Vista aérea de drone da Praia dos Carneiros com a igrejinha branca e verde na areia
Praia dos Carneiros

Praia dos Carneiros: Guia Completo

A Praia dos Carneiros, em Tamandaré (PE), é considerada uma das melhores praias do Brasil e chegou a aparecer em 12º lugar numa lista internacional de melhores praias do mundo divulgada pelo Ministério do Turismo em 2025, além de figurar entre as primeiras colocadas em rankings nacionais como o do TripAdvisor. Chegamos às 8h30 da manhã, tudo ainda fechado, o Beijupirá e o Bora Bora com portão trancado, e ficamos ali esperando abrir enquanto eu explicava pra câmera o que a gente já tinha descoberto sobre o acesso. Fomos até lá durante a nossa road trip pelo Nordeste e saímos com uma visão bem prática (e bem honesta) de como funciona esse acesso, os valores, os beach clubs e o que realmente vale a pena.

Tamandaré e a Costa dos Corais: o contexto por trás da praia

Tamandaré é um município pequeno do litoral sul de Pernambuco, e é dentro dele que fica a Praia dos Carneiros. A praia inteira está dentro da APA Costa dos Corais, a maior área de proteção marinha do Brasil, que se estende por um trecho longo do litoral pernambucano até a divisa com Alagoas. Isso ajuda a explicar por que a água ali é tão clara e por que existe tanta regra de conservação envolvendo os recifes e as piscinas naturais formadas na maré baixa.

A cidade também guarda um pedaço da história das guerras holandesas em Pernambuco, no século 17, período em que boa parte do litoral pernambucano foi palco de disputa entre holandeses e portugueses. Existe um forte histórico remanescente desse período em Tamandaré, hoje pouco visitado pela maioria dos turistas que passa direto pra praia, mais preocupada com o horário de abertura do beach club do que com a história do município. Se sua viagem permitir um tempo extra, vale conhecer esse lado menos badalado de Tamandaré antes ou depois do dia de praia.

Como chegar e o problema do acesso

De Porto de Galinhas até Tamandaré, onde fica a Praia dos Carneiros, o trajeto de carro leva cerca de 50 minutos, numa estrada tranquila, pista boa, sem trecho perigoso. Só que aqui vem o ponto mais importante pra quem vai de carro particular (sem estar em excursão de agência ou receptivo): praticamente todo o acesso à praia passa por propriedades privadas, fazendas, pousadas e beach clubs como o Beijupirá e o Bora Bora, e cada uma tem sua própria regra de horário e cobrança.

Chegando de carro particular no Bora Bora, descobrimos na prática que o horário oficial (site e Instagram) diz abertura às 9h, mas isso vale pra grupos fechados de agências como CVC e táxis parceiros já agendados. Carro particular só consegue entrar mesmo a partir das 10h30, depois que a última empresa desses grupos termina de entrar. Do lado de fora já se forma fila de quem está por conta própria esperando. Existe sim acesso público (a praia em si é pública, como toda praia no Brasil), por um caminho de pedestre entre o Beijupirá e o Bora Bora, mas mesmo ali normalmente se paga uma taxa de estacionamento à parte (na nossa visita, R$ 20). Ou seja: na prática, o acesso confortável costuma vir condicionado a pagar em algum beach club, vale saber disso antes de planejar sua ida, pra não ter surpresa.

Beijupirá: onde ficamos o dia inteiro

Escolhemos o Beijupirá, e foi a decisão certa: ambiente tranquilo, familiar, sem música alta incomodando (nem do próprio restaurante nem de quem passa), ótimo pra quem viaja com criança pequena, e a praia por ali cheia de famílias com filhos pequenos também. O valor cobrado na entrada é por pessoa e funciona como consumação mínima (o que você gasta em comida e bebida é abatido desse valor), na nossa visita pagamos R$ 200 por pessoa, valor que segundo o próprio local vinha subindo bastante nos últimos meses (era R$ 50 alguns anos antes). Como esse tipo de preço muda com frequência e por temporada, confirme o valor atualizado direto com a casa antes de ir.

Vale reforçar um detalhe que quase nos pegou de surpresa: se você quiser entrar antes das 9h, o pagamento só pode ser em dinheiro, porque o funcionário que passa cartão só chega depois desse horário. A gente não tinha levado os R$ 200 em espécie por pessoa e teve que esperar abrir pra pagar no cartão. Se seu plano é chegar bem cedo, leve dinheiro vivo.

