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Melhor Programa de Milhas: Smiles, LATAM Pass ou Azul?

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A pergunta que mais chega aqui é sempre a mesma: qual é o melhor programa de milhas para acumular? E a resposta honesta é que ela vem na ordem errada. Nenhum dos três grandes programas brasileiros, Smiles, Azul Fidelidade e LATAM Pass, é melhor que os outros no vácuo. Cada um vence em um lugar diferente do mapa. Acumular no programa errado para o seu destino é o jeito mais silencioso de perder dinheiro com milhas, porque você só descobre o problema no dia em que vai emitir.

Então a primeira decisão nunca é onde acumular. É para onde você quer ir. Depois disso, escolher o programa vira quase automático.

Mas eu sei que muita gente ainda não tem destino fechado e só quer começar a juntar. Se esse é o seu caso, eu vou adiantar o veredito: acumule na LATAM Pass. É o programa com a maior cobertura de destinos e a melhor conversão para hotel. Você raramente vai se arrepender. O resto deste texto explica por que, e mostra os cenários em que a Smiles e a Azul ganham da LATAM com folga.

A pergunta certa não é “onde acumular”, é “para onde eu vou”

Milha não é dinheiro. Dinheiro serve para tudo, milha serve para algumas coisas. Um saldo de 100 mil milhas Azul e um saldo de 100 mil milhas LATAM Pass não valem a mesma coisa: valem coisas diferentes, em lugares diferentes.

Eu vejo esse erro toda semana. A pessoa passa dois anos concentrando tudo em um programa porque leu que “esse é o melhor”, e quando chega a hora de emitir para o destino dos sonhos descobre que a companhia não voa para lá, que a parceria não existe, ou que o resgate está pedindo o triplo do que ela imaginava.

Por isso eu organizo a decisão assim: pego o destino, olho quem voa para lá, olho qual programa emite naquela companhia com um custo decente, e só então escolho onde vou concentrar o acúmulo. É o inverso do que quase todo mundo faz.

Smiles: excelente no Brasil, surpreendente na África, sofrida na Europa

A Smiles é o programa da Gol. Ela tem uma característica que ninguém mais tem no Brasil: o milheiro é barato e aparece em promoção o tempo todo. Isso muda completamente a conta.

Dentro do Brasil

É aqui que eu mais uso Smiles. A malha da Gol atende muito bem o Nordeste, e eu emito bastante para Maceió e Recife. Para o Sudeste também funciona: Rio e São Paulo saem com frequência em valores que compensam. Se o seu perfil de viagem é rodar o Brasil, a Smiles resolve boa parte da sua vida.

América do Sul

Outro ponto forte. Com a própria Gol dá para chegar na Argentina, incluindo Mendoza, e também na Bolívia, no Uruguai e na Colômbia. E tem um truque que pouca gente usa: emitir na econômica da Avianca para a Colômbia e, de Bogotá, seguir para outros destinos. Bogotá funciona bem como ponto de conexão.

Europa

Aqui a Smiles complica. Para a maioria das pessoas eu não recomendo. O problema não é só o preço, é a disponibilidade: você precisa de muita flexibilidade de data e de destino, e frequentemente não consegue fechar ida e volta na mesma compra, no mesmo dia, mesmo em tarifa de econômica.

As duas rotas que valem olhar são:

  • Air Europa, saindo de Salvador ou de Guarulhos para Madri. Existe, mas tem pouquíssimas datas com tarifa interessante em econômica.
  • Air France, com voo direto de Fortaleza para o aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. O valor é muito bom, mas exige que você se desloque até Fortaleza, e esse deslocamento tem que entrar na conta.

Eu já fiz Fortaleza para Paris na executiva da Air France usando milhas Smiles, e na época foi um resgate excelente. Hoje o cenário mudou: emitir executiva na Air France ou na KLM com Smiles ficou caro.

Se a Europa é o seu destino e você tem flexibilidade suficiente para topar ir e voltar pelo mesmo aeroporto, dá para fazer funcionar. Se não tem, escolha outro programa.

