Fechamos nossa viagem de 16 dias pela Europa voando de executiva na companhia aérea mais antiga do mundo ainda em operação: a KLM. Foi nossa terceira executiva da viagem, e ainda passamos por uma sala VIP gigantesca no Aeroporto de Schiphol antes do embarque. Separei aqui como compramos a passagem com milhas, a experiência da sala VIP, como foi o voo na aeronave mais nova da frota da companhia, e um passo a passo completo de como você mesmo pode fazer esse resgate.
Como compramos a executiva com milhas Smiles
A KLM é parceira da Gol no Brasil, então usamos milhas Smiles para emitir essa passagem, fazendo o trecho Amsterdã → Guarulhos. A pesquisa direta no site da Smiles costuma mostrar apenas a “tarifa comercial” (o valor em dinheiro convertido em milhas), que fica em torno de 400 mil milhas por pessoa, um valor nada interessante.

Usando a ferramenta de busca do programa Flying Blue (compartilhado entre KLM e Air France), encontramos as chamadas tarifas award: passagens com desconto real de disponibilidade limitada. Nessa busca, encontramos o trecho por cerca de 98 mil milhas por pessoa mais taxa de embarque. Comprando as milhas em promoção (que já chegou a sair por R$ 12 a R$ 14,70 o milheiro), o custo final da executiva ficou por menos da metade do valor cobrado em dinheiro, que giraria em torno de R$ 17.000 pelo mesmo trecho, uma economia de mais de 40%.
O Sam, ainda bebê na época, pagou apenas 12% da tarifa comercial nesse trecho.
Passo a passo para resgatar executiva com milhas Smiles ou Flying Blue
Muita gente desiste de tentar essa rota assim que abre o site da Smiles e vê o preço em milhas na tarifa comercial. O segredo é que existe outro caminho, e é o mesmo que usamos nessa emissão. Deixamos aqui o passo a passo prático:
- Pesquise primeiro no site do Flying Blue, não no da Smiles. O programa de fidelidade da Air France e da KLM mostra a disponibilidade real de assentos com milhas (as tarifas award), enquanto a busca padrão da Smiles costuma devolver só a conversão da tarifa comercial, sempre mais cara.
- Use a busca por calendário do Flying Blue. A ferramenta “Calendário de tarifas” do próprio site do programa mostra o preço em milhas dia a dia, o que ajuda a enxergar rapidamente quais datas têm assento liberado em tarifa promocional (o próprio programa chama isso de Promo Rewards ou tarifa Flex/Standard, dependendo do momento).
- Confirme a disponibilidade também insergindo datas flexíveis. Como o resgate award depende de assento liberado pela companhia (e não é fixo o ano todo), vale testar +/- 3 a 5 dias na mesma pesquisa antes de fechar a data do voo de ida e volta.
- Transfira as milhas de banco/cartão para a Smiles no momento certo. A maioria de quem consegue tarifas assim não tem milhas “paradas” na conta, e sim compra pontos de programas bancários (Livelo, Esfera, Iupp) em dias de bônus e transfere pra Smiles horas antes de emitir, evitando ficar com milhas paradas perdendo valor.
- Confira o câmbio do milheiro antes de comprar. Vale a pena calcular quanto custou cada 1.000 milhas na promoção que você aproveitou, e comparar com o preço da passagem em dinheiro na mesma data. Se o milheiro sair abaixo de R$ 20, dificilmente compensa comprar a passagem em espécie numa executiva internacional.
- Emita named e não fique só olhando. Assento de tarifa award em executiva costuma sumir rápido, principalmente em datas de alta temporada (verão europeu, feriados). Assim que encontrar a disponibilidade certa com o preço combinando, emita na hora.
- Cheque as taxas de embarque à parte. O valor em milhas não inclui taxas de embarque e algumas sobretaxas de combustível cobradas separadamente em reais ou dólares no fechamento da compra, então sempre calcule o custo total (milhas + taxa) antes de decidir se vale a pena.
Vale reforçar: esse tipo de tarifa muda de mês a mês, porque depende de quantos assentos a companhia libera pra resgate, então não existe uma tabela fixa de “sempre vai custar X mil milhas” pra esse trecho. O que existe é um jeito certo de pesquisar (Flying Blue, não a busca padrão da Smiles) e um hábito de comprar milhas em promoção antes de precisar delas.
