Saímos da nossa pousada em Porto de Galinhas ainda cedo, direto para a Barra de Sirinhaém. Em pouco mais de 40 minutos de carro chegamos na base da empresa que ia nos levar para a Ilha de Santo Aleixo, uma ilha particular a 2,6 km de mar aberto, parada obrigatória da nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil. A expectativa era alta: água calma, trilha curta, história real de disputa colonial por trás do cenário bonito. Neste post vai o roteiro completo do dia, a lógica da compra do passeio, os horários que fazem diferença e as três dicas que a gente só descobriu na prática.
Uma ilha com passado real de disputa colonial
A Ilha de Santo Aleixo tem um histórico documentado de disputa no período colonial. Ela está associada à primeira invasão francesa no Brasil, em 1531, e depois a episódios com corsários neerlandeses no fim do século 17. Os dois casos estão ligados à exploração do pau-brasil, que na época era chamado de “pau de tinta”, riqueza que atraía interesse estrangeiro para todo o litoral pernambucano. A presença francesa e holandesa na ilha é bem documentada. Já a atuação portuguesa aparece principalmente no controle e na expulsão desses grupos, consolidando a posse da região para a Coroa.
Vale a ressalva que a gente também faz no vídeo: não existe confirmação histórica detalhada de que as três nações tenham ocupado a ilha ao mesmo tempo ou da mesma forma. Trate isso como um histórico real de disputa territorial, ligado ao comércio de pau-brasil, não como uma linha do tempo exata e simultânea. De qualquer forma, é bem mais interessante caminhar por ali sabendo que aquela faixa de areia já foi disputada por franceses, holandeses e portugueses do que só ver como mais uma ilha bonita no mapa.
Como comprar o passeio (e por que reservar com antecedência)
Fizemos o passeio com a Monteiro’s, uma das empresas autorizadas a operar o acesso à ilha. Pelo que a gente entendeu na pesquisa, é uma das poucas que faz esse trabalho de forma regularizada, com aprovação dos órgãos ambientais responsáveis, mesmo sem conseguirmos confirmar exatamente todas as exigências que uma empresa precisa cumprir para isso. O que a gente confirma com segurança: mesmo sendo oficial, foi a opção mais barata que encontramos, R$ 80 por pessoa.
A compra é feita direto pelo site da empresa, e precisa ser com pelo menos um dia de antecedência. A ilha tem lotação máxima diária, então no mesmo dia pode simplesmente não sobrar vaga nenhuma. Não arrisque chegar sem reserva.
Um detalhe que vale registrar: ao seguir o GPS até a base da Monteiro’s, reparamos que Waze e Google Maps davam rotas com diferença entre si. Vale conferir os dois antes de sair, para não perder tempo nem gastar dinheiro à toa em corrida ou combustível.
A fila de senha e o sistema de pulseiras coloridas
Chegamos na base da Monteiro’s por volta das 9h. A estrutura é simples, praticamente uma casa adaptada, com portão e ar de lugar organizado. Você chega, pega uma senha e espera sua vez, porque vários grupos vão embarcando em sequência para a ilha. Chegamos exatamente às 9h e já entramos como o segundo grupo a embarcar, o que dá uma pista prática: se você quiser ser o primeiro grupo do dia, precisa chegar antes das 9h.
Cada grupo recebe uma pulseira de cor diferente (azul, roxo, amarelo, entre outras), que identifica com qual empresa você contratou o passeio, já que outras operadoras, como a Trânsito, fazem o mesmo trajeto em parceria. Quando o seu grupo é chamado pela cor, você caminha até a praia e embarca direto na lancha.
A travessia de lancha: sente atrás se você enjoa
A lancha leva até 26 pessoas e o trajeto até a ilha demora pouco mais de 10 minutos. Ela contorna o litoral em vez de ir em linha reta, para evitar os recifes, e isso significa bater bastante nas ondas em alguns trechos. Não é nada perigoso, mas quem senta na frente sente muito mais o balanço do que quem senta atrás. Se você enjoa fácil em embarcação, prefira ficar mais para trás. Foi o que a gente fez na volta, depois de sentir na pele o quanto a frente sacode.
Uma coisa boa desse desembarque: a lancha para praticamente na areia, bem próximo da praia. Diferente de muitos passeios de catamarã na região, onde você precisa descer no raso e acaba se molhando quase inteiro com a mochila e tudo, aqui o desembarque é seco e tranquilo, tanto na ida quanto na volta.

Praia da Ferradura: a piscina natural que vale a trilha
Da praia principal, que não tem nome específico e é onde a lancha desembarca, sai uma trilha de cerca de 15 minutos até a Praia da Ferradura, no lado sul da ilha. O nome vem do formato semicircular, que lembra mesmo uma ferradura. É uma enseada protegida por rochedos, sem nenhuma estrutura montada ali, formando uma espécie de piscina natural: água calma, morna, transparente e esverdeada. Ótima para snorkel.