Mapa mental com os melhores resgates de milhas Smiles por continente
Esse é o mapa que eu uso com os alunos para decidir onde cada milha rende mais. Cada galho é um continente, e cada ponta é uma companhia parceira que realmente emite.

Estados Unidos

É um desafio. Em econômica você consegue voar na American Airlines, e ainda existem bons resgates para Miami, mas achar tarifa abaixo de 70.000 milhas ficou raro. A Aeromexico, que é a outra porta de entrada, tem poucas datas.

Em executiva pode compensar, e às vezes compensa muito, mas exige flexibilidade quase total: os voos que aparecem ou estão lá na frente, a nove ou dez meses, ou estão em cima da hora, para o mesmo dia ou para a mesma semana. Se a sua viagem tem data fechada por causa de férias escolares, esqueça.

África do Sul

Esse é o resgate que mais me surpreendeu na Smiles. Dá para voar com a South African Airways, parceira da Smiles, tanto para Joanesburgo quanto para a Cidade do Cabo.

Eu fiz exatamente isso em dezembro de 2025. Usei milhas Smiles para ir na executiva da South African e voltei na econômica da mesma companhia, também com Smiles. E o detalhe que faz diferença: dá para comprar o multitrecho direto no site da Smiles, entrando por um aeroporto e saindo por outro. Chegar em Joanesburgo, fazer o safári e a estrada, e voltar pela Cidade do Cabo. A Cidade do Cabo, por sinal, é um dos destinos que a nossa família mais gostou.

Fique com essa informação porque ela tem uma virada no fim do texto: para a África do Sul existe uma opção mais barata que a Smiles, e ela está na LATAM.

Rudi com a família no safári na África do Sul
A gente foi em dezembro de 2025, entrando por Joanesburgo e saindo pela Cidade do Cabo, com milhas Smiles e a South African Airways.

Ásia

O uso mais inteligente da Smiles na Ásia não é para chegar lá, é para se locomover por lá. A parceria com a Korean Air permite emitir trechos internos, em econômica ou executiva, e o exemplo clássico é Seul para Tóquio. Nesses trechos a milha costuma sair bem mais barata do que comprar a passagem no dinheiro.

Já tentar chegar ao Japão via Aeromexico é um grande desafio. Não é fácil de encontrar.

A régua do milheiro Smiles

Essa é a parte que decide tudo. Eu só considero vantajoso acumular Smiles quando consigo o milheiro abaixo de R$ 16,50. Acima disso, a economia começa a evaporar, tanto em voo nacional quanto internacional, e você acaba pagando caro por uma moeda que só serve em alguns lugares.

A boa notícia é que a Smiles é o programa que mais aparece em promoção no Brasil, então essa régua é factível.

Azul Fidelidade: o programa que só compensa em cenários bem definidos

O programa da Azul, que hoje se chama Azul Fidelidade e a maioria das pessoas ainda conhece como TudoAzul, tem o milheiro mais barato do mercado. E ainda assim eu sou seletivo com ele. Milheiro barato não salva um resgate ruim.

Europa

Eu não considero as milhas Azul interessantes para voar na econômica da Azul rumo à Europa. São dois problemas somados: você fica preso a pouquíssimos destinos, e mesmo pagando com milhas os valores não ficam baratos. Parte da operação para Lisboa é feita com aeronave da euroAtlantic, em regime de fretamento, o que também limita a experiência.

Mas existe uma exceção, e ela é grande o suficiente para mudar a recomendação inteira:

Se você tem o cartão da Azul e bate as metas, seja por gasto ou contratando o acelerador, você ganha a passagem cortesia. E se bater também a meta do voucher, ganha o upgrade de econômica para executiva. Nesse cenário, cortesia mais upgrade, dá para voar de executiva para a Europa por algo em torno de R$ 2.500 a R$ 2.600 por pessoa. Aí o valor fica realmente muito bom, e vale a pena concentrar milhas na Azul só para isso.

Fora desse cenário específico, eu não acumularia Azul pensando na Europa.