A aeronave: Boeing 787-9 Dreamliner na rota Amsterdã, Guarulhos
A KLM opera o trecho Amsterdã, Guarulhos com o Boeing 787-9 Dreamliner, um dos aviões mais modernos e eficientes da frota da companhia. É essa aeronave que carrega a nova cabine executiva com portas em cada poltrona que a gente encontrou no nosso voo (no sentido de volta, Guarulhos, Amsterdã, a companhia costuma escalar o Boeing 777, que também já recebeu a mesma retrofit de cabine com porta em cada assento).
A cabine executiva do 787-9 da KLM tem 30 poltronas, na configuração 1-2-1 conhecida como reverse herringbone (poltronas em “espinha de peixe” alternadas, cada uma virada em diagonal e com acesso direto ao corredor). Isso significa que praticamente todo passageiro tem acesso ao corredor sem precisar pedir licença pro vizinho, mesmo nos assentos do meio. A poltrona vira cama plana com cerca de 2 metros de comprimento, tem porta de privacidade que desliza e fecha (a mesma tecnologia usada por outras companhias premium), tela de entretenimento grande e boa qualidade de imagem, além de iluminação de cabine desenhada pela Hella Jongerius, designer holandesa que assina toda a identidade visual mais recente da companhia.
Essa cabine é relativamente nova na frota: a KLM vinha voando por anos com assentos executivos mais antigos, sem porta e com menos privacidade, e só nos últimos anos concluiu a modernização completa tanto dos 787 quanto dos 777, entregando o mesmo padrão de porta individual nos dois modelos. Foi justamente essa cabine renovada que a gente pegou nesse voo, e o salto de conforto em relação à executiva “antiga” (sem porta, com poltronas voltadas todas pra frente) é grande.
KLM Crown Lounge: gigante, mas pouca opção para criança
A sala VIP da KLM no Aeroporto de Schiphol, a Crown Lounge, é gigantesca, com 2 andares e áreas distintas (incluindo o espaço Blue by KLM). O café da manhã tinha bastante gente e menos variedade do que esperávamos, mas o almoço, servido depois, tinha arroz, macarrão, carne, saladas variadas e hummus. Há também um coffee bar para pedir cafés especiais.
Um detalhe curioso: quem voa de executiva ganha uma casinha de porcelana colecionável da KLM a cada voo, numeradas de 1 a 100. Já temos algumas dessa coleção. Por outro lado, apesar do tamanho enorme da sala, não encontramos nenhum espaço dedicado para crianças, nem fraldário além do banheiro adaptado, algo que a sala VIP de Brasília, por exemplo, já oferece.
A Crown Lounge também tem cápsulas de descanso pra quem quer dormir antes do embarque, mas o uso é pago, 39 euros por 2 horas. Existe ainda um serviço de banho gratuito, só que funciona por agendamento na recepção, e no horário que passamos por lá a próxima vaga só abria ao meio-dia, então não deu tempo de aproveitar antes do nosso voo.
O voo: cabine nova, portas na executiva
Voamos na configuração mais nova da cabine executiva da KLM, 1-2-1, com portas em cada poltrona (mais privacidade) e assentos bem confortáveis. O amenity kit é bonito e vira uma boa lembrança. O atendimento foi excelente, comissários atenciosos e de bom humor, e o Sam se divertiu com jogos e filmes infantis.


Na refeição, pedimos massa recheada com salmão de entrada, e no prato principal uma degustação com tirinhas de carne, frango ao curry, legumes e arroz, além de um cozido de carne com purê de batata. De sobremesa, bolo de chocolate, tortinha de limão e depois ainda pedimos sorvete Häagen-Dazs de cheesecake de cereja e um mini hambúrguer, tudo incluso na experiência da executiva.
KLM x outras companhias na rota Europa, Brasil em executiva
A KLM não é a única opção pra sair da Europa e chegar direto no Brasil de executiva com boa privacidade. Pra quem está pesquisando essa rota e comparando alternativas de voo e de resgate com milhas, vale conhecer o cenário:
- Air France. Irmã da KLM (mesmo grupo, mesmo programa Flying Blue), voa Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. A cabine mais nova da Air France tem porta de privacidade e tela maior que a da KLM, sendo considerada por muita gente a melhor executiva do grupo hoje. As regras de resgate com milhas Smiles ou Flying Blue são as mesmas usadas nesse voo da KLM.
