Curitiba é daquelas cidades que surpreendem quem espera só “frio e chope”. A capital do Paraná é reconhecida internacionalmente por planejamento urbano, é cheia de parques bem cuidados, tem uma cena gastronômica forte de herança italiana, alemã e polonesa, e um museu que virou símbolo da cidade antes mesmo de qualquer point turístico tradicional. Separamos aqui o roteiro completo que fizemos, com a história por trás de cada lugar.
Por que Curitiba virou referência mundial em planejamento urbano
Antes de entrar nas atrações, vale entender por que Curitiba é diferente de qualquer outra capital brasileira. O marco foi o Plano Diretor de Curitiba, adotado em 1968, que passou a integrar o uso do solo com o transporte público de um jeito pioneiro no Brasil. A grande inovação, associada ao ex-prefeito e urbanista Jaime Lerner, foi o sistema de corredores exclusivos de ônibus, com embarque em nível direto nas famosas estações tubo, criando o que depois o mundo inteiro passou a chamar de BRT (Bus Rapid Transit). O modelo permitiu à cidade ter um transporte de massa eficiente sem precisar construir metrô, e foi copiado por diversas cidades ao redor do mundo.
Essa mesma lógica de planejamento se estendeu pra áreas verdes e políticas ambientais, o que rendeu à cidade o apelido de “capital ecológica” do Brasil. É por isso que Curitiba tem tantos parques bem cuidados e uma sensação de organização que chama atenção de quem visita de outros estados.
Museu Oscar Niemeyer (MON), o Museu do Olho
O Museu Oscar Niemeyer é a atração mais icônica de Curitiba, tanto que ganhou o apelido de “Museu do Olho” por causa do anexo em formato de olho, projetado pelo próprio Oscar Niemeyer. O museu abriga o maior acervo de arte contemporânea do Paraná, com exposições que misturam pintura, escultura, fotografia e arquitetura, e o prédio em si já é uma obra de arte, com rampas, curvas e volumes bem característicos do estilo do arquiteto. Vale reservar pelo menos 1h30 a 2h de visita, entre o prédio principal e o anexo do olho.


Jardim Botânico, o cartão-postal da cidade
Oficialmente chamado de Jardim Botânico Fábio Barreto de Godoy Bueno, o Jardim Botânico de Curitiba é um dos lugares mais fotografados da cidade, principalmente por causa da estufa de ferro e vidro no estilo Art Nouveau, inspirada no Palácio de Cristal de Londres. Os jardins seguem um traçado formal, em estilo francês, com canteiros geométricos, e o espaço também tem um museu botânico dentro da estufa. É um passeio tranquilo, gratuito, e perfeito pra quem quer boas fotos de manhã, quando o movimento ainda está baixo.

Parque Tanguá, a pedreira que virou parque
O Parque Tanguá tem uma origem curiosa: a área era uma antiga pedreira de extração de pedra, desativada e depois transformada em parque público, aproveitando o relevo natural que a extração deixou. O resultado é um dos parques mais bonitos da cidade, com um mirante que dá vista para um lago dentro da cratera formada pela pedreira, cascatas artificiais e um túnel que liga as duas partes do parque. É um contraste e tanto: um lugar que já foi puramente industrial virou um dos points mais bonitos e visitados de Curitiba.
Santa Felicidade, o bairro da colônia italiana
Santa Felicidade é o bairro fundado por imigrantes italianos, e até hoje é conhecido como a “capital do vinho” e da gastronomia italiana em Curitiba. As ruas são cheias de cantinas tradicionais, com pratos fartos e clima de família italiana mesmo. É o lugar certo pra um jantar com massa, polenta e vinho depois de um dia inteiro de passeio pela cidade. Jantamos no Madalosso, um clássico do bairro em funcionamento desde 1970, com o rodízio de massas e carnes no estilo bufê, servido em porções grandes, no formato tradicional das cantinas italianas locais.

