Fachada gotica da prefeitura de Bruxelas na Grand Place com o campanario ao centro
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O Que Fazer em Bruxelas: Roteiro Completo

De Paris seguimos para Bruxelas de trem-bala, uma experiência nova para a família inteira. Esse guia reúne como comprar a passagem de trem, onde ficamos hospedados (literalmente dentro da estação) e o roteiro completo pela capital da União Europeia, além de dicas práticas de transporte, preços atualizados e sugestões pra quem tiver mais tempo de cidade do que a gente teve.

Como fomos: trem Thalys, 1h30 em vez de 3h40 de carro

Pesquisamos primeiro no Google Maps: de carro, o trajeto Paris-Bruxelas leva cerca de 3h40; de trem-bala Thalys (que hoje faz parte do grupo Eurostar), pouco mais de 1h30. Comprando com antecedência no site oficial (thalys.com), pagamos 76 euros por adulto na categoria Comfort, totalizando 228 euros para 3 pessoas. É essencial escolher a estação de embarque mais perto de onde você está hospedado: saímos da estação Paris-Nord, a 24 minutos de transfer do nosso hotel, bem mais rápido do que se tivéssemos que ir até o aeroporto Charles de Gaulle para pegar outro trem de lá.

Selecionamos a configuração “quarteto” de assentos (4 lugares de frente um para o outro) e conseguimos ficar os 3 juntos, com um assento vago do lado. O trem tem bastante espaço para malas, mesinhas individuais e vista livre da paisagem, já que o trajeto passa majoritariamente por cima, com poucos túneis.

Se você não estiver vindo de Paris, dá pra chegar em Bruxelas de outras formas. Quem desembarca direto no Aeroporto de Bruxelas (Zaventem, o principal da cidade) encontra a estação de trem dentro do próprio terminal, no piso abaixo do saguão de desembarque. Saem cerca de seis trens por hora rumo à estação central, um trajeto de aproximadamente 20 minutos, com passagem em torno de 11 euros por trecho (crianças até 12 anos costumam viajar de graça, respeitando um limite de acompanhantes por adulto pagante). Vale sempre confirmar valor e horário atualizados no site da companhia ferroviária belga (SNCB) antes da viagem. Existe também o aeroporto de Charleroi, mais distante do centro e usado principalmente por companhias low-cost, que exige ônibus ou transfer de cerca de uma hora até a cidade.

Onde ficamos hospedados: Hotel Pullman, dentro da estação

Ficamos no Pullman Brussels Centre Midi, um hotel da rede ALL Accor com acesso literalmente por dentro da estação de trem Bruxelas-Midi. Conseguimos upgrade de quarto pelo status Gold, e por sermos hóspedes desse status, ganhamos 4 welcome drinks de cortesia. Contamos os detalhes completos em Hotel Pullman Brussels Centre Midi: Vale a Pena?.

Bruxelas em poucas palavras: a capital que também é sede da União Europeia

Bruxelas é ao mesmo tempo a capital da Bélgica e a capital de facto da União Europeia, sede da Comissão Europeia, do Conselho da União Europeia e de boa parte do Parlamento Europeu. Essa dupla identidade explica o clima curioso da cidade: de um lado o centro histórico medieval, cheio de fachadas góticas e ruazinhas de paralelepípedo; do outro, o bairro europeu, moderno e corporativo, cheio de bandeiras azuis com estrelas. A cidade também é oficialmente bilíngue, com placas em francês e neerlandês (flamengo), o que às vezes confunde quem está visitando pela primeira vez.

Grand Place: uma das praças mais bonitas do mundo

A Grand Place é considerada uma das praças mais bonitas do mundo por reunir um conjunto arquitetônico raro, com fachadas em estilo gótico, barroco e clássico lado a lado. A praça foi quase totalmente destruída no bombardeio de 1695 e reconstruída pelas guildas comerciais da época, o que explica a riqueza de detalhes em cada prédio. Por essa preservação excepcional, foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1998. Vale reservar bastante tempo só para admirar os detalhes de cada fachada, e à noite a praça fica ainda mais bonita, com movimento de restaurantes ao redor.

Um detalhe que ajuda a entender a praça: cada uma das casas ao redor pertencia a uma guilda diferente (padeiros, cervejeiros, arqueiros, e assim por diante), e os nomes e símbolos de cada ofício ainda aparecem esculpidos nas fachadas douradas. O prédio mais alto da praça é a Prefeitura (Hôtel de Ville), com uma torre gótica de mais de 90 metros, e do lado oposto fica a Maison du Roi (Casa do Rei), que hoje abriga o Museu da Cidade de Bruxelas. Se sobrar tempo na viagem, dezembro é a época em que a Grand Place fica ainda mais especial: a cidade monta o mercado de Natal Winter Wonders, com uma árvore gigante na praça e um show de luz e som projetado nas fachadas históricas todas as noites.

