Fazia quase 9 anos que a gente não pisava em Buenos Aires. A última vez tinha sido na nossa lua de mel, em 2015, dez dias inteiros pela cidade e por Bariloche, sentados num banquinho de rua sonhando com hotéis que na época estavam bem fora do orçamento. Dessa vez voltamos de um jeito completamente diferente: como uma escala rápida dentro de uma viagem maior pela América do Sul, o Oriente Médio e a Europa, voando de classe executiva em dois trechos diferentes, com milhas, e escolhendo de propósito onde queríamos ficar hospedados. No total, essa viagem maior passou por 3 países em 3 classes executivas diferentes e 1 primeira classe, sempre pagando com milhas em vez de dinheiro. Esse guia é sobre a parte que aconteceu em Buenos Aires: a executiva da Swiss saindo de Guarulhos, poucas horas de cidade, o Hilton Puerto Madero que a gente prometeu conhecer há quase uma década, e a Qsuite da Qatar Airways que nos tirou de Ezeiza rumo a Doha.
Se você está pensando numa passagem relâmpago por Buenos Aires, testando se vale a pena voar de executiva num trecho curto, ou tentando decidir se vale o upgrade pago no Hilton Puerto Madero, esse relato tem os números reais, os erros que cometemos e o que a gente faria diferente da próxima vez.
Resumo rápido dessa passagem por Buenos Aires
- Tempo na cidade: menos de 24 horas, escala dentro de uma viagem maior pela América do Sul, Oriente Médio e Europa
- Ida: executiva da Swiss, Guarulhos → Buenos Aires, comprada com milhas (mais de 60% de economia)
- Hospedagem: Hilton Puerto Madero, quarto executivo com vista para a Puente de la Mujer e a Casa Rosada
- Onde comer: pizzaria Güerrín, clássico de Buenos Aires desde 2015
- Saída: Qsuite da Qatar Airways, Ezeiza → Doha, 120 mil milhas LATAM Pass (rota hoje cancelada)
- Preços verificados em: 14 a 15/08/2026 (câmbio, milhas e diárias mudam rápido na Argentina)
Sumário
- Sala VIP do Banco Safra em Guarulhos
- A experiência na executiva da Swiss até Buenos Aires
- Chegada em Buenos Aires: imigração e Uber até Puerto Madero
- Hilton Puerto Madero: status Gold e o early check-in
- Por que escolhemos justamente esse Hilton
- O que fazer em Buenos Aires em poucas horas
- Onde comer: a pizzaria Güerrín
- A Qsuite da Qatar: Buenos Aires a Doha com milhas
- Dentro da suíte: cabine, amenity kit e detalhes
- O jantar, a cama de casal e o café da manhã
- Quanto custou essa passagem por Buenos Aires
- O que valeu a pena
- O que não foi tão bom
- Erros e aprendizados
- Perguntas frequentes
Onde fica Buenos Aires
Sala VIP do Banco Safra em Guarulhos, sem precisar de cartão de crédito específico
Um detalhe que pouca gente sabe: você não precisa ter cartão de crédito premium para entrar numa sala VIP. Se está voando de classe executiva, na maioria das vezes o próprio bilhete já libera o acesso, sem depender de anuidade nenhuma. Foi assim que a gente entrou na Sala VIP do Banco Safra em Guarulhos, só pelo bilhete da executiva da Swiss.
Acordamos às 4 horas da manhã para sair do Pullman Guarulhos, hotel que fica pertinho do aeroporto e oferece transporte gratuito de ida e volta, tanto para quem chega quanto para quem embarca. Em menos de 15 minutos já estávamos no terminal certo, o que deixa tudo mais prático e, de quebra, mais barato do que pagar Uber de madrugada. Às 6 horas já estávamos dentro da sala VIP, bem tranquila naquele horário, aproveitando para tomar café antes do embarque: ovos mexidos, omelete e um cafezinho para mim (a Carol não come ovo de manhã).

As mesinhas do salão são meio tortas, meio bambas, então se você for comer mesmo vale mais a pena sentar nelas do que nas poltronas, que são confortáveis mas não são boa superfície de apoio. Da mesa dava para ver o movimento do terminal, a área do duty free e, mais na frente, os aviões pousando e decolando. Não é uma vista bonita, mas é interessante acompanhar o vaivém enquanto o café passa.