A entrada na água tem bastante pedra, então vale ir com cuidado e, se puder, com um chinelo que aguente molhar. A recomendação de quem organiza o passeio é ficar por volta de uma hora ali, mas na prática dá para negociar mais tempo se a próxima leva de visitantes ainda não estiver esperando a vez.

A trilha mais famosa continua subindo pelas pedras até um ponto mais alto, de onde dá para ver uma vista panorâmica da ilha inteira. Vale o esforço extra depois do mergulho na Ferradura.

Nossas 3 dicas para aproveitar melhor a Ilha de Santo Aleixo
- Escolha seu lugar assim que chegar. Reserve logo um guarda-sol (identificado pela cor e pelo logo da empresa que você contratou, no nosso caso o verde da Monteiro’s) no melhor spot da praia principal, antes que a praia encha.
- Peça o almoço assim que chegar. O cardápio vem com QR Code, você consulta online e já deixa o pedido encaminhado. A comida fica pronta bem na hora em que você volta da trilha da Praia da Ferradura, sem fila de espera.
- Vá para a trilha da Ferradura logo cedo. Chegando com um dos primeiros grupos do dia (nós fomos o segundo a desembarcar), a trilha e a praia da Ferradura ainda estão praticamente vazias. Depois enche bastante, então quanto antes você for, melhor a experiência.
O almoço na ilha
Pedimos uma isca de peixe, que vem com arroz, feijão tropeiro, uma saladinha e batata frita: o prato mais barato do cardápio, por R$ 84. A batata estava boa, o peixe bem temperado, sem espinha atrapalhando, e a porção deixou a gente satisfeito. Vale o preço para quem quer uma refeição completa sem sair da ilha.