- TAP Air Portugal. Voa de Lisboa pra mais de dez cidades brasileiras, incluindo Brasília, o que facilita muito pra quem mora fora do eixo Rio, São Paulo. A tripulação fala português, o que ajuda bastante com criança a bordo, mas a cabine executiva da TAP costuma ser considerada mais simples que a da KLM ou da Air France.
- Lufthansa. Voa de São Paulo e Rio de Janeiro pra Frankfurt e Munique, com a cabine Allegris mais recente trazendo porta de privacidade em alguns assentos, dependendo da aeronave escalada no dia.
- British Airways. Conecta Londres a São Paulo e Rio de Janeiro, com boa rede de conexões dentro da Europa pra quem sai de outras cidades, mas geralmente exige parada em Londres.
- Latam. Não tem voo direto Europa, Brasil na maioria das rotas, mas conecta bem via Lima ou São Paulo pra quem já está com milhas acumuladas em programas parceiros da Star Alliance ou da própria Latam Pass.
Na nossa experiência, o que definiu a escolha pela KLM nesse trecho não foi só o produto (que é ótimo), foi a disponibilidade real de tarifa award no Flying Blue na data que precisávamos, junto com o fato de já termos boa reserva de milhas Smiles acumuladas. Vale sempre pesquisar mais de uma companhia antes de fechar, porque a disponibilidade de assento com milhas muda de mês pra mês, e às vezes uma companhia “concorrente” libera mais espaço do que a primeira opção que você tinha em mente.
Dicas para conseguir a melhor tarifa e disponibilidade de milhas
- Não acumule milhas “à toa”. Foque em juntar pontos de programas de cartão de crédito e bancos (Livelo, Esfera, Iupp) que permitem transferência pra vários programas de milhagem diferentes, incluindo Smiles. Assim você mantém flexibilidade pra escolher a companhia com melhor disponibilidade na hora de emitir, em vez de ficar refém de um programa só.
- Acompanhe as promoções de transferência bonificada. Bancos e programas de pontos costumam lançar bônus de transferência pra Smiles (às vezes 80% ou mais) várias vezes ao ano, e é nesses dias que o milheiro sai mais barato. Vale ter conta em mais de um banco/programa pra aumentar as chances de pegar a promoção certa.
- Pesquise direto no site do Flying Blue, sempre. Como reforçamos no passo a passo acima, é lá que aparece a disponibilidade real de tarifa award, não na busca padrão da Smiles.
- Tenha flexibilidade de datas. Quanto mais rígida a data (por exemplo, um feriado específico), menor a chance de achar tarifa award boa. Datas de baixa temporada na Europa (fora de junho a agosto e fora das festas de fim de ano) costumam ter mais espaço liberado.
- Fique de olho no status de elite. Ter status mais alto num programa de milhagem costuma abrir prioridade de espera em lista de upgrade e, em alguns programas, acesso a tarifas award com desconto adicional.
- Calcule sempre o custo por milheiro antes de emitir. Anote o valor pago por 1.000 milhas em cada transferência bonificada que você fizer ao longo do ano. Isso ajuda a saber, na hora de emitir, se está valendo a pena usar aquelas milhas ali ou se compensa mais guardar pra outro resgate.
De volta ao Brasil: mais 2 salas VIP
Depois de pousar em Guarulhos, ainda tivemos que pernoitar antes do voo final para Brasília (a Gol havia alterado nosso horário original), e ficamos no Pullman Guarulhos, conseguindo upgrade e um segundo quarto com 50% de desconto numa promoção. O quarto tinha cama king size, amenities da L’Occitane au Brésil, chinelo tipo havaiana personalizado com a marca do hotel, e uma vista de um lago em frente ao prédio, que só dava pra ver direito de dia. Único ponto negativo repetido: carpete no quarto, mesmo padrão de outros Accor da viagem.
No dia seguinte, aproveitamos a sala VIP da Gol no aeroporto: acesso liberado pelo nosso status Diamante na companhia, mais um acompanhante, e ainda usamos um segundo acesso via cartão XP com Dragon Pass para o terceiro adulto do grupo. A sala estava bem mais tranquila do que a Crown Lounge da KLM, com opções como suco de caju, sanduíche de salame, quiche, pizza e sopa de cenoura com frango, além de banho disponível mediante retirada de chave na recepção.