A experiência real na executiva da Swiss até Buenos Aires
Voamos na classe executiva da Swiss de Guarulhos até Buenos Aires com as passagens compradas com milhas, e conseguimos mais de 60% de economia em relação ao preço cobrado em dinheiro. No nosso caso, a econômica saía em torno de R$ 1.620 a R$ 1.664, e a executiva em torno de R$ 6.760 a R$ 6.800 se fosse paga em dinheiro. Usando milhas, essa diferença caiu para menos de 40% do valor cheio, o que faz desse tipo de trecho curto uma das formas mais acessíveis de experimentar a classe executiva pela primeira vez: o trajeto é rápido, dura menos de 3 horas, e a diferença entre econômica e executiva costuma ser grande em dinheiro.
O voo saiu bem cedinho, às 8h50 da manhã. Ainda bem que já tínhamos comido bem na sala VIP, porque o café da manhã servido a bordo da Swiss é bem simples. A aveia com frutas vermelhas estava boa, o croissant também, mas o resto da experiência decepcionou em vários pontos. Por ser um trecho de curta duração, a Swiss não entrega amenity kit: pedi três vezes ao comissário e não teve jeito nenhuma delas. Também não veio cobertor, nem travesseiro, nem bebida de boas-vindas, e nem sequer uma garrafinha de água disponível, como costuma ter em qualquer outra executiva que já testamos.

O assento em si é bonito, com detalhes em couro e um bom espaço para esticar as pernas, mas foi, sem exagero, o mais duro entre todas as executivas que já testamos em qualquer companhia. Antes da decolagem a tela não funcionou, e depois de decolar só passaram propagandas da própria Swiss, sem opção de assistir a um filme inteiro num trajeto tão curto. No fim do voo veio o chocolate de despedida, com a mensagem “Thank You for Flying Swiss” na embalagem, um dos poucos mimos desse trecho enxuto, mas suficiente para deixar um gosto bom antes de encarar a imigração argentina.

Pra quem nunca voou de executiva, vale reforçar: o real benefício de um trecho como esse não é o serviço de bordo. É o conforto do espaço, a prioridade no embarque e o acesso à sala VIP antes de voar. Não espere os mimos completos de um voo internacional mais longo, e vai gostar da experiência de qualquer forma.

Chegada em Buenos Aires: imigração tranquila, Uber caro até Puerto Madero
A imigração em Ezeiza foi bem tranquila, praticamente sem burocracia nenhuma. O funcionário só perguntou onde a gente estava hospedado, e liberou na hora. De lá, pegamos um Uber direto até o Puerto Madero, e não foi barato: deu cerca de US$ 16, já convertendo, o que ficou em quase R$ 90 só o trajeto. Ezeiza fica bem mais distante do Puerto Madero do que do centro tradicional de Buenos Aires, então vale considerar esse custo extra na hora de planejar onde ficar hospedado.
Hilton Puerto Madero: status Gold não garantiu o early check-in
Chegamos com o desafio de encaixar praticamente um dia inteiro de passeio em poucas horas, e esse desafio ficou ainda maior quando não conseguimos o early check-in no Hilton Puerto Madero, mesmo com status Gold. Segundo a recepção, o hotel estava lotado, com o nosso andar cheio de reservas. Tivemos que esperar até por volta das 14h30 para o quarto ficar pronto, mais de duas horas depois do horário padrão de check-in, o que comeu boa parte do pouco tempo que tínhamos na cidade.
Fizemos um upgrade de quarto pago por nós, não é benefício automático do status, para ter acesso ao lounge executivo enquanto esperávamos (sem valor fixo divulgado pelo hotel na época; verificando em 14/08/2026, a diária de um quarto executivo com acesso ao lounge no Hilton Puerto Madero aparece hoje na faixa de US$ 360 a US$ 560, segundo Kayak e HotelsCombined, variando bastante por data e disponibilidade). O lounge decepcionou um pouco: os snacks disponíveis eram basicamente Doritos, castanhas e amêndoas, sem muita variedade de bebida além de água, café e suco. Pode ser que fosse só aquele horário mais parado da tarde, mas de qualquer forma não foi o que esperávamos de um lounge de hotel cinco estrelas.