Na comida, os destaques foram as trouxinhas de camarão com molho de caju (excelente, recomendamos muito, ficam bonitas de servir e o creme de caju dá um toque diferente) e o camarão no abacaxi (bom, mas achamos a versão que comemos antes em Porto de Galinhas, servida dentro da própria casca do abacaxi, mais caprichada). O arroz com castanha que acompanha também é gostoso. Os pratos individuais giram na faixa de R$ 80 a R$ 85. Pedimos ainda um drinque de batida de frutas (morango com goiaba, gelado) e uma cartola simples, só banana e sorvete, sem o queijo tradicional. Recomendamos muito a experiência gastronômica, com atendimento atencioso, sem pressa e com muita paciência com a gente filmando tudo. Os quiosques na praia por ali, incluindo os do próprio Beijupirá, servem almoço, lanche e bebida até as 16h. Depois desse horário o serviço de comida encerra, mas dá tempo de sobra: com a maré subindo à tarde, a faixa de areia encolhe bastante e fica mais difícil caminhar de qualquer forma.

Beijupirá x Bora Bora x acesso público: comparando as opções

Pra quem está decidindo entre pagar entrada num beach club ou tentar o acesso público, vale ver as opções lado a lado. Não existe opção errada, existe a opção certa pro seu momento de viagem: com criança pequena e buscando sossego, beach club tende a compensar. Com orçamento apertado ou passando rápido pela região, o acesso público resolve.

OpçãoAmbienteEstrutura
BeijupiráTranquilo, familiar, sem música altaRestaurante completo, guarda-sol, banheiro
Bora BoraMais movimentado, público mais jovemRestaurante, estrutura de praia, música ambiente
Acesso público a péSem controle de público, mistura todo tipo de visitanteSem guarda-sol nem banheiro próprio, estacionamento pago à parte

A igrejinha de Carneiros

A Capela de São Benedito, conhecida como “igrejinha de Carneiros”, é o cartão-postal mais famoso do lugar, pequena, branca, de frente pro mar, cercada de coqueiros. É uma caminhada de cerca de 30 minutos pela praia, saindo do Beijupirá, passando pela esquina do Bora Bora, até chegar lá. Uma correção importante em relação ao que ouvimos no local, inclusive de guias que repetem a data de 1931: essa não é a versão mais confiável. As fontes mais recorrentes situam a origem da capela no século 18, como capela de fazenda ligada ao Visconde de Rio Formoso, então proprietário das terras da região. Ela passou por uma grande restauração entre 1999 e 2001, que é provavelmente a “atualização” mais recente e documentada da estrutura que vemos hoje. A capela fica fechada a maior parte do tempo, sem visitação regular ao interior, e algumas construções de pousada bem coladas nela já tiram um pouco da beleza natural do cenário.

Rudi sentado na escadaria da Igrejinha de São Benedito na Praia dos Carneiros cercada de coqueiros
A Capela de São Benedito é um dos cartões postais mais fotografados de Carneiros.

A fila pra fotografar na frente da igrejinha cresce rápido: fomos o segundo casal a fotografar logo cedo, e minutos depois já havia fila formada. Se você quer foto sem gente ao fundo e com a areia seca da maré baixa, vale a pena chegar antes das 9h. Chegando mais tarde, a maré sobe, mais gente aparece, mas ainda dá pra fazer boas fotos com o cenário mais movimentado. Importante: a maré baixa não é garantida todo dia nesse horário, ela muda constantemente ao longo do mês. Consulte uma tábua de marés atualizada antes de programar sua visita.

Maré baixa: o segredo pra aproveitar melhor

Chegamos de propósito num horário de maré baixa, o que deixa a faixa de areia enorme e revela as piscinas naturais formadas pelos arrecifes na esquina do Bora Bora. Dá pra caminhar por elas (sempre de chinelo, os ouriços do mar são bem coloridos e bonitos, mas doem bastante se você pisar descalço) e até achar cantinhos praticamente privativos de piscina natural, sem ninguém por perto. A maré muda todo dia e depende de vários fatores, então vale consultar uma tábua de marés antes de programar sua visita, pra aproveitar o horário certo tanto pra fotos quanto pra banho nas piscinas. Um detalhe bobo mas real: a água do mar ali deixa o cabelo duro que só vendo, então não estranhe se sua produção capilar não sobreviver ao dia.