Rua 24 Horas, gastronomia e compras a qualquer hora
A Rua 24 Horas é uma rua coberta no centro histórico de Curitiba, com restaurantes, lanchonetes e lojas que funcionam, como o nome já entrega, 24 horas por dia. É um point útil pra quem quer comer algo fora do horário convencional ou só passear por um ambiente coberto e colorido, com boa estrutura pra família.
Praça Tiradentes, o marco zero da cidade
A Praça Tiradentes é considerada o marco zero de Curitiba, o ponto de origem da cidade, e fica bem no centro histórico, cercada por construções antigas e pela Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. É um ótimo ponto de partida pra caminhar pelo centro histórico e conhecer o Largo da Ordem, com seu calçamento de pedra e casarões preservados.
O Largo da Ordem tem uma história de nomes que conta a própria evolução da cidade: no século 18 era conhecido como Páteo de Nossa Senhora do Terço, depois virou Páteo de São Francisco das Chagas, e só em 1917 ganhou o nome de Largo Coronel Enéas, em homenagem ao coronel Benedicto Enéas de Paula. Ao longo dos séculos 18, 19 e 20, o espaço se consolidou como ponto de encontro comercial da cidade, ligado à circulação de tropeiros, e hoje reúne igrejas e casarios de diferentes épocas que ajudam a contar a Curitiba colonial e imperial. Aos domingos de manhã, vale a pena conferir a Feira de Arte do Largo da Ordem, tradicional na cidade.
Onde ficamos hospedados
Usamos Curitiba como uma parada de conforto, e ficamos no Grand Mercure Curitiba, com pontos ALL Accor. Contamos lá todos os detalhes da hospedagem, do upgrade que conseguimos ao café da manhã.
As boas desse roteiro em Curitiba
- Cidade bem planejada e fácil de circular. As principais atrações ficam relativamente próximas, dá pra encaixar várias num só dia.
- Mistura de cultura europeia real. Santa Felicidade (italiana), arquitetura alemã e polonesa espalhadas pela cidade, tudo dá um clima diferente do resto do Brasil.
- Parques gratuitos e bem cuidados. Jardim Botânico e Parque Tanguá não cobram entrada e valem muito a visita.
- MON é obrigatório. Mesmo quem não curte muito museu se surpreende com a arquitetura do prédio.
O que não foi tão bom
- Clima instável. Curitiba muda de temperatura rápido, então vale sempre levar um casaco mesmo em dias que começam quentes.
- Distância entre alguns pontos. Apesar de bem planejada, a cidade é grande, e vale considerar transporte por aplicativo entre um parque e outro.
Investimentos desse roteiro
| Atração | Entrada |
|---|---|
| Museu Oscar Niemeyer (MON) | Gratuita (verificar dias promocionais) |
| Jardim Botânico | Gratuita |
| Parque Tanguá | Gratuita |
| Rua 24 Horas | Gratuita (gasto só com o consumo) |
| Praça Tiradentes / Largo da Ordem | Gratuita |
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Perguntas frequentes
Por que o MON é chamado de Museu do Olho?
Por causa do anexo em formato de olho, projetado por Oscar Niemeyer, que se tornou o símbolo mais reconhecível do museu e da própria cidade de Curitiba.
O Parque Tanguá cobra entrada?
Não, a entrada é gratuita. O parque foi construído em uma antiga pedreira desativada, aproveitando o relevo deixado pela extração de pedra.
Quantos dias são necessários para conhecer Curitiba?
Dá pra ver os principais pontos (MON, Jardim Botânico, Parque Tanguá e centro histórico) em 2 dias tranquilos, mas quem quiser incluir Santa Felicidade e explorar com calma pode reservar 3 dias.
O que comer em Santa Felicidade, em Curitiba?
O bairro é famoso pelas cantinas italianas tradicionais, com destaque para casas centenárias como o Madalosso, que serve rodízio de massas e carnes no formato bufê, um clássico da colônia italiana da cidade desde os anos 1970.












