro, em São Miguel dos Milagres, pra nós, o mirante mais bonito de toda a rota, mesmo sendo um dos mais baixos que visitamos. Vista de coqueirais de um lado e o mar em tons de verde e azul do outro, com acesso fácil, quase todo asfaltado (só um trecho final de paralelepípedo). A subida até o mirante é por um caminho mais estreito e mais puxado, mas a descida é por outro lado, bem mais suave. Um detalhe que reparamos ao longo de toda essa região: as estradas de Alagoas, tanto em São Miguel dos Milagres quanto em Porto de Pedras, estavam em condição bem melhor, sem buracos e bem sinalizadas, do que boa parte do que rodamos em Pernambuco.

O nome do mirante vem da cruz de madeira erguida no ponto mais alto do acesso, um marco visual que serve também de referência pra quem está dirigindo pela primeira vez por ali, já que a sinalização de estrada na região ainda é escassa em alguns trechos entre povoados. Se você estiver de carro alugado, vale baixar o mapa da região offline no celular antes de sair, a internet cai com frequência entre uma vila e outra.

Praia do Marceneiro: a nossa favorita

O nome da praia, segundo moradores locais, vem de um marceneiro que ficou famoso na região por seu trabalho de artesão, deu nome ao povoado e, depois, à praia. Mesmo perguntando na própria pousada, ninguém soube confirmar detalhes além disso, parece que a origem exata já se perdeu um pouco no tempo. É a praia mais vazia e tranquila que visitamos em toda a viagem: fomos num sábado à tarde e praticamente não tinha ninguém. Forma uma faixa de areia branca com coqueiros, água quentinha e transparente (mesmo com maré mais alta, dá pra ver o fundo claramente). A região também é conhecida pelo Réveillon dos Milagres, um evento badalado que impulsionou bastante o turismo na área nos últimos 4 ou 5 anos.

Homem com bracos erguidos na Praia do Marceneiro ao entardecer, de costas para o coqueiral, comemorando a chegada na praia
A Praia do Marceneiro ao entardecer, silenciosa e quase deserta mesmo num sábado de baixa temporada.

Uma boa forma de explorar é de bicicleta (muitas pousadas emprestam gratuitamente, inclusive a nossa, embora as bikes precisassem de manutenção, o freio da minha não estava funcionando direito e faltava marcha), ande na maré baixa, quando a faixa de areia fica maior, e programe a volta a favor do vento pra render mais energia (fizemos ao contrário numa saída e sentimos a diferença no cansaço). Vale conhecer também a Capela dos Milagres, bem na entrada da Praia do Marceneiro, famosa por sediar casamentos na região, embora, mais uma vez, ninguém tenha sabido nos confirmar a origem exata do nome da capela.

Duas bicicletas turquesa emprestadas pela pousada estacionadas na areia da Praia do Marceneiro com a Capela dos Milagres ao fundo
As bicicletas emprestadas pela pousada, com a Capela dos Milagres ao fundo, na entrada da praia.

Quando ir: maré, estação e movimento

A Praia do Marceneiro rende mais na maré baixa, quando a faixa de areia se abre bem mais larga e formam pequenas piscinas naturais rasas, boas para criança pequena tomar banho com segurança. Vale consultar a tábua de maré do dia antes de sair da pousada, muitas delas têm o horário afixado na recepção ou no mural de avisos. Fomos num sábado de baixa temporada e a praia estava praticamente vazia, mas vale saber que o cenário muda bastante em época de Réveillon dos Milagres e no início de janeiro, quando o evento atrai visitante de várias partes do país e a região inteira fica mais movimentada, com preço de hospedagem mais alto e reserva antecipada praticamente obrigatória.

Vista aerea de drone da faixa de recife e das piscinas naturais rasas formadas na mare baixa em frente a Praia do Marceneiro
Vista aerea da faixa de recife e das piscinas naturais que se formam em frente a praia quando a mare baixa.

Fora desse período de pico, a região segue o ritmo de baixa densidade turística, o que na nossa experiência foi um dos maiores diferenciais frente a outras praias mais famosas do litoral nordestino que visitamos na mesma viagem. Se sossego é prioridade no seu roteiro, evite fim de dezembro e início de janeiro, e prefira os meses entre fevereiro e novembro para sentir o lugar como ele realmente é no dia a dia.