Vista aérea de drone das piscinas naturais e recifes da Praia dos Carneiros na maré baixa
De cima dá pra ver bem os recifes que formam as piscinas naturais quando a maré baixa.

Vale a pena o passeio de catamarã/lancha?

Assim que você chega na praia, vai ser abordado por várias empresas oferecendo passeio de jangada, lancha ou catamarã pela região (incluindo parada na Praia de Guadalupe, num banco de areia gigante, e um “banho de argila”). Já fizemos esse passeio numa visita anterior, em 2016, e na nossa avaliação sincera: o banco de areia vale a pena, é bonito de verdade, parece uma pequena ilha de areia no meio da água. Mas o banho de argila decepciona: a expectativa era de algo tipo piscina de argila, spa de verdade, e na prática é bem mais simples, quase uma sátira, um balde de argila pra passar no corpo. Tem gente que gosta, a gente achou fraco. O passeio também consome boa parte da manhã, tempo que preferimos usar curtindo a praia e as piscinas naturais com calma. Fica o registro: é decisão pessoal, mas se seu foco é aproveitar bem o Beijupirá/Bora Bora e a igrejinha, dá pra pular esse passeio sem arrependimento, e ainda por cima sem custo adicional nenhum, já que as piscinas naturais na esquina do Bora Bora você acessa de graça.

Quando ir: a melhor época pra pegar maré baixa e sol

A melhor época pra visitar a Praia dos Carneiros com boa chance de sol firme e mar calmo é entre setembro e março, período mais seco no litoral de Pernambuco. De abril a agosto, no chamado inverno nordestino, as chuvas ficam mais frequentes. Isso não impede a viagem, mas pode atrapalhar um dia específico de praia, do jeito que aconteceu com a água mais fria que encontramos em outros pontos da nossa road trip pela região naquela época do ano.

Fora da época de chuva, o principal fator pra planejar o dia não é bem o mês, é a maré. A tábua de marés muda todo dia. Se o seu objetivo é pegar a praia mais vazia na maré baixa, tanto pra fotografar a igrejinha sem gente ao fundo quanto pra aproveitar as piscinas naturais, o planejamento tem que olhar o horário da maré do dia específico da sua visita, não só a época do ano de forma geral.

Onde se hospedar: Tamandaré ou Porto de Galinhas

Existem basicamente duas bases pra quem quer conhecer a Praia dos Carneiros. A primeira é ficar hospedado em Tamandaré mesmo, mais perto da praia, com menos opções de restaurante e vida noturna no entorno. A segunda é ficar em Porto de Galinhas, a cerca de 50 minutos de carro, com muito mais estrutura de pousada, restaurante e passeio, fazendo a Praia dos Carneiros como um bate e volta de um dia só.

Na nossa road trip, ficamos hospedados em Porto de Galinhas e fizemos Carneiros como um passeio de dia inteiro, saindo cedo e voltando à noite. Funcionou bem porque Porto de Galinhas concentra muito mais oferta de hospedagem e restaurante pros outros dias da viagem pela região. Se o seu foco de viagem for só a Praia dos Carneiros, sem pretensão de explorar muito além dela, hospedar em Tamandaré economiza o deslocamento diário e permite aproveitar a praia em horários mais tranquilos, como o fim de tarde, depois que os grupos de day use já foram embora.

O que levar pro dia de praia em Carneiros

Algumas coisas que a gente levaria de novo, ou levaria diferente, se fosse voltar amanhã:

  • Dinheiro em espécie. Principalmente se seu plano é chegar antes das 9h, quando o pagamento em cartão ainda não costuma estar disponível na maioria dos beach clubs.
  • Chinelo que não solte na água. Pra caminhar pelas piscinas naturais sem pisar em cima dos ouriços do mar sem perceber.
  • Protetor solar de baixo impacto pra vida marinha. Não é uma exigência formal em Carneiros hoje, mas é um cuidado que faz sentido em qualquer área de proteção marinha como a Costa dos Corais, cheia de recife vivo.
  • Muda de roupa seca pra volta. Água salgada e areia grudam no carro inteiro se você não trocar de roupa antes de pegar a estrada de volta.