O quarto executivo fica no nono andar. O banheiro segue o padrão Hilton mais clássico, quase antigo: a bancada é surpreendentemente baixa (a Carol, que tem 1,66 metro, sentiu na prática essa altura desconfortável), mas o espelho é grande e bem iluminado. Tem banheira separada do box do chuveiro, algo raro em quarto de hotel hoje em dia, e a privada fica numa área à parte. Os amenities eram de uma marca que a gente nunca tinha visto antes, mas pelo menos o sabonete de mão era cheiroso e bom.
No restante do quarto, tem frigobar com mensagens de boas-vindas em português, inglês e espanhol avisando quais itens são cortesia: pegamos quatro águas sem custo, além de uma chaleira elétrica com sachês de café e chá. O guarda-roupa tem três prateleiras num tom de madeira bem escuro, clássico do Hilton, e uma porta que conecta esse quarto ao vizinho, sinal de que é pensado também para famílias que reservam dois quartos juntos. A cama é queen, espaçosa, com um mini closet junto do cofre, tábua de passar, cabides para pendurar roupa e dois roupões, só que sem pantufa (pedimos, mas não conseguiram trazer). O único ponto realmente contra é o carpete, praticamente onipresente nessa geração de hotéis da rede. A TV é uma LG de uns 46 polegadas, e o quarto ainda tem escrivaninha de trabalho e duas poltronas.
Mas o verdadeiro motivo de termos escolhido esse quarto específico foi a vista: dava direto para a Puente de la Mujer e, um pouco mais ao fundo, para a Casa Rosada. A Puente de la Mujer é uma ponte pedestre em Puerto Madero cujo desenho lembra o movimento da perna de uma mulher dançando tango. Antigamente ela abria para deixar os barcos passarem por baixo, mas isso não parece mais acontecer com frequência hoje em dia. Do terraço do lounge executivo dava para ver toda a área de Puerto Madero e, mais na frente, o bairro que a gente mais gosta em Buenos Aires.

Por que escolhemos justamente esse Hilton, quase 9 anos depois
Aqui vai o motivo mais bonito de toda essa passagem. Em 2015, na nossa lua de mel, viemos a Buenos Aires três vezes na mesma viagem: numa delas, na volta de Bariloche, tinha uma greve geral marcada para o país inteiro, e fomos obrigados a ficar mais dois dias na cidade sem ter planejado nada disso. Numa dessas visitas, sentamos num banquinho na rua, em frente à hamburgueria John B. Good’s (fomos lá duas vezes, e o hambúrguer, pelo menos naquela época, era muito bom), e dali tiramos uma foto bem ruim do letreiro do Hilton com o celular de 2015. Foi ali que combinamos, eu e a Carol, que seria muito bacana um dia voltar para Buenos Aires e se hospedar num hotel bacana como aquele.
Na nossa realidade de 2015, um hotel como o Hilton estava caro demais, bem fora do que a gente podia pagar naquela fase da vida. Nove anos depois, realizamos essa vontade antiga: voltamos para Buenos Aires e nos hospedamos exatamente ali, com aquela vista que a gente só via de fora, sentado no banquinho da hamburgueria.
O que fazer em Buenos Aires numa passagem de poucas horas
Como o próximo voo saía cedo, tivemos só algumas horas para aproveitar a cidade antes de descansar. Fomos andando do hotel até a Casa Rosada, aproveitando para tirar muitas fotos pelo caminho. Passamos em frente ao hotel onde ficamos hospedados em 2015, o 725 Continental, e seguimos até o Obelisco, relembrando os mesmos pontos de quase uma década atrás. É engraçado voltar a um lugar depois de tanto tempo e sentir, ao mesmo tempo, que tudo mudou e que nada mudou.

Tentamos ver de novo a Floralis Genérica, a escultura gigante em forma de flor que fecha e abre as pétalas, e de novo não tivemos sorte. Em 2015 ela estava em reforma e feia de se ver, a única foto que temos de lá é ruim. Dessa vez, depois de uma chuva forte no dia anterior, a estrutura estava toda fechada, com pétalas quebradas caídas no chão, sem acesso para se aproximar. Vamos ter que voltar mais uma vez a Buenos Aires, talvez daqui uns anos, só para finalmente conseguir aquela foto.