Pai segurando o bebe no colo com a fachada historica da Grand Place de Bruxelas ao fundo
Pai e filho na Grand Place, cercados pelas fachadas douradas das guildas comerciais.

Perto da Grand Place: Manneken Pis, o símbolo travesso da cidade

A poucos minutos a pé da Grand Place fica outro cartão-postal de Bruxelas, o Manneken Pis, uma pequena estátua de bronze de apenas 55 centímetros que representa um menino fazendo xixi. Existem várias lendas sobre a origem da estátua, a mais famosa conta que o menino teria salvado a cidade de um incêndio provocado por pólvora inimiga durante um cerco. A estátua de bronze que existe hoje é de 1619, obra do escultor Jérôme Duquesnoy, o Velho, mas registros indicam que já havia uma fonte pública no local desde 1388. Com o tempo, virou tradição vestir o Manneken Pis com trajes diferentes em datas especiais, e o acervo de roupinhas (mais de mil, já reunidas ao longo dos séculos) pode ser visto no Museu da Cidade de Bruxelas. Vale incluir essa parada rápida em qualquer roteiro a pé pelo centro histórico.

Parque de Bruxelas e as bandeiras da União Europeia

Caminhamos pelo Parque de Bruxelas, com a mesma areia clara do Jardim de Luxemburgo em Paris (boa para brincar, ruim para roupa escura). É comum ver as bandeiras azuis com estrelas da União Europeia espalhadas pela região, já que Bruxelas é a capital de facto do bloco.

Familia agachada posando em frente a um lago com chafariz em um parque de Bruxelas
Uma pausa em família num dos parques de Bruxelas, com o chafariz e a grama ao fundo.

Para quem tem mais tempo: bairro europeu e Parlamento Europeu

A gente não chegou a visitar por dentro, mas vale registrar pra quem tiver um dia a mais na cidade: perto do Parque do Cinquentenário fica o bairro onde funcionam os prédios e escritórios da União Europeia em Bruxelas, incluindo o Parlamento Europeu. Dentro do complexo existe o Parlamentarium, o centro de visitantes voltado ao público, com entrada gratuita e uma experiência interativa sobre a história e o funcionamento da política europeia. É uma opção interessante pra quem gosta de história e política e quer entender melhor por que Bruxelas concentra tanto poder de decisão dentro da Europa.

Chocolate belga: Leonidas e a rua das compras

Provamos nosso primeiro chocolate belga na Leonidas, chocolataria com mais de 100 anos de história (o nome vem do rei espartano Leônidas, dos “300”). Também exploramos a rua de compras da cidade, cheia de lojas como Zara, H&M e Primark, bem parecida com a 25 de Março em São Paulo.

A Bélgica é um dos países mais tradicionais do mundo em produção de chocolate, com uma cadeia de chocolatarias artesanais espalhadas por toda Bruxelas, além da Leonidas: nomes como Neuhaus, Godiva e Pierre Marcolini também têm lojas históricas no centro e valem a visita pra quem gosta de comparar sabores e técnicas. Quem quiser se aprofundar no assunto encontra o Museu do Chocolate (Choco-Story Brussels), que conta a história do cacau na Europa e costuma incluir degustação e demonstração de fabricação artesanal no ingresso. Outro programa clássico da cidade, que a gente não chegou a fazer, é visitar uma das cervejarias tradicionais belgas ou o museu dedicado à cerveja na própria Grand Place, já que o país tem uma cultura cervejeira reconhecida pela UNESCO como patrimônio imaterial da humanidade.

Rudi caminhando com mochila pelo centro historico de Bruxelas com jardins e predios ao fundo
Explorando a pé o centro histórico de Bruxelas, entre jardins e prédios centenários.