O que levar e cuidados práticos

  • Protetor solar e chapéu. A região tem pouca sombra natural na faixa de areia mais afastada dos coqueirais, e o sol do litoral alagoano é forte mesmo em dia nublado.
  • Água e lanche. Não tem barraca de praia estruturada como em praia urbana, o comércio mais próximo fica na vila, alguns minutos de caminhada ou pedalada.
  • Calçado para caminhar sobre recife. Em maré baixa, algumas áreas expõem pedra e recife raso, um sapato de neoprene ou sandália firme evita corte no pé.
  • Dinheiro em espécie. Comércio pequeno da vila nem sempre aceita cartão, principalmente em banca de coco ou vendedor ambulante.

Como chegar até a Praia do Marceneiro

A forma mais prática é de carro alugado, seguindo a AL-101 Norte, que liga toda a sequência de povoados da Rota Ecológica dos Milagres. Partindo de Maceió, a distância até a região gira em torno de 90 a 100 km, o que costuma levar entre 1h30 e 2 horas de carro, dependendo do trânsito na saída da capital e das paradas no caminho. Partindo do lado de Pernambuco, vindo de Porto de Galinhas ou Recife, o trajeto é mais longo, mas segue a mesma lógica de ir descendo litoral afora, passando por Maragogi antes de chegar em Japaratinga e seguir até Passo de Camaragibe.

Não recomendamos depender só de transporte público ou aplicativo pra esse trecho, a região é de povoado pequeno, com pouca oferta de motorista de aplicativo circulando, e os ônibus intermunicipais não cobrem bem os pontos exatos das praias. Carro alugado, mesmo que seja só pelos dias de deslocamento entre pousadas, dá muito mais liberdade pra parar nos mirantes e vilarejos do caminho sem depender de horário fixo.

Onde ficamos: Pousada Quadrado de Charme

A Pousada Quadrado de Charme fica a 5 minutos a pé da Praia do Marceneiro, relativamente nova na região (reabriu há pouco tempo e ainda tinha parte da reforma em andamento na nossa visita), com área externa muito bonita: duas piscinas (uma principal grande, de cimento queimado, e outra menor), muitas árvores (manga e amendoeira) e vários cantos com rede e poltrona. Uma dica prática: peça quarto na área “Coco Verde”, os da área “Pescadores” são bem menores, mal cabendo mala grande aberta, apesar de terem cama king-size.

Piscina principal de cimento queimado da Pousada Quadrado de Charme cercada de gramado e coqueiros na area externa
A piscina principal de cimento queimado da Pousada Quadrado de Charme, cercada de gramado e coqueiros.

O quarto que ficamos tinha cama queen, decoração em cimento queimado com toques rústicos, piso frio, TV pequena (32 polegadas) e frigobar já abastecido. O ar-condicionado gela bem, mas faz bastante barulho à noite, vale saber antes se você é sensível a ruído pra dormir. O banheiro também é em cimento queimado, com amenities da L’Occitane, mas o box, como em outras pousadas da região, não tem porta completa, então a água escorre um pouco pro chão do banheiro.

Precisamos ser honestos aqui: entre as 8 hospedagens que já tínhamos feito na road trip até esse ponto, essa foi a que teve o pior atendimento na recepção, sem boas-vindas explicando o funcionamento da pousada, café da manhã e passeios, e sem interfone no quarto pra pedidos (tudo via WhatsApp). O restaurante também estava com decoração desleixada e mal organizado no dia que passamos por lá.

Por outro lado, o café da manhã à la carte foi ótimo: fruta fresca, tapioca personalizada, pão na chapa, ovos, omelete e bolos diferentes todos os dias (provamos um de cenoura com chocolate muito bom), só começa relativamente tarde, às 8h, mais tarde que a maioria das pousadas da nossa viagem. Já o cardápio do almoço/jantar é simples e um pouco caro pelo que oferece, comparado a outras pousadas da região com preço parecido mas comida mais elaborada.

Prato do jantar da Pousada Quadrado de Charme com carne ao molho, mandioca frita e arroz servido em mesa rustica
Um dos pratos do jantar servido no restaurante da pousada, com carne ao molho, mandioca frita e arroz.

Outras pousadas na região, se você quiser comparar

A Rota Ecológica dos Milagres tem opções de hospedagem em toda faixa de preço, mas a maioria segue o mesmo padrão de pousada pequena e charmosa, sem rede internacional grande na região. Já contamos nossa experiência completa na Pousada Amendoeira, na Praia do Toque, hospedagem anterior a essa na nossa road trip, que teve atendimento bem mais caloroso do que a Quadrado de Charme, um contraste que vale considerar se atendimento pesar mais que estrutura na sua decisão.

Se seu roteiro tiver mais dias disponíveis na região, vale intercalar entre duas ou três pousadas de povoados diferentes ao longo da rota, em vez de ficar hospedado num único lugar e fazer bate-volta todos os dias. Isso permite explorar cada trecho da Rota Ecológica dos Milagres com mais calma, sem gastar tempo excessivo de carro repetindo o mesmo trajeto.