Análise dos resgates de milhas Azul Fidelidade para Europa e América do Norte
Quando eu abro a parte da Azul, a primeira coisa que salta aos olhos é a Europa. É o único ponto do mapa em que eu escrevi um alerta em vez de uma recomendação.

Estados Unidos

Hoje está quase impossível. Eu nunca mais vi tarifa award em econômica da United, e antigamente havia muita. Nós voamos econômica e executiva da United, na Polaris, saindo de Guarulhos para Chicago, por menos de R$ 3.000 por pessoa. Essa tarifa simplesmente não aparece mais.

E voar com a própria Azul para Miami, Orlando e Fort Lauderdale está com preço muito inflacionado em milhas. Se o seu destino é a Flórida, esse não é o programa.

América Central e Caribe

Aqui a Azul brilha. A parceria com a Copa é boa em econômica e em executiva, e abre um leque de destinos que os outros programas não cobrem bem: Aruba, Curaçao, Jamaica e Panamá. A própria Azul tem voo direto para Curaçao.

Não é sempre que aparece tarifa boa, mas quando aparece compensa. Nós já usamos milhas Azul para fazer o trecho do Chile até Curaçao, que é uma combinação que dificilmente sairia barata de outro jeito.

Dentro do Brasil

Vale muito. Os destinos onde a Azul não tem concorrência real são o hub dela em Viracopos, o Sul do Brasil, Foz do Iguaçu e Fernando de Noronha.

Foi assim que a gente chegou em Noronha: usamos a Azul para ir até Recife, ficamos um dia na cidade e de Recife seguimos para Fernando de Noronha, tudo com milhas Azul. Compensou bastante, porque Noronha no dinheiro é um dos trechos domésticos mais caros do país.

Rudi com a família em Fernando de Noronha
Chegamos em Noronha assim: milhas Azul até Recife, uma noite na cidade e depois o trecho final para a ilha, também com milhas Azul.

Ásia e Oriente Médio

Faz bastante sentido, mas para se locomover dentro da região, não para chegar nela. Se você quer sair de Abu Dhabi rumo ao Japão, a Etihad é uma boa emissão com milhas Azul, tanto em econômica quanto em executiva. A Emirates também está disponível, com resgate mais caro.

Agora, atenção ao contrassenso mais comum: sair do Brasil para Dubai na econômica da Emirates usando milhas não vale a pena. No dinheiro sai bem mais barato. Se o seu sonho é a executiva da Emirates, aí pode ser um bom resgate, mas prepare o bolso, porque estamos falando de mais de R$ 9.000 em um único trecho de executiva.

LATAM Pass: se você está em dúvida, acumule aqui

Comparando os três, para mim a LATAM Pass entrega as melhores milhas. Não porque ela seja imbatível em cada categoria, e sim porque ela quase nunca deixa você na mão. É o programa que mais cobre destino e o que melhor converte para hotel.

Por isso o meu conselho para quem não sabe por onde começar é direto: na dúvida, acumule na LATAM Pass.

Europa

Esse é o ponto mais forte do programa. A LATAM voa direto para Lisboa, Frankfurt, Londres, Milão, Roma, Barcelona, Madri e Paris, e agora também para Bruxelas e Amsterdã. Bruxelas estreou em junho de 2026 e Amsterdã em abril de 2026, ambas saindo de Guarulhos.

Essa cobertura muda a estratégia na prática. Com tantos aeroportos disponíveis, você consegue ir e voltar pelo mesmo lugar, e comprar ida e volta com a própria LATAM costuma sair bem mais econômico do que montar trechos separados, tipo ida na LATAM e volta na Air France. Em executiva ainda existem bons resgates, e o que mais me chama atenção é Fortaleza para Lisboa, que costuma render um resgate excelente.

Destinos da LATAM na Europa e na América do Norte com resgate de milhas LATAM Pass
É essa lista de aeroportos que faz a LATAM Pass ganhar a comparação. Quanto mais portas de entrada, mais fácil montar uma ida e volta que fecha de verdade.