As boas dessa etapa final
- Mais de 40% de economia usando tarifa award. Executiva que custaria R$ 17.000 saiu por menos da metade.
- Cabine nova com portas na executiva. Mais privacidade e conforto no voo mais longo da viagem, no Boeing 787-9 Dreamliner.
- 4 salas VIP diferentes só nessa etapa final. KLM Crown Lounge, Pullman Guarulhos e sala Gol.
O que não foi tão bom
- Sala VIP da KLM sem espaço para crianças. Estrutura gigante, mas zero suporte pra família com bebê.
- Café da manhã lotado e com pouca opção. Melhorou bastante no horário do almoço.
Investimentos dessa etapa
| Item | Valor |
|---|---|
| Executiva KLM Amsterdã → Guarulhos (por pessoa, em milhas) | ~98 mil milhas + taxas |
| Mesmo trecho comprado em dinheiro | ~R$ 17.000 |
| Economia usando tarifa award | Mais de 40% |
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Essa foi a etapa final da nossa viagem por Paris, Bruxelas e Amsterdã. Veja o custo completo dos 16 dias em Quanto Custa Viajar para a Europa.
Perguntas frequentes
Como comprar executiva da KLM com milhas Smiles?
A KLM é parceira da Gol no Brasil. Pesquisando direto no site da Smiles você costuma achar só a tarifa comercial, bem cara. Use a ferramenta do programa Flying Blue (KLM/Air France) para localizar as tarifas award, com desconto real de até 40%.
Vale a pena a sala VIP KLM Crown Lounge em Schiphol?
Vale, principalmente no horário de almoço, com boa variedade de comida. Só não é uma boa opção para quem viaja com crianças pequenas, já que não tem nenhum espaço dedicado a elas.
Qual avião a KLM usa no trecho Amsterdã, Guarulhos?
A KLM opera esse trecho com o Boeing 787-9 Dreamliner, com cabine executiva 1-2-1 (reverse herringbone), 30 poltronas com porta de privacidade individual, cama plana de cerca de 2 metros e tela grande de entretenimento. No sentido Guarulhos, Amsterdã, a companhia costuma escalar o Boeing 777, que já recebeu a mesma retrofit de cabine com porta.
Quanto custa em milhas a executiva da KLM entre Amsterdã e Guarulhos?
No nosso resgate, pagamos cerca de 98 mil milhas por pessoa mais taxa de embarque, usando tarifa award pesquisada no site do Flying Blue. Esse valor varia bastante mês a mês, dependendo da disponibilidade de assento que a companhia libera pra resgate, então não existe um preço fixo garantido.
Qual a diferença entre pesquisar no site da Smiles e no Flying Blue?
A busca padrão da Smiles costuma mostrar só a tarifa comercial (a conversão do preço em dinheiro pra milhas, sempre mais cara). Já a busca do Flying Blue mostra a disponibilidade real de tarifa award, com desconto de até 40% ou mais em relação à compra em dinheiro. É por isso que sempre vale checar o Flying Blue antes de emitir pela Smiles.
A KLM é melhor que a Air France em classe executiva?
São bem parecidas, já que fazem parte do mesmo grupo e usam o mesmo programa de milhas. A cabine mais recente da Air France tem porta de privacidade e tela de entretenimento um pouco maior, sendo considerada por alguns viajantes ligeiramente melhor. A KLM, por outro lado, tem a vantagem de rotas diretas próprias no Brasil e a experiência simpática da sala VIP e das casinhas colecionáveis.
Vale a pena comprar milhas pra emitir executiva internacional?
Vale, desde que o milheiro saia numa promoção de transferência bonificada com preço baixo (na faixa de R$ 12 a R$ 16 o milheiro, dependendo do momento) e a tarifa award esteja disponível na data que você precisa. Comparando com o preço da passagem em dinheiro, a economia costuma passar de 40% numa executiva de longo curso como essa.
É possível levar criança de graça ou com desconto grande na executiva com milhas?
Sim, dependendo do programa e da idade da criança. No nosso caso, o Sam, ainda bebê, pagou apenas 12% da tarifa comercial no mesmo trecho, o que reforça que viajar em família de executiva com milhas pode sair bem mais barato proporcionalmente do que parece à primeira vista.