Para completar a novela desse dia curto, ainda ficamos sem internet no caminho de volta ao hotel: o pacote de internet internacional simplesmente parou de funcionar naquela hora, e voltamos praticamente no escuro digital, guiados pela memória de 9 anos atrás. Fica o aprendizado de sempre ter um mapa baixado offline como plano B, principalmente em trechos curtos como esse, onde não sobra tempo para resolver imprevisto de conectividade.
Voltamos também a passar pela Puente de la Mujer, e esse lugar carrega um significado que vai além da vista bonita do quarto: foi ali, há quase 9 anos, que gravamos os primeiros vídeos que deram origem a esse canal, ainda na nossa lua de mel. Tínhamos acabado de ganhar uma GoPro Hero 3 de presente e gravamos tudo de um jeito bem improvisado, sem saber direito como editar ou nem como começar um vídeo. Esses vídeos continuam disponíveis no canal até hoje, guardados como registro, porque o objetivo desde o início sempre foi documentar as nossas viagens para uma próxima geração assistir, no caso, para o Samuel. Era sábado agitado em Puerto Madero, bem diferente da Puerto Madero mais vazia que conhecemos em 2015, e voltar ali, tendo a chance de escolher onde ficar em vez de ser pego de surpresa por uma greve, foi um contraste e tanto.

À noite, ainda demos uma volta pela Puente de la Mujer iluminada, um dos cartões postais mais bonitos de Puerto Madero e o mesmo cenário que víamos direto da janela do quarto.

Onde comer: a pizzaria Güerrín, de novo, quase 9 anos depois
Depois de 9 anos, voltamos à Güerrín, que para a gente segue sendo uma das melhores pizzas que já comemos, e é bem famosa por lá. Era sábado, já passava das 16h30, e o lugar estava bem cheio, mas conseguimos mesa no segundo andar, mais fresquinho por causa do ar-condicionado (que, aliás, ficava pingando bem em cima da nossa mesa de vez em quando, mas não estragou a experiência).
Pedimos uma pizza de peperoni tamanho pequeno, que mesmo assim veio gigante, do tamanho de uma Pizza Hut. Em 2015 tínhamos pedido só de mozzarella, e dessa vez resolvemos experimentar o peperoni, que é bem mais picante e tem gosto mais forte que a calabresa brasileira. A Carol não gostou muito, achou o sabor forte e picante demais. Eu gostei, mas também acho que a versão só de mozzarella ainda é mais gostosa, então se você quiser repetir a experiência clássica, o pedido certo é a de mozzarella.

A conta fechou em 14.300 pesos argentinos pela pizza de peperoni e mais 2.100 pesos por uma Coca-Cola, total de 16.400 pesos, pagos com o cartão Wise sem nenhum problema, como aconteceu em toda a viagem.
Atualização de preço (verificado em 14/08/2026): a Argentina tem inflação e câmbio bem voláteis, então vale ler esses valores em pesos com data de validade curta. Uma matéria local (La 100/CienRadios) de agosto de 2026 registrou a pizza grande de mozzarella da própria Güerrín em 36.900 pesos argentinos, quase o dobro da referência de 29.900 pesos que ainda aparecia em matérias de abril do mesmo ano. Não é o mesmo item da nossa conta (pizza pequena de peperoni), mas dá a real dimensão de como o preço em pesos sobe rápido por lá. Nesse mesmo período, o câmbio girava em torno de 1 USD = 1.488 a 1.492 pesos no oficial (até 1.540 no dólar blue) e 1 real brasileiro = 287 a 294 pesos, segundo Investing.com, TN e XE.
Argentina não é destino Schengen, mas o imprevisto pode custar caro do mesmo jeito
A gente escapou de qualquer imprevisto médico nessa passagem por Buenos Aires, mas já teve viagem em que não foi assim. Consulta particular, remédio ou uma bagagem extraviada em cima da hora custam em dólar em qualquer país da América do Sul, e nenhum seguro de cartão de crédito genérico cobre tudo igual. Vale comparar planos específicos para viagem internacional antes de fechar a passagem, principalmente em trechos com conexão como esse.