Outras atrações pra quem tiver mais dias na cidade

A gente não visitou os pontos abaixo nessa passagem, mas eles aparecem com frequência entre os mais recomendados de Bruxelas e valem a pena pra quem for ficar mais dias:

  • Atomium. Estrutura icônica em forma de átomo gigante, construída para a Exposição Universal de 1958, com mirante e exposições dentro das esferas. O ingresso costuma variar de acordo com a categoria (inteira, meia-entrada para crianças, estudantes e idosos), e crianças bem pequenas normalmente entram de graça. Funciona todos os dias, geralmente das 10h às 18h, com a última entrada meia hora antes do fechamento; vale checar o site oficial antes de ir, já que preço e horário podem mudar.
  • Museu do Quadrinho Belga (Comic Strip Center). A Bélgica é o berço de personagens como Tintim e os Smurfs, e esse museu conta a história da chamada “nona arte” no país, com ingresso pago e funcionamento diário.
  • Mont des Arts. Mirante e jardim formal no centro da cidade, com uma das vistas mais bonitas sobre os telhados de Bruxelas e a torre da Prefeitura ao fundo, ótimo pra fotos ao entardecer.
  • Museu da Cerveja Belga. Localizado na própria Grand Place, conta a história da produção cervejeira do país e costuma incluir degustação no ingresso.

Onde comemos em Bruxelas

Provamos os famosos mexilhões (moules) num restaurante perto da Grand Place, com porções generosas o suficiente para dividir entre 2 pessoas, acompanhados de batatas fritas bem gostosas. O waffle (ou gaufre) belga, comprado numa barraquinha de rua, veio quentinho, com bastante chocolate por dentro, uma delícia imperdível.

Vale saber que existem dois tipos clássicos de waffle belga: o de Bruxelas, mais retangular, leve e crocante por fora, tradicionalmente servido puro ou com açúcar de confeiteiro; e o de Liège, mais denso, doce e com pedaços de açúcar caramelizado na massa, geralmente vendido em barraquinhas de rua já pronto pra comer andando. A gente experimentou o estilo de rua, mas os dois valem a comparação pra quem gosta de doce. Batata frita também é levada a sério no país, considerada por muitos belgas como uma invenção local (e não francesa), servida em cones de papel com uma variedade grande de molhos.

Panela de mexilhoes moules com porcao de batata frita e molho servidos em restaurante de Bruxelas
Os famosos mexilhões (moules) acompanhados de batata frita, um clássico da culinária belga.

Metrô e tram: compre e guarde o ticket

Compramos os tickets do transporte público na própria estação, a 2,50 euros cada, e reparamos que não existe validação obrigatória em catraca no tram: o sistema confia que você já pagou. Ainda assim, guarde o ticket, porque fiscalizações podem pedir o comprovante.

O transporte público de Bruxelas é operado pela STIB-MIVB, que administra metrô, pré-metrô, trams de superfície e ônibus, todos cobertos pelo mesmo bilhete dentro do período de validade. Além da passagem avulsa, existem passes de 24 horas e de 72 horas, que costumam compensar pra quem vai se deslocar bastante dentro da cidade em poucos dias, e é possível pagar também por aproximação com cartão de crédito, débito ou celular, com teto diário automático. As passagens podem ser compradas em máquinas automáticas nas estações, em quiosques ou pelo aplicativo oficial da STIB. Como os valores mudam com frequência, o ideal é sempre confirmar o preço vigente no site oficial da STIB antes da viagem.

Bate-volta a partir de Bruxelas: Bruges e Gante

A gente não fez esse programa nessa passagem, mas é uma das dicas mais repetidas por quem já visitou a região, então vale registrar pra quem estiver planejando a viagem. Bruxelas fica a uma distância curta de trem de duas cidades medievais muito bonitas: Bruges, com canais, casario histórico preservado e clima de conto de fadas, fica a cerca de 1h20 de trem da capital; e Gante, mais autêntica e menos tomada por turistas, fica a pouco mais de meia hora, com trens frequentes saindo a cada 15 ou 20 minutos. Dá pra fazer as duas no mesmo dia, saindo cedo de Bruxelas, aproveitando a manhã em Gante e a tarde e a noite em Bruges (ou o caminho inverso), já que existe também ligação direta de trem entre as duas cidades em pouco mais de meia hora. Vale sempre comparar preços e horários no site da companhia ferroviária belga antes de fechar o roteiro do dia.

Quando ir a Bruxelas

Bruxelas tem clima temperado, com verões amenos (boa época pra caminhar bastante pela cidade sem calor excessivo) e invernos frios e frequentemente chuvosos. Quem gosta de clima ameno e dias mais longos costuma preferir os meses de primavera e verão (de maio a setembro). Já quem quer viver a atmosfera natalina, com o mercado de Natal Winter Wonders tomando conta da Grand Place e das praças vizinhas, deve mirar o período entre o fim de novembro e a primeira semana de janeiro, de preferência no início de dezembro, quando as decorações ainda estão novas e o movimento costuma ser menor do que perto do Natal.