Estados Unidos

Vale bastante a pena na econômica da própria LATAM, ida e volta para Miami, Orlando, Los Angeles e Nova York.

Já a parceria com a Delta pela tabela fixa não é tão interessante quanto parece, porque tem pouquíssimas tarifas disponíveis. Eu enxergo a econômica da Delta de outro jeito: como passagem de backup. Imagine que você planejou bem a ida em executiva mas ainda não achou a volta. Você segura uma passagem de backup na Delta e continua caçando. Isso funciona porque a tabela fixa da LATAM com parceiros, incluindo Delta e Qatar, permite cancelar sem custo, e as milhas e as taxas de embarque voltam para você. É uma rede de segurança que não custa nada.

América do Sul

Muito bom. Argentina, Chile, Peru, Uruguai, Equador e Costa Rica saem bem na econômica da LATAM. O Chile em especial tem resgates muito bons, e às vezes até em executiva por um valor que surpreende.

África do Sul

Aqui está a virada que eu prometi lá na parte da Smiles. Se o seu objetivo é a passagem mais barata para a África do Sul, e não necessariamente a melhor experiência de cabine, a resposta é LATAM. Dá para conseguir econômica ida e volta para Joanesburgo por abaixo de R$ 2.500. É um valor muito bom para um destino tão distante.

E vem mais: a LATAM anunciou voos diretos de Guarulhos para a Cidade do Cabo, com estreia prevista para setembro de 2026. Quando essa rota entrar, a combinação de entrar por um aeroporto e sair pelo outro, que hoje é a grande vantagem da Smiles nesse destino, deixa de ser exclusividade dela.

Ásia e Oceania

Na Ásia, a tabela fixa da LATAM para a Japan Airlines ainda faz sentido e gera uma economia interessante. Já para a Qatar eu mudei de estratégia: tem sido mais vantajoso acumular direto no Qatar Privilege Club, o programa da própria companhia, do que tentar emitir Qatar com milhas LATAM.

Para a Oceania existe um detalhe que engana muita gente. Se você quer ir para a Austrália, não é pela tabela fixa. É pela tabela dinâmica da própria LATAM. Saindo de vários pontos do Brasil, incluindo Brasília, dá para conseguir ida e volta para a Austrália por R$ 6.000 a R$ 6.300, voando LATAM. A parceria com a Qantas para emitir em tabela fixa existe, mas emitir de verdade é um grande desafio.

Dentro do Brasil

Bem interessante, e ficou mais simples de entender depois que a parceria com a Voepass acabou, já que a Voepass encerrou as operações. Mesmo assim, eu tenho preferido acumular LATAM para voar dentro do Brasil, e o motivo é menos técnico e mais prático: tenho tido bem menos dor de cabeça. Não só na região de São Paulo e no Sudeste, mas também no Sul e no Nordeste.

Comparativo lado a lado

Se você quiser só a resposta rápida, é esta tabela.

DestinoSmilesAzul FidelidadeLATAM Pass
BrasilMuito bom (Nordeste e Sudeste)Muito bom (Sul, Viracopos, Foz, Noronha)Muito bom e mais previsível
América do SulBom (Gol e Avianca)RegularMuito bom (Chile e Argentina)
América Central e CaribeFracoMelhor dos três (Copa)Bom
Estados UnidosDifícil (American, raro abaixo de 70 mil milhas)Quase impossível hojeMelhor dos três
EuropaFraco, exige muita flexibilidadeSó com cortesia mais upgradeMelhor dos três
África do SulMelhor experiência (South African, multitrecho)Não atendeMais barato (abaixo de R$ 2.500)
ÁsiaBom em trechos internos (Korean Air)Bom saindo do Oriente Médio (Etihad)Bom via Japan Airlines
OceaniaNão atendeNão atendeÚnico viável (tabela dinâmica)
HotelPerdeu espaçoMuito bom (Azul Viagens e ALL Accor)Melhor conversão para ALL Accor

Milhas também servem para hotel, e esse é o uso mais subestimado

Quase todo mundo pensa em milha como passagem aérea, e deixa metade do valor na mesa. Os três programas transferem pontos para o ALL Accor, o programa de fidelidade da rede francesa Accor, que tem hotéis espalhados pela Europa, pela Ásia, pelo Brasil e pela América do Sul.