A Qsuite da Qatar: de Buenos Aires a Doha com 120 mil milhas LATAM Pass
Depois dessas poucas horas em Buenos Aires, seguimos viagem de Ezeiza até Doha na Qsuite da Qatar Airways, considerada por muita gente a melhor classe executiva do mundo. Depois de testar, a gente entende bem o motivo. Pagamos 120 mil milhas LATAM Pass por pessoa nessa emissão, uma economia de mais de R$ 8.000 em relação ao valor cobrado em dinheiro pela mesma cabine. Vale registrar logo de cara que essa rota específica, Buenos Aires a Doha, foi cancelada pela Qatar depois da nossa viagem, então esse resgate exato não é mais possível hoje. Ainda assim, vale continuar de olho em outras origens de saída da América do Sul, como São Paulo, que segue ativa no mapa de rotas da Qatar e permite emitir a Qsuite com uma lógica de milhas parecida.
Atualização de rota e milhas (verificado em 14/08/2026): conferimos direto no mapa oficial de destinos da Qatar Airways e Buenos Aires (Ezeiza) segue listada só como destino de carga, sem operação regular de passageiros no trecho EZE-DOH e sem data de retomada anunciada. Quem pensar em replicar pela saída de São Paulo, vale saber que a tabela fixa da LATAM Pass para executiva na região Brasil–Oriente Médio (onde entra Doha) subiu bastante desde a nossa emissão: hoje gira em torno de 292 mil milhas por pessoa, bem mais que os 120 mil que pagamos nesse resgate específico de Buenos Aires. Vale sempre confirmar o valor exato com a central da LATAM Pass antes de montar o roteiro em cima desse número, porque o próprio programa avisa que pode variar no dia da cotação.
Entramos na cabine e a primeira reação foi de surpresa, ainda em solo. A gente já tinha visto dezenas de fotos e vídeos de review da Qsuite antes de embarcar, mas o tamanho real da cabine não bate com nenhuma imagem, é maior do que qualquer registro consegue transmitir. A Qsuite foi lançada pela Qatar Airways em 2017 e foi a primeira executiva comercial do mundo a trazer portas corrediças em cada suíte, além da possibilidade de juntar os assentos centrais numa configuração fechada para casais, duplas de amigos ou famílias viajando juntas. É esse conjunto de privacidade com flexibilidade que faz a Qsuite ser citada, ano após ano, como referência quando o assunto é a melhor executiva comercial disponível hoje.
Dentro da suíte: cabine com porta, amenity kit e o pedido que não colou
Estávamos na fileira 5, perto do meio da primeira área da executiva. Cada assento da Qsuite vira uma suíte individual com porta própria, e o painel lateral esconde mais detalhes do que parece à primeira vista. Puxando uma alavanca embaixo do painel, o compartimento sobe e revela um espaço extra para guardar fone de ouvido, água e itens pessoais. Do lado, ainda tem um mini assento adicional, pensado para quando duas pessoas da mesma reserva querem sentar juntas dentro da mesma suíte. Uma luzinha de leitura fica embutida na lateral, e apertando o mesmo botão de novo ela muda de posição para a frente do assento.
Fechando a porta, é privacidade total, literalmente uma suíte fechada dentro do avião, o motivo pelo qual a Qatar chama esse produto de Qsuite. Nos assentos do meio, como o nosso, você viaja no sentido contrário ao da aeronave, mas na prática não sentimos diferença nenhuma no conforto. O espaço para esticar as pernas também não é tão generoso quanto parece nas fotos quando você está sentado, mas deitado a sensação muda: os pés nem chegam até o fim do compartimento, então sobra espaço de sobra para quem vai dormir.

O amenity kit é da marca francesa Diptyque, com caixinha preta para o lado masculino e branca para o lado feminino. É bonito e bem-acabado, mas o perfume é forte para o nosso gosto. Ainda no início do voo pedimos uma nécessaire extra, e a comissária disse que ia verificar se sobrava alguma para nos dar. No fim das contas, mesmo insistindo, não veio nenhuma a mais. Vale registrar como é na prática: nem sempre o pedido extra é atendido, por mais educado que o comissário seja ao prometer verificar.
O pijama também rendeu uma situação engraçada. Recebi tamanho G, que ficou enorme em mim. Quando pedi para trocar, o comissário avaliou e falou que achava que o M ia ficar apertado, e simplesmente não trouxe outro tamanho. Em voos anteriores já usei o M e serviu bem melhor, então dessa vez fiquei com um pijama sobrando por todo lado durante o voo inteiro. Fica o aprendizado: se o tamanho importa muito para você, vale pedir logo no check-in em vez de só a bordo.