As boas dessa passagem por Bruxelas

  • Trem-bala mais rápido que ir de carro. 1h30 contra 3h40, com muito mais conforto.
  • Hotel dentro da própria estação. Praticidade máxima para quem viaja de trem.
  • Grand Place é um espetáculo à parte. Patrimônio Mundial da UNESCO, vale horas só admirando.
  • Chocolate e waffle belgas superam as expectativas. Ambos imperdíveis.

O que não foi tão bom

  • Sistema de transporte confuso para quem não fala a língua local. Difícil se virar sem perguntar às pessoas.
  • Turistas incomodam vendedores de rua ao filmar. Evite filmar dentro de lojas na rua de compras.

Investimentos dessa passagem por Bruxelas

ItemValor
Trem Thalys Paris → Bruxelas (3 adultos, Comfort)228 euros
Ticket de tram/metrô (cada)2,50 euros
Chocolates Leonidas (3 unidades)~5 euros

Como referência pra quem estiver montando o orçamento da viagem, vale somar também eventuais ingressos de atrações pagas (Atomium, museus), o transporte do aeroporto até o centro (em torno de 11 euros por trecho no trem, se chegar por Zaventem) e, se fizer o bate-volta, a passagem de trem até Bruges e/ou Gante. Sempre confira os valores atualizados nos sites oficiais antes de fechar o orçamento, já que preços de ingressos e passagens de trem mudam com frequência.

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Essa etapa fez parte de uma viagem maior por Paris e Amsterdã. Veja o custo completo da viagem em Quanto Custa Viajar para a Europa.

Perguntas frequentes

Vale a pena ir de trem de Paris para Bruxelas?

Vale muito. O trajeto de trem-bala Thalys leva cerca de 1h30, bem mais rápido do que ir de carro (3h40), com mais conforto e sem o estresse de dirigir.

Por que a Grand Place de Bruxelas é Patrimônio Mundial da UNESCO?

Pela preservação excepcional do conjunto arquitetônico, reconstruído pelas guildas comerciais depois do bombardeio de 1695, misturando estilos gótico, barroco e clássico. Foi declarada Patrimônio Mundial em 1998.

Quantos dias vale a pena ficar em Bruxelas?

Dois dias já dão pra conhecer bem o centro histórico, a Grand Place, o Manneken Pis e experimentar a comida local. Se você quiser incluir o bate-volta a Bruges e/ou Gante, ou visitar com calma museus e o bairro europeu, vale reservar três a quatro dias na cidade.

Quanto custa viajar para Bruxelas?

Varia bastante conforme a época e o padrão de hospedagem escolhido, mas o transporte público sai barato (bilhete avulso em torno de 2,50 a 2,60 euros, com passes de 24h e 72h disponíveis) e a comida de rua, como waffle e batata frita, é acessível. O maior custo costuma ser hospedagem e ingressos de atrações pagas como o Atomium. Sempre pesquise os preços atualizados antes de fechar o orçamento da viagem.

Bruxelas é uma cidade segura para visitar?

De forma geral sim, é uma capital europeia com boa estrutura turística. Como em qualquer grande cidade, vale tomar os cuidados básicos com pertences em áreas de grande circulação turística, como perto da Grand Place e na estação central.

Brasileiro precisa de visto para visitar Bruxelas?

A Bélgica faz parte do Espaço Schengen, então a entrada de brasileiros para estadias turísticas segue as mesmas regras do bloco. Antes de viajar, é sempre importante checar as exigências vigentes (validade de passaporte, tempo de permanência permitido e eventuais novas regras de autorização de viagem) direto no site oficial do consulado ou do governo, já que essas regras podem mudar.

Qual é a moeda usada em Bruxelas?

O euro, a mesma moeda usada em Paris e Amsterdã, o que facilita bastante pra quem está fazendo uma viagem combinando essas cidades, sem precisar trocar dinheiro a cada fronteira.

Bruxelas é uma boa cidade pra viajar com crianças?

É, sim. A gente viajou com bebê e criança pequena e não teve dificuldade: o centro histórico é compacto e dá pra fazer boa parte a pé ou de tram, há parques como o Parque de Bruxelas pra pausas, e atrações como o Manneken Pis e o Atomium costumam agradar bastante os pequenos.

Vale a pena o bate-volta de Bruxelas para Bruges ou Gante?

Vale, especialmente se você tiver um dia livre a mais no roteiro. Os trens são frequentes e relativamente baratos, Gante fica a pouco mais de meia hora de Bruxelas e Bruges a cerca de 1h20, e as duas cidades têm um centro histórico medieval bem diferente do clima mais moderno de Bruxelas.

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