Nós somos status Platinum no ALL Accor há muitos anos, e eu uso os benefícios o tempo todo: entrar mais cedo no quarto e conseguir upgrade de categoria. Isso muda uma viagem em família mais do que muita gente imagina, principalmente em dia de chegada com voo cedo.

O cenário atual é este:

  • Smiles já foi ótima para o ALL Accor, mas perdeu espaço. O milheiro dela despencou no passado e voltou a se valorizar bastante, então a conta piorou.
  • Azul Fidelidade está muito bem tanto no resgate direto dentro do Azul Viagens quanto na transferência para o ALL Accor. Nós reservamos dois hotéis em Orlando assim, o Celebration Suites e o Universal Terra Luna Resort, que é o hotel novo da Universal ao lado do Epic Universe. E a promoção de transferência que rolou recentemente gerou ponto ALL Accor no custo mais baixo de 2026, o que permitiu fechar hotel com 30%, 40% e até 50% de desconto.
  • LATAM Pass tem entregado, para mim, os melhores resgates de transferência para o ALL Accor de forma consistente.
Rudi e Sam na piscina do hotel Terra Luna Orlando à noite
A gente ficou no Universal Terra Luna Resort usando ponto ALL Accor transferido da Azul Fidelidade, um dos dois hotéis dessa viagem a Orlando.

Ou seja: para hotel, Azul e LATAM ganham da Smiles hoje. Vale a mesma lógica para locação de carro.

Quanto custa o milheiro de cada programa

Escolher o programa é metade da conta. A outra metade é por quanto você comprou a milha. Uma emissão de 60.000 milhas com o milheiro a R$ 14 e a mesma emissão com o milheiro a R$ 28 são duas viagens financeiramente diferentes.

Esta é a média dos últimos seis meses até o fim de julho de 2026, considerando as promoções reais que passaram:

ProgramaMilheiro médioPromoções no período
Azul FidelidadeR$ 14,41126
SmilesR$ 14,75103
LATAM PassR$ 25,3036
LiveloR$ 30,5212
Inter LoopR$ 31,901
EsferaR$ 32,0131
TAP Miles&GoR$ 35,001
Iberia PlusR$ 58,732
SUMA (Air Europa)R$ 59,1210
LifeMilesR$ 72,722
ConnectMilesR$ 78,7214
AeroplanR$ 78,958
ALL AccorR$ 81,4810
Flying BlueR$ 88,262

Repare em dois detalhes que explicam muita coisa.

O primeiro é a coluna da direita. Azul e Smiles tiveram mais de cem promoções cada uma em seis meses, enquanto a LATAM Pass teve 36. Isso significa que comprar milha Azul e Smiles barato é rotina, e comprar milha LATAM barato exige que você esteja atento no dia certo.

O segundo é que o milheiro da LATAM Pass custa quase o dobro do da Smiles, e mesmo assim eu recomendo a LATAM para quem está começando. Milha mais cara não é milha pior. A LATAM pede menos milhas para o mesmo destino e cobre mais destinos, então o que importa é o custo total em reais da emissão, nunca a quantidade de milhas pedida isoladamente.

Só para dar dimensão da variação: no primeiro semestre de 2026, o milheiro da LATAM Pass oscilou entre R$ 21,39, em 14 de março, e R$ 28,85, em 23 de julho. É uma diferença de 35% no mesmo programa, no mesmo semestre. Quem compra no dia errado paga um terço a mais pela mesma viagem.

Tabela com o valor médio do milheiro de 14 programas de fidelidade em 2026
Eu acompanho o milheiro de todos esses programas de perto, porque é esse número que decide se uma emissão foi um bom negócio ou só pareceu um bom negócio.