O jantar à la carte, a cama de casal e o café da manhã em Doha
Cada lado da cabine tem sua própria comissária dedicada, o que muda o ritmo do atendimento inteiro. A nossa veio explicar o cardápio pouco depois da decolagem, mostrou rápido e prático todos os botões do assento, e já anotou o pedido da Carol primeiro; o comissário do meu lado veio logo depois cuidar do meu pedido separadamente. Antes mesmo da comida, veio um drink de assinatura da Qatar de limão com hortelã, sem álcool, puro sabor cítrico e refrescante. Junto dele, um mix de castanhas mornas de aperitivo já dá o tom do nível de atendimento: para quem não bebe álcool, como a nossa família, as opções não alcoólicas do cardápio são muito boas e não fazem sentir falta de nada.
Escolhemos jantar cerca de uma hora depois de decolar, mas dá para pedir qualquer item do cardápio no horário que preferir, sem hora marcada. Essa liberdade, somada ao cuidado da mesa montada com toalha e talher de verdade, faz a experiência parecer mais mesa de restaurante do que bandeja de avião. De entrada veio camarão com um molho muito bom, e pouco depois mais camarão, esse com manga, coco e um molho pesto que surpreendeu pela combinação. No prato principal, pedi uma carne ao molho chimichurri no ponto certo, e a Carol pediu frango. De sobremesa veio a maior diferença da noite: a tarte tatin da Carol estava impecável, enquanto o sorvete que eu pedi não tinha nada de especial, sinceramente esquecível perto do resto do menu.

No meio do assento, a Qatar coloca uma proteção que transforma os dois assentos centrais numa cama de casal, com bastante espaço para dormir esticado sem ficar apertado um no outro. É um dos grandes diferenciais da Qsuite para quem viaja acompanhado, nenhuma outra executiva que já testamos oferece isso do mesmo jeito. O sistema de entretenimento também é muito bom, com telas grandes e catálogo completo em português, com a única ressalva de que os lançamentos mais recentes de filme vieram sem legenda em português, só com áudio original. O banheiro da executiva também é maior do que o padrão dos aviões, leva os produtos da mesma marca Diptyque, e tem três espelhos, incluindo um de aumento útil para quem precisa se arrumar antes de descer.
Foram 14h30 de voo, e deu para dormir algumas horas antes do café da manhã ser servido, já perto da chegada. Veio reforçado: iogurte grego com granola, frutas, pães e café expresso duplo para acordar de vez. Pedi ovos mexidos com linguiça e um tomate recheado de espinafre, que estava muito bom; a Carol foi por um caminho mais leve, com aveia, coco, morango e manga. Ainda exagerei e pedi uma panqueca com banana caramelizada e nozes, que nem consegui terminar de tanta comida já no estômago. Para fechar a experiência, não podia faltar o clássico chocolate suíço que a Qatar sempre serve no fim de um voo internacional, praticamente um ritual obrigatório para a gente fechar qualquer voo longo da companhia. Desembarcamos em Doha e seguimos direto viagem, com o trem do aeroporto nos levando para a próxima etapa da conexão.

120 mil milhas por uma executiva assim não é sorte, é conta feita
Um exemplo real: em julho de 2026 saiu um alerta de Fortaleza para Madrid por R$ 1.291,17 em econômica, usando milhas aéreas compradas com desconto. O mesmo tipo de alerta calculado sai toda semana pra Argentina e dezenas de outros destinos. Emissões como a Qsuite de Buenos Aires a Doha nasceram do mesmo tipo de cálculo: comprar milhas na promoção certa e emitir na rota que ainda compensa.
Quanto custou essa passagem por Buenos Aires
Reunindo os dois trechos de voo e o que gastamos em terra, esses foram os números reais dessa etapa da viagem:
| Item | Valor |
|---|---|
| Executiva Swiss, Guarulhos a Buenos Aires (por pessoa, em dinheiro) | R$ 6.760 a R$ 6.800 |
| Executiva Swiss, comprada com milhas | economia de mais de 60% |
| Econômica Swiss no mesmo trecho, referência | R$ 1.620 a R$ 1.664 |
| Uber Ezeiza → Puerto Madero | ≈ US$ 16 (quase R$ 90) |
| Upgrade de quarto no Hilton Puerto Madero (acesso ao lounge) | pago à parte, sem valor fixo divulgado pelo hotel na época; quarto executivo hoje (ago/2026) na faixa de US$ 360 a US$ 560/noite, segundo Kayak e HotelsCombined |
| Pizza de peperoni + Coca-Cola na Güerrín | 16.400 pesos argentinos |
| Qsuite Qatar, Buenos Aires a Doha (por pessoa) | 120 mil milhas LATAM Pass (resgate não existe mais; via São Paulo hoje sai por ≈ 292 mil milhas na tabela fixa atual) |
| Economia da Qsuite em relação ao valor em dinheiro (por pessoa) | mais de R$ 8.000 |
| Câmbio de referência verificado em 14/08/2026 (1 USD) | ≈ 1.488 a 1.492 pesos argentinos oficial, até 1.540 no dólar blue |
O que valeu a pena nessa passagem por Buenos Aires
- Mais de 60% de economia na executiva Swiss. Bom retorno mesmo num trecho curto de menos de 3 horas.
- Sala VIP acessível sem cartão específico. O próprio bilhete de executiva já libera o acesso à sala do Banco Safra em Guarulhos.
- Hilton Puerto Madero com significado real. Realização de uma promessa feita quase 9 anos antes, sentados num banquinho em frente ao hotel.
- A vista da Puente de la Mujer e da Casa Rosada. O motivo real por trás do upgrade de quarto pago.
- Güerrín continua imperdível. Pizza gigante, tradicional, uma das melhores que já comemos.
- 120 mil milhas LATAM Pass por uma das melhores executivas do mundo. Economia de mais de R$ 8.000 por pessoa na Qsuite.
- Cama de casal na Qsuite. Diferencial real para quem viaja em dupla e quer dormir perto.
- Imigração e pagamentos sem dor de cabeça. Entrada rápida em Ezeiza e cartão Wise funcionando sem problema em toda a Argentina.
O que não foi tão bom
- Sem amenity kit, cobertor ou travesseiro na Swiss. Pedi três vezes e não recebi nenhuma, padrão bem mais enxuto que outras executivas internacionais em trechos curtos.
- Assento mais duro que qualquer outra executiva já testada. Apesar do bom espaço para as pernas e dos detalhes em couro.
- Entretenimento da Swiss não funcionou direito. Tela travada antes da decolagem, só propaganda da própria companhia depois.
- Sem early check-in no Hilton mesmo com status Gold. Esperamos até 14h30 pelo quarto, consumindo horas preciosas do único dia em Buenos Aires.
- Lounge executivo do Hilton fraco em opções. Só Doritos e castanhas no horário em que passamos.
- Floralis Genérica fechada de novo. Segunda tentativa seguida, em anos diferentes, sem conseguir a foto.
- Nécessaire extra pedida na Qsuite não veio. A comissária disse que ia verificar, mas no fim não sobrou nenhuma.
- Pijama G ficou enorme, e a troca por M foi negada. O comissário decidiu não trazer outro tamanho.
- Rota Buenos Aires a Doha da Qatar foi cancelada. Esse resgate específico não é mais possível hoje.
Erros e aprendizados dessa passagem por Buenos Aires
Ficam alguns aprendizados práticos dessa etapa da viagem, principalmente para quem está planejando algo parecido: uma escala curta em Buenos Aires entre duas executivas.
- Status de fidelidade não é garantia. Mesmo com status Gold do Hilton, o quarto só ficou pronto às 14h30. Se o seu tempo na cidade for curto, vale já chegar sabendo que pode ter que deixar a bagagem na recepção e sair andando.
- Trechos curtos de executiva não têm o mesmo padrão de mimos. Amenity kit, cobertor e bebida de boas-vindas costumam ficar de fora em voos de menos de 3 horas, então o benefício real está no assento e na sala VIP, não no serviço de bordo.
- Pacote de internet internacional pode falhar na hora errada. Sempre vale baixar o mapa offline do bairro antes de sair andando, principalmente à noite.
- Uber do aeroporto de Ezeiza para Puerto Madero é caro. Vale comparar com opções de transfer combinado se estiver viajando em família maior.
- Itens extras a bordo, como nécessaire ou troca de pijama, nunca são garantidos. A disponibilidade depende do estoque daquele voo específico, então vale levar sempre uma reserva pessoal de itens básicos de higiene na bagagem de mão.