Um detalhe para não se surpreender na hora: o banho de ducha na ilha é pago à parte, R$ 5 por apenas 1 minuto de água. Se quiser tirar a areia e o sal antes de voltar para a lancha, já vá com esse valor calculado.
As boas
- Ilha com história real, não só cenário bonito. Passado ligado às invasões coloniais e ao comércio de pau-brasil, algo raro de encontrar num passeio de um dia só.
- Praia da Ferradura é espetacular para snorkel. Água calma, transparente e protegida por rochedos, formando uma piscina natural.
- Desembarque direto na areia. Sem molhar tudo, diferente de outros passeios de barco da região.
- Trilha curta e acessível. Cerca de 15 minutos até a Ferradura, vale a pena mesmo para quem não é tão preparado fisicamente, e ainda leva a uma vista panorâmica no ponto mais alto.
- Organização por pulseira e senha funciona bem. O sistema de grupos evita bagunça no embarque, mesmo com bastante gente saindo ao mesmo tempo.
O que não foi tão bom
- Lotação máxima diária. Reserve com antecedência de pelo menos um dia para não ficar sem vaga.
- Ducha paga à parte. R$ 5 por apenas 1 minuto de água pega mal quem não está avisado.
- Trecho de lancha pode balançar bastante. Principalmente na frente, desconfortável para quem enjoa fácil em embarcação pequena.
- Rota do GPS inconsistente. Waze e Google Maps davam trajetos diferentes até a base da empresa, vale checar os dois antes de sair.
Investimentos
| Item | Valor (referência à época) |
|---|---|
| Passeio completo (lancha + acesso à ilha) | R$ 80 por pessoa |
| Prato mais barato do cardápio (isca de peixe) | R$ 84 |
| Ducha (1 minuto) | R$ 5 |
Quando ir: melhor época e horário de maré
O litoral sul de Pernambuco tem duas estações bem marcadas: uma mais seca, entre setembro e janeiro, e uma mais chuvosa, entre abril e julho. Pra um passeio de barco com trilha e snorkel como esse, a janela seca é a mais segura, com menos chance de a saída ser cancelada por mau tempo e mar mais calmo pra travessia de lancha.
A maré também faz diferença direta na experiência da Praia da Ferradura. Em maré baixa, a piscina natural fica mais rasa e mais fácil de andar, ótima pra quem tem criança ou não é tão confiante na água. Em maré alta, a água sobe bastante e cobre parte das pedras da entrada, o que deixa o acesso mais escorregadio. Vale perguntar pra operadora, no momento da reserva, qual vai ser a condição de maré no dia e horário do seu passeio.
Como chegar até a Barra de Sirinhaém saindo de outros pontos do Nordeste
A gente saiu de Porto de Galinhas, cerca de 40 minutos de carro até a base da empresa. Mas a Barra de Sirinhaém também é acessível saindo direto de Recife, um trajeto de aproximadamente uma hora e meia por rodovia, o que torna o passeio uma opção de bate-volta viável até pra quem está hospedado na capital pernambucana e não tem tempo de se mudar pro litoral sul.
Quem está fazendo um roteiro maior pelo litoral, como a nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil propõe, também consegue encaixar Sirinhaém como parada intermediária entre Porto de Galinhas e outros destinos mais ao sul, na direção de Maceió e do litoral alagoano. Vale sempre checar o estado da estrada e o horário de saída do primeiro barco do dia, que costuma ser cedo, antes de fechar esse encaixe no roteiro.
O que levar para o passeio
- Protetor solar. Não tem sombra natural suficiente na praia principal nem na trilha até a Ferradura, e o sol do litoral pernambucano é forte mesmo em dia nublado.
- Chinelo que aguente molhar. A entrada na água da Ferradura tem bastante pedra, um chinelo de trilha ou sandália própria pra água ajuda bastante.
- Máscara de snorkel própria, se tiver. Nem sempre o equipamento de aluguel está disponível em quantidade suficiente pra todo mundo, principalmente em dia de maior movimento.
- Dinheiro em espécie. A ducha paga (R$ 5 por 1 minuto) e outros gastos pequenos na ilha nem sempre têm opção de cartão, é uma estrutura simples, sem muita infraestrutura de pagamento eletrônico.
- Câmera ou celular à prova d’água. A travessia de lancha bate bastante água em alguns trechos, e a Praia da Ferradura é um dos melhores cenários de foto de toda a viagem.
- Troca de roupa seca. Depois do banho de mar e da ducha rápida, uma muda seca faz diferença no caminho de volta de barco e depois de carro.
Vale a pena para criança e para quem tem mobilidade reduzida?
Para criança, o passeio funciona bem, principalmente pela Praia da Ferradura, com água calma e rasa em maré baixa, boa pra chapinhar sem susto. O ponto de atenção é a travessia de lancha, que balança bastante em alguns trechos, e a trilha até a Ferradura, curta mas com piso irregular, de pedra e terra batida, então criança pequena provavelmente vai precisar de colo em algum trecho.
Já para quem tem mobilidade reduzida, o passeio é mais desafiador. Não existe estrutura adaptada na ilha, o desembarque é direto na areia (o que, apesar de evitar molhar tudo, ainda exige caminhar em areia solta), e a trilha até a Ferradura tem trecho de subida em pedra. Vale considerar com calma antes de reservar, principalmente se a intenção for ir até o ponto mais alto da trilha, de onde dá pra ver a vista panorâmica da ilha.
Outras operadoras que fazem o mesmo trajeto
A Monteiro’s não é a única empresa autorizada a levar visitantes até a Ilha de Santo Aleixo. No dia do nosso passeio, reparamos grupos com pulseira de outra cor, identificados como clientes da Trânsito, outra operadora que faz a mesma travessia a partir da mesma base na Barra de Sirinhaém. Na prática, o roteiro do passeio (trilha, tempo de praia, estrutura de almoço) costuma ser bem parecido entre as operadoras, já que todas dependem da mesma estrutura natural da ilha. A diferença fica mais por conta de preço, horário de saída e atendimento no momento da reserva, então vale comparar antes de fechar, principalmente se você já tem um horário específico em mente para chegar entre os primeiros grupos do dia.
Vai explorar o litoral sul de Pernambuco?
A gente manda alerta de passagem e hotel todo dia na Comunidade VMM.
Esse post faz parte da nossa série Desbravando o Nordeste do Brasil. Veja também nosso roteiro completo de Porto de Galinhas, de onde partimos para esse passeio.
Perguntas frequentes
Como chegar na Ilha de Santo Aleixo?
O acesso é só de barco, saindo da Barra de Sirinhaém, a cerca de 40 minutos de carro de Porto de Galinhas. É preciso comprar o passeio com pelo menos 1 dia de antecedência direto pelo site da empresa, devido à lotação máxima diária.
A Ilha de Santo Aleixo tem história real de piratas?
Sim. A ilha está associada à primeira invasão francesa no Brasil (1531) e a episódios com corsários holandeses no século 17, ligados à disputa pelo comércio de pau-brasil, com posterior controle português da região.
O que é a Praia da Ferradura?
Fica no lado sul da Ilha de Santo Aleixo, uma enseada protegida por rochedos com água calma e transparente, formato que lembra uma ferradura, ótima para snorkel.
Quanto custa o passeio completo para a Ilha de Santo Aleixo?
O passeio com a Monteiro’s, uma das empresas autorizadas, custava R$ 80 por pessoa. O almoço é vendido à parte, e a ducha na ilha é cobrada R$ 5 por 1 minuto de água.
Qual a melhor época do ano para visitar a Ilha de Santo Aleixo?
A janela seca do litoral sul de Pernambuco, entre setembro e janeiro, costuma oferecer mar mais calmo para a travessia de lancha e menos risco de cancelamento por chuva. A maré baixa também deixa a Praia da Ferradura mais rasa e fácil de aproveitar.
O passeio para a Ilha de Santo Aleixo é indicado para criança?
Funciona bem, principalmente pela água calma e rasa da Praia da Ferradura em maré baixa. O ponto de atenção é a travessia de lancha, que balança em alguns trechos, e a trilha até a Ferradura, com piso irregular de pedra e terra batida.