As boas

Casal sentado na água transparente e rasa da Praia dos Carneiros com o mar ao fundo
A água em Carneiros é rasa e clara o suficiente pra sentar tranquilo bem longe da areia.
  • Uma das praias mais bonitas do Brasil, de fato. Reconhecimento em rankings nacionais e internacionais recentes.
  • Beijupirá com ambiente família e comida excelente. Trouxinhas de camarão imperdíveis, atendimento paciente e sem pressa.
  • Piscinas naturais na maré baixa, de graça. Cantinhos quase privativos se você chegar cedo, sem precisar do passeio de catamarã.
  • Acesso público existe. Não é obrigatório pagar beach club, mas é bem menos confortável.

O que não foi tão bom

  • Acesso de carro particular é dificultado antes das 10h30. Grupos de agência e táxis parceiros têm prioridade nos horários mais cedo, mesmo com abertura oficial anunciada às 9h.
  • Valor de entrada nos beach clubs subiu muito nos últimos anos. De R$ 50 pra R$ 200 por pessoa. Confirme o valor atualizado antes de ir.
  • Pagamento antes das 9h só em dinheiro. Cartão só passa depois que o funcionário do caixa chega.
  • Banho de argila não corresponde à expectativa. Mais pegada de turista do que experiência de verdade.
  • Praia fica bem cheia e barulhenta perto do Bora Bora. Vendedores ambulantes e música alta o dia todo.

Investimentos

ItemValor (referência à época)
Day use Beijupirá (por pessoa, vira consumação)R$ 200
Estacionamento no acesso público (pedestre)R$ 20
Prato principal no BeijupiráR$ 80-85

Vai planejar sua rota entre as praias de Pernambuco e Alagoas?

A gente ensina como economizar em carro alugado, hospedagem e passagem no Curso VMM.

Esse post faz parte da nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil. Veio de Porto de Galinhas e o próximo destino da rota foi São Miguel dos Milagres.

Perguntas frequentes

A Praia dos Carneiros é gratuita?

A praia em si é pública, como toda praia no Brasil. Existe um acesso público via pedestre, mas com estacionamento pago à parte (R$ 20 na nossa visita). Na prática, o acesso mais confortável costuma ser através de beach clubs privados, que cobram entrada com consumação mínima.

A que horas dá pra entrar de carro particular na Praia dos Carneiros?

Mesmo com a abertura oficial anunciada às 9h, quem chega de carro particular (sem estar em grupo de agência) só costuma conseguir entrar de fato a partir das 10h30, depois que os grupos fechados terminam de entrar.

Quando foi construída a igrejinha de Carneiros?

Há divergência entre fontes, e é comum ouvir a data de 1931 no local, mas a versão mais recorrente e confiável situa a origem da Capela de São Benedito no século 18, como capela de fazenda ligada ao Visconde de Rio Formoso. Ela passou por uma grande restauração entre 1999 e 2001.

Vale a pena o passeio de catamarã na Praia dos Carneiros?

O trecho do banco de areia costuma agradar, mas o “banho de argila” oferecido no roteiro tende a decepcionar. Se seu foco é aproveitar bem os beach clubs e a igrejinha, é possível pular esse passeio sem arrependimento, já que as piscinas naturais próximas ao Bora Bora são de acesso livre.

Qual a melhor época pra ir na Praia dos Carneiros?

Entre setembro e março, período mais seco no litoral de Pernambuco, com mais chance de sol firme. De abril a agosto, no inverno nordestino, as chuvas ficam mais frequentes. Além do mês, vale sempre consultar a tábua de marés do dia específico da sua visita, já que é a maré baixa que revela as piscinas naturais e esvazia a faixa de areia em frente à igrejinha.

É melhor ficar hospedado em Tamandaré ou em Porto de Galinhas pra visitar Carneiros?

Depende do seu roteiro. Porto de Galinhas tem muito mais estrutura de hospedagem e restaurante e fica a 50 minutos de carro, funcionando bem como base pra um bate e volta. Tamandaré fica mais perto da praia, com menos opções ao redor, mas permite aproveitar Carneiros em horários mais tranquilos, sem depender do deslocamento diário.

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