- Rotas de milhas específicas somem do mapa. A Qsuite de Buenos Aires a Doha existia quando pesquisamos e não existe mais hoje, então vale sempre checar a disponibilidade atual antes de montar um roteiro em cima de uma emissão específica.
Quer voar de executiva pela América do Sul gastando milhas em vez de dinheiro?
A equipe da DIA23 cuida de tudo: análise do seu programa de milhas, montagem da emissão certa e todo o planejamento da estadia em Buenos Aires, do hotel ao roteiro. Você aproveita a viagem. A gente resolve a logística.
Perguntas frequentes
Precisa de cartão de crédito específico para acessar a sala VIP do Banco Safra em Guarulhos?
Não necessariamente. Voando de classe executiva, na maioria das vezes o próprio bilhete já libera o acesso à sala, sem depender de nenhum cartão de crédito específico.
A executiva da Swiss entrega amenity kit em voos curtos como Guarulhos a Buenos Aires?
Não. Em voos de curta duração como esse, a Swiss não oferece amenity kit, cobertor, travesseiro nem bebida de boas-vindas, diferente do padrão mais completo de voos internacionais mais longos.
Vale a pena voar de executiva num trecho tão curto?
Para quem nunca voou de executiva, sim. É uma das formas mais acessíveis de ter essa primeira experiência: o trajeto é curto, a diferença de preço em dinheiro entre econômica e executiva costuma ser grande, e usando milhas essa diferença cai muito. O real benefício está no conforto do assento, na prioridade de embarque e no acesso à sala VIP, não no serviço de bordo completo.
O status Gold do Hilton garante check-in antecipado?
Não necessariamente. No Hilton Puerto Madero, mesmo com status Gold, tivemos que esperar até cerca de 14h30 para o quarto ficar disponível, porque o hotel estava com ocupação completa naquele dia. Vale sempre ter um plano B para deixar a bagagem e passear enquanto espera.
Quanto custa ir de Uber do aeroporto de Ezeiza até Puerto Madero?
Ficou em torno de US$ 16, o equivalente a quase R$ 90 no momento da viagem, já que Ezeiza fica bem mais distante do Puerto Madero do que do centro tradicional de Buenos Aires.
Vale a pena comer na pizzaria Güerrín em Buenos Aires?
Vale muito. É uma pizzaria tradicional e famosa da cidade. A recomendação é pedir a versão só de mozzarella, que agrada mais do que sabores mais picantes como o peperoni.
A Qsuite da Qatar é mesmo a melhor executiva do mundo?
É frequentemente considerada assim pela crítica especializada, principalmente pela privacidade da suíte com porta e pela possibilidade de formar cama de casal no meio da cabine. Depois de voar nela, entendemos o motivo: o nível de privacidade e o cardápio à la carte não têm muita concorrência em outras companhias.
Ainda dá para emitir a Qsuite de Buenos Aires para Doha por milhas?
Não. A Qatar cancelou essa rota específica depois da nossa viagem, e confirmamos em 14/08/2026 que Buenos Aires (Ezeiza) segue no mapa oficial da Qatar Airways só como destino de carga, sem voo de passageiros e sem data de retomada anunciada. Vale buscar outras origens de saída da América do Sul, como São Paulo, que segue disponível com uma lógica de emissão parecida, mas hoje custando mais milhas: cerca de 292 mil pela tabela fixa atual, contra os 120 mil que pagamos nesse resgate específico de Buenos Aires.
Quantas milhas custou a Qsuite e quanto isso dá de economia?
Pagamos 120 mil milhas LATAM Pass por pessoa, saindo de Ezeiza rumo a Doha, com uma economia de mais de R$ 8.000 em relação ao valor cobrado em dinheiro pela mesma cabine.
Dá para formar cama de casal na Qsuite?
Sim, só nos assentos do meio. A Qatar coloca uma proteção entre os dois assentos centrais que forma uma cama de casal com bastante espaço para dormir esticado.
É preciso ser Schengen para exigir seguro viagem indo para a Argentina?
Não, a Argentina não faz parte do espaço Schengen e não exige seguro viagem para entrar no país. Ainda assim, vale contratar um seguro internacional por conta própria, porque atendimento médico particular e remédio custam em dólar em qualquer país da América do Sul.