Os três erros que mais custam caro

Depois de responder essa pergunta centenas de vezes, eu percebi que quase todo prejuízo com milhas cabe em três erros. Nenhum deles é técnico. Todos são de ordem.

O primeiro é acumular sem destino. É o erro que dá origem a todos os outros. A pessoa junta por dois anos no programa que alguém indicou, e quando decide para onde vai descobre que a companhia não voa até lá ou que a parceria não existe. O saldo não some, mas ele fica preso: você é obrigado a escolher um destino que serve para as suas milhas, em vez de escolher o destino que você queria.

O segundo é comprar milha cara. Milha comprada acima da régua transforma um resgate bom em um resgate medíocre. E o pior é que isso é invisível: você olha só a quantidade de milhas pedida na emissão, acha que foi um baita negócio, e nunca faz a conta do que aquela milha custou para entrar na sua conta. Régua de preço não é frescura de quem gosta de planilha, é o que separa economia real de sensação de economia.

O terceiro é usar milha onde dinheiro é mais barato. Existe uma armadilha emocional aqui: depois de todo o esforço de acumular, a gente quer usar. Mas em vários cenários a passagem no dinheiro é simplesmente mais barata, e o caso do Brasil para Dubai em econômica da Emirates é o exemplo mais claro que eu conheço. Nesses casos, gastar milha é destruir valor. Guarde o saldo para o resgate em que a milha rende três, quatro vezes mais, que normalmente é executiva de longo curso ou trecho de alta demanda.

Se você evitar esses três, já está à frente da maioria, mesmo sem conhecer nenhuma tabela de parceria de cor.

Como eu decido, na prática

Se eu tivesse que resumir o meu processo em cinco passos, seria isto:

  1. Defino o destino. Não o mês, não o valor, o destino. Sem isso nada mais funciona.
  2. Vejo quem voa para lá com voo direto ou com uma conexão só. Direto sempre vale um prêmio, principalmente com criança.
  3. Descubro qual programa emite naquela companhia e se a emissão é por tabela fixa ou dinâmica. Isso muda a estratégia inteira.
  4. Estabeleço a régua de preço do milheiro para aquele programa, e só compro milha abaixo dela. Na Smiles, a minha régua é R$ 16,50.
  5. Só então concentro o acúmulo, e trato o resto dos pontos como moeda de troca, não como objetivo.

E tem um passo zero que quase ninguém faz: decidir se a milha é mesmo o melhor caminho. Em vários cenários, e o exemplo do Brasil para Dubai na econômica da Emirates é o mais claro, comprar no dinheiro sai mais barato. Milha é ferramenta, não religião.

O que uma boa régua de preço parece na prática

Para não ficar no abstrato, um exemplo real de como isso funciona no dia a dia. Para passagens em econômica do Brasil para a Europa, a minha régua é simples: abaixo de R$ 3.200 já é uma oportunidade excelente. Acima disso, eu espero.

E é aí que a comparação entre programas deixa de ser teoria. Estes foram alertas reais que passaram no fim de julho de 2026, todos para Madri e Lisboa, todos em econômica:

  • São Paulo para Madri, com milhas Azul Fidelidade, a partir de 58.416 milhas por trecho: R$ 1.731,45 mais taxas na ida e volta.
  • Fortaleza para Madri, com AVIOS da Iberia, 32.000 AVIOS na ida e volta: R$ 1.879,36 mais taxas. Esses AVIOS você consegue transferindo do Esfera, o programa do Santander.
  • Salvador para Madri, voando Air Europa com milhas Smiles, a partir de 79.900 milhas por trecho: R$ 2.365,04 mais taxas.
  • Fortaleza para Lisboa, econômica da LATAM com milhas LATAM Pass, a partir de 55.541 milhas por trecho: R$ 2.797,04 mais taxas.
Comparativo de quatro alertas de passagem para Europa com milhas Azul, Iberia AVIOS, Smiles e LATAM Pass
Quatro rotas, quatro programas diferentes, e uma diferença de mais de mil reais entre a primeira e a última. É exatamente por isso que a resposta muda conforme o destino e o aeroporto de saída.