Na nossa road trip de 23 dias, dividimos a região entre três hospedagens diferentes, cada uma perto de um trecho específico da rota, e isso rendeu muito mais do que se tivéssemos ficado parados num único ponto tentando cobrir tudo em bate-volta diário. O tempo de carro entre povoados vizinhos é curto, geralmente entre 10 e 20 minutos, então trocar de base não atrapalha o ritmo do roteiro.

O que fazer além da praia

Além do banho de mar e do pedal de bicicleta, a região oferece passeio de jangada até as piscinas naturais mais afastadas da costa, geralmente contratado direto na vila com pescador local, sem necessidade de reserva antecipada fora de época de Réveillon. O passeio costuma sair pela manhã, quando a maré está mais baixa, e dura entre 1 e 2 horas, dependendo do roteiro combinado com o barqueiro.

Para quem gosta de caminhada, o trajeto a pé entre a Praia do Marceneiro e a Praia do Riacho, a vizinha mais próxima, é uma boa opção de passeio de fim de tarde, com o sol mais ameno e a maré geralmente baixa nesse horário na maior parte do ano. Vale calçado fechado leve para esse trecho, já que parte do caminho passa por pedra e raiz de coqueiral.

As boas

  • Praia do Marceneiro é a mais bonita e tranquila da região. A nossa favorita entre mais de 25 praias visitadas na viagem.
  • Bicicletas gratuitas na pousada. Boa forma de explorar a praia e a região, mesmo precisando de manutenção.
  • Café da manhã à la carte muito bom. Bolo diferente todos os dias.
  • Área externa da pousada muito bonita. Duas piscinas e bastante arborização.
  • Estradas de Alagoas em bom estado. Sem buracos e bem sinalizadas, melhor do que trechos de Pernambuco na nossa experiência.
  • Baixa densidade turística fora do Réveillon. Praia praticamente vazia mesmo num sábado à tarde.

O que não foi tão bom

  • Pior atendimento de recepção da viagem. Sem boas-vindas nem explicação do funcionamento da pousada.
  • Café da manhã começa tarde (8h). Atrasa quem quer aproveitar a praia cedo.
  • Cardápio de almoço/jantar simples pelo preço cobrado. Comida mais básica que em outras pousadas da região.
  • Ar-condicionado barulhento à noite. Pode incomodar quem tem sono leve.
  • Bicicletas precisando de manutenção. Freio e marcha não funcionavam direito na que peguei.
  • Comércio local limitado. Pouca opção de restaurante e loja fora da própria pousada, principalmente à noite.

Vai planejar sua próxima parada no litoral norte de Alagoas?

A gente manda alerta de hotel e promoção todo dia na Comunidade VMM.

Esse post faz parte da nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil. Veja também o roteiro completo de São Miguel dos Milagres e o post da Pousada Amendoeira, onde ficamos antes de chegar na Praia do Marceneiro.

Perguntas frequentes

A Praia do Marceneiro fica em São Miguel dos Milagres?

Não exatamente, geograficamente, a Praia do Marceneiro fica no município de Passo de Camaragibe, embora seja praticamente colada com São Miguel dos Milagres, o que gera confusão comum entre visitantes e até alguns comércios locais.

Vale a pena ficar na Pousada Quadrado de Charme?

A estrutura externa e o café da manhã são ótimos, mas o atendimento na recepção deixou a desejar na nossa visita. Vale a pena principalmente pela localização, a 5 minutos a pé da Praia do Marceneiro.

De onde vem o nome Praia do Marceneiro?

Segundo moradores locais, o nome vem de um marceneiro (artesão) que ficou famoso na região, dando nome ao povoado e, depois, à própria praia. Não encontramos detalhes mais precisos sobre quem era essa pessoa.

Como chegar até a Praia do Marceneiro?

De carro, pela AL-101 Norte, a cerca de 90 a 100 km de Maceió, entre 1h30 e 2 horas de trajeto. Não recomendamos depender de transporte público ou aplicativo, já que a oferta é limitada nos povoados da região.

Qual a melhor época para visitar a Praia do Marceneiro?

Fora do período de Réveillon dos Milagres (final de dezembro a início de janeiro), quando a região fica bem mais cheia e cara. Entre fevereiro e novembro, o movimento é baixo mesmo em fim de semana.

A Praia do Marceneiro tem piscina natural?

Na maré baixa, formam-se pequenas piscinas naturais rasas, boas até para criança pequena, além de trechos de recife exposto onde vale usar calçado de proteção para caminhar com segurança.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também vai gostar desses posts