Repare que os quatro estão dentro da minha régua. E repare também que, para a Europa, quem sai do Nordeste tem um cardápio melhor do que quem sai de São Paulo. Aeroporto de saída é uma variável de estratégia, não um detalhe. Se você quer se aprofundar nessa parte, eu detalhei o passo a passo de busca em como comprar passagem aérea mais barata e as ferramentas que eu uso em seats.aero no Google Flights.

Um aviso importante sobre esses números: eles são uma fotografia do fim de julho de 2026. Preço de milha e disponibilidade de resgate mudam praticamente todo dia. Use os valores como referência de ordem de grandeza e como exemplo de método, nunca como tabela fixa.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor programa de milhas do Brasil?

Não existe um melhor absoluto. O melhor programa é o que atende o destino que você escolheu. Para quem ainda não tem destino definido e só quer começar a acumular, a LATAM Pass é a aposta mais segura, pela cobertura de destinos e pela conversão para hotel.

Vale a pena acumular milhas na Azul para ir para a Europa?

Só num cenário específico: quando você tem o cartão Azul, bate as metas para conseguir a passagem cortesia e também bate a meta do voucher de upgrade para executiva. Nesse caso dá para voar de executiva por algo em torno de R$ 2.500 a R$ 2.600 por pessoa, e aí compensa muito. Fora desse cenário, eu escolheria outro programa.

Qual programa de milhas é melhor para a África do Sul?

Depende do que você valoriza. Pelo preço, a LATAM Pass ganha, com econômica ida e volta para Joanesburgo abaixo de R$ 2.500. Pela experiência, a Smiles ganha, porque permite emitir na South African Airways, inclusive em executiva, e comprar multitrecho no próprio site, entrando por Joanesburgo e saindo pela Cidade do Cabo.

Dá para usar milhas de companhia aérea em hotel?

Dá, e é um dos usos mais subestimados. Os três programas transferem para o ALL Accor. A Azul ainda permite resgate direto de hotel dentro do Azul Viagens. Hoje Azul e LATAM transferem melhor que a Smiles para hotel.

Quanto vale a pena pagar no milheiro?

Depende do programa, porque cada milha compra uma coisa diferente. A minha régua pessoal para a Smiles é comprar abaixo de R$ 16,50. Na LATAM Pass, no primeiro semestre de 2026, as promoções variaram de R$ 21,39 a R$ 28,85, então qualquer coisa próxima do piso desse intervalo é um bom negócio.

Posso acumular em mais de um programa ao mesmo tempo?

Pode, e em algum momento é o que acontece naturalmente. Mas quem está começando ganha mais concentrando esforço em um programa até ter saldo suficiente para uma emissão de verdade. Saldo espalhado em quatro programas costuma virar saldo parado em quatro programas.

Uma última coisa

Escolher o programa certo é a parte fácil. A parte difícil é estar olhando na hora em que a promoção acontece, e ninguém consegue fazer isso sozinho todo dia. Foi por isso que a gente montou a Comunidade VMM, que é onde eu e a Carol avisamos, em tempo real, quando aparece passagem barata com milhas ou no dinheiro, promoção de transferência, compra bonificada e oferta de hotel.

Lá dentro você também tem acesso ao nosso assistente de inteligência artificial, que funciona 24 horas por dia, de domingo a domingo, e é alimentado por toda promoção que passa pelos nossos grupos. É ele que responde qual é o milheiro do dia em cada programa, quais alertas saíram para o seu destino e quanto custaria a sua emissão hoje. É o mesmo material que eu uso para tomar as minhas decisões.

Se você prefere entender o método inteiro em vez de só receber os alertas, o Curso Viaje Mais com Milhas parte do zero e vai até o avançado, com o mapa completo de resgates que você viu por aqui. Qualquer um dos dois caminhos serve. O que não compensa é continuar acumulando no escuro e descobrir o programa errado só no dia de emitir